A ciência da defesa dos direitos dos animais, Nick Cooney na IARC 2013 Luxemburgo
Conferência Internacional de Direitos dos Animais - Luxemburgo 2013
O próximo orador é Nick Cooney, ele é fundador e director da Humane League, uma organização de activismo a favor dos animais baseada em Filadélfia, que se foca na proteção dos animais de pecuária.
Nesta apresentação, o Nick irá apresentar as técnicas mais eficazes para persuadir as pessoas a passarem para uma alimentação vegana.
Bem-vindo, Nick!
(aplausos)
Bom dia a todos, obrigado por comparecerem a esta palestra.
Tenho uma questão:
Alguém sabe quantos veganos são precisos para mudar uma lâmpada?
(risos) dois... um deles para mudar a lâmpada e outro para procurar ingredientes de origem animal.
(poucos risos)
Uma audiência difícil, esta. (mais risos).
Vou falar hoje sobre a ciência do activismo pelos animais.
O que quer isso dizer?
Para começar, queria voltar atrás 2000 anos, para perto do ano 300 a.C.
Foi nessa altura que a prática que agora conhecemos como alquimia se iniciou.
Se pensarmos em alquimia hoje, provavelmente pensamos em velhotes estranhos, a tentar transformar o chumbo em ouro, e de facto isso era um dos objectivos dos alquimistas.
E podemos olhar para trás e pensar que o que faziam era bastante tolo, mas nessa altura os alquimistas eram encarados de forma muito séria.
Havia escolas para aprender alquimia, havia alquimistas apoiados pelo estado em vários países aqui na Europa, havia manuais sobre isso, e a alquimia existiu durante uns 2000 anos.
Mais ou menos até aos 1700s ou os 1800s.
E nessa altura a alquimia desapareceu.
E foi substituída pela química.
Podem ter reparado que os nomes são parecidos.
E enquanto que a alquimia foi um exercício fútil durante 2000 anos, durante os quais não alcançaram nada, a química, nas centenas de anos desde que existe, atingiu coisas muito úteis para prolongar e melhorar a vida humana.
Por exemplo, se usufruímos de ter acesso a remédios que podem salvar a vida, se usufruímos de passar o tempo com o nosso smartphone, se usufruímos de ter água limpa e potável na nossa torneira todos os dias, se usufruímos de passear de carro com os nossos amigos, podemos dar graças à química, pelo menos parcialmente, por todas estas coisas.
Qual é a diferença entre química e alquimia?
Por que razão uma foi bem sucedida mas a outra foi um falhanço?
E, o mais importante, porque estou numa conferência de direitos dos animais a falar de química e alquimia?
A diferença entre as duas, é muito simples, mas também é fundamental e importante.
E provavelmente todos aprendemos a diferença na escola primária.
E a diferença é: o método científico.
Os químicos usavam e usam o método científico.
Os alquimistas não.
Para aqueles de nós que já não estão na escola primária há muito tempo, o método científico tem a ver com a experimentação.
Se queremos declarar que algo é verdadeiro, devemos conseguir testar, para mostrarmos que de facto é verdadeiro.
E se procurarmos a definição de "ciência" na wikipédia vemos que a experimentação é o fundamento da ciência.
Na wikipédia, a primeira frase diz que a ciência
"constrói e organiza conhecimento sob a forma de explicações e previsões testáveis."
Portanto foi o método científico, a experimentação, que permitiu que a química avançasse passo a passo, a partir do abismo escuro da alquimia.
E é a experimentação que permite a qualquer empreendimento científico avançar para uma maior compreensão e eficácia.
Provavelmente isto é fácil de entender, quanto às ciências exactas, coisas como química e biologia e matemática, mas a experimentação é usada por todo o tipo de disciplinas, na nossa sociedade.
Por exemplo, nos EUA, de onde venho, no ano passado o presidente Obama foi reeleito.
Foi uma reeleição difícil, porque a economia dos EUA estava no seu pior estado em 70 ou 80 anos, havia também muito racismo, o que funcionava contra ele, então porque ganhou?
Certamente há várias razões, mas uma delas, que foi reportada por jornais notórios como o NY Times e o LA Times, nas semanas após a reeleição, é que um dos segredos da vitória foi o seu uso de pesquisa e experimentação e dados.
Ele contratou uma equipa de 50 analistas de dados, cujo trabalho era analizar, tentar perceber quem eram os eleitores indecisos nos EUA, e que mensagens, que abordagens, resultariam melhor para os convencer a votar em Obama.
E jornais como o NY Times e o LA Times deram crédito à sua pesquisa e testes como a razão para a sua eleição na eleição presidencial.
No mundo dos negócios, a pesquisa e a experimentação estão sempre a ser usados.
Para responder a questões como:
"A quem devo anunciar?" "Que tipo de publicidade devo usar?"
"Que produtos vender?" "Que características devem ter?", coisas desse género.
As companhias gastam dezenas de milhares de milhões de dólares todos os anos, em pesquisa de marketing, porque sabem que é essa pesquisa, e essa experimentação, que as vai permitir ser bem-sucedidas no negócio.
Alguns destes princípios estão a começar a ser usados nas "sem fins lucrativos".
Para dar um exemplo disso:
Um assunto actual muito importante para a saúde humana é a luta contra a malária.
Uma doença que ainda mata milhões de pessoas todos os anos.
Mas diferentes organizações contra a malária fizeram abordagens diferentes.
Por exemplo, no que diz respeito às redes contra os mosquitos, que ajudam a prevenir o contágio afastando os mosquitos durante a noite, algumas organizações anti-malária deram-nas de graça.
Algumas cobravam um custo muito reduzido, com a ideia de que se alguém pagasse por elas, nem que fosse 0,6 €, já teria investido nas redes, e seria mais provável usarem as redes, e isso permitria impedir o contágio de malária de forma mais eficaz.
Mas qual das abordagens foi mais eficaz?
Que abordagem salvaria mais vidas humanas?
Alguns investigadores decidiram, que em vez de adivinhar, assumir resultados ou trabalhar com base em filosofias, vamos testar isto e descobrir.
