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Abuse and Healing in Women’s Gymnastics

ESTE EPISÓDIO FALA DE ASSÉDIO NA GINÁSTICA E PODE

SER INADEQUADO PARA ALGUMAS FAIXAS ETÁRIAS.

Minha mensagem pessoal a todas as ginastas: não tenham medo de falar sobre isso.

Falem com alguém. Contem para alguém porque abuso sexual... não tem lugar neste esporte.

Comecei na ginástica aos cinco anos.

Minha festa de cinco anos foi num ginásio...

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 2016

...e eu começava a subir nas cordas, balançar nas barras e me pendurar.

Era um pouco incomum alguém subir até o topo da corda numa festa de aniversário.

Tudo começou assim.

Meus pais disseram: "Vamos ver no que vai dar."

Quando comecei na ginástica, me senti...

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 2000

...confiante e queria ir treinar todos os dias.

Eu dormia de collant todas as noites.

Meus pais diziam que eu não podia.

Eu dormia fazendo espacate para tentar melhorá-lo.

EUA GINÁSTICA

Quase tudo era diversão.

Foi amor à primeira vista.

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 2012

Eu me lembro da primeira competição com cinco anos e me divertindo muito.

Tem um vídeo meu sorrindo com a primeira faixa sem dente na frente.

Entrei para a elite com 12 anos.

No primeiro ano na elite, já entrei na equipe nacional.

Foi quando pensei:

"Não represento só meu ginásio ou a mim mesma.

Estou competindo pelo país."

Recebi todo o uniforme, tudo tinha "USA" bordado.

Minha mãe deve ter guardado tudo ainda, mesmo que nada mais sirva.

Queria muito ir para o acampamento quando entrei na equipe nacional e conhecer os treinadores.

COORDENADOR DA EQUIPE NACIONAL DOS EUA DE 1999-2000

Nesse momento, pensei: "Nossa!

Eu consegui.

Estou na equipe nacional. Não faço só acrobacias que vi na TV.

GINÁSTICA DO KAROLYI

Eu vou para o acampamento nacional.

ACAMPAMENTO DO KAROLY TREINAMENTO DE GINÁSTICA

Vou trabalhar com treinadores que treinaram atletas olímpicas, com treinadores renomados e médicos e os conhecer pessoalmente."

Estava louca para ir lá.

Estique os pés.

Mas isso definitivamente mudou. ÁREA DE TREINAMENTO OLÍMPICO DOS EUA RANCHO KAROLYI

Comecei a ir lá com dez anos.

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 2012

Era o centro de treinamento da equipe mas ficava no meio do nada, num lugar muito isolado.

Saindo de Houston, dirigíamos uma hora e meia de carro no mato.

Você passava quatro ou cinco dias seguidos lá.

O treinamento era tão pesado e intenso, e a pressão era tão alta...

COORDENADORA DA EQUIPE NACIONAL EUA EM 2008

...que, quando comecei a ir mais, na noite anterior ao voo, meu estômago embrulhava de ansiedade e por não querer ir.

HOTEL PEQUIM - CABANAS QUARTOS DO GINÁSIO

Meu primeiro acampamento deu muito medo.

Ir ao Rancho Karolyi com as melhores ginastas do país era um treino mais intenso do que estava acostumada.

Era difícil ir lá todo mês.

Parecia que nunca éramos boas o suficiente.

Acho que isso era sempre o mais difícil.

Imagina-se que eles deveriam fazer críticas positivas pois, no fim das contas, nos esforçávamos ao máximo.

Quanto mais éramos criticadas, mais queríamos desistir.

Tudo era criticado. Éramos humilhadas, eram sempre duros com as ginastas.

Cometiam abuso verbal e coisas do tipo.

Muitos se perguntam o que acontece dentro do ginásio do Karolyi.

Eles têm perguntas.

"O sistema romeno de Bela é exagerado?

Seu método rigoroso pode ser visto como abuso?"

Era o tipo de coisas que podiam fazer no sistema comunista...

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA 1996

...quando treinavam ginastas na Romênia.

Eles podiam bater em crianças, jogar cadeiras nelas, fazê-las sangrarem e deixá-las com fome.

E quando vieram para cá, ainda havia traços disso.

Essa mentalidade entrou no programa americano.

