Permita-se comer
Olá! Hoje é meu grande prazer convidar a Eliane Kina, uma nutricionista e chef de cozinha.
E o nosso papo hoje vai mostrar o quanto gastronomia e nutrição combinam.
(Música)
Queria agradecer muito a sua vinda hoje.
Eu que agradeço. É um prazer entrevistar você e contar um pouquinho da sua história, que eu acho sensasional. É uma história muito rica, e com várias culturas, tanto brasileira, claro, mas também japonesa e um pouquinho de francês.
Eliane, tirando a parte profissional, e entrando mais na parte pessoal, como que a sua relação com o corpo evoluiu ao longo da sua vida?
Então, Sophie, era a maior confusão porque assim, como eu sempre trabalhei com a gastronomia, eu ficava comendo, e emagrecendo e engordando.
Comendo, engordando e emagrecendo.
Então quando eu vi aquele "comer consciente",
"comer sem culpa", e não fazer despedida da comida, porque eu fazia muito despedida da comida.
Hoje eu vou comer um monte de chocolate porque segunda-feira eu vou fechar minha boca.
- Isso era sua relação com chocolate? - É.
- Vou fazer despedida do chocolate? - Vou fazer despedida!
Então eu ia em uma churrascaria, segunda-feira eu fazia uma despedida de novo.
Então eu ficava me culpando, falava assim:
Poxa, eu sou nutricionista, eu não estou conseguindo manter um peso...
Aí uma vez eu fui no seu consultório, e eu não sei se você lembra que eu falei:
"Sophie, eu comi muito chocolate hoje."
E aí você viu meu recordatório alimentar...
E você disse assim para mim:
"Eu já sei porque você comeu muito chocolate.
Porque você não comeu chocolate a semana inteira, não comeu nenhum doce, nenhum carboidrato, o que aconteceu?"
O corpo precisa comer um carboidrato, um doce de vez em quando, né?
Um pouco a cada dia.
E aí quando eu comecei a comer chocolate, comecei a comer carboidrato de novo, eu não fiquei mais com vontade de comer chocolate como eu tinha antes.
Quanto doce que eu tinha despedida!
Então eu lembrei também na França, que sempre eu comia uma sobremesa.
E aqui no Brasil, eu falava assim:
"Não vou comer sobremesa porque eu vou engordar".
Então a relação mudou muito porque... agora eu posso comer tudo, e não fico com vontade de comer tudo.
E até na parte profissional eu fiquei também mais tranquila, porque eu estou cozinhando e eu não fico com aquela vontade de comer tudo que estou fazendo, né?
Que legal, hein? E você o quanto isso é... É tranquilo, é sustentável...
Você não está mais na guerra, contra o chocolate, contra...
E você está levando isso então para sua carreira profissional?
- Sim. - Que lindo, hein.
E até na parte de... Por exemplo:
Se eu estava no recordatório alimentar, sempre que a gente ia conversar sobre, eu falava assim:
"Eu comi com pressa", lembra?
Eu comia com tanta pressa, que eu não pensava no que eu estava comendo.
- Sem prestar atenção? - Sem prestar atenção!
Então... mudei muito!
Até no curso de nutricoaching, mudando um pouco de assunto, me complementou, porque eu olhava muito para fora, e não olhava muito para dentro.
Então olhar para dentro no nutricoaching, e também no coaching que eu fiz, é importante.
Porque a gente fica muito no "olhar para fora", e acaba parando de refletir, né?
O que a gente é, quem a gente é, quem a gente pode ser...
De respeitar o corpo de grávida, agora que acabei de ter neném, também respeitar o corpo...
Não se cobrar tanto, porque se cobrando muito, parece que tudo fica mais difícil, né?
- Mais tenso? - É.
E aí, aqui no Brasil, eu tinha tanta preocupação, que na minha primeira gravidez, eu engordei quase 20 quilos, engordei 18 quilos.
- Foi 4 anos atrás, né? - 4 anos atrás.
Nessa segunda gravidez, que o meu bebê tem 1 mês e meio... É, e você está de parabéns!
Com a Sophie, com a consulta, com o curso de nutricoaching, eu engordei somente 8 quilos na gestação inteira, e já perdi mais de 10 quilos.
E sem ficar fazendo dieta, comendo em paz, como eu comia na França.
Então você que isso que foi a diferença entre as duas gravidezes? Você estava mais em paz?