E foi o que fizeram, e eis que afinal as redes gratuitas funcionaram melhor, salvaram mais vidas, do que cobrando um pequeno preço.
E agora pelo simples uso de experimentação, do método científico, estas organizações conseguem salvar muito mais vidas humanas.
Mas não estamos aqui para falar de salvar vidas humanas, mas para falar de salvar vidas de animais, e prevenir o sofrimento animal.
Poderão estas mesmas ferramentas, poderá esta mesma abordagem usada nas ciências exactas, na política, nos negócios, e noutros cenários, nas "sem fins lucrativos", poderá esta mesma abordagem, este uso de pesquisa e de dados, poderá também ser usada, para ajudar na situação dos animais de pecuária, e para aproximar o mundo daquilo que todos gostaríamos? É sobre isso que eu vou falar hoje.
Se pensarmos na situação precária dos animais de pecuária, se pensarmos no trabalho que todos nós e todos os nossos grupos têm, praticamente tudo o que tentamos atingir pelos animais de pecuária, tentamos atingir por um só meio.
Que é, pela mudança do comportamento humano.
Seja convencendo membros do público a tornarem-se veganos, seja convencer os políticos a votar de certa forma, seja levar as empresas e os CEOs a instituir novas políticas, tudo isto requer que se altere o comportamento humano.
No que toca a ter sucesso na alteração do comportamento humano, há certas coisas que nós, enquanto movimento, dizemos a nós próprios.
Que parecem bem e soam bem mas que não são exactamente verdadeiras.
Por exemplo, por vezes convencemo-nos que vamos ter sucesso enquanto movimento de direitos dos animais, porque estamos do lado da compaixão.
Convencemo-nos que vamos ter sucesso porque gostamos mesmo, mesmo, de animais.
Ou convencemo-nos que o nosso movimento terá sucesso se trabalharmos duro todos os dias.
Cada uma destas coisas, estar do lado da compaixão e da justiça, preocuparmo-nos com a causa, e trabalhar no duro, torna mais provável que seremos bem sucedidos.
Mas por si só, não garantem sucesso.
Se olharmos para o mundo e a história, infelizmente vamos ver que repetidas vezes os que estavam do lado da justiça, do lado da compaixão, não ganhavam.
Essas coisas são importantes, ajudam, mas não são suficientes para podermos ganhar, e ver surgir o mundo que queremos para os animais.
Teremos sucesso na mudança de comportamentos e a salvar animais se aprendermos o que motiva as pessoas a mudar, a mudar crenças e éticas, mas ainda mais importante, a mudar os seus comportamentos.
A pesquisa psicológica é na verdade um mapa das estradas sobre como mudar comportamentos.
E tal como não nos púnhamos no carro, a caminho do Luxemburgo, sem antes ver as indicações de como ir de casa para aqui, ou pelo menos ligar o GPS e introduzir o nosso destino, também seria naïve da nossa parte assumir que todos nós sabemos automaticamente como inspirar o público para se preocupar com os animais e se tornarem veganos.
Como movimento, temos realmente 2 escolhas:
Tal como os alquimistas acreditavam que podiam transformar chumbo em ouro, sem qualquer conhecimento ou dados empíricos que mostrassem que isso era verdade, podemos continuar a assumir, que as nossas suposições sobre o que resulta para mudar comportamentos, para criar o mundo que queremos, podemos continuar a assumir que as nossas suposições estão correctas, ou... tal como os químicos, podemos inserir o método científico, a pesquisa e a experimentação, no grande trabalho que já estamos a fazer, para sermos ainda mais eficazes, poupar ainda mais animais, e chegar mais rapidamente ao mundo que queremos ver.
Uma das razões pela qual a pesquisa e a experimentação e procurar as pesquisas é tão importante é que as nossas suposições sobre o que motiva as pessoas a mudar são muitas vezes incorrectas.
Deixem-me dar um exemplo:
Vou citar alguns estudos hoje, alguns não são sobre activismo animal, mas os resultados são aplicáveis ao nosso trabalho.
Neste estudo, pesquisadores sobre o ambiente queriam perceber como podiam convencer os proprietários de casas a reduzir a quantidade de energia que usam em casa.
Então criaram 4 brochuras diferentes que falavam sobre razões para conservar energia.
O primeiro folheto referia razões ambientais, o segundo referia o dinheiro que se podia poupar, o terceiro referia os benefícios para a comunidade, e o quarto referia que a maior parte das pessoas na vila já conservavam energia.
Os pesquisadores andaram de casa em casa, e colocaram apenas um folheto debaixo de cada porta.
Depois trabalharam com a fornecedora de energia para monitorizar o consumo verdadeiro de energia nestas casas durante 3 meses.
E de todos os quatro, houve apenas 1 brochura que inspirou as pessoas a consumirem menos energia.
Quero fazer uma sondagem:
Quem acha que foi a primeira, a dos aspectos ambientais?
Quem acha que foi a segunda, sobre poupar dinheiro?
Ok, cerca de metade.
Quem acha que foi a terceira, sobre os benefícios para a comunidade?
E quem acha que foi a quarta, sobre já haver pessoas que poupavam?
A outra metade.
Na realidade, destas 4 brochuras, a que funcionou... foi mesmo a quarta.
Na realidade foi apenas essa brochura, que dizia que os outros já poupavam, que conseguiu reduzir o consumo de energia.
Ora, se eu tivesse uma organização ambiental nesta vila, assumiria automaticamente que "sou um ambientalista, portanto devo usar a mensagem ambientalista", e que seria isso que iria resultar melhor.
Ou talvez quisesse apelar ao auto-interesse das pessoas e falasse da poupança de dinheiro.
O meu argumento é que as nossas suposições sobre o que motiva as pessoas a mudar de comportamento, as suas atitudes, e as crenças, são muitas vezes incorrectas.
Em vez de depender em filosofias, ou suposições ou palpites, no que diz respeito a salvar as vidas de animais, a poupá-los do sofrimento, a criar esse mundo, e essa mentalidade que queremos ver no mundo, em vez de depender de outras coisas, deveríamos perceber o que funciona.
Temos de examinar a investigação sobre o que funciona.
