The evolution of juggling | Jay Gilligan | TEDxHelsinki
Tradutor: Edivaldo Ferreira Revisor: Claudia Sander
Obrigado.
(Aplausos)
Obrigado.
Meu nome é Jay.
Faço malabarismo há 28 anos.
Cresci nos EUA, e aprendi malabarismo aos oito anos.
Dez anos depois, visitei a Europa pela primeira vez e vi o estilo europeu de malabarismo.
E o estilo europeu... na verdade, a Finlândia e outros países escandinavos são grandes influenciadores desse estilo.
E eu não entendia nada dele.
Eu fazia malabarismo há dez anos, e, nos EUA, o malabarismo baseia-se basicamente na habilidade.
Por exemplo, quando faço malabares, se aprendo um truque com minha mão dominante, sou canhoto, se jogo por baixo da perna com a mão esquerda, faço o mesmo com a mão direita então vê-se que sou habilidoso porque aprendi o truque nos dois lados.
Os outros truques do malabarismo norte-americano são repetições de padrões, esse truque, por exemplo.
Ela continua indo e indo, é o mesmo formato.
Não muda.
O ritmo é o mesmo.
Além disso, a maioria dos malabarismos no estilo norte-americano são simétricos.
Aqui temos um padrão que é igual nos dois lados.
(Risos)
E de novo, se repete continuamente não muda, e o ritmo é o mesmo: uma batida constante.
Quando cheguei na Europa e vi o tipo de malabarismo e, de novo, o estilo escandinavo também, que é similar ao europeu, parecia um pouco com isto.
(Risos)
E parece bem estranho, para mim, comparado com o estilo que mostrei antes.
Tem muitos começos e paradas.
Não há padrões repetitivos.
Não acontece dos dois lados. É assimétrico.
Nos EUA, onde eu cresci e aprendi malabarismo, eu iniciava com um começo grandioso, continuava fazendo o malabarismo, e, para fechar, executava uma grande e clara finalização.
Como esta.
(Aplausos)
Obrigado.
Mas aqui no Leste Europeu e na Escandinávia, o estilo de malabarismo era muito "quebrado".
O ritmo começava e parava.
Foi difícil para eu entender.
Fiquei fascinado por isso, e queria aprender a fazer malabarismo como um finlandês, por exemplo.
E durante essa jornada, descobri muitas coisas diferentes, não apenas sobre o tipo de malabarismo que eu fazia, mas também sobre os objetos que eu usava, porque uma coisa que era igual nos EUA e na Europa era o tipo de objeto que usávamos.
Temos a bola de malabarismo.
Temos também a clave de malabarismo, que, claro, você gira, e... o aro de malabarismo.
Esses são os três principais objetos que os malabaristas usam.
Tenho feito malabares com este círculo de plástico há 28 anos.
Pratiquei durante 20 mil horas só com este objeto, sem bolas ou claves, somente os aros.
São dois anos da minha vida, constantemente treinando com este círculo de plástico.
Sem comer ou dormir, dois anos fazendo malabares sem parar.
(Risos)
Construí uma carreira com este círculo de plástico.
Eu ganho a vida com isso. É como eu me alimento, pago o aluguel, e eu o conheço bem, ele pode fazer muitas coisas diferentes.
Sei exatamente o que este pedaço de plástico fará.
Mas só 19 anos depois de começar a fazer malabarismo, que me perguntei: "Por quê?"
(Risos)
(Aplausos)
"Por que este aro é assim?
Por que tem este formato, esta espessura, este peso, este material?"
A única coisa que meus amigos e eu tínhamos pensado a respeito foi talvez sobre a cor.
Por exemplo, preciso de uma cor brilhante se eu tiver um fundo preto para fazer uma performance.
Ou, se eu estiver ensaiando numa quadra de raquetebol, por exemplo, o que é comum entre os malabaristas, elas têm o teto branco, então eu precisaria de um aro escuro.
Mas minha reflexão sobre este objeto parou por aí.
Quando aprendi a fazer malabares, era assim.
Sempre foi assim, até onde eu sabia.
E mesmo em 2003, quando Mister Babache, que é uma fábrica de objetos para malabarismo da Suíça, lançou este aro...
Aqui.
Podem ver que é maior.
Mesmo assim, não despertou nada na minha mente.
Eu já tinha visto aros maiores antes.
Mas a questão era, aros maiores não eram para serem jogados.
São chamados de aros giratórios.
Posso girar uma bola no meu dedo e girar um aro em uma parte do corpo, no braço, talvez na perna, porque quanto maior o tamanho mais fácil pegar o ritmo certo para girar.
Mesmo quando vi este aro, pensei: "Ah, um aro giratório".
Eu sabia que não se joga para cima.
Mas então, em 2004,
Mister Babache lançou este aro.
E este aro me fez questionar tudo, porque ele não faz o menor sentido.
(Risos) É pequeno, muito pequeno.
