DYNAMICS & COLOURS - flute TUTORIAL
Olá, o meu nome é Emily Beynon e hoje Vou falar sobre dinâmicas e cores
Neste vídeo vou falar sobre: o que quero dizer com dinâmicas e cores, como podemos experimentar e explorá-los e que exercícios são melhores para expandi-los!
Então, de que estamos exactamente a falar quando falamos de dinâmicas e cores?
A dinâmica são os diferentes níveis de som e, de um modo geral, variam de pp (muito suave) a ff (muito forte)
Mas, hoje em dia os compositores gostam de levar músicos ao limite e eu já vi até 5 ou 6 "p" e "f" escritos!
Então vamos começar por estabelecer que não estamos a falar de uma ciência exacta aqui; não estamos a lidar com um número exato de decibéis
Num contexto, piano pode significar algo muito diferente de um piano noutro, dependendo da instrumentação e do registo, por exemplo.
Na orquestra, muitas vezes, os solos são marcados como piano, mas na verdade precisam de ser tocados mf ou mesmo forte no contexto sinfónico
Por outro lado, um piano coral de sopros de madeira, pode muito bem precisar de ser tocado pianissimo pelos músicos individuais para criar um som de piano coletivo
Por isso, prefiro pensar em dinâmicas em termos de CARÁCTERES de som e é por isso que agrupei estes dois temas ENORMES hoje!
Porque, em termos gerais, se virmos o painel de controlo no cérebro de um flautista como algo parecido com esta incrível mesa de mistura... com todos estes botões, mostradores e deslizantes...
... no que toca a isso, existem basicamente 3 controlos que realmente fazem a maior diferença: dinâmico, cor e vibrato.
E idealmente, cada um destes deve ser completamente independente dos outros
Assim, numa extremidade da escala podemos ter uma dinâmica muito suave, com muito pouca densidade e sem vibrato...
... e no outro extremo, uma dinâmica forte com uma cor de tom muito escura, intensa e muito vibrato
Então, se temos 3 níveis dinâmicos claros, 3 tipos de cores de tom e 3 tipos diferentes de vibrato.... isso torna possíveis 27 diferentes sons Nada mal!
Mas se tiveres QUATRO níveis de cada, então estavam a falar de uns incríveis 64 sons diferentes...
Vês então o quão variada pode tornar-se a tua performance e isso permite que aconteça música interessante e "pintura" com o som
Claro, um som forte saudável e completo PROVAVELMENTE contém um vibrato e energia completos e saudáveis, e o tocar suavemente talvez tenha menos núcleo ou foco e talvez um pouco menos vibrato, mas não necessariamente!!
Particularmente no piano, temos de ter muito cuidado para usar mais concentração e esforço e uma articulação mais clara
Certamente NÃO é apenas um forte pálido ou fraco!
Como escreve Michel Debost no seu livro "A Flauta Simples",
"Não cometas o erro de equiparar esforço com dinâmica! "
Na verdade, quase acho que o toco mais descontraidamente quando toco de uma forma plena, saudável e aberta, e esforço-me mais para tocar mais suavemente!
Em todo o caso, não há realmente nenhuma desculpa para o que eu chamo, "tocar em modo pré-definido” tente sempre imaginar onde na escala cada uma destas variáveis está cada frase ou mesmo cada parte da frase ou talvez até mesmo cada nota!
Um dos primeiros vídeos que fiz neste canal foi sobre a mecânica do vibrato e como praticá-lo, e fica descansado, na minha lista de tópicos futuros é outro vídeo, "vibrato - parte 2" em que eu vou falar sobre a aplicação musical do vibrato
Mas hoje vamos focar-nos nas outras 2 variáveis - dinâmicas e cores
DINÂMICA
Vamos olhar para a história da dinâmica por um momento:
Gabrielli foi um dos primeiros compositores a notar dinâmicas na sua música, e cerca de 100 anos depois,
Johann Sebastian Bach ocasionalmente acrescentou algumas palavras, como forte, piano, più piano, e pianissimo para momentos ou efeitos especiais...
Mas, de um modo geral, os compositores não escreveram muitas dinâmicas até ao final do século XVIII.
Mas isso não significa que a maneira de tocar era constantemente na mesma dinâmica; em 1752, no livro de Quantz, "On Playing the Flute", ele escreve que
"A luz e a sombra devem ser constantemente introduzidas... pelo intercâmbio incessante de forte e macio. "
E se pensares em tocar cravo, é claro que tocar notas simples soa muito mais suave do que tocar muitas notas juntas, o que era uma forma dos compositores variarem a dinâmica sem realmente ter que o escrever na parte
Um pouco mais tarde vemos Haydn e Mozart, por exemplo, regularmente usando pp e ff, e, claro, o rebelde, Beethoven, foi ainda mais longe para ppp e fff
Agora, neste ponto, poderíamos seguir o caminho espinhoso de como Schubert geralmente significa um gesto diminuendo quando escreve "fp" e quando Brahms escreve "pf" significa, confusamente, "como caráter de forte, mas o som piano"...