Controlavam o que comíamos.

PROIBIDO COMER E BEBER NO GINÁSIO

Procuravam comida nas malas.

Controlavam como nos portávamos, como prendíamos o cabelo, onde estávamos o tempo todo, e aquela sensação de ter que ser sempre perfeita.

Busquem mais perfeição.

Descansem e vamos treinar forte amanhã.

Obrigada, Marta e equipe nacional.

As meninas lá competiam na mesma equipe, em tese, mas lutavam pelas mesmas vagas. Queríamos ser as melhores ali. É uma guerra mental pela qual você passa, e é muito pesado.

O foco era nos esgotar nutricionalmente e psicologicamente.

O treino era isso. Quem conseguia sobreviver?

Era a sobrevivência do mais apto.

E se você conseguisse sobreviver, aí você teria sucesso, se não acabasse com alguma lesão.

Não sei como aguentei fisicamente algumas lesões que tive. Tive dedos do pé quebrados.

Eu competi com as costas fraturadas.

Não sei como fiz isso.

Dava medo falar sobre isso, porque se tivesse uma lesão, era, tipo: "Vá para lá." Éramos vistas como perda de tempo.

Eu era muito obediente e não queria irritar ninguém.

Eu fazia o que mandavam porque queria entrar na equipe olímpica, além disso, não percebia na época...

Eu era criança e não percebia o que acontecia que não deveria ser como era.

Eu pensava: "A ginástica é assim.

Deve ser deste jeito."

Eles queriam criar máquinas, e eu não era uma máquina.

Eu me sentia sempre assim.

Eu me sentia uma máquina ou objeto para eles usarem.

Era uma cultura com base no medo.

Era assustador.

O único adulto que era um alívio era o Larry Nassar.

Eu sentia que ele era meu amigo.

Acho que ele me deixou mostrar parte da minha personalidade, porque nunca era permitido.

Parecia estar do nosso lado.

Quando era criança, tínhamos um médico que era... o médico da equipe nacional, da equipe olímpica, e ele morava na mesma cidade que eu.

Ao entrar para a equipe nacional e competir pelos EUA, ele também era meu médico lá.

E ele era conhecido como o melhor médico de ginastas do mundo.

IDADE: 15 - PALMDALE, CALIFÓRNIA

Estava animada por estar na equipe nacional e trabalhar com o médico.

Por isso, entrar e estar naquela sala, nem pensava nisso.

Depois de entrar na equipe nacional, eu sei que fiz um exame físico com ele, e ele foi inapropriado no primeiro exame.

Depois disso, eu o via regularmente.

Foi dos 13 aos 18 anos.

Na época, nunca entendíamos o que se passava. Éramos jovens quando começamos a ir ao acampamento nacional, e nos diziam:

"É um procedimento normal no acampamento." Éramos obrigadas a ver a equipe médica e não esperávamos que haveria algum problema. É uma armadilha da qual não dá para fugir.

Eu me lembro de tirar toda a roupa e ficar lá com o Larry, fazendo vários exames, e eu pensei que...

Que era normal.

Hoje eu sei que há tratamento do assoalho pélvico, mas ele fazia de forma errada e se aproveitava disso.

Ele fazia por debaixo da nossa roupa sem luva, o que não é certo, e não sabíamos. Éramos crianças.

O abuso começou quando eu tinha 14 anos e rompi o tendão.

Foi quando ele começou a fazer o tratamento.

Estou cuidando do meu tornozelo.

Tem um estimulador nele.

Não está ajudando, mas tudo bem.

Vamos deixar o Larry achar que está ajudando.

Quando ele começou o tratamento, me lembro de não gostar.

Não parecia certo.

Não parecia estar ajudando.

Então me lembro de ir ao acampamento nacional...

GINÁSIO FEMININO

...e ver Aly e McKayla, minhas colegas de equipe, e dizer:

"Ele faz esse tratamento com vocês também?"

Elas disseram: "Sim, é bem estranho."

Fiquei muito confusa.

Quando penso agora naquela época, lembro:

"Essas coisas também aconteceram comigo."

Foi meio que...

Foi um processo longo para entender isso.

Eu tinha uns 13 anos na primeira vez. É difícil pensar que eu era tão jovem.

Eu internalizei muito e não pus muito para fora durante anos e anos, e anos e... isso também me deixa muito triste.