Podem ver que tenho mãos largas. É pequeno demais.
O peso é horrível.
Se eu quiser lançar um aro normal, coloco um efeito de giro para que se mantenha estável no ar.
Mas este aro não tem peso suficiente.
Mesmo se eu girar, é muito leve e se desloca.
Não sei porque ele existe.
Quer dizer, realmente existe um nicho de mercado para criancinhas malabaristas que estão sofrendo?
(Risos)
Estão pelas ruas porque não podem usar isso, é muito grande ou sei lá.
Nunca ouvi falar sobre isso, não sei.
Então, quando lançaram este aro, me deu vontade de fazer duas coisas.
Primeiro: não me fez querer descobrir porque ele desse tamanho, e sim, me fez questionar porque este aro era deste tamanho.
Eu queria descobrir a história dos meus objetos de malabarismo, o que não está na cultura do malabarismo.
E com certeza, em outros gêneros, não parece muito revolucionário, mas o malabarismo é uma arte jovem e essas questões só estão sendo levantadas agora.
Eu queria descobrir porque este aro era desse tamanho, e também, aprender truques, malabarismos que seriam possíveis com este aro pequeno que só poderiam ser feitos com este aro e assim justificar a existência dele.
Antes de mostrar alguns desses truques, eu gostaria de contar porque este aro é deste tamanho.
Acontece que um amigo meu fez esse aro.
O nome dele é Dave Finnigan.
O nome artístico dele é Professor Confiança, e seu lema é: "Um toque é tão bom quanto um truque".
(Risos)
Ele é o autor do primeiro livro sobre malabarismo que comprei, e aprendi malabarismo lendo ele.
Sou muito grato por conhecer esse cara, então mandei um e-mail pra ele, e perguntei: "Porque esses aros são desse tamanho?"
E ele me respondeu isto:
"Foi em Taiwan, em 1976.
Eu tinha acabado de aprender malabares em Seattle e queria objetos de malabares feitos na Ásia, mas não tinha amostras pra trabalhar.
Eu só tinha visto um malabarista bom com aros numa convenção em Delaware.
Um cara chamado Homem-Aranha, que fez seus aros com folhas de plástico.
Ainda não havia padrão de aro de 33 cm.
Então, eu estava em Taiwan, numa fábrica de plástico, contando para o dono, Sr. Tsai, sobre os aros.
Ele tinha uma lata de biscoitos na mesa, que eu usei para desenhar o círculo.
Depois peguei outro item circular do escritório e desenhei um circulo dentro do outro.
Usamos isso como molde para os primeiros aros que fizemos".
(Risos)
(Aplausos)
Então...
Uma lata de biscoitos.
Dois anos da minha vida.
(Risos)
Imagino que em outras áreas de estudo ou arte, há muita pesquisa sobre fabricação, ótica, muito planejamento.
Existe um famoso truque de três aros que eu quero mostrar.
Mais ou menos assim.
Jogue os aros.
Gire um.
Todos vão para a cabeça.
Agora, tem um truque clássico, uma técnica muito básica para mim, como malabarista.
O que aconteceria...
(Risos) se o dono da fábrica estivesse de dieta?
Não sei.
(Risos)
Uma lata de biscoitos menor?
Não sei.
Seria um truque bem diferente.
Não usaria a cabeça.
Minha vida inteira baseada em conseguir pôr o aro na cabeça. É muito estranho.
Já ouviram minha opinião preconceituosa sobre esses objetos porque eu digo... que este é um aro normal.
E isto nós chamamos de aro bebê ou aro pequeno.
E este é um aro grande.
Mas, claro, malabaristas que começaram hoje em dia, sabem que existe aro de 40 cm,
32 cm, e 24 cm.
Eles não veem a diferença que eu via, quando comecei.
Quero mostrar alguns truques que descobri com este aro bebê,
24 centímetros, que só podem ser feitos usando este aro.
Um malabarista francês, Denis Paumier, e um norte-americano, Sean Blue, começaram a combinar os aros pequenos com os maiores.
E, de repente, truques como este se tornaram possíveis.
(Aplausos)
Usando aros de diferentes tamanhos juntos posso jogá-los ao mesmo tempo.
Se aplicarmos a mesma técnica a estes aros normais com os quais comecei, eles alcançam sempre a mesma altura, então é difícil pegá-los com a mesma mão ao mesmo tempo.
Esse novo tamanho de aro, de repente, possibilitou uma nova técnica.
E também, Oskar Wrangö da Suécia, começou a usar ao mesmo tempo os três tamanhos diferentes.
Tenho alguns truques que fiz com isso.
(Risos)
(Aplausos)
(Risos)
(Risos)
(Aplausos)
Obrigado.
Como podem ver, esse tipo de malabarismo é bem diferente do estilo que mostrei com as três bolas onde tudo era repetitivo.
De certa forma, é mais europeu.