Felizmente para nós, há literalmente milhares e milhares e milhares de estudos revistos por pares que mostram o que funciona ou não para inspirar as pessoas a mudar de atitude e de ética e a mudar os seus comportamentos.
Ora, para alguns de nós, a ideia de nos sentarmos e lermos milhares de estudos académicos parece uma ideia bem divertida, certo?
Imagino que para muitos de nós, essa ideia é um pouco assustadora, mas não é preciso preocuparem-se, tentei fazer essa leitura por nós e compilei-a em 2 livros, o primeiro saiu há alguns anos, chamado "Change of Heart -
What psychology can teach us about spreading social change" e que examina de forma geral a literatura, e sobre o que funciona de forma geral, para mudar atitudes e comportamentos.
Também tenho um livro novo, "Veganomics", que olha especificamente para o vegetarianismo e veganismo, porque razão as pessoas mudam, porque não, etc.
Então o que vou falar no resto do tempo será detalhar alguns dos mais importantes argumentos dessa pesquisa, argumentos que nos tornarão mais eficazes a espalhar a alimentação vegana.
E a minha apresentação será especificamente sobre a alimentação vegana mas a pesquisa e as ferramentas são aplicáveis a qualquer tipo de activismo animal.
Então, para começar, a 1ª secção será sobre persuadir outros, como disse antes, se quisermos alcançar uma mudança pelos animais, isso basicamente resume-se a inspirar as pessoas a mudarem o seu comportamento, a mudar a sua atitude, mas especialmente, a mudar o seu comportamento.
Que ferramentas podemos usar para sermos mais eficazes a inspirar as pessoas a alimentarem-se de forma vegana?
1º argumento: uso de histórias em vez de uso de estatísticas.
Se estivermos a falar com um amigo, um membro da família ou do público, sobre a alimentação vegana ou sobre o sofrimento dos animais de pecuária, há 3 abordagens diferentes que podemos fazer:
- podíamos contar uma história sobre um animal específico,
- podíamos falar sobre como o problema tem dimensões enormes, e quantos animais sofrem, - ou podíamos fazer ambos.
Mas qual destes será mais eficaz a inspirar as pessoas a preocuparem-se com os animais e a mudarem a sua dieta?
Alguns investigadores quiseram testar este tipo de pergunta.
Não eram activistas dos direitos dos animais, e o assunto que examinaram é também muito importante, que é a fome em África.
Criaram 3 cartas para angariar fundos. a 1ª falava sobre como o problema era enorme.
Estatísticas sobre as dezenas de milhões de pessoas a enfrentar a fome em África, todos os anos.
A 2ª carta não tinha nada disso. Tinha a história de uma menina africana, e como a vida era para ela, como criança a enfrentar a fome.
E a 3ª carta tinha ambos.
Tinha as estatísticas sobre quanta gente sofria, a dimensão do problema, mas também tinha a história da menina, e de como a vida era para ela.
Enviaram estas cartas, e houve donativos, e no final de contas, qual destas vocês achariam que foi mais eficaz a convencerem as pessoas a preocuparem-se e a doarem e portanto salvar vidas.
Quem diria a primeira, a das estatísticas?
Quem diria a segunda, a da história?
Quem diria a terceira, a que tinha ambos?
Temos um empate entre a 2ª e a 3ª.
Na realidade, a carta mais eficaz foi a 2ª.
A carta que tinha apenas a história gerou cerca do dobro dos donativos, ou por outras palavras, teve o dobro da eficácia em salvar vidas humanas, do que qualquer das outras duas, e a carta que tinha a história e as estatísticas foi só um pouco melhor do que a carta só com as estatísticas.
As histórias são muito poderosas. Têm um poder emocional, inspiram-nos a mudar o comportamento, e a mudar de atitude também.
Um exemplo disto nas pesquisas efectuadas:
Houve um pesquisador universitário nos EUA que era um professor, e pediu a todos os alunos que estruturassem e fizessem uma palestra sobre um assunto à sua escolha.
Depois de a palestra acabar, ele perguntou aos alunos que assistiam para ver o que se lembravam das apresentações uns dos outros.
E o que verificou é que, das estatísticas apresentadas nesse dia, apenas 5% foram recordadas pelo resto da turma, apenas meia hora depois.
Mas das histórias apresentadas nesse dia, uns imensos 60% foram recordadas pelo resto da turma.
Portanto, não só as histórias têm peso emocional, como têm "cola": lembramo-nos delas, influenciam-nos, fazem com que nos preocupemos, e levam a agirmos.
O que isto significa como activistas dos direitos animais e da alimentação vegana, é que precisamos de usar mais histórias.
Em vez de falar do facto que há dezenas de milhares de milhões de animais mortos na pecuária, e centenas de milhões de pintaínhos triturados vivos pela indústria avícola, temos de nos focar em histórias individuais, a história de um animal em particular, sobre como a vida é para ele ou ela no dia-a-dia, na pecuária intensiva.
Quanto mais usarmos estas histórias, mais eficazes seremos para que as pessoas se preocupem e mudem a alimentação, e portanto salvar animais.
Outra coisa que quero falar é "o pé na porta".
Muitos de vós podem adivinhar do que se trata, mas vou dar um exemplo da pesquisa para tornar logo claro do que se trata.
Houve alguns pesquisadores na Califórnia, que foram a casa num certo bairro, bateram nas portas, e traziam estes sinais de jardim feios que diziam "conduza com cuidado".
Como os sinais eram feios e deviam ser colocados na relvado em frente da casa, só cerca de 17% das pessoas concordou e colocou o sinal.
Portanto, mais ou menos um falhanço.
Depois foram para outras casas no mesmo bairro, mas desta vez deixaram os sinais em casa.
Bateram nas portas, mas desta vez tinham autocolantes para as janelas, com uns 5 x 5 cm, que também diziam "por favor conduza com cuidado".
Bateram à porta e disseram que estavam a promover uma condução segura, que queriam colocar os autocolantes, e desta vez, porque era algo tão fácil, quase toda a gente concordou, e colocou os autocolantes.
3 semanas depois, os pesquisadores voltaram às mesmas casas que tinham recebido os autocolantes, mas desta vez, trouxeram com eles os outros sinais de jardim feios.