Ao me relembrar, eu era... uma criança infeliz.

Havia o Nassar no acampamento nacional e uma cultura de silêncio e medo imposta às meninas.

Os pais não podiam entrar. Então não viam isso.

E muitas ginastas achavam que era normal.

Sempre foi assim. Nunca foi diferente.

Ginastas são protegidas e crescem num ginásio.

Atletas eram muito vulneráveis.

Quando penso nisso, nada nos protege.

Na ginástica, há meninas, desde os quatro anos até...

Eu estive na Olimpíadas com 16 anos.

Você tem uma relação estranha com superiores.

Aconteciam algumas coisas nas viagens com alguns dos adultos na nossa bolha da ginástica.

Muitas coisas que aconteciam que eram meio que normais na ginástica, como ficar sozinha num quarto com um médico homem.

Não sabíamos que era errado.

Ele era um dos poucos adultos que podiam ir aos quartos.

Por que isso era permitido sem supervisão feminina?

Ninguém questionou isso?

Num consultório normal, uma menor não fica sozinha com o médico. É o protocolo padrão.

Vai me dizer que nenhum treinador adulto sabia disso?

Ignoravam porque achavam que ele era legal.

Todos eram enganados.

Mas como a Marta adorava o Nassar...

Ele fazia o que ela mandava, liberava as atletas, fazia o que ela queria, e aí ele viajava junto.

Foi para as Olimpíadas como o médico da equipe.

Ele ficou famoso. Isso alimentou seu ego.

"Agora sou intocável. Tenho acesso total às meninas."

Esse problema...

O problema não é só o "Larry Nassar".

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 1984

Não é só um vilão ou alguns vilões. É uma cultura e um ambiente que permitiram que ele se escondesse à vista de todos.

Eu sei como é ter um treinador que agora, legitimamente, foi afastado e banido do esporte, Don Peters.

Ele abusou sexualmente de uma das minhas colegas de equipe.

TREINADOR EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 1984

Meu técnico anterior também foi banido.

Dois técnicos meus foram banidos.

TREINADOR DOS EUA BANIDO PETERS É ACUSADO DE ABUSO NOS ANOS 80

A Ginástica dos EUA tinha uma lista...

TREINADOR OLÍMPICO DE 1984 BANIDO EM CASO DE ABUSO

...de técnicos banidos que, devido a comportamentos ou alegações...

JORNALISTA ESPORTIVA

...não podiam treinar.

MEMBROS BANIDOS PERMANENTEMENTE

E nunca ficou muito claro para mim quais eram os verdadeiros critérios para alguém entrar na lista de banidos, porque muitos técnicos que deveriam estar nela não estavam.

Eu sabia coisas sobre o Don Peters...

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 1984

Foi em 1979.

TREINADOR DOS EUA DE GINÁSTICA FEMININA

Coisas e problemas sobre ele que haviam surgido.

Eu sabia porque, por ser a criancinha no esporte, na época, acho que os adultos esqueciam que eu estava lá.

Sabe como as família conversam na frente das crianças e acham que elas não entendem, mas eu entendia.

Eu entendi tudo.

Sabia que falavam coisas horríveis sobre o Don Peters.

Então ele se tornou o treinador nacional, da equipe do campeonato mundial, treinador olímpico, e eles sabiam.

Todos sabiam, mas ele mandava, e ninguém ia dizer nada.

Eu sabia em 1979.

O Don Peters só foi para a lista dos banidos por volta de...

Acho que em 2011.

E eu sei...

Eu conversei com o Steve Penny por 45 minutos e expliquei a ele o que sabia sobre o Don.

A resposta do Steve foi...

EX-CEO, GINÁSTICA DOS EUA

"Só duas mulheres expuseram o Don."

Acho que fiquei quieta por um tempo e perguntei a ele:

"Bem, quantas pessoas precisam expor essas histórias?

Seis? Doze? Quantas?"

DESEQUILÍBRIO: INVESTIGAÇÃO DE INDYSTAR E USA TODAY

AO MENOS 368 GINASTAS ALEGAM EXPLORAÇÃO SEXUAL

O IndyStar abriu uma investigação em 2016 sobre casos na ginástica dos EUA...

