A FOME ESTÁ DE VOLTA? | Segurança alimentar no Brasil | Pesquisa
Ei, tem alguém aí? Eu espero que sim porque eu tô de volta hoje pra falar de uma pesquisa que ganhou assim timidamente espaço nas notícias e me deixou muito preocupado. Então corri atrás dos relatórios completos pra eu trazer para vocês um panorama a respeito da segurança alimentar no Brasil saiu essa semana então os resultados da POF que a pesquisa de orçamento familiar referente aos anos de 2017 e
2018 normalmente as pesquisas são quinquenais e o que ela começa a apontar aqui para gente é uma questão assim se o Brasil está ou não a viver aqueles tempos que a gente se encontrava um problema de fome estrutural quando a gente tinha uma quantidade muito significativa de pessoas cuja segurança alimentar não está garantida e para a gente responder essa pergunta pelo menos ter vislumbres de como anda esse cenário eu vou então recorrer ao resultado dessa pesquisa que corresponde ali aos anos do governo Temer mas antes disso é necessário que a gente entenda o que é segurança alimentar segurança alimentar é quando a gente tem garantida a nossa alimentação
Claro assim de forma constante e robusta e insegurança alimentar e quando a gente tem assim a nossa segurança alimentar nasce garantia de alimentação ameaçada e isso acontece de três níveis diferentes segundo os registros das pesquisas eu vou distinguir aqui rapidamente o que seria uma segurança alimentar leve moderada e a grave a insegurança alimentar leve leve tem a ver com a ideia de que de acordo com seu orçamento você começa a ter começa a ter uma preocupação se você vai ter alimentos para ou dinheiro para consumir os alimentos para ser é quando que você ganha começa a de alguma forma a te preocupar a respeito se você vai ter dinheiro não para comprar os alimentos nesse estágio a gente começa também a identificar uma perda da qualidade da alimentação é quando você deixa de consumir ir em uma série de produtos que seriam produtos alimentares mais variados e nutritivos de uma alimentação mais diversificada e saudável para se concentrar em produtos que são mais baratos e menos variados aqui eu não estou falando de trocar um produto premium por um produto mais popular mas uma redução na variedade no sentido nutricional já o nível moderado e quando você percebe a falta de alimentação em alguns momentos é quando uma pessoa por exemplo deixa de comer para que todas as outras tenham uma alimentação garantida é caracterizado então não por uma falta não só da qualidade dessa variação na alimentação mas uma falta de quantidade suficiente para que todos se alimentam de forma adequada mas essa falta de quantidade nesse nível de de ameaça de insegurança alimentar moderada não é uma falta constante é quando por exemplo você vê que chega no fim do mês e você vê que não tem dinheiro suficiente para comprar alimentos para todo mundo ou para manter uma alimentação regular e aqui você já começa a observar pessoas dentro da sua casa Você tá comendo menos do que deveria não sacrificando só então essa questão nutricional mas também a quantidade de calorias que as pessoas deveriam consumir diariamente já o caso mais grave grave é quando há uma falta de quantidade de acesso aos alimentos que atinge a todo mundo que mora naquela casa casa incluindo criança, então quando há uma criança que não se alimenta dentro de uma casa por falta de de recursos para adquirir alimentos com certeza a gente já atingiu esse nível grave que a gente pode dizer então que aquela família sem sombra de dúvidas está passando fome
Tá mas depois de caracterizar isso então o que os dados revelam para gente? Os dados revelam que comparados com os dados da pnad de 2004, 2009
2013 o biênio 2017/2018 apresentou uma contra tendência enquanto em cada uma dessas edições a gente via essa tendência de queda na insegurança alimentar e o aumento então na segurança quando chega em 2017/2018 esses dados revelam uma volta do aumento da insegurança alimentar isso tanto no nível leve das pessoas que tem que sacrificar os gêneros alimentícios para conseguir consumir a quantidade necessária mas também no sentido de quando falta a quantidade necessária e elas consomem menos que deveriam atingindo algumas pessoas ou todas as pessoas que ali vivem a gente pode dizer que essa tendência de queda que vinha acontecendo realmente entra risco em 2017/2018
Ou seja a gente acompanha ali quase, mais de uma década de queda para a gente ver subindo novamente agora a queda vinha acontecendo desde 2004 como a gente consegue acompanhar nos dados provavelmente a queda vinha acontecendo mesmo antes disso mas os dados começam a registrar em 2004 indo aos números agora diretamente falando a gente vê que em
2017/2018 24% dos domicílios ou seja quase um a cada quatro domicílios sofre de algum nível de insegurança alimentar isso corresponde a 27% da população brasileira que mora em domicílios com essas inseguranças a respeito de situações mais graves como a insegurança como a insegurança moderada e a insegurança grave a gente vê que 14% dos brasileiros vivem em domicílios que que eles tem que sacrificar a quantidade de alimentos que consomem
Ou seja já não alimentam a quantidade que deveria sendo que 5% dos brasileiros já estão nesses casos mais graves em que toda a família que mora naquele lugar é atingida inclusive as crianças não tendo o que alimentar de forma suficiente para manter a sua eficiência biológica
Isso corresponde a mais de dez milhões de brasileiros que de fato um ciclo mensal experimentam a fome se a gente pensa a princípio que essa é uma realidade muito associada ao Setor Urbano as às cidades a gente tá um pouco enganado também a insegurança alimentar no âmbito Rural é maior que no âmbito Urbano
46,4% da população que vive no âmbito Rural sofre de algum tipo de restrição alimentar isso pode ser ter só um tipo de alimento para consumir ou até passar fome mesmo. Enquanto isso acontece em 35,1% dos lares em ambiente Urbano mas esse seria um cenário do ponto fora da curva nessa tendência de queda caracterizada ali nos anos 2017/2018 ou então seria uma nova tendência de alta no sentido de alta da insegurança alimentar, de alta da fome ou do risco de passar fome?
