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What is NASH? 1st International NASH Day WebTV (1/7)

12 DE JUNHO DE 2018

A LUTA contra a EHNA

Uma coalizão pela saúde do fígado

Olá a todos. Hoje é o primeiro Dia Internacional da EHNA.

Esse evento é organizado pelo NASH Education Program, uma fundação que prepara ações educativas direcionadas a pacientes e médicos com o intuito de promover conscientização sobre a EHNA.

O que é EHNA?

EHNA é a sigla de esteatose hepática não alcoólica. É uma doença grave do fígado que pode causar cirrose, problemas cardiovasculares ou até mesmo câncer do fígado.

Hoje, vamos exibir 7 programas nos quais responderemos as principais perguntas que vocês podem ter sobre essa doença. Como por exemplo: qual é sua prevalência, quais são os fatores de risco, como diagnosticar a EHNA, quais são suas consequências, como tratar os pacientes...

E por último, não menos importante, que pesquisas estão sendo feitas para se obter tratamento.

Para dar as respostas, vamos conversar com os maiores especialistas da área e vamos ouvir os relatos pessoais de alguns pacientes.

Para começar, estima-se que 12% da população adulta dos Estados Unidos sofrem atualmente de EHNA.

Então, o que é EHNA?

Para termos uma ideia, fomos às ruas de grandes cidades no mundo todo fazer uma pesquisa.

A doença EHNA? Não.

EHNA? Não. É um filme?

Parece ser uma guloseima. É alguma coisa na cabeça?

EHNA? Não.

Parece ser nome de estação espacial.

Não faço a menor ideia de que doença possa ser.

Nunca ouvi falar.

Não faço ideia.

Talvez uma doença intestinal ou...

Sei lá, algo do tipo.

EHNA é uma doença que ataca o fígado por causa do acúmulo de açúcar. É muito grave, não se brinca com o fígado.

Eu não sabia. Deveria se falar mais sobre isso. É de dar medo.

Trocando em miúdos, que doença é essa?

- Prof. Harrison, olá. - Olá.

Você é diretor médico de Pinnacle Research em San Antonio, no Texas.

Publicou mais de cem artigos sobre a EHNA em prestigiosas revistas e periódicos científicos.

Você é um dos principais especialistas nessa área.

Pode nos dizer exatamente o que é EHNA?

Pois não. EHNA é a sigla de esteatose hepática não alcoólica, que é uma doença do fígado causada pelo acúmulo anormal de gordura no fígado.

Trata-se de um termo genérico.

Doença hepática gordurosa não alcoólica inclui mais coisas.

Dizemo "não alcoólica" porque doença hepática alcoólica também pode provocar fígado gorduroso.

- Tipo cirrose? - Isso.

Mas existe uma diferença.

Qual é?

A quantidade de álcool consumido.

Para um homem, seria em média menos de três bebidas por dia.

Para uma mulher, menos de duas por dia.

Se for o caso, trata-se de doença hepática gordurosa não alcoólica.

Ela está ligada ao diabetes e à obesidade.

A prevalência dessa doença mais que dobrou nos últimos 20 anos por causa das epidemias de obesidade e diabetes associadas ao estilo de vida: um maior consumo de comidas gordurosas, carbo-hidratos e bebidas com frutose.

Então, se entendi bem, tudo começa com o fígado armazenando gordura nas células.

Você nos trouxe duas imagens de células hepáticas.

Poderia explicá-las para a gente? Estão bem aí.

Pois não. À esquerda, temos um fígado de aparência normal.

Você não vê muitas manchas brancas.

Já à direita, esses pontos brancos grandes são gordura macrovesicular.

E o que acontece aí?

Isso são triglicerídios armazenados no fígado.

Isso é normal.

Mas nessa imagem, vemos um início de balonização das células.

Está vendo esses pontinhos pretos?

São os núcleos da célula, só que ao redor deles, existem citoplasmas granulosos chamados de corpúsculos de Mallory.

Isso indica que essa célula está cometendo haraquiri, ou suicídio. ela está morrendo.

Se esse for meu fígado e eu não fizer nada, o que pode acontecer comigo mais cedo ou mais tarde?

Comparando-se com o fígado da esquerda, que está normal, o da direita apresenta esteatose hepática não alcoólica.