Bateram à porta, disseram, ei, sou eu outra vez, obrigado por colocarem os autocolantes, agora gostaria que colocasse estes sinais no relvado da frente.
E desta vez, não foram 17%, mas quase 70% que concordaram e colocaram os sinais.
A conclusão é esta: apesar de o principal objectivo dos pesquisadores ser colocar os sinais no relvado da frente, foram muito mais eficazes fazendo primeiro um pedido semelhante mas de dimensão mais pequena, que as pessoas provavelmente aceitariam, e depois voltar e fazer um segundo pedido, maior.
Isto é do que se trata o "pé na porta".
E houve literalmente milhares de estudos a documentar o poder disto.
Só mais dois exemplos rapidamente.
Outro estudo descobriu que as pessoas a quem se pediu que assinassem uma petição a apoiar a construção de um centro recreativo para os deficientes físicos, doaram, uma semana mais tarde, duas vezes mais dinheiro, para a construção do centro do que as pessoas a quem não se pediu que assinassem a petição.
De forma semelhante, as pessoas a quem foi pedido que usassem um crachá a promover a Sociedade Canadiana do Cancro,
1 semana depois, quando lhes pediram para doar, doaram o dobro do dinheiro do que as pessoas a quem nunca foi pedido que usassem o crachá.
Tem havido literalmente milhares de estudos a documentar o poder disto.
A razão porque os investigadores acham que o "pé na porta" funciona tão bem é porque influencia o nosso sentido de identidade.
Assim que coloco esse crachá, assim que coloco esse autocolante, assim que assino essa petição, começo a ver-me como o tipo de pessoa que se preocupa com a promoção da condução segura, ou qualquer destas outras coisas.
E portanto, quando alguém volta e encoraja-me a fazer mais alguma coisa, uma coisa com mais impacto, como já me sinto como uma pessoa que se preocupa com a condução segura, então claro, eu coloco o cartaz no jardim. É por isso que o "pé na porta" é tão poderoso.
O que significa isto para nós, enquanto activistas dos direitos dos animais e do veganismo?
Uma preocupação de algumas pessoas no movimento tem a ver com programas como as "segundas sem carne", ou mesmo encorajar pessoas a reduzir a carne ou encorajar as pessoas a tornarem-se vegetarianas.
E a preocupação é compreensível, é de que queremos um mundo vegano, queremos que todos sejam veganos, e se encorajarmos as pessoas a fazerem menos do que isso, seja não comer carne às segundas, seja tornarem-se vegetarianos, as pessoas podem fazer isso, mas depois tornam-se comodistas, ficam por aí e não avançam e adoptam as crenças e os comportamentos que queremos que tenham, que é obviamente uma mentalidade de direitos dos animais e um estilo de vida vegano.
Felizmente, o que nos mostra a pesquisa sobre o "pé na porta", é que não temos de nos preocupar com isso, felizmente.
Quem faz uma pequena mudança é mais provável que faça uma grande mudança mais à frente.
E há outros estudos nos EUA e na Europa que também têm mostrado isto.
Nas pessoas que reduzem o consumo de carne, nas pessoas que se tornam vegetarianas, as pesquisas indicam que é mais provável, em comparação com o resto das pessoas, que se tornem veganos mais tarde.
E isto traz-nos ao meu próximo assunto, que é "qual o melhor pedido a fazer".
Que pedido devemos fazer ao nosso público para que alterem o seu comportamento tanto quanto possível, e assim fazer o maior bem possível pelo mundo?
Sabem, todos queremos tirar o máximo da vida, queremos divertir-nos ao máximo, ter sucesso ao máximo, queremos que o mundo mude tanto quanto possível, numa trajectória que ajude os animais, que salve vidas e reduz o sofrimento.
Alguns pesquisadores quiseram perceber de forma científica de que forma um orador pode obter o "máximo" da sua audiência.
Por exemplo, eu costumava fazer muita educação humanitária.
Ia a liceus e falava sobre a pecuária intensiva, a comida vegana e por aí fora.
Como orador, apresentando-me numa aula de liceu normal, que pedido devia fazer a estes estudantes?
Num mundo ideal, o que queria mesmo que fizessem, era tornarem-se veganos; tornarem-me activistas pelos animais a tempo inteiro; comerem apenas comida biológica; não conduzirem um carro; não terem filhos; e provavelmente muito mais coisas, certo?
Isso é idealmente o que quero que esses estudantes façam.
Mas se eu entrar e disser exactamente o que quero, aquilo que acho que eticamente deviam fazer, eles olhariam para mim como se fosse louco, e provavelmente não fariam nada.
Por outro lado, talvez eu possa pedir às pessoas algo mesmo fácil como terem apenas uma refeição vegana por mês.
Algo mesmo simples.
Qual dos dois irá realizar mais bem?
Será melhor pedir uma mudança total ou será melhor pedir algo simples?
Ou será melhor pedir alguma coisa entre estes dois extremos?
O que irá criar o máximo de alteração de comportamentos?
Vou fazer mais uma sondagem aqui.
Quem acha que será o pedido fácil que vai promover mais mudança?
Muitas pessoas.
Quem acha que será o pedido de dificuldade média?
E quem acha que será o pedido mais difícil?
Claro que o que é fácil, médio ou difícil varia um pouco, ninguém está completamente correcto ou incorrecto, mas o que a pesquisa descobriu foi:
O pedido mais eficaz a fazer ao público está no meio, mas devemos fazer um pedido que seja significativo, mas em que possam imaginar-se a realizá-lo.
Se for uma coisa muito simples, as pessoas podem fazê-lo, mas não realizará muito bem.
Se for uma mudança muito difícil, tão difícil que ninguém consegue imaginar-se a realizá-la, quase ninguém irá tentar fazê-la.
Portanto o ponto dourado, que irá criar mais mudança de comportamento, é encorajar as pessoas a fazer algo que seja significativo mas que se consigam imaginar a fazê-lo.
Portanto o que significa isto para os animais de pecuária?
Se promovermos a alimentação vegana, que tipo de mensagem vai permitir aos animais (ou pelo menos ao maior número deles) que durmam bem à noite, sabendo que estão livres de exploração?