... mas abre todo o tema dos acentos e ênfase na música e acho que temos mais do que o suficiente para considerar hoje sem acrescentar essa dimensão extra!
Então vamos passar para o próximo tópico, cor
COR
Acho muito difícil encontrar palavras que sejam claras e não permitam mal-entendidos
Descrever o som é algo muito subjectivo e aberto a uma miríade de interpretações
Então, quando falo de um som muito compacto ou denso, uso palavras como escuro, focado, duro e intenso enquanto que se eu usar um som difuso com muito ar, eu falo em termos de macio, oco, transparente, delicado, pálido, gentil e assim por diante
Então, quando juntamos dinâmicas e cores, a minha visão é esta:
- começamos com uma simples imagem de algumas árvores... . simplesmente os contornos em preto num fundo branco, assim como o nosso código musical na página;
- pontos pretos em papel branco... estas são as notas, os ossos nus da música
- se então adicionarmos a dinâmica - e começarmos a ver alguma profundidade emergir na imagem... se, em seguida, adicionarmos os outros detalhes dados pelo compositor; articulação, acentos e assim por diante... começa a ficar muito bonito... poderíamos até deixá-lo aqui,
... mas se subtilmente começarmos a adicionar cor à nossa técnica, então gradualmente, a imagem da nossa peça de música vai tornar-se cada vez mais vívida até a sua verdadeira beleza natural brilhar
PORQUÊ?
Agora, a grande questão é: porque não usamos o mais amplo leque de dinâmicas e cores possível em todos os momentos?
A produção sonora criativa começa nos ouvidos e na imaginação... e todos nós podemos ser inspirados pelos sons que nos rodeiam - por outros instrumentos e, na verdade, outros flautistas
Também encorajo a deixar 5 minutos no final da tua sessão de estudo diária para apenas te divertires e explorares a sua gama de sons e cores
Então, acho que a resposta ao porquê de não usarmos mais cores e dinâmicas deve-se provavelmente à preocupação de controlar o som e a afinação
Então vamos falar um pouco sobre a mecânica de tocar em diferentes dinâmicas e com cores diferentes
COMO VARIAMOS O NOSSO SOM?
Bem, vamos começar com o AR - muito simplesmente, mais ar a percorrer a flauta produzirá um som mais alto e ar mais rápido produzirá um som mais alto
Então, se tens a sensação de que não tens volume de ar suficiente para tocar uma certa passagem tão alto quanto gostarias, então considera se tua respiração é tão eficiente quanto poderia ser
Se não sentes que tens controlo suficiente da tua velocidade de ar, então podes considerar trabalhar mais harmónicos.
Se o quando tocas piano na segunda oitava frequentemente saltas para baixo, por exemplo, para uma nota de registo baixa, então provavelmente estás a tocar mais suave apenas reduzindo a velocidade do ar e isso não funciona por si só... é necessário compensar com as outras variáveis;
Uma segunda variável é a embocadura e a abertura dos lábios - se quiseres tocar mais alto, os teus lábios terão de se abrir mais para deixar sair o ar e entrar na flauta.
Isto requer flexibilidade dos lábios - por isso, se a tua embocadura for muito apertada e sempre numa’ posição "sorridente" - então vais achar muito difícil relaxar os lábios o suficiente para deixar o ar sair para dinâmicas mais cheias
Devemos também considerar a forma DENTRO da boca - nota a forma da tua boca e posição da tua língua quando dizes "eee eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee"
Então como é que muda quando dizes "ooh ooh ooh ooh ooh"?
Para o som "eeeeeee" a língua está mais alta e há muito menos espaço na boca do que para o "oooohh"
Tenta primeiro sem te preocupares com a posição dos teus lábios... e, em seguida, experimenta com a embocadura correcta
Em seguida, a 4ª variável é o ângulo do fluxo de ar ao atingir a flauta
Isto é parcialmente determinado pelos lábios e pela forma dentro da boca, mas também pela posição do MAXILAR em relação à embocadura
Há uma 5ª maneira de mudarmos o som também, e que é com dedilhações especiais, mas eu vou deixar esse tópico para outro vídeo noutra ocasião!