THE INDIANAPOLIS STAR 20 ANOS DE ABUSO

...que nem saíram da investigação inicial...

EDITORA, THE GYMTERNET

...e revelou um histórico que mostrou a cultura da ginástica nos EUA de não escutar as vítimas...

IGNORANDO O ABUSO SEXUAL

...nem quem reclamava dos treinadores.

Havia muitos casos de abuso sexual que não eram resolvidos.

JULGAMENTO DE SCHIEFELBEIN É incrível o que foi ignorado.

LEWIN: ACUSAÇÕES CHOCAM OUTROS TREINADORES

Agora vemos outros predadores...

TREINADOR PREPARAVA JOVENS PARA SEREM CONCUBINAS porque não havia controle.

As pessoas só queriam medalhas.

Elas buscavam medalhes e sucesso.

A cobertura estimulava essas pessoas que faziam mal às ginastas devido à forma como glorificavam os Karolyi.

Mas ninguém tinha confiança nem coragem de falar por medo da retaliação.

O Bela e a Marta diziam:

"Sejam assim para serem campeãs."

Parecia uma seita.

Os líderes da seita só ligavam para dinheiro e medalhas.

Se precisasse de sacrifício na seita, ele seria das ginastas, das atletas, o sacrifício do bem-estar físico, mental e emocional.

Algumas atletas passaram por esse trauma.

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 1968 e 1972

Se você fosse de um país do leste europeu, não poderia falar nada.

Naquela época... E acho que parte do problema e do que influenciou nos EUA foi que você podia se safar de tudo em outros países. Não havia restrições.

A Olga foi meio posta de lado porque ela falava mais.

Na primeira vez, nos anos 90...

EQUIPE OLÍMPICA DA UNIÃO SOVIÉTICA DE 1972 E 1976

...que se começou a falar de abuso sexual...

OLGA KORBUT DENUNCIA: GINASTAS SOVIÉTICAS FEITAS DE ESCRAVAS SEXUAIS

...eles atacaram e disseram:

"Não é verdade. É mentira."

TREINADOR NEGA DENÚNCIA DE KORBUT

SEIS GINASTAS ACUSARAM KNYSH DE ABUSO SEXUAL,

COM INCIDENTES AO LONGO DE TRÊS DÉCADAS.

Renald Knysh era um treinador muito talentoso de ginástica.

Ele era muito criativo. Às vezes, ele me dava elementos impossíveis de fazer.

E...

Ele era um bom treinador, mas, na vida real, ele era um monstro.

Provavelmente, vou ser a primeira que vai falar com sinceridade sobre... meu treinador.

Porque... isso dói.

Não é fácil, mas eu me preocupo com o futuro da ginástica.

Isto nunca passa.

Mesmo após 50 anos, ainda dói.

Eu fiquei deprimida.

Pensei em me matar porque não queria fazer ginástica.

Eu estava acabada. Não... Eu queria morrer.

Eu tomei comprimidos.

Acho que uma das minhas irmãs chamou a ambulância, e eu acordei no hospital. É difícil falar disso porque eu acabo revivendo.

Por um bom tempo, eu não conseguia falar sobre isso porque a verdade não era aceita.

Eu minimizava e suavizada tudo.

Não contei a ninguém o que sofri porque eu fiquei em negação muito tempo.

Não queria que fosse real nem parte da minha identidade por medo de como iriam me ver.

Então me senti sozinha de certa forma.

Eu sinto que tive que ignorar muita coisa para eu poder conquistar o que eu queria em 2016, chegar à equipe e ganhar medalhas.

As ginastas se esforçaram demais e sobreviveram a essas histórias e aos treinamentos para conseguir as medalhas por sua pura força de vontade e determinação.

Mas elas estavam despedaçadas quando chegavam às Olimpíadas.

Quando eu decidi ir até o fim e falar, minhas sobrinhas estavam lá.

Eu estava ensinando ginásticas a elas, e elas estavam de collant.

A raiva que senti ao imaginar isso acontecer com uma delas, eu pensei: "Se não falar nada, não vou me perdoar."

GINASTA AMERICANA DENUNCIA ABUSO

Ainda estava com medo de falar...

Por isso não me identifiquei, eu sei como as pessoas reagem.

AUTORA: SEM NOME

Eu sabia que todos adoravam o Larry e que as pessoas não iam gostar de ouvir o que eu tinha a dizer.