Então, essa pesquisa me levou a fazer o que chamamos de Laboratório de Pesquisa de Manipulação.
Fizemos três projetos em que estudamos e tentamos descobrir quais eram os formatos possíveis no malabarismo, quais materiais poderiam ser usados em diferentes técnicas.
Hoje nós colaboramos com a Renegade Juggling da Califórnia e Tom Kidwell.
Criamos diferentes objetos de malabares.
Por exemplo, em vez do círculo, por que não um triângulo?
De novo, isso pode não parecer difícil de se perceber.
Bem, nós temos um círculo.
Vamos usar triângulo, quadrado, octógono.
No malabarismo, este é o ponto em que estamos como arte. É muito excitante, amo estar vivo agora, porque pudemos descobrir essas novidade.
Mas elas são muito básicas, eu acho.
Gostaria de mostrar um truque que só é possível com três triângulos. É mais ou menos assim.
(Aplausos)
Obrigado.
E podem imaginar que isso não é possível com aros porque não existe uma ponta para enganchar o triângulo.
Falei um pouco sobre truques que só podem ser feitos com aros de diferentes tamanhos e só com triângulos.
Vou mostrar outro truque como exemplo.
Farei algo com cinco triângulos que pode ser feito com cinco aros ou cinco quadrados.
Certo, é mais ou menos assim.
Por exemplo, pegue cinco objetos que tenham um buraco no meio, e escolha seis lugares do seu corpo.
Por exemplo, vou usar... o pé esquerdo, a cabeça, o cotovelo, a mão esquerda, o cotovelo direito, e o pé direito.
Nesse truque, o que fazemos é mover os triângulos ou os objetos em volta do corpo na sequência.
Primeiro vou mover do meu pé esquerdo para o direito.
Depois, o da mão para o pé esquerdo.
O da cabeça vai para a mão.
Esse volta para o cotovelo.
O desse cotovelo vai para a cabeça.
E finalmente, o do pé direito volta para o cotovelo direito.
Dessa forma, posso fazer malabarismo com cinco triângulos,
(Risos) mas não é específico...
Não é só para cinco triângulos.
Poderia ser cinco aros, cinco quadrados.
Posso mostrar mais um truque exclusivo para cinco triângulos. É mais ou menos assim. É isso aí. Obrigado.
(Aplausos)
Meus amigos Denis e Sean estavam trabalhando com aros de tamanhos diferentes, e os combinaram juntos.
Por exemplo, o aro grande e o pequeno, combinados, tamanhos diferentes.
E se mantivéssemos o formato e, em vez de mudar para o triângulo, ficássemos com o círculo, mas os juntássemos, assim estariam ligados, e combinássemos com um formato completamente diferente como a bola?
Preparei uma pequena coreografia para vocês usando isso.
(Música)
(Aplausos)
Com o Renegade Juggling, fizemos o Laboratório de Design Renegade, é como uma loja de malabarismos que faz diferentes objetos de malabares.
Combinamos diferentes tipos de objetos.
Por exemplo, hoje, vimos o aro que tem um grande buraco no meio.
E tentamos combiná-lo com outros formatos, por exemplo, a tradicional clave de malabarismo e o que aconteceria se ela também tivesse um buraco.
O resultado são estas claves. É uma clave normal com um buraco.
Claro, podem ser usadas da forma comum.
Mas o buraco permite diferentes técnicas que antes não eram possíveis, como esta.
(Aplausos)
Cenas como essa não eram possíveis no malabarismo até começarmos a criar e combinar diferentes formatos.
Toda essa investigação sobre a história dos objetos do malabarismo me fez querer achar um objeto com sua própria história do momento, um objeto que deixasse um caminho concreto por onde fosse manipulado.
Gostaria de mostrar uma opção para isso.
Posso fazer malabares com estes novelos da mesma forma que faria com três bolas, mas, conforme se movem no espaço, eles deixam um rastro, o que torna o malabarismo comum um pouco mais complicado.
(Risos)
Podemos ver não só onde o objeto esteve em relação, por exemplo, ao meu corpo se eu jogo atrás das costas ou por exemplo, sob a perna, mas também podemos ver a relação do meu corpo com o objeto se eu tento tirar a corda propositalmente.
E desse modo, temos um registro de onde estes objetos passaram enquanto estavam sendo manipulados.
Este é aquele padrão que mostrei no começo.
(Risos)
(Risos)
(Aplausos)
A última coisa que quero mostrar, é que, em toda essa pesquisa em busca de novos objetos no malabarismo e novos formatos de malabares, também fui levado de volta ao ponto de partida: aquele primeiro aro com o qual passei milhares de horas.
Através desse novo trabalho, me foi permitido retornar a ele e enxergá-lo de uma nova forma.
Eu gostaria de mostrar um pouco de malabarismo usando essas novas ideias.
(Música)
(Vivas)
(Aplausos) (Vivas)
