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Tempo é Músculo | Episódio 1

Anteontem à noite eu senti um aperto no peito muito grande.

Quando dia amanheceu, soaram as trombetas.

No Brasil, 950 pessoas morrem de infarto, todos os dias.

Um paciente, com uma neoplasia de próstata, um câncer de próstata, que foi operado e que teve um infarto no pós-operatório.

A maioria dos infartos é causada por obstrução: placas de gordura que se formam ao longo do tempo ou coágulos que se formam nas artérias do coração.

Quando você tem um desequilíbrio entre a oferta de oxigênio e o consumo de oxigênio coração, você pode ter um infarto.

40 a 65% dessas mortes acontecem na primeira hora do infarto.

E, aproximadamente, 80% nas primeiras 24 horas.

Para atender rapidamente, é preciso que existam cardiologistas intervencionistas de plantão

24 horas por dia.

Eu sou hipertenso, eu tenho arritmia cardíaca, insuficiência cardíaca... É uma doença hereditária, primeiro. Na grande maioria das vezes, é hereditária.

Fatores de risco: hipertensão, diabetes, obesidade, não fazer exercício, drogas, cigarro, o colesterol alto, principalmente.

São fatores de risco conhecidos há décadas.

Porém, apesar das campanhas de prevenção que se têm dos governo, das sociedades médicas do mundo inteiro, ainda as pessoas não se previnem.

A rotina de um cardiologista intervencionista é imprevisível.

O dr Carlos Campos, da hemodinâmica, do Instituto do Coração em São Paulo, já chegou a atender até 20 casos em um único plantão.

Hoje, no primeiro caso do dia, ele vai fazer um exame chamado cateterismo, para avaliar as artérias do coração do seu José.

Primeira vez que o senhor vai fazer esse exame?

Ali dentro, o senhor não se preocupe.

Tudo o que eu for fazer, antes, eu aviso.

Olha, eu vou dar a anestesia, vou dar uma picadinha.

Tudo eu aviso antes.

Tá bom?

Fica tranquilo que não vai ter surpresas. Vamos tratar o senhor com todo carinho.

Tudo tranquilo? Vamos começar o exame, tá bom?

A partir de agora eu não quero senhor sinta dor.

Tá bom?

Então o senhor pode sentir um calorzinho percorrendo a mão, o antebraço... Não se assusta, tá no programa, tá bom?

Tá bom.

No cateterismo, é introduzido um cateter no punho ou na virilha do paciente.

Este cateter vai por dentro da artéria até o coração.

Estamos indo bem, aqui.

O médico, então, injeta um contraste que permite ver o fluxo sanguíneo no coração do paciente.

Olha, o cateterismo acabou, tá? Eu vou avaliar as imagens com calma ali fora e já bato um papo com o senhor, tá bom.

Tá bom...

O exame está sem intercorrências, foi bem tranquilo.

Tá bom? Ótimas notícias, viu? Não tem nada entupido nesse coração.

Não?

Não.

Coisa boa, hein?

Oxi.

Provavelmente esse infarto que ele teve foi um infarto relacionado ao estresse cirúrgico, propriamente dito.

Então, em situações extremas, onde você tem uma anemia grande o paciente teve um sangramento grande, passa pelo estresse cirúrgico. O coração precisa de mais oxigênio do que o organismo tem para oferecer.

Nesses casos pode ter pequenos infartos. E foi o caso dele. Teve um infarto de pequeno tamanho, sem ter, na verdade, nenhuma obstrução grave nas artérias do coração.

Tchau, obrigado.

Gente, obrigado aí.

Amanhã cedo tem mais, hein...

No próximo episódio, você vai entender porque insistimos tanto no alerta sobre os perigos da hipertensão e do diabetes.