Ouro Verde - Episódio 27 - Completo #FiqueEmCasa e assista #Comigo
Vamos agora levantar a mão, a mão toca aqui, segue o meu gesto, ok? É para fazer duas vezes, agora o Salvador vai fazer sozinho, vai tentar, vamos lá, vai lá.
Não responde.
Calma, calma Salvador esta é apenas a primeira seção, ok?
Não tem que fazer tudo hoje, vamos lá joelho aqui, eu faço, vamos lá, otimismo.
Mano você não quer ligar para os senhores do consulado, saber se há alguma novidade?
Eles disseram que ligavam.
Vai lá não custa nada.
Ok, eu já ligo.
Ouve isto Lúcio.
O MI6 Agencia Britânica de Inteligência descobriu que há terroristas em fuga, e por algumas comunicações a que conseguiram ter acesso perceberam que um deles é um português.
Porra.
Que tinha ingressado nas fileiras da organização.
Era conhecido por Rashne, aquele que julga!
Isto é incrível.
São uma cambada de assassinos, é o que são.
Estou?
Sérgio, você está vivo!
Onde você está, filho?
Estou na porta de casa mãe, mas uma vizinha disse que já não mora aqui.
Na porta de casa?
Não, não, não eu depois te explico.
Já há diagnóstico, doutor?
Infelizmente, não tenho boas notícias.
Eu não quis vir falar convosco antes de ter certeza absoluta, mas os últimos exames da Sol vieram confirmar as nossas suspeitas.
O que ela tem?
A Sol tem um tumor agressivo no rim esquerdo.
Calma, calma, calma.
Eu achei que ia ser muito chato estar aqui, mas até tem sido divertido.
-Henrique! -Olha ali!
Deve ter acontecido uma coisa muito ruim à Sol!
Correu muito bem!
Nós estamos mesmo muito orgulhosas de ti!
A fisioterapia vai te ajudar meu amor.
Vai ver.
E eu não tenho outro remédio?
Porque não me esforço e ultrapasso os meus limites ou vou ficar para sempre agarrado a uma cadeira de rodas.
Então, é mesmo assim que tem de pensar.
Não pode desistir, não pode se entregar à tristeza, tá?
Tem que ter força.
E olha a tua sorte, nós estamos mesmo aqui para te ajudar.
Se não se importam, preciso de ter uma conversa a sós com o Salvador.
Amanda?
Eu estava procurando um jazigo de um amigo meu.
Zé Maria?
Vê se entende e abre os olhos, Antônio!
Isto é melhor do que ter ganhado na loteria.
Com o teu irmão tão fragilizado na família, tem o caminho aberto para a presidência do banco!
Para ti é tudo muito fácil, não é Rita?
Por ti já está vendo o meu irmão caído em desgraça e o meu pai a nomear-me presidente, não é?
Não é assim que as coisas acontecem.
Ah, pois não é! Nisso, o teu irmão é um mestre!
Quando quer uma coisa até o filho morre se tiver que morrer!
Vai sempre onde deseja. Já você não é assim: É um preguiçoso.
Por isso ele está onde está e você está aqui.
Sabe o que mais?
Estou sem paciência para os teus delírios.
Vou para o banco, é engraçado, às vezes sinto-me melhor no banco do que em casa.
Você está com certeza me confundindo com alguém.
Eu estou procurando um jazigo de...
Zé Maria não precisa continuar disfarçando.
Como eu não percebi logo? Bem que o teu rosto me parecia familiar!
Sim, você, está me confundindo, Amanda!
Zé Maria olha para mim, o teu olhar, o teu olhar continua igual!
Está vivo, filho! Mas que alegria tão grande!
Eu passei tantas noites pensando em você!
E agora que está vivo, Deus me perdoe, mas isso sim é um milagre.
Por que você não me procurou?
Por que não me procurou para falar comigo?
Não tenho nada para falar contigo.
Aliás, eu nunca mais quero falar contigo na vida, por isso saia, por favor.
Pode pelo menos ouvir o que eu tenho para dizer?
Eu fiz o que achei que seria melhor para todos.
Filho eu falei com outros médicos que me garantiram que era possível acordar-te sem danos neurológicos.
Só queria que me ajudasse a encontrar a Mafalda.
O pai sabe que podia ter me matado?
Eu só queria os meus filhos de volta: Os dois!
E tenho certeza que se você pudesse escolher iria preferir que eu te acordasse.
Como assim, pai?
Mas aquela conversa não acaba, meu Deus?
Acha que eu devo ir lá?
Já estou arrependida de ter deixado os dois falando sozinhos.
Não, vamos ter calma, calma vamos esperar mais um pouco.
-Bom dia! -Bom dia!
O Salvador está dando sinais muito positivos.
Foi ele que me pediu para começar hoje a fisioterapia e já sei que se esforçou bastante.
-O rapaz está muito motivado! -Não sei por quanto tempo.
O pai dele está lá dentro, tendo uma conversa a sós.
Vamos ver como o Salvador fica, depois dessa conversa.
Ainda não acredito!
Meu querido Zé Maria!
Amanda, o Zé Maria morreu.