Esta é uma área em que até haver mais dados, entramos um pouco em palpites e assunções.
Mas o que eu presumo, baseado nessas pesquisas e dados, e em tudo o que tenho visto, é que a maior parte do público não consegue imaginar-se, por agora, como veganos.
Alguns, particularmente em alguns países, poderiam imaginar-se como vegetarianos, especialmente os adolescentes, e todos podem imaginar-se a comer menos carne.
Portanto o meu palpite com base nesta pesquisa é de que a mensagem mais eficaz, a que vai alterar mais comportamentos, e poupar o máximo de animais, é um pedido que vai desde "um corte no consumo de carne" até "tornar-se vegetariano".
Para algumas audiências, certamente que pediríamos que se tornem veganos.
Especialmente públicos que jã são vegetarianos.
Mas para o público em geral, se pensarmos sobre esta pesquisa, é uma mensagem nessa gama entre redução e vegetarianismo que não só irá alterar mais comportamentos agora, e poupar mais animais agora, mas se nos lembrarmos do "pé na porta", também significa que criaremos mais veganos a longo prazo.
Estudos nos EUA e na Europa mostram não só que a maioria do público pensa que a alimentação vegana não é algo em que têm interesse, mas um estudo de 2013 realizado nos EUA, mostra que até a maioria dos vegetarianos pensa que o veganismo é muito restritivo e não é saudável.
Embora isto pareça estranho, e podemos ficar desconfortáveis, porque não estamos a exprimir exactamente o que acreditamos, e exatamente o que queremos, parece provável que encorajar algo menos que o veganismo irá criar o máximo de veganos a longo prazo, e o que vai ajudar mais os animais, quer a curto como a longo prazo.
Uma coisa a manter em mente, quando falamos de defender uma mudança alimentar, é que, no que toca aos diferentes tipos de animais que são comidos, eles sofrem em quantidades diferentes.
Este gráfico tem a ver especificamente com o consumidor americano comum, portanto pode ser diferente nos vossos países.
Mas nos EUA, é isto o que os animais de pecuária sofrem, causados pelo consumidor omnívoro comum.
São mais de 2000 dias de sofrimento, o que é horrível.
Mas podemos ver que a maior parte do sofrimento tem a ver com os peixes de aquacultura, e com as galinhas, seja para ovos ou para carne.
Um dos resultados disto, algo que podemos lembrar-nos, é que se encorajamos alguém a mudar de alimentação, e eles não estão dispostos a ser veganos, nem vegetarianos, talvez possamos encorajá-los, para começar, a consumir menos frango, porque só ao fazer isso, já estão a prevenir metade do sofrimento.
Se cortarem no frango e no peixe, o que é algo que acho que muitas pessoas estariam dispostas a fazer, poderiam poupar quase 90% do sofrimento, e a crueldade e as mortes que causam.
Isso não é o resultado final pretendido, queremos o veganismo, mas para as pessoas que não querem fazer uma grande mudança, isto pode ser um bom pedido mas pequeno que se pode fazer.
Avançando: as normas sociais.
Todos gostamos de pensar em nós mesmos como espíritos independentes, como pessoas inteligentes, que tomam as decisões que tomam, que têm os comportamentos que têm, que têm as opiniões que têm, porque pensámos sobre elas e decidimos,
"isto é quem eu sou, isto é o que acredito, e isto é o que vou fazer".
Mas na realidade, todos nós, incluindo todos nós na sala hoje, no fim somos muito semelhantes ao resto das pessoas.
Somos influenciados pelo público em geral, ou pelo menos por pessoas no nosso grupo social.
Um resultado disto é que mensagens sobre normas sociais, mensagens que dizem "muitas pessoas estão a fazer isto", são muito poderosas a moldar o que acreditamos e o que fazemos.
Vimos isso antes, no estudo sobre utilização de energia em casa.
E há dúzias e dúzias de estudos a mostrar exactamente a mesma coisa.
Deixem-me dar-vos mais um exemplo da pesquisa:
Houve uma cadeia hoteleira que queria que os hóspedes começassem a reutilizar as toalhas do banho.
A principal razão era financeira, porque se as pessoas reutilizassem as toalhas, em vez de as devolver para a lavandaria, pouparia dinheiro e tempo, não teriam de fazer tantas lavagens, não teriam de fazer tantas secagens, não precisariam de contratar mais pessoas.
Então colocaram alguns sinais pelo hotel,
- e claro que isto também seria bom para o ambiente -, e colocaram uns sinais à volta do hotel que diziam:
"Para nos ajudar a proteger o ambiente encorajamo-lo a reutilizar as toalhas de banho"
E sabem que mais, os cartazes resultaram, algumas pessoas começaram a reutilizar as toalhas, mas depois vieram os pesquisadores, e pensaram que podiam fazer um trabalho melhor, e então tiraram os sinais e puseram uns novos que diziam:
"A maioria dos hóspedes neste hotel reutiliza as suas toalhas".
Não falava sequer sobre o ambiente.
Mas mudar da mensagem ambiental para a mensagem de normas sociais, aumentou a reutilização das toalhas em 25%.
Quando os sinais foram mais específicos, dizendo que
"a maioria dos hóspedes no quarto 309 - ou fosse qual fosse - reutilizam as toalhas" o uso de toalhas aumentou ainda mais.
Ora claro, preocupamo-nos com os animais e queremos promover a ética da compaixão e da igualdade para os animais, etc., portanto, claro, quando promovemos a alimentação vegana, queremos falar sobre o sofrimento dos animais, e porque não é justo, e porque não o devemos apoiar.
Mas se, para além disso, adicionarmos um componente de normas sociais, seremos mais eficazes a inspirar as pessoas a preocuparem-se e inspirá-las a mudarem de atitudes e de comportamentos, da forma que pretendemos.
Portanto, falar de celebridades, que se tornaram veganas ou vegetarianas, falar sobre o número crescente de veganos, vegetarianos e redutores de carne, falar sobre a oferta de comida vegana em restaurantes e lojas, quanto mais fizermos isto, mais mostramos que a alimentação vegana é uma tendência em crescimento, uma tendência popular, que muita gente adopta, mais eficazes seremos, a conseguir que outros façam o mesmo, e a pensarem que é uma coisa boa e ética.