EX-MÉDICO DE EQUIPE OLÍMPICA ACUSADO DE ABUSO SEXUAL

Uma ginasta mandou e-mails para muitas outras ginastas pedindo para que elas escrevessem e-mails e contassem histórias positivas sobre o Larry porque eu não poderia estar dizendo a verdade.

EX-MÉDICO DE EQUIPE AMERICANA ACUSADO DE ESTUPRO

O Dr. Nassar tratou muita gente em várias situações.

ADVOGADA DE DEFESA

Sempre seguiu os procedimentos médicos e nunca estuprou ninguém.

A quantidade de pessoas ignoradas inicialmente é muito triste.

Algo que aprendi é que, ao denunciar abuso sexual, boa parte do resultado tem base na reação das pessoas a que contam.

Foi negada fiança a Nassar na audiência em Grand Rapids.

Agentes do FBI encontraram pelo menos 37 mil imagens e vídeos de pornografia infantil no computador dele.

Foi um momento fundamental porque quem não acreditou na denúncia até esse momento, finalmente não tinha escolha.

Quando a acusação foi feita, todos se voltaram para ele.

EX-MÉDICO DE GINASTAS PRESO ACUSADO DE PORNOGRAFIA INFANTIL

Hoje, Jim e eu anunciaremos as acusações...

PROCURADOR-GERAL DE MICHIGAN

...contra o Dr. Nassar de Holt, Michigan, de abuso sexual de menor.

MAIS 16 MULHERES ALEGAM ABUSO

Várias mulheres depuseram em nova condenação...

MAIS 23 MULHERES ENTRAM COM AÇÃO CONTRA NASSAR

...para contar suas histórias de terror.

EX-MÉDICO SE DECLARA CULPADO

Decidi falar, mesmo que na época, eu não soubesse das outras vítimas.

Conhecer essas mulheres, ouvir as histórias delas, o que elas sofreram, como afetou todas nós de forma tão similar e como nossas histórias eram parecidas foi isto:

"Não somos loucas. É real. É real, e somos prova disso."

Era um ambiente muito opressivo.

Eu me lembro de entrar na sala de audiência, e ninguém sabia que eu ia.

Ninguém sabia que eu fazia parte do caso.

Quando entrei, todos se viraram e olharam.

Eu pensei: "É agora.

Todos sabem. Não tem mais volta."

Treinar para as Olimpíadas seria a coisa mais difícil para mim, foi o que achei, mas o mais difícil foi entender que sou vítima do Larry Nassar.

Nem conseguia assistir à ginástica na TV e nunca senti orgulho de nenhuma das minhas conquistas na ginástica de elite.

Quem era o médico que nos mandaram para nos manter saudáveis e progredir?

O médico que abusava de nós.

O médico molestador de menores.

Fico brava comigo mesma por não ter reconhecido o abuso, e luto com isso até hoje.

Mesmo sendo vítima, eu não vivo e não vou viver como uma.

Sou uma atleta olímpica.

Se a ginástica me ensinou a lidar com a dor, a lidar com tudo, a sobreviver, e não importar se o osso estiver exposto, e você estiver acabada, você tem que seguir...

Se tiver sido por isso que precisei aprender essa lição, para fazer o Larry ser preso, então eu agradecerei à ginástica.

Agora mais de 140 mulheres tiveram a coragem de se expor para que você nunca mais machuque outra criança ou destrua outra família.

Agora posso finalmente dizer que sinto orgulho de algo que fiz relacionado à minha carreira na ginástica.

Semana passada, Nassar pegou até 175 anos de cadeia.

Unidas e fortalecidas, surgem denunciadoras em massa.

Mais de 260 vítimas se apresentaram.

Eu me lembro de voltar para meu lugar, ver todos e pensar: "Nossa! É importante.

Vai mudar a história." E mudou.

Acho que empoderou muita gente a enfrentar seus agressores.

Espero que tenhamos dado a outras pessoas o empoderamento para poder falar porque nós falamos.

Foi difícil ouvir tudo isso enquanto ainda competia, mas ainda não falar sobre isso.

As pessoas não sabiam que tinha acontecido comigo.

Achei que não estava vivendo na verdade.

