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Mudança de vida com a alimentação orgânica

Eu vim embora pra São Paulo porque a minha mãe tinha uma superproteção comigo. Apesar desse problema que ela tinha, ela não me deixava assim, eu viver a minha vida né? Então, ela não saía da casa da minha irmã, ela sempre queria cuidar de mim, era aquela proteção, era muita proteção. Porque ela transferiu toda a carência dela pra mim, como eu falei, desde criança, quando meu pai morreu, ela transferiu toda a carência dela para mim.

Então, isso me sufocava, não fazia eu crescer como pessoa assim, eu sentia que isso me atrapalhava.

E um belo dia eu disse: “Eu vou embora” E eu comecei a trabalhar numa empresa de água,

Delágua, distribuidora de água, e disse assim: “Vou pedir as contas e vou viver minha vida em São Paulo”. A primeira vez foi um vexame, vim de ônibus, desci na estação Tietê, dei sinal pro metrô, pra ele parar pra mim (risos). Eu não sabia absolutamente nada, tinha uma amiga só aqui, que morava em São Paulo. E fui pra lá, fiquei

15 dias lá, me sentindo a pior das pessoas, porque era tudo muito grande, era tudo muito longe, era tudo muito estranho pra mim. Eu saí de uma cidade de um milhão e seiscentos mil habitantes e vim para uma cidade que já tinha 16 milhões, na época. Então assim, foi uma mudança muito radical pra mim. E eu disse: “Ah, eu quero ir embora, eu não quero mais ficar aqui nessa cidade” Minha mãe mandando uma carta por dia, pra eu voltar.

Então, aí começou a juntar a fome com a vontade de comer, minha mãe querendo que eu voltasse e eu achando a cidade estranha. Mas, consegui um emprego. Hoje eu amo São

Paulo essa cidade. Muito mesmo, não consigo mais viver fora daqui. Amo minha cidade, não perco minhas raízes, mas eu gosto muito daqui, que aqui oferece muita coisa.