Uma certa porcentagem de pacientes com esse quadro desenvolve doença hepática progressiva, que pode levar a cirrose, câncer de fígado, necessidade de transplante ou morte.

- Pode ser fatal. - Exato.

A primeira causa de mortalidade para esse tipo de paciente é cardiovascular, nem sequer é hepática.

- Ou seja, vai bem além do fígado. - Isso.

- É um quadro que sai do fígado. - Certo.

Entendi. Agora, vou mostrar um filme que resume o mecanismo da EHNA e o que acontece no fígado à medida que a doença se desenvolve.

A esteatose isolada é definida pelo acúmulo anormal de gordura nos hepatócitos.

Portadores de EHNA apresentam deficiência de homeostasia devido ao acúmulo de lipídios tóxicos.

Certos produtos derivados de bactérias intestinais também podem entrar no fígado ativando reações imunológicas.

Isso contribui para a inflamação local do tecido hepático.

Esse ambiente patológico provoca lesões hepatocelulares e apoptose, induzindo um quadro chamado balonização.

Esteatose, inflamação e balonização são as três lesões que definem a EHNA do ponto de vista histológico.

Em reação natural ao sofrimento celular, as células de Ito secretam tecido colágeno cicatrizante, induzindo a fibrose hepática.

Consequências da EHNA: acidentes cardiovasculares, câncer extra-hepático, cirrose, câncer de fígado.

Professor, quando se fala de EHNA, do ponto de vista do paciente, existem sintomas quando a doença se desenvolve?

Não, é uma doença assintomática. É por isso que é uma doença tão ignorada.

Porque os pacientes não apresentam sintomas até o momento em que têm complicações de tipo cirrose.

Ou seja, coloração amarelada, ou icterícia, fadiga severa.

Mas nada específico.

Falaremos dos fatores de risco em mais detalhes em outro programa.

Mas acima de tudo, é preciso entender que a EHNA é uma doença do fígado com poucos ou nenhum sintoma, como o Prof. Harrison acaba de dizer.

Afeta cada vez mais gente.

Visitamos um hospital na Bélgica que tem um novo departamento totalmente dedicado à EHNA.

Este é o Hospital Universitário da periferia de Antuérpia, Bélgica.

Paul e Micke têm consulta marcada com um especialista em fígado.

A EHNA de Micke foi diagnosticada 10 anos atrás.

Hoje, é Paul que vai conversar com o médico sobre o fígado dele.

E o risco é alto.

Já faz algumas semanas que eu vim aqui para fazer exame de sangue.

Eu estava com uns probleminhas de fígado.

E agora, vim receber os resultados.

Espero que sejam bons, que não seja uma cirrose.

Espero que não seja isso.

Prof. Sven Francque é o chefe desse departamento.

Aqui se reúnem médicos especializados em EHNA e nutricionistas, para consultas especializadas.

Há alguns anos, decidimos criar uma ala especializada em EHNA.

Temos cada vez mais pacientes, é uma doença que está se espalhando.

E precisávamos de uma ala especializada para cuidar de todos. É possível avaliar o estado do fígado com ultrassonografia.

Isso nos dá uma ideia do estado do fígado.

Esse exame de imagem permite determinar a elasticidade do tecido hepático.

Desse lado, você tem um fígado de aparência normal.

Ele tem superfície plana e coloração vermelho escuro.

Em seguida, você vê aqui um fígado amarelo e inchado.

Essa a aparência clássica de um fígado gorduroso, da esteatose hepática simples.

Mas se houver formação de tecido cicatricial, o quadro vai evoluir ao que vemos desse lado, que é a cirrose hepática.

E no final, se você tiver menos sorte, também pode desenvolver câncer do fígado.

Paul está esperando pelos resultados há 4 semanas. É o Prof. Francque que vai dá-los a ele.

- Entrem. - Obrigado.

Em termos de fibrose, o Fibroscan indica... uma taxa um pouco alta.

Ou seja, sua taxa não está normal, mas também não está muito alta.

Portanto, sua taxa não sugere que haja cirrose.

Os resultados são relativamente bons.

Estou contente de saber que não é cirrose.

Porque senão, seria outra história.