Sim, porque na outra gravidez, eu tinha medo de comer, eu comia tapioca, suco verde, e mesmo assim engordei.
Porque eu ficava com medo de comer as coisas, com medo de engordar,
Porque, afinal de contas, eu também queria ser a nutricionista, e eu não podia ser, e então essa confusão toda.
E depois que eu te conheci, tirou um elefante das minhas costas.
Mas isso é a dica que você me deu. É verdade. É a dica que... Porque eu dou essa dica direto na lá TV.
Mas você colocou em prática.
Então, qual foi o segredo?
O que fez você fazer e viver isso de uma maneira tão plena?
Então, Sophie, foi um estalo.
E na minha vida, de verdade.
De estar vivendo isso, porque assim: na verdade, eu já tinha esse conhecimento.
Só que depois que comecei a ir ao curso, ao consultório da Sophie, isso daí veio como uma avalanche de novo.
Você já sabe tudo. Agora coloca em prática.
Quanto é a sua fome de 0 a 10.
O quanto você ainda precisa comer.
Quanto seu corpo está precisando.
Quanto você pode cozinhar receitas fáceis mesmo após o trabalho, receitas para a família.
De comprar ingredientes frescos, de ir à feira, de ir ao mercado, de voltar a fazer aquilo com prazer, com amor.
De resgatar isso, porque isso na verdade está em todo mundo, porque é uma coisa pré-histórica também.
Eu falo sempre, a gente nasce assim, a gente perde...
Eu acho que também tem, talvez, uma coisa que você não está falando e que é importante, é se permitir de comer.
Sem fiscalização o tempo todo: "Não pode, não pode".
Você contou a história da sua relacão com o chocolate, acho que foi isso.
A partir do momento que você falou:
"Eu posso comer, por que não?"
E a partir do momento que você se permitiu comer chcocolate, você ficou tranquila.
Sim.
- É o segredo da Sophie. - É o segredo da Sophie!
Da ciência, porque a neurociência explica isso.
Quanto mais a gente resiste, e se proíbe de comer, mais a gente quer comer.
Eu acho isso muito interessante.
E ver que são coisas que a gente pode recuperar.
Não é porque você não sentia mais isso, que não deu para recuperar, você recuperou muito rápido, né?
Você estava grávida de 5 meses.
Eu estava grávida de 5 meses, e estava super transtornada, lembra?
E não falo nada de paciente.
Se você quer falar, pode falar. Mas eu...
Eu acho importante falar, Sophie, porque tem muitas pessoas que passam por isso também.
Então eu estava super transtornada, com medo...
De comer, com medo de tudo.
A partir do momento que vi que não precisava ter medo, que a minha comida era para nutrir o meu bebê, né?
Para eu me nutrir, mas com prazer também.
Que eu podia comer com prazer, que eu podia fazer todas as comidas que eu gosto de fazer, que eu gosto de cozinhar e comer.
Tudo aquilo que eu faço com a quantidade certa, prestando atenção na fome e no consciente, sem ter medo, ou então a parte comportamental sem ficar ansiosa se eu estiver ansiosa, se eu estiver triste, para chorar, não para comer...
Então... separar o comportamento, separar a fome, separar as emoções, separar tudo.
Tipo, cada um no seu lugar.
Então, foi a dica mais importante mesmo.
Que lindo, né?
Então quero agradecer muito a sua vinda aqui, e seu depoimento, que acho que vai ajudar muitos.
Eu acho que você se coloca como profissional, então você tem esse olhar do profissional, e da dificuldade de ajudar o paciente a encontrar esse caminho mais feliz, mais tranquilo, e que você vivenciou desde a sua gravidez, porque a gente se encontrou você estava grávida, que você vai continuar pro resto da vida, e também transmitir para suas filhas.
Isso é fantástico.
- E tudo em paz. - Sim!
Então muito obrigada, Eliane. Espero que todo mundo aqui aproveite algumas dicas da Eliane, que vai também me ajudar muito na parte da gastronomia.
- Vamos combinar de cozinhar juntas. - Vamos sim, com prazer.
Elaborar um monte de... Temos projetos para elaborar juntas. de ajudar nosso público a cozinhar mais.
Com mais prazer, mais gastronomia, e sem culpa.
- Não é? - Sim.
Fique ligado no meu canal, TV Sophie,
Curta, compartilhe e inscreva-se.
Até logo.
