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Oxygen’s surprisingly complex journey through your body - Enda Butler

Tradutor: Patrícia Silveira Revisor: Leonardo Silva

Você inspira aproximadamente 17 mil vezes por dia. É um processo no qual você quase nunca pensa, mas por trás das cortinas, um grande esforço coordenado acontece.

Seus órgãos vitais, intestinos, cérebro, ossos, pulmões, sangue e coração trabalham juntos para manter sua vida, levando oxigênio para os tecidos de todo seu corpo.

A maioria das células precisa de oxigênio porque é um dos ingredientes principais da respiração aeróbica.

Esse é o processo que produz uma molécula chamada ATP, usada por nossas células para dar energia às suas muitas funções incríveis.

Mas carregar oxigênio pelo nosso corpo é uma tarefa surpreendentemente difícil.

O gás entra nas células por meio de difusão no entorno delas.

E isso só acontece de maneira eficiente em pequenas distâncias.

Portanto, para o oxigênio chegar nas células no nosso corpo, ele precisa de uma rede de transporte. É aí que entram nossos 20 trilhões de hemácias.

Cada uma contém cerca de 270 milhões de moléculas transportadoras de oxigênio, as hemoglobinas, que dão a cor vermelha ao sangue.

Para criar essas células, o corpo usa matérias-primas que estão disponíveis graças à comida que ingerimos.

Então, você poderia dizer que o trajeto do oxigênio pelo seu corpo começa de fato nos intestinos.

Aqui, em um espetáculo de digestão química e mecânica, a comida é quebrada em seus elementos menores, como ferro, a base da construção da hemoglobina.

O ferro é carregado pelo sistema cardiovascular até o tecido hematopoiético do corpo.

Esse tecido é o berçário das hemácias e encontra-se contido nas cavidades da nossa medula óssea.

Os rins regulam nossos níveis de hemácias por meio da liberação de eritropoetina, um hormônio que aumenta a produção na medula.

Nossos corpos produzem aproximadamente 2,5 milhões de hemácias por segundo, um número equivalente a toda a população de Paris, para que o oxigênio que chegar até os pulmões seja transportado.

Mas antes mesmo da chegada do oxigênio aos pulmões, o cérebro precisa participar.

O tronco encefálico começa a respiração enviando uma mensagem pelo seu sistema nervoso, diretamente para os músculos do diafragma e das costelas.

Isso faz com que eles se contraiam, aumentando o espaço dentro da caixa torácica, o que permite a expansão dos pulmões.

Essa expansão diminui a pressão interna dos seus pulmões, empurrando o ar para dentro. É tentador pensar que nossos pulmões são dois grandes balões, mas eles são bem mais complicados do que isso na realidade.

E eis o porquê.

As hemácias nos vasos sanguíneos dentro dos seus pulmões só conseguem levar moléculas de oxigênio que estão bem próximas a elas.

Se seus pulmões tivessem o formato de balões, o ar que não estivesse em contato direto com a superfície interna do balão não conseguiria passar pela difusão.

Por sorte, a arquitetura de nossos pulmões garante que muito pouco oxigênio se perca.

O interior deles é dividido em centenas de milhares de projeções com formato de minibalões chamadas alvéolos, que aumentam consideravelmente sua área de contato para algo em torno de 100m².

As paredes alveolares são feitas de células planas extremante finas que estão rodeadas por capilares.

A parede alveolar e os capilares formam uma membrana com largura de duas células que traz sangue e oxigênio perto o suficiente para a difusão.

Essas células ricas em oxigênio são retiradas dos pulmões através do sistema cardiovascular, um imenso conjunto de vasos sanguíneos que alcançam todas as células do corpo.

Se alinhássemos todo esse sistema de ponta a ponta, os vasos dariam várias voltas em torno da Terra.

Para impulsionar hemácias por essa extensa rede é preciso que haja uma bomba bem potente e é aí que seu coração entra.

O coração humano bate 100 mil vezes por dia, em média, e é a casa de força que leva o oxigênio aonde ele precisa chegar, completando o esforço coletivo do corpo.

Pense só: todo esse sistema complexo existe para garantir a entrega de minúsculas moléculas de oxigênio.

Se apenas uma parte funcionar mal, o mesmo acontece conosco.

Inspire.

Seus intestinos, cérebro, ossos, pulmões, sangue e coração seguem o incrível ato de coordenação que mantém você vivo.

Expire.