Dietas da moda: uma história
A obesidade é um estado metabólico difícil de ser tratado.
A maioria das intervenções comportamentais apresentou resultados tímidos quando se trata de perda efetiva de peso.
Por isso, muitas vezes é necessária a inserção de intervenções farmacológicas, ou seja, o uso de medicamentos até mesmo de cirurgias.
Contudo, estas medidas só devem ser tomadas com o devido acompanhamento de profissionais de saúde, já que algumas delas apresentam sérios riscos para a saúde.
A história do dinitrofenol é bem útil para ilustrar os riscos do uso de medicamentos sem o devido acompanhamento médico.
O dinitrofenol, ou o DNP, foi um emagrecedor bastante utilizado na primeira metade do século 20.
Esta substância é o que chamamos de molécula termogênica.
As propriedades químicas do dinitrofenol fazem com que a energia que seria armazenada na forma de gordura, por exemplo, seja dissipada na forma de calor, ou seja, ao invés de engordarmos, nós ficaríamos apenas mais quentinhos.
Mas, na verdade, após certo tempo descobriu-se que a dose do dinitrofenol que era efetiva para a perda de peso era bem próxima da dose letal, aquela que era capaz de matar.
Esta observação foi reforçada pelo aumento no número de casos de indivíduos que morreram ao exagerar na dose dessa substância.
Eles simplesmente queriam resultados mais rápidos.
Após o uso do dinitrofenol, a temperatura do corpo aumentava tanto que começava a provocar a falência em diversos órgãos.
O indivíduo morria de hipertermia.
Com isso, o dinitrofenol foi banido do mercado farmacológico.
Um exemplo mais recente é o caso do rimonabanto.
Este medicamento foi bastante utilizado no começo dos anos 2000
Ele funcionava como mágica!
Promovia perda de peso, principalmente, daquela gordurinha abdonimal que tanto incomoda a gente.
Era a pílula da cinturinha fina.
Contudo, um fenômeno começou a ser notado nos indivíduos tratados com rimonabanto.
Eles compravam a primeira caixa com a alegria de quem tinha esperança na perda de peso e voltavam para comprar as próximas com a cintura bem mais fina.
Contudo, tristes como se estivessem no velório.
Isso mesmo!
Após algum tempo no mercado, notou-se que o rimonabanto tinha dentre os seus efeitos colaterais, um aumento na propensão à depressão e até mesmo ao suicídio.
Resultado: a comercialização desse medicamento passou a ser proibida na maioria dos países do mundo.
Apesar de alguns medicamentos disponíveis no mercado induzirem certa perda de peso, a perda total não costuma ser significativa, o que acaba por não compensar os efeitos colaterais promovidos por essas substâncias.
Além disso, medicamentos para emagrecimento podem promover dependência química e psicológica, além do efeito rebote quando o uso é interrompido.
O ganho de peso após a interrupção do uso costuma ser maior do que foi perdido na maioria das vezes.
Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para garantir a eficácia e a segurança do uso de remédios para emagrecer.
Outra intervenção que tem sido bastante utilizada no tratamento da obesidade é a cirurgia bariátrica.
A bariátrica é uma cirurgia segura que promove perda efetiva de peso associado a uma melhora substancial no quadro de síndrome metabólica, que nada mais é do que a obesidade mais as doenças associadas, como diabetes do tipo 2, por exemplo.
O tipo de cirurgia mais realizada ultimamente é o ByPass ou Y en Roux que consiste em uma redução no volume do estômago, que passa a ser ligado a uma região diferente do intestino.
Um pouco mais para frente da normal.
Apesar de segura e efetiva, a cirurgia bariátrica apresenta uma série de limitações por se tratar de uma cirurgia invasiva com efeitos secundários muito intensos.
A bariátrica costuma ser indicada apenas para casos de obesidade mórbida.
Principalmente, quando intervenções comportamentais e dietéticas já são ineficientes e a saúde do indivíduo está comprometida.
Além disso, os efeitos secundários da bariátrica inclui perda significativa de massa magra e o surgimento de distúrbios alimentares.
O ganho de peso excessivo após essa intervenção costuma ser acompanhado de um estado de saúde mais comprometido do que o paciente apresentava antes da cirurgia.
Por isso, o acompanhamento médico antes e após a bariátrica é fundamental.
Este acompanhamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, nutricionistas e psicólogos, por exemplo.
Realmente a luta contra a obesidade representa um desafio central para a saúde da humanidade nos próximos anos.
Os nossos organismos parecem resistir contra as intervenções que promovem perda de peso.
Mas, enquanto estratégias mais eficazes não são desenvolvidas, devemos ter atenção com os nossos hábitos alimentares e praticarmos mais exercícios.
E nunca esquecermos que qualquer intervenção para o controle do peso é mais eficiente e segura quando acompanhada por uma equipe de saúde especializada.