OS PERIGOS
Então, só para ser super clara, o perigo de tocar desafinado na flauta é que quando tocamos mais suave a afinação fica mais baixa e à medida que tocamos mais forte, o tom fica mais alto
Por isso, vamos precisar de ser capazes de alterar a direcção da corrente de ar para corrigir estes problemas
Proponho que a principal forma de fazer isto seja com a mandíbula; se quisermos levantar o fluxo de ar, para evitar que uma nota fique mole e baixa, então trazemos a mandíbula inferior para a frente pensando nestes pequenos músculos aqui... e se quisermos deixar cair o fluxo de ar para impedir que uma nota fique demasiado alta, podemos pensar em deixar cair a mandíbula e criar mais espaço na boca, e imaginar bocejar na garganta
Para treinar a flexibilidade da mandíbula, podes usar algo como este dispositivo maravilhoso,
O Pneumo Pro
Quatro pequenos moinhos de vento estão posicionados em 4 pontos diferentes neste braço que fica em frente ao buraco da embocadura
Permite-nos ver a direção e a velocidade do ar
Mas se não tiveres um, podes usar a mão para praticar: basta colocar a falange do teu dedo indicador debaixo do queixo, apontando para a frente (e isto dá-te a distância e a altura certas) em seguida, coloca a base da palma da outra mão por cima e usando a tua embocadura de flauta, sopra suavemente da base da palma da mão para as pontas dos dedos... e depois recua!
A propósito, os lábios podem ajudar um pouco também, com esta correcção de afinação, mas eu gosto de pensar nos lábios como apenas fazendo um trabalho mais mínimo, a mandíbula faz a maior parte do trabalho e dessa forma consegues manter o controlo do teu melhor som
OS EXERCÍCIOS
Para nos dar total liberdade e controlo da cor tonal e da gama dinâmica sem perder o controlo da afinação, eis algumas sugestões muito simples para exercícios:
Gosto muito de usar o livro "De La Sonorité", de Marcel Moyse; por exemplo, exercício 1 - Começo em primeiro lugar com um crescendo... e, em seguida, com um diminuendo - às vezes usando vibrato indo com a dinâmica e às vezes ir contra
Depois, no segundo exercício, às vezes toco como o próprio Moyse explica totalmente na página 10
Mas, às vezes, tomo os grupos de notas e toco cada nota a partir de um mf confortável e depois levo o máximo de tempo possível para diminuir para absolutamente nada.
Moyse também tem um exercício maravilhosamente simples para praticar crescendos - isto está na página 23
E se ainda não o tens, por favor, põe este livro na tua próxima lista de presentes de aniversário, porque está realmente cheio de coisas boas!
Outro livro repleto de maravilhosos exercícios que são realmente bem explicados, é o livro de Trevor Wye sobre Tom!
Agora TODOS estes exercícios dinâmicos devem ser praticado com um afinador, é claro!
Com o tempo aprenderás quais as notas que tendem a ser mais baixas e mais altas, o que te ajudará a antecipar e, portanto, evitar problemas de afinação no contexto das peças
Para praticar a cor do tom, começa com uma nota no registo grave, a uma dinâmica média e com uma cor "padrão"... e, em seguida, a partir daí, estica-a primeiro para a extremidade mais difusa do espectro.. e depois para a cor escura e intensa...
Experimenta diferentes dinâmicas e ao longo de vários dias, trabalha em todo o registo grave, algumas notas por dia, nota que notas são mais flexíveis ou que melhor produzem uma cor em particular
Em seguida, outro exercício que uso para alterações de cor de tom é "7 Exercícios Diários" de Reichert.
Olha para o mais famoso, número 2; Pratico-o de duas maneiras; em primeiro lugar, mantendo o acorde tónico muito aberto e difuso, e o acorde de 7ª da dominante muito compacto... e, em seguida, troco-os
Também pratico as minhas escalas com escolhas aleatórias de dinâmica e cor... ou podemos dizer carácteres de som
Como em qualquer exercício, não é tanto O que praticas mas COMO praticas
Estes são todos, em certa medida, exercícios de escuta e aprender onde estão as extremidades...
Quão suave posso tocar esta nota antes que quebre para a oitava abaixo ou de repente, simplesmente deixe de soar?
Até onde posso escurecer e intensificar esta nota antes que esmague completamente e quebre?
Leva as notas ao extremo e depois ouve para como caem!
Se uma nota quebrar - repara se cai, ou se uma nota mais aguda sai do que aquela que estás à procura? É assim que aprendemos a encontrar os nossos limites e uma vez sabendo onde está a extremidade, podemos dançar perto dela sem deixar cair, e é aí que acontece a música mais interessante e emocionante
Então, aproveita para explorar os extremos do que é possível com o teu som, e desfruta desta pintura com dinâmicas e cores vívidas e vibrantes!
E spero que tenham gostado - até à próxima! próxima vez: 17 de Dezembro Schubert Variações AO VIVO da Schubertiade em 2005
© tradução: Frederico Paixão
