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O mistério do apêndice explosivo | Minuto da Terra

De vez em quando, um pedaço de cocô especialmente duro - chamado de fecalito - se solta da massa maior de cocô, flutua até o trato gastrointestinal da pessoa, e então fica preso no canal que conecta o intestino grosso ao apêndice.

Esse bloqueio é a principal causa da doença conhecida como apendicite - ela causa inflamação e faz com que o órgão incha como um balão, porém ao invés de ar, ele tá cheio de uma combinação tóxica de muco e bactérias, e precisa ser tratado rapidamente antes que ele se rompa.

Estranhamente, porém, as pessoas são muito mais propensas a ter apendicite em certos lugares do mundo do que outros.

E isso provavelmente tem a ver com o modo como esses pedregulhos de cocô se formam em primeiro lugar.

A taxa de apendicite aumentou drasticamente nos Estados Unidos e em outros países ricos durante o século XX.

Uma teoria pra isso é que com o aumento de riqueza as pessoas desses países começaram a comer menos fibras e mais alimentos processados e açúcares, o que pode ter causado uma alteração no cocô delas, com fecalitos mais frequentes.

Essa hipótese com influência da dieta ganhou ainda mais apoio quando médicos perceberam que a apendicite era muito mais comum no verão: acontece que comemos mais açúcar quando está quente lá fora, e isso aparentemente endurece as fezes.

E em países como a Coréia do Sul, o Irã e o Chile, que estão ficando cada vez mais ricos, estamos vendo um aumento no número de apendicites, similar ao que aconteceu nos

Estados Unidos no início do século passado.

As dietas nesses países também são carentes de fibras e abundantes de alimentos processados.

Mas essa relação entre uma dieta estranha e a apendicite não parece mais se aplicar à terra do Tio Sam.

Nos últimos 40 anos, as pessoas ficaram ainda mais ricas e continuaram a comer todo tipo de porcaria, mas a taxa de apendicite diminuiu quase 60%, e ninguém sabe direito o porquê.

Talvez, depois de algumas décadas, seus intestinos simplesmente se ajustaram às novas dietas e pararam de viver na dureza.

Ou talvez seja mais complicado que isso.

Por enquanto, ainda é um grande - e fedorento - ponto de interrogação.