A seguir, "ser como eles".
Uma das consequências das normas sociais e do facto de sermos influenciados por outros, é esta:
A pesquisa mostra que é mais provável sermos influenciados e persuadidos por alguém que seja semelhante a nós.
Os estudos mostram que quando somos semelhantes ao nosso público em termos de coisas como a idade, sexo, a forma como vestimos, crenças políticas e crenças sociais, mesmo na nossa linguagem corporal, e na forma como falamos, quanto mais parecidos formos com o público, em qualquer uma desta áreas, mais provável será que nos ouçam que sejam persuadidos, e que façam as alterações que queremos que façam.
O que significa isso para nós, enquanto activistas pelos animais?
Bem, acho que uma das coisas é que se quisermos ser o mais eficazes possível, teremos em certa medida de nos adaptarmos ao nosso público.
Se estivermos a falar de veganismo num concerto punk, provavelmente queremos ter uma certa aparência, e se estivermos a falar de veganismo, numa conferência de políticos conservadores provavelmente queremos ter outra aparência e agir de outra forma, se queremos ser tão eficazes quanto possível.
Um objectivo que devemos ter em todas as conversas e interacções com o público, é que quando se forem embora, o façam a pensar "esta pessoa é tal como eu... mas não come animais", ou "é contra a pele", o que quer que seja o assunto.
Quanto mais conseguirmos que as pessoas saiam a pensar nisso, mais provável será adoptarem a ética e a atitude, e o mais importante, o comportamento, que queremos que tenham.
A propósito, quando se trata de alcançar públicos específicos, outra coisa que podemos perguntar a nós próprios é:
"que tipo de público tem maior probabilidade de tornar-se vegano ou vegetariano".
Alguns grupos têm maior probabilidade de fazer estas mudanças, e quanto mais focarmos os nossos esforços neles, mais provável será que mudem de atitudes e de comportamentos.
A pesquisa mostra que as mulheres e os jovens têm uma probabilidade maior de avançarem nesta direcção, e quanto mais nos focarmos neles, mais eficazes seremos, e mais animais pouparemos.
Finalmente, "mostrar como se faz às pessoas"
Por nos preocuparmos com os animais, passamos tanto tempo a falar do "porquê, porquê, porquê" ser vegano, e não passamos tanto tempo a mostrar como se faz a transição.
Esquecemos que coisas que são fáceis para nós, porque as fizemos tantas vezes, não são tão fáceis para quem nunca as fez.
Mas é muito importante mostrar às pessoas como fazer essa mudança, de facto, uma grande meta-análise, uma análise de centenas de estudos, concluiu que o mais importante que persuadiu as pessoas a mudar, não era se queriam mudar, se achavam que era uma coisa boa, mas quando sentiam que sabiam como fazer essa mudança.
Portanto, temos de mostrar o "como".
Mostrar às pessoas como encontrar comida vegana deliciosa, explicar que é saudável, e como se podem manter saudáveis, onde podem obter proteína, etc. etc.
Temos de mostrar às pessoas - a questão da conveniência - onde comprar esta comida e como prepará-la, etc.
E também assuntos sociais, como encontrar comida vegana quando estão com a família e os amigos.
Isto é importante não só para persuadir as pessoas a mudar mas também para manter as pessoas no veganismo porque a infeliz realidade agora é que em cada 4 pessoas que se tornam vegetarianas, 3 irão voltar a comer carne.
Quanto mais abordarmos estes assuntos do "como", mais tempo passaremos a retirar estas barreiras e mais eficazes seremos a não só criar mais veganos e vegetarianos, mas a manter as pessoas nessa alimentação.
Finalmente, só tenho cerca de 4 minutos, mas quero acabar a falar da nossa própria psicologia.
E de como as nossas acções e comportamentos podem ajudar ou prejudicar os nossos esforços pelos animais. Às vezes pode ser difícil encarar-nos e enfrentar as verdadeiras motivações para fazermos o que fazemos.
Certamente, todos nós se preocupam com os animais, e todos estamos cá neste fim-de-semana porque queremos ajudar os animais,
Mas provavelmente teremos mais motivações também.
Isto são partes naturais e saudáveis de sermos seres humanos, mas temos de perceber que às vezes estas motivações pessoais, podem interferir com o nosso desejo de fazer o que resulta.
De fazer o que é mais eficaz.
Por exemplo, vejam estes dois:
O da esquerda sou eu, já agora, era eu há 10 anos atrás, e o outro sou eu hoje.
Seria óptimo se vivêssemos numa sociedade onde as pessoas não se julgassem umas às outras com base na sua aparência.
Mas sabemos da nossa própria experiência, e a pesquisa mostra de forma clara, que infelizmente, neste mundo, as pessoas julgam-se muito com base na aparência.
E portanto estudo após estudo mostraram que quando mais semelhantes formos ao nosso público, mais eficazes seremos a persuadi-los a mudar o seu comportamento, e portanto salvar mais animais.
Para mim, foi preciso alguns anos, para perceber que o meu desejo de ajudar os animais é mais importante do que expressar a minha identidade pessoal, do que tomar uma posição contra a cultura das aparências, por muito negativo que seja, pensei na ideia, se a minha mãe fosse morta, se lhe cortassem a garganta, e eu soubesse que tinha uma pequena hipótese de a salvar, apenas mudando a forma como me vestia, ou cortando o cabelo, tinha 20, 30, 40% mais hipóteses de salvar a sua vida, então claro que o faria.
Então, se o faço por uma pessoa, claro que o posso fazer para salvar centenas, milhares de animais.
Em segundo lugar, nas nossas interacções com outras pessoas, quando temos uma conversa com o público sobre estes assuntos, o que se passa na nossa mente?