2020 é claramente um ano muito atípico a a gente teve muitas restrições no trabalho e essa questão da pandemia de fato desestruturou muita coisa as possibilidades de renda outras fontes de renda teve a questão do auxílio emergencial
E isso ainda não está muito claro qual seria o impacto disso por outro lado o ano de 2019 a gente pode dizer que foi menos atípico no sentido da institucionalidade dos dados e das tendências econômicas a gente não teve todo esse abalo que a pandemia causou e o que o ano de 2019 apresentava para gente? no ano passado a gente viu que a economia brasileira no sentido da produção não foi lá grandes coisas a gente chama de PIBinho Mas algumas pessoas que são mais otimistas leram aquilo como um momento de recuperação do governo já que o governo enfim nos anos anteriores vinha com uma tendência de queda do PIB e o resultado ficou pario-a-pario com o governo Temer o primeiro ano do governo Bolsonaro mas na distribuição distribuição dessa renda gerada a gente vê ali uma questão muito complicada o um por cento mais rico da população brasileira tendo aumento da sua renda de 14,9% um aumento muito significativo por outro lado os 10% mais pobres da população brasileira teve uma queda na sua renda no seu rendimento mensal em torno de 5% pensando nessa perspectiva não há motivos para a gente crer que as questões de segurança alimentar no ano de 2019 foi melhor do que no ano de 2017
2018 já que a população mais pobre teve uma queda nos seus rendimentos provavelmente isso impactou também o acesso delas ao alimento já pensando em 2020 Como eu disse um ano mais complicado de analisar mas o fato mais recente que Talvez possa nos ajudar a qualificar o risco de insegurança alimentar tá em toda essa discussão do preço do arroz e as tendências de alta que o preço do arroz sofreu entorno das disputas do mercado internacional com o mercado nacional ou melhor da demanda do mercado nacional e do internacional sobre sobre esse alimento. Mas a gente pode pensar que o arroz é só um alimento que isso não vai mudar tanto a situação da alimentação como um todo no entanto a gente tem que pensar que o arroz ele é de fato fato entre a lista de alimentos individualmente analisados o mais consumido pelo brasileiro e ele é mais consumido entre os mais pobres a própria pesquisa de orçamento familiar do ano 2017/2018 revelou que para os 20% mais pobres dos brasileiros então se você pegar toda a população brasileira dividir em cinco grupos o grupo mais pobre ele depende muito do arroz, por quê? 20% de toda a sua alimentação de todas as calorias que ele consome vende do arroz. E isso é muito e muito significativo porque se a gente for pensar nas possibilidades de substituir esse alimento a gente tem que pensar que as pessoas que consomem
20% da sua alimentação de arroz é porque elas já substituíram outros alimentos pelo arroz elas estão consumindo menos frutas, menos leite, ovos carne e estão investindo mais em farinha, arroz e massas. Eu vou deixar esses dados todos aqui se você quiser consultar porque essa pesquisa ela foi lançada com os resultados gerais para eliminares mas com dois relatórios muito interessantes um sobre segurança alimentar e outro sobre a qualidade a dieta alimentar do brasileiro, dos produtos que ele consome e nesse aspecto a gente vê que as pessoas que são mais pobres elas já substituíram vários alimentos pelo arroz e aumentar o preço do arroz vai fazer com que ela se consumam alimentos ainda menos nutritivos claro a gente tem que lembrar que no Brasil o buraco é sempre mais embaixo e se esse é o resultado das pessoas que tem um lugar para uma casa onde morar e esse resultado já é muito preocupante a gente tem que lembrar que tem pessoas que não têm nem isso e a respeito da vida na rua inclusive sobre a questão da segurança alimentar eu já fiz um vídeo e recomendo que vocês assistam e eu vou deixar linkado aqui em cima. Mas hoje eu vou ficando por aqui trazendo essa notícia que não é muito boa mas que eu acho que está sendo muito pouco propagandeada e a gente tem que tomar consciência de como a gente está trazendo a insegurança alimentar de volta para o contexto brasileiro e a fome é a marca principal disso. Se assim como eu você acha que é importante que esse conteúdo seja conhecido dá um like nesse vídeo compartilhe com outras pessoas porque tem tanta coisa chamando a nossa atenção que às vezes partes dessa realidade brasileira a gente deixa de perceber. Se você quiser saber mais coisas sobre a realidade brasileira inscreve no canal porque eu sempre trago pesquisas, notícias que vão nos ajudar a entender o panorama que a gente está vivendo. Muito obrigado por assistir o vídeo tá aqui e até a próxima!