Não quis enfrentar a realidade do que tinha acontecido, mas eu sei que, para seguir em frente, precisava ser sincera comigo mesma.

O mais importante foi poder falar abertamente, eu acho, ser verdadeira comigo.

Eu estava muito nervosa, e por sorte, eu tinha a Madi Kocian.

Acabamos revelando juntas.

Sem ela, teria sido difícil achar coragem.

Atletas devem ter voz. É nosso esporte e deveríamos curti-lo, não só ganhar medalhas.

GINASTAS OLÍMPICAS ALEGAM QUE OS KAROLYI SABIAM DO ABUSO

Tive sorte de a Kyla ter a mesma visão que eu.

Agradeço por tê-la ao meu lado porque temos nossos dias difíceis, e poder ter essa ligação é muito especial para mim.

Muita gente me mandou mensagem ou falou comigo em eventos e disse:

"Obrigada por falar.

Essa é minha história, e você me ajudou assim."

Aí comecei a pensar: "Fico com mais raiva das pessoas, dos adultos que o protegeram, que estavam conosco..."

Sinto mais raiva deles...

OS KAROLYI NEGAM AS ACUSAÇÕES

E O AMBIENTE TÓXICO

...pois cabia a eles não deixar ninguém fazer isso, mas deixaram.

"NÃO SABIA DE NENHUMA QUEIXA

DE NENHUMA ATLETA QUANTO AO DR. NASSAR."

1997, 1998, 1999...

ESPY AWARDS DE 2018 PRÊMIO DE CORAGEM ARTHUR ASHE

...2000, 2004...

EQUIPE OLÍMPICA DOS EUA DE 2012 E 2016

...2011, 2013,

2014,

2015,

2016.

Esses foram os anos em que denunciamos o abuso do Larry Nassar.

Se apenas um adulto tivesse escutado, acreditado e agido, as pessoas perante vocês neste palco nunca o teriam conhecido. É difícil vir aqui a uma organização que falhou conosco tantas vezes.

Nós tínhamos uma meta, fizemos tudo o que nos pediam, mesmo quando não queríamos, e eles não fizeram seu trabalho.

Vocês só tinham uma tarefa e não conseguiram nos proteger.

Foi nessa época que a Simone tuitou...

SENTIMENTOS...

...que não queria voltar ao rancho, o centro onde muitas meninas sofreram abusos.

Ela não queria voltar lá e, no dia seguinte, fecharam o rancho.

Algumas de nós têm uma voz forte na ginástica.

Se pudermos melhorar para as futuras atletas, eu terei que fazer isso.

Agora é hora de mudar porque as atletas atuais e futuras...

SR. BLUMENTHAL

...não merecem viver na ansiedade, medo e sem proteção como nós.

Nunca pensei que falaria com senadores para tentar mudar leis para proteger garotas, mas passei a ter um propósito e deu sentido a algo terrível pelo que passei. É legal ver o efeito que causou no mundo...

ATLETAS E ABUSO SEXUAL SEN. DIANNE FEINSTEIN

...devido ao que fizemos como comunidade de ginastas, como um exército de sobreviventes.

Ver a mudança e ver este lindo esporte ficar absolutamente lindo, como deveria, é por isso que lutamos.

As coisas continuam progredindo.

Treinamos as atletas num ambiente mais positivo e saudável para que tenham experiências melhores.

Revendo o que aprendi na ginástica, essa foi a primeira lição que aprendi.

Não preciso ser sempre perfeita, elegante e preparada.

Posso demonstrar emoção.

Posso ser vulnerável, e isso não vai ser um demérito.

Quando pude contar toda minha história e me abrir para o público, consegui me abrir mais, ser mais eu, por ter enfrentado meus medos.

Amo muito este esporte, e ele me tornou quem sou hoje.

Comecei no esporte bem nova.

Eu tinha quatro anos.

Desde aquela idade, quando caía ou errava, eu queria levantar e tentar de novo.

Toda vez que caía da trave, ou numa competição, tinha que seguir em frente e adorava esse desafio, essa habilidade de estar derrotada, mas ainda me levantar. É a beleza do nosso esporte.

Vai além da ginástica.

Trata-se do que a vida nos ensina.

SE VOCÊ OU ALGUÉM SOFRER VIOLÊNCIA SEXUAL,

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