Se alguém parar para falar connosco da pecuária intensiva, da alimentação vegana, estaremos a pensar
"preciso de dizer a esta pessoa que deve tornar-se vegana e que o especismo é terrível, que ser vegano irá prolongar a sua vida por 5 anos, e que o comportamento mais moral é ajudar os animais, e que milhões de pintaínhos, são triturados vivos, pela indústria dos ovos, e que os animais estão confinados a jaulas que nem se conseguem mover, e que o melhor que podemos fazer, para evitar o aquecimento global, e ajudar o meio ambiente, é ser vegano, e por aí em diante, ou, no fundo da minha mente, estou a pensar
"quem é esta pessoa à minha frente, e que posso dizer, que seja mais provável para os fazer mudar, ter atitudes, e o mais importante, comportamentos, que ajudarão a salvar as vidas dos animais?"
Isto são duas abordagens diferentes.
Uma foca-se em expressar o que acreditamos, sabemos, e queremos, e vem tudo da nossa parte, e a outra começa com uma abordagem orientada para os resultados, e trabalha a partir daí.
Esse objectivo é salvar o máximo de animais e fazer o máximo de bem, e tudo decorre disso.
Finalmente, a nossa "escolha de actividades", como gastamos o nosso tempo, dinheiro e energia?
Participamos nas campanhas que são divertidas para nós, naquelas que representam os nossos valores?
Participamos nas campanhas que são mediáticas e populares agora?
Ou paramos e pensamos "o que posso fazer, que campanha, que causa, que abordagem, vai na realidade salvar mais vidas e fazer o máximo de bem?"
Todos começamos com essa motivação de querermos ajudar os animais.
Precisamos de passar daí, de não só "fazer o bem", mas de fazer "o máximo de bem".
As companhias como a Coca-Cola e a Adidas têm um objectivo.
O seu objectivo é fazer dinheiro.
Todas as decisões que tomam, têm a ver com esse objectivo.
Nós, como activistas dos animais, dos direitos dos animais, temos um objectivo também.
Eu proponho que o nosso objetivo são duas coisas: É salvar tantos animais e poupar tanto sofrimento quanto possível, em termos numéricos, tantos animais quanto possível.
Se realmente acreditarmos que os animais são indivíduos cuja dor importa, cujo prazer importa, cuja vida importa, cujas vidas devem ser tratadas como iguais às nossas, se acreditamos verdadeiramente que são importantes, que estes indivíduos importam, devemos fazer o trabalho que vai salvar mais indivíduos, que vai poupar o maior número de indivíduos de uma vida inteira de sofrimento.
Não posso falar sobre outros países, mas nos EUA, nos últimos seis anos, movimentos contra a vivissecção, as peles, os animais de companhia, animais selvagens, animais em espectáculos, se adicionarmos todo o bem feito por todos esses movimentos, e o dinheiro gasto neles, o número de animais que poupam por ano, é inferior a 1 milhão, nos últimos 6 a 7 anos.
Se olharmos para o activismo pela mudança de alimentação nos EUA, o número de animais poupados por ano por esses esforços nos últimos 6 a 7 anos, é de 500 milhões.
500 milhões, apesar de se gastar muito, muito menos em activismo por mudança alimentar, comparado com outras causas, combinadas.
E não é porque as pessoas que defendem a mudança alimentar sejam mais inteligentes, trabalhadoras, ou algo desse género. É apenas porque este assunto - como notado numa pergunta ontem - é neste assunto que cada um de nós como indivíduos e como organizações pode ter a capacidade para salvar o número máximo de animais, e reduzir a quantidade máxima de sofrimento animal.
Precisamos de manter estes assuntos em mente se realmente nos preocupamos com os animais, e realmente os quisermos ajudar, sabem, todos nós temos um poder incrível, todos nós nesta sala, e ao longo das nossas vidas, podemos poupar a miséria de dezenas de milhares de animais.
Temos um poder incrível.
O nosso objectivo enquanto activistas, o imperativo categórico que temos e o padrão ético pelo qual nos devemos avaliar, é usar a pesquisa, os dados, a lógica, e focar-nos nos resultados.
Usar essas coisas para mais uma vez, salvar o máximo número de animais, e reduzir ao máximo o sofrimento.
Acabei, se não contarmos com as perguntas.
Se alguém estiver interessado nisto, na psicologia das mudanças sociais, ou interessados em saber mais sobre estes estudos sobre o vegetarianismo, o livro "Change of Heart" está à venda na banca Bite Back.
E o livro "Veganomics" está à venda online, ainda não há impresso, mas podem comprar online.
Há alguns cartões sobre isso na banca da Animal Equality e há alguns capítulos gratuitos no site, se quiserem espreitar.
Muito obrigado, foi óptimo falar com vocês e também obrigado por todo o trabalho que fazem, é uma honra e uma inspiração estar aqui e ouvir falar do vosso trabalho.
Obrigado!
(aplausos)
- Temos cerca de 5 minutos para perguntas. Alguém quer perguntar alguma coisa?
- Olá. Primeiro quero começar com uma piada.
Quantos carnistas são precisos para mudar uma lâmpada?
- Não sei.
- Não importa, porque eles gostam de estar na escuridão.
(risos)
(aplausos)
O Kim Stallwood, ontem, apresentou a teoria de que a melhor mudança, o maior bem que podemos fazer, é o envolvimento da política, mudar a legislação e as leis, entrar na política, fazer a mudança social a partir do interior do sistema.
Primeiro: qual é a tua opinião sobre isso? Porque falaste da forma mais eficaz de fazer mudanças interpessoais e não mudanças políticas globais.
O que achas disso? E se concordas com esse método, qual seria a forma mais eficaz? Obrigado.
- Claro, obrigado.
Eu concordo que isso é extremamente importante, e eu disse que focarmo-nos nos animais de pecuária provoca o máximo de bem, e claramente, em termos de mudança de alimentação, podemos salvar números enormes de animais, o facto de que nos EUA há menos 500 milhões de animais criados e mortos na pecuária por ano, provavelmente faz mais bem do que qualquer outra mudança que tenha sido feita, apesar de ter havido avanços legislativos importantes a favor dos animais de pecuária nos EUA.
