Algodão, agronegócio, plástico e diversidade no prato
Neste vídeo a gente vai falar sobre duas coisas:
A primeira delas é um pouquinho do backstage da pauta sobre a produção de algodão no Brasil, com recorte do algodão orgânico.
A gente trouxe, acho que, pela primeira vez, de forma muito explícita, a relação da produção de algodão com o agro e a realidade de que ser de algodão não é sinônimo de sustentabilidade.
E a gente vai falar também sobre um debate que segue desde o lançamento do Hambúrguer do Futuro, que é o que a gente come e a importância da diversidade do que a gente come porque construir caminhos para uma alimentação saudável e, futuramente, para uma sociedade cada vez mais vegana não vai ser nem só por aqui, nem só por ali.
Vão ser vários caminhos que a gente vai precisar trilhar.
Então vem comigo para descobrir um pouco mais sobre esses assuntos. É inegável que o BCI conseguiu colocar marcos regulatórios importantes pra toda a rede produtiva, e, principalmente, garantir um pouco mais de tranquilidade sobre a origem desse algodão.
Isso significa que, então, este algodão é sustentável?
Ai a gente precisa voltar para aquele vídeo sobre "o que é sustentabilidade?", que está aberto no meu canal do YouTube, pra realmente decidir o que é e o que não é sustentável. É claro que, se a gente for pensar toda a forma de funcionamento do agronegócio, é muito difícil a gente dizer que o algodão certificado no Brasil ele tem caráter de sustentabilidade.
E eu não digo só pelo fato do uso do agrotóxico. Eu não digo só pelo fato de ser a 4ª cultura que mais consome agrotóxicos no país.
Eu digo também por conta da própria questão agrarária e o quanto é problemático você ter 400 mil, 460 mil hectares de terra na mão de uma única família, na mão de um único grupo.
Tem outras formas de produzir algodão?
Tem. A gente já falou na pauta.
E é uma provação também pras marcas colocarem seus projetos, se unirem com outras marcas, e incentivarem outros tipos de produção, porque é necessário o fortalecimento do campo e cidade.
A segunda questão que a gente consegue perceber com essa história do algodão é que, novamente, e eu falo isso sempre, não é uma fibra, não é alguma coisa, um produto em si, que vai resolver todos os problemas de sustentabilidade.
A iniciativa "o plástico está na moda", que começou o ano passado e segue firme e forte pra dizer que o poliéster é uma matéria prima nobre, sustentável, fashion e versátil.
E dai a gente percebe que é a indústria petroleira, brigando com o agronegócio.
E sabemos o que aconteceu com o grupo Odebrech então está todo mundo atolado em muita lama quando a gente vai falar das duas principais matérias-primas utilizadas no Brasil.
No dia a dia, o que for mais prático pra cada um no final das contas, e o mais saudável possível e o mais próximo da agricultura familiar, do sem veneno, do pequeno produtor, é claro que é o melhor, é o ideal, mas não é porque a gente vai comer um hambúguer do futuro hoje, que amanhã eu não posso estar com meu prato cheio de coisa orgânica, do MST, rica em nutrientes, em cores e sabores.
Então a gente está forçando uma barra para construir uma narrativa que, na prática, ela acaba não se sustentando, porque as pessoas são muito diversas.
O que faz a gente comer, e o que a gente come, está muito relacionado...
Neste debate, é a gente enxergar que entre o preto e o branco tem um monte de cinza.
E entre uma alimentação saudável e a maior parte da sociedade tem várias questões que não estão só atreladas à indústria.
Mas que estão atreladas a hábitos e a formas de vida e, essencialmente, a forma que a gente organizou a sociedade e principalmente a cidade hoje.
Se a gente for resumir, vamos desencanar de ficar dizendo que é 8 ou 80, que é isso ou aquilo que vai resolver e vai veganizar a população ou que vai tornar todo mundo saudável.
Porque não é nem só isso, nem só aquilo. É um monte de coisa que a gente precisa fazer e que a gente precisa caminhar para chegar num mundo onde as pessoas comam melhor, comam mais vegetais, comam vegetais sem veneno e comam menos animais ou nenhum aimal de preferência.
As ideias que eu quis passar aqui para vocês... É mais para refletir do que dar um veredito. É sobre mostrar que realmente é complexo e a gente precisa pensar por vários ângulos.
Isso tanto na relação do algodão, dos tecidos, quanto na relação da comida.
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