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Compulsão Alimentar

Se você ouvir alguém dizendo que nunca perdeu o controle diante de uma mesa repleta de coisas gostosas, desconfie: É mentira!

Uma vez ou outra, exagerar é até normal!

Mas no vídeo de hoje vou falar sobre quem convive com essa perda de controle frequentemente.

Quando comer vira um sofrimento.

Vamos entender mais sobre as diferenças entre exagero e compulsão alimentar?

(Música)

Compulsão é o transtorno alimentar mais comum.

E nem sempre é fácil de identificar.

Muita gente pensa que essa compulsão na verdade é uma falta de força de vontade, de controle, para resistir à comida.

Mas não é nada disso!

Compulsão alimentar é uma doença, e precisa ser tratada com uma equipe multidisciplinar.

Eu trabalho com transtornos alimentares no Hospital das Clínicas há muitos anos e posso afirmar que o acompanhamento feito em conjunto com médico psiquiatra, nutricionista e psicólogo traz resultados muito positivos.

Por isso, hoje estou aqui para explicar as principais características da compulsão.

Meu objetivo não é diagnosticar ninguém!

Para isso, você precisa ir a um profissional de saúde especializado.

Mas posso sim mostrar os sintomas mais comuns, e, se você se identificar com eles, sinal de alerta: procure ajuda de profissionais especializados.

Combinado?

(Música)

A primeira coisa que eu quero esclarecer aqui é que exageros ocasionais não podem ser chamados de "compulsão".

Quando você vai numa festa, é esperado que coma mais do que no dia-a-dia...

Afinal, está diante de comidas gostosas, junto de amigos...

E não está pensando em dieta.

Ainda bem, né?

O mesmo acontece aos finais de semana, quando normalmente temos momentos sociais que giram em torno de comida, como almoçar com os pais, com os avós, sair para balada, um barzinho...

Comer é um prazer. Já pensou que chato se não pudéssemos exagerar de vez em quando?

Então, que fique claro: se você às vezes chuta o balde, saiba que isso é normal.

O que é não é normal é fazer disso um hábito...

Quando esses exageros começam a comprometer a saúde física e mental.

Então vamos falar agora dos sintomas mais comuns da compulsão, e você vai entender que o transtorno é bem diferente de comer com gula ou extrapolar no fim de semana.

(Música)

A compulsão alimentar é definida como o ato de comer em um período curto, de até duas horas, uma quantidade muito maior do que uma pessoa normal conseguiria comer, com sensação de perda de controle.

Ou seja: estamos falando de muita comida.

Não é comer "um pouco a mais". É comer até sentir um desconforto físico. dor no estômago, diarreia, náusea...

Geralmente, a pessoa nem mastiga direito, e mal percebe o gosto da comida.

E esse é um sintoma bem importante a ser observado:

A pessoa que sofre de compulsão alimentar não sente prazer comendo.

Ela simplesmente come por comer.

Na maioria dos episódios, não necessariamente existe fome!

Mesmo assim, é comum ouvir relatos de gente que acaba comendo tudo que tem na geladeira e, não satisfeito, parte para o freezer, comendo até mesmo comida congelada.

Pode também fazer combinações estranhas, que não faria sentido fora de um episódio de compulsão.

Na verdade, o que a pessoa está buscando não é matar a fome ou a vontade de comer algo gostoso... mas sim, aliviar uma emoção por meio da comida.

(Música)

Os episódios de compulsão geram muitos sentimentos negativos.

Culpa, angústia, depressão, sensação de fracasso, autodepreciação... e vergonha, muita vergonha.

Tanto que os episódios são mais recorrentes quando a pessoa está sozinha, quando não tem ninguém olhando.

A pessoa costuma comer escondida.

E repito: isso não é sinal de fraqueza.

Pelo contrário, é muito difícil administrar todas estas emoções.

Porque a pessoa pensa que tem culpa por não conseguir se controlar.

Se sente fraca e sem forças pra procurar ajuda.

Isso vai virando uma verdadeira panela de pressão, aumentando a ansiedade, culpa e vergonha.

E o que acontece? No dia seguinte provavelmente vai tentar uma nova dieta e se colocar em risco de passar por novos episódios de compulsão.

Restrição gera compulsão!

Para completar, a compulsão traz consequências físicas.

O mais evidente é o aumento de peso, que pode ser uma porta de entrada para diversas doenças ligadas à obesidade, como diabetes do tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e até câncer.

(Música)

Se você se identificou com alguns destes sintomas, não perca mais tempo se culpando e perdido em meio a todos estes sentimentos negativos: procure ajuda de especialistas!

Como eu disse no começo deste vídeo, a compulsão é o transtorno alimentar mais comum, e é possível curar com o apoio desses profissionais responsáveis.

Este tipo de tratamento é eficiente porque vai ajudar a encontrar os gatilhos que levam à compulsão.

Sua saúde é o seu bem mais valioso!

Não deixe para cuidar dela amanhã.

(Música)

Para finalizar, quero deixar uma mensagem bem importante para você que não tem uma relação boa com seu corpo e com a comida: dieta restritiva aumenta o risco de de compulsão.

Isso é comprovado pela ciência!

Quem faz dieta fica mais obcecado por comida: diante da privação, a gente tende a querer comer justamente o que a dieta proíbe.

Então se corta carboidrato, você só vai pensar em pãozinho francês.

Se corta açúcar, você vai dormir e acordar sonhando com uma barra de chocolate.

Não é verdade?

Isso não faz bem para a saúde mental e gera um comer transtornado.

Ou seja, você passa a enxergar os alimentos como seus inimigos, como coisas que podem fazer você engordar.

Só que chega uma hora que você cansa dessa privação, e se rende.

Claro que nesse momento há um exagero, afinal, depois de tanto passar vontade, você acha que merece se esbaldar!

E faz uma despedida.

Aí come até não aguentar mais, como se estivesse sempre se despedindo da comida.

Depois se culpa, se sente envergonhado, e aí acha que precisa fazer uma nova dieta pra tentar desfazer o estrago.

Ou seja: é um ciclo sem fim.

E uma porta de entrada não só para a compulsão mas para os outros transtornos alimentares também.

Então, sem dieta restritiva, ok?

(Música)

Hoje vou propor o seguinte: ao invés de começar a fazer dietas por conta própria, acreditando em tudo o que você lê por aí, que tal fazer uma análise mais profunda sobre sua relação com a comida?

Claro que é um processo mais lento e complexo, mas ele é efetivo: é mudar para incorporar movos hábitos, e nunca mais brigar com a comida e nem com seu corpo.

Se você sente que está indo para o caminho da compulsão, comece a se perguntar:

Será que não estou restringindo demais?

O que estou tentando compensar com a comida?

Estou sabendo administrar o estresse da minha vida?

Eu como por prazer ou sinto culpa toda vez que exagero um pouco?

Este autoconhecimento é super importante para a sua saúde física e mental e vai te ajudar a recuperar o prazer de comer!

Bon appétit!

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(Música)