Método intuitivo aplicado à alimentação pode ajudar crianças a ter uma vida mais saudável
O que estamos fazendo aqui no Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Lavras, é adaptar esse método intuitivo na área de saúde, em especial na área de nutrição, que é uma linha que a gente chama de "educação alimentar e nutricional". É uma área ligada às políticas públicas, mas também todas as formas de ensino que o nutricionista pratica.
Então, a proposta do método é a gente adaptar toda essa forma de ensino para o conhecimento de alimentação e nutrição.
A gente considera todos os fatores: culturais, emocionais, regionais, econômicos, políticos, sociais, filosóficos, entre outros fatores que envolvem a alimentação.
Então, a gente está envolvendo todos esses fatores no método intuitivo, onde aquele educando aprende a partir do mais simples para o mais complexo, de forma que ele não venha a esquecer daquele aprendizado, unindo esse todo.
Em um primeiro momento, nós fizemos a avaliação inicial das crianças a fim de identificar o que essas crianças conhecem sobre alimentação e nutrição, também saber um pouco sobre o comportamento alimentar dessas crianças, percepção de atividade física, atenção ao comer...
Após isso, nós entramos com as intervenções. Essas intervenções foram baseadas no "Guia alimentar para a população brasileira", então, em um primeiro momento, nós apresentamos para essas crianças. Algumas crianças não conheciam os alimentos - determinados alimentos -, como foi o caso da beterraba.
Depois nós entramos com os tipos de alimentos, de acordo com a nova classificação proposta pelo guia.
Nós fizemos, também, um teatro com essas crianças.
Uma oficina culinária com eles, e também falamos um pouco sobre a propaganda, sobre a publicidade.
Em um terceiro momento, nós voltamos com a avaliação final a fim de identificar o que essas crianças aprenderam.
Nós obtivemos resultados muito legais, as crianças aprenderam bastante, relataram aprender bastante sobre o conteúdo...
Nesse momento, estamos fazendo a análise dos dados do projeto - tanto a parte quantitativa, que é a da Monique, quanto a parte qualitativa, que é a minha parte.
Posteriormente, iremos divulgar esses dados para a comunidade científica e também para a área social.
Esse projeto ainda tem uma grande continuidade - que a gente visa -, e ele tem - além da base da pesquisa em si, como é o caso de dois projetos de dissertação de mestrado sendo desenvolvidos concomitantemente - um viés social.
Um viés social porque são crianças que ali estão sendo abrigadas - acolhidas, melhor falando -, não só no projeto mas também por parceria com a Prefeitura Municipal de Lavras, juntamente com a nutricionista responsável pela alimentação dessas crianças e, consequentemente, a gente está conseguindo fazer um trabalho de aproximação e diminuir essa desigualdade social, porque essas crianças, se não forem todas, a maioria delas são crianças de grande vulnerabilidade econômica, social, e muitas delas também têm carência - no sentido emotivo, afetivo, que eu me refiro.
Esse projeto tem continuidade e nessa continuidade vamos trabalhar não só com crianças, mas também com adultos e idosos, fazer outros tipos de comparações, tanto de métodos comuns ou tradicionais como o método intuitivo, mas outras formas de aplicar o método intuitivo em diferentes grupos.