Quando se fala de cirrose, pensa-se logo que a pessoa bebe muito.

Todos os dias, uísque ou muita cerveja.

Eu bebo de vez em quando.

Gosto de champanhe.

Mas obviamente, não bebo isso todos os dias.

Paul está com EHNA, mas ainda em fase inicial.

Ele tem outra consulta em 3 meses, mas enquanto espera pelo tratamento, vai fazer uma dieta adaptada e praticar uma atividade física na esperança de reduzir o avanço da doença.

Essa reportagem mostra que o número de pacientes aumentou muito, inclusive dobrou nos últimos 20 anos.

Acha que a EHNA pode se tornar um problema grave de saúde pública nos próximos anos?

Com certeza. Se você observar os dados, ela está se tornando rapidamente a primeira causa de transplante, pelo menos nos EUA.

Já é a segunda causa, pouco atrás da hepatite C.

Projeta-se que daqui até 2020 ou 21, ela vai ter ultrapassado a hepatite C como a primeira causa de transplante do fígado.

Também representa um aumento dos custos para tratar as complicações e comorbidades de pacientes com EHNA.

Até aqui, estivemos falando do aspecto médico da EHNA.

Vamos ver agora como os pacientes reagem quando descobrem que têm essa doença.

Stéphanie, na Bélgica, teve diagnóstico de EHNA há um ano.

Vamos ouvir o caso dela.

Fazia muitos anos que eu estava tentando engravidar.

Os médicos pediram um exame de sangue depois de uns 3 ou 4 anos para fazer um checkup geral antes de uma nova tentativa.

E viram que tinha uma inflamação em algum lugar.

Começaram a procurar onde era, mas não acharam nada.

Até que alguém sugeriu fazer uma ecografia da barriga.

Fizeram isso e viram que meu fígado estava... maior do que o normal.

Antes do diagnóstico, eu nunca tinha ouvido falar de EHNA.

Eu não fazia a mínima ideia que essa doença existia.

Sempre que eu falo da minha doença, ninguém sabe o que é.

Nem sequer minha médica sabia o que era quando eu disse.

A primeira coisa que digo quando falo da minha doença é que não é de natureza alcoólica.

Mas na cabeça da maioria das pessoas, o fígado ainda está associado ao álcool.

Quando você pesquisa na internet, parece que é a culpa é sua, porque não come bem, toma muito refrigerante, come muito fast-food, não pratica esportes...

O fato de você só achar esse tipo de informação na internet gera um estigma porque todo mundo vai ler a mesma coisa.

E na internet, ou é uma coisa ou é outra.

Dá medo, porque é uma doença perigosa e as pessoas não sabem que ela existe.

Então, ninguém procura se informar.

E quando você descobre que tem essa doença, é tarde demais.

Qual é o impacto social ou o estigma social para os pacientes?

Stéphanie explicou muito bem.

As pessoas não conhecem essa doença, mas sabem um pouco sobre o fígado.

Ouviram falar de doenças hepáticas, que em geral estão associadas ao HIV, hepatite C e B, consumo excessivo de álcool, ou uma mistura disso tudo.

No caso de Stéphanie e de todos os pacientes com EHNA, simplesmente não é isso.

Essas pessoas não apresentam esses problemas que causaram a doença.

Por isso, estão sempre na defensiva.

Por causa do preconceito?

Isso. Essas pessoas têm de justificar o estado de saúde delas.

Certo. Muito obrigado.

Vamos agora dedicar alguns minutos à pergunta de um internauta.

Aqui vai uma:

"Essa doença tem as mesmas consequências que uma doença hepática ligada ao consumo de álcool?"

Já tocamos nesse assunto.

Sim, com certeza. São as mesmas da doença alcoólica, da hepatite C, da hepatite B e de outras doenças hepáticas. É a agressão que provoca a formação de tecido cicatricial.

Depois disso, a EHNA se comporta como qualquer outra doença hepática.

Muito obrigado por sua presença hoje.

Espero que esse programa os tenha ajudado a entender melhor a EHNA.

No próximo programa, vamos examinar os detalhes da doença.

Obrigado.

12 DE JUNHO DE 2018

A LUTA contra a EHNA

Uma coalizão pela saúde do fígado