Agora só há o Jorge Monforte.
Percebo.
Está diferente.
O olhar não, o olhar continua igual...
Sorri?
Isto não são só as marcas do tempo, não é?
Cirurgia plástica.
Por isso eu não te reconheci logo!
Mas conta-me tudo. Eu quero saber tudo o que te aconteceu!
Olha até vou ligar para o banco dizendo que não vou trabalhar à tarde.
Não, não. É melhor não, Amanda.
Eu também tenho coisas para fazer.
Ai não o que seria!
Quinze anos sem saber de ti, achando que estava morto, agora você aparece e tem coisas para fazer?
Era só o que faltava.
Ai meu filho, meu filho.
Desde quando é que lhe cabe a si fazer esse tipo de julgamento?
Agora o pai é Deus na terra, é isso?
Claro que não, filho, mas você não estava em condições de decidir nada.
Eu tive que decidir por você!
E diz-me sinceramente:
Se houvesse uma possibilidade de salvar a vida da tua irmã, e se isso pudesse depender de ti, ia te recusar a ajudar?
Não, claro que não.
Uma menina, a minha bebê é tão pequenina Gonçalo, é tão inocente.
Com um tumor.
Como é que é isto está acontecendo, me explica?
Não sei, não sei, não sei mana.
Sempre foi tão saudável.
Nós sempre tivemos tantos cuidados com ela.
Nós não temos casos de câncer na família, nada disto faz sentido.
Nada.
Doutor, desculpe, desculpe, consegue... que nós não estamos conseguindo, não estamos conseguindo entender, esta doença veio com o quê? Isto é uma doença hereditária?
Não consigo entender.
O tumor de Wilms não tem nada a ver com hereditariedade.
Como eu já disse, decorre, na maioria dos casos, de uma deformação genética.
Normalmente, normalmente em crianças? É mais frequente em crianças mais novas.
Mas há exceções.
Deve ter acontecido uma coisa muito grave à Sol.
Olha a mãe dela.
Está mesmo mau.
Você acha que a Sol, pode ter morrido?
Não!
Nem pense nisso!
Olha para mim, você agora vai ter que ser forte, está ouvindo?
Você vai ter que ser forte, a Sol não pode perceber que você está neste estado, está bem?
Desde que ela nasceu aliás, não...
Desde o dia em que eu soube que estava grávida, eu sempre tive tanto cuidado, sabe com tudo com o que comia, com o que fazia.
Eu achava que estava fazendo o melhor possível, sabe?
Estava.
Mas devo ter feito alguma coisa ruim.
Não fizeste nada ruim.
-O que eu fiz de mau? -Não fizeste nada de mau.
Ouviu o doutor?
Ouviste é uma deformação genética, não tem nada a ver com o seu estilo de vida!
Não tem nada a ver com isso.
Agora olha para mim, vai ter que ser forte está ouvindo?
Vai ser forte pela Sol, e ouvir o médico, vamos ser fortes os dois.
-Tá. -Eu vou também.
Perdoa-me, Salvador.
Deixe-me ficar sozinho.
Eu nunca quis te fazer mal.
Acredita em mim.
Eu preciso pensar, pai. Eu preciso ficar sozinho.
Oh filho, eu te amo.
Nunca te esqueça disso.
Felizmente, e ao contrário de vocês, o Salvador é um rapaz maduro e sensato, com quem se pode conversar.
Quando parar para pensar, vai ver que eu tenho razão e irá me perdoar.
Não precisava ter vindo, Padre Sebastião.
Já era para ter vindo há mais tempo, mas atendendo ao que aconteceu, achei por bem dar um tempo à família.
Obrigado por tudo, Padre.
E como está aguentando?
Aguentando-me...
Um dia de cada vez, não é verdade? É.
O pior é que nesta família, em cada dia surge um novo problema.
Aconteceu mais alguma coisa?
Infelizmente, eu tenho uma família pouco comum. É mais uma confusão com o meu filho Miguel.
Lamento, ouvir José.
Mas seja lá o que for, já percebi que não é coisa leve.
Sabe uma coisa, Padre, pergunto comigo muitas vezes onde é que errei na educação dos meus filhos.
Tenho de ir lá falar com o Salvador.
Sim, mas não o pressione, tá?
Dê à ele o tempo que precisar para contar.
Tá, claro que sim, claro...
Bia.
Mônica.
Oi.
Edu, o que está fazendo aqui? É. Me falaram no Mundo Verde que você está aqui, eu pensei em te convidar para um café.
Pois é, acontece que eu já tomei café.
Não é oportuno, desculpa mas não é.
Não é oportuno agora.
Bia, por favor eu queria me desculpar pelo comportamento de ontem.
Me dá uma chance.
Vai filha.
Aproveita e come uma coisinha. É aqui perto é rapidinho.
Eu vou, eu vou mas eu não posso mesmo demorar.
Claro.
Fica bem, mãe?
-Claro. -Vai lá.
-Bom almoço. -Até já...
-Até mais, Mônica. -Até.
Então?
O que o teu pai queria de ti?
Salvador.
Salvador, está bem, meu querido?
Eu preciso ficar sozinho, mãe. Às