Portanto eu acho que a mudança alimentar é uma área em que podemos fazer muito bem, especialmente como indivíduos, mas concordo absolutamente que estar envolvido e activo politicamente, trabalhar para consagrar os nossos valores na política, e esforçar-nos para conseguir quaisquer protecções que se possam alcançar a favor dos animais de pecuária, e reduzir o máximo de sofrimento a um nível político, não só acho que é muito bom a um nível imediato, mas também nos dá uma base mais estável para promover o veganismo.
Se pensarmos sobre alguma desta pesquisa, e eu não cobri hoje todos os assuntos que vêm no livro, tornou-se muito claro para mim, na pesquisa que fiz para escrever o livro, que quanto mais nós, enquanto sociedade, abraçarmos algum valor, mais dispostos estaremos para continuar a abraçá-lo.
Quanto mais a sociedade proteger os animais de pecuária, mais disposto estará o público a não só continuar a protegê-los, mas a estar aberto à ideia de se tornar vegano.
Porque a ideia de nos preocuparmos com os animais de pecuária é agora uma ideia estabelecida.
E a segunda parte da pergunta era a melhor forma de o fazer.
Eu foco-me quase exclusivamente nos assuntos dos animais de pecuária, portanto não tenho uma opinião informada em relação aos melhores avanços legislativos em termos de vivissecção, peles, e outros.
Portanto infelizmente não posso responder a isso.
No que toca aos animais de pecuária, não estamos nada perto de uma situação em que se pudesse dizer que a carne podia ser banida.
Acho que, por agora, criar políticas que reduzam o consumo de carne e fazer reformas que reduzam o sofrimento dos animais de pecuária mais uma vez, acho que não só fazem bem a curto prazo, mas criam um mundo onde será mais fácil promover o veganismo, e a atitude dos direitos dos animais e da ética animal.
- Há mais uma pergunta.
- Olá Nick, obrigado pela tua palestra, tenho só uma pergunta rápida:
Qual é a tua opinião sobre a promoção da carne criada com "bem-estar"?
Tem sido feita por bastantes organizações dos EUA como a Farm Sanctuary, ou a Mercy for Animals, e outras, e acho que houve uma carta aberta assinada por Peter Singer, para a cadeia Whole Foods. Qual é a tua opinião?
- Obrigado pela pergunta.
Eu trabalho para a Farm Sanctuary, já agora, para tua informação.
Eu acho que há um mal-entendido comum de que esses grupos promovem isso.
Há alguns grupos nos EUA que promovem a "carne feliz", o Animal Welfare Institute seria um deles, e há uns poucos outros também, mas esses grupos que mencionaste e muitos dos outros que são criticados, na realidade não promovem isso.
Praticamente toda a crítica nesse sentido refere-se a uma letra assinada há 8 anos, endereçada à Whole Foods, que dizia:
"obrigado por não comprar às piores das piores pecuárias".
Mas se virmos os websites, os materiais, vídeos, folhetos, tudo o que é distribuído por estas organizações, nada disso é a favor da carne "feliz", de facto, na medida em que se referem a isso, opõem-se a isso.
A Mercy for Animals tem um Kit de Iniciação ao Vegetarianismo, se virmos a literatura da Farm Sanctuary, toda ela diz que "biológico", "ao ar livre", ainda é cruel e não deve ser comido. É um mal-entendido que esses grupos o promovam, o que não é o caso,
O que faço no Farm Santuary é a defesa do veganismo, basicamente giro os programas de defesa do veganismo, e concordo absolutamente que as organizações não devem estar a promover a carne com "bem-estar".
Inevitavelmente, organizações como as lojas Whole Foods vão promovê-las, porque alguns consumidores a procuram, não me parece que o devamos fazer de todo, e pelo menos nos EUA, todos os principais grupos, como a Mercy for Animals, Farm Sanctuary, e outros, não a estão a promover, na realidade fazem o oposto.
- Talvez devêssemos publicar outra carta aberta a afirmar isso oficialmente?
- Não sei qual seriam os benefício disso, basicamente as únicas pessoas que viram essa carta são a Whole Foods e activistas dos direitos dos animais, portanto o público não tem percepção, de que a Mercy for Animals ou o Farm Santuary apoiem a carne com "bem-estar".
Esses grupos chegam a milhões de pessoas por ano com vídeos e literatura, e cada um deles diz que estas coisas são más.
Portanto, no olhar do público, é clara a posição destes grupos.
Talvez não para os activistas, por causa dessa carta, mas para o público, que é o que interessa, a percepção é correcta.
- Obrigado por esta palestra muito interessante.
E obrigado por essa bela imagem feminista a flectir o músculo, a dizer "posso largar a carne".
Gostei de ouvir que as mulheres e os adolescentes têm maior probabilidade de se tornarem vegetarianos, a minha pergunta é: se há uma ligação entre mulheres e veganismo, o que se pode fazer pelo público masculino?
O que poderia influenciar os homens, em particular?
- O que influenciaria mais homens a serem veganos?
- Sim.
- Isso é uma boa pergunta.
Olhei para essa pesquisa para escrever o Veganomics, por isso, se quiseres, vê isso, e o que vem à mente, na realidade não há muita coisa, mas uma coisa sugerida pela pesquisa foi de, quando fazemos activismo vegano, e uma parte é orientada para os homens, temos de afastar o estereótipo que os homens veganos são fracos e doentes e não masculinos, será uma forma de incentivar o veganismo, por exemplo, nalguma da literatura sobre veganismo produzida na Farm Sanctuary, quando pomos imagens de homens, incluimos alguns homens muito musculados, atletas profissionais e assim, para afastar esse estereótipo.
Outra coisa que vi na pesquisa, não sei até que ponto isto é útil para nós como activistas pelos animais, mas para os homens, em particular, ter amigos que são veganos ou vegetarianos aumenta a probabilidade de também fazerem essa mudança.
De novo, não sei se há uma aplicação prática disso, talvez as pessoas se lembrem de algo, mas essa é a única outra coisa que vi na literatura que fala sobre o que poderá ser útil.
- Não temos mais tempo para perguntas.
Se quiserem, podem falar com o Nick lá fora, ok?
- Claro.
- Obrigado, Nick, pela tua óptima palestra.
- Obrigado
(aplausos) tradução e legendagem: João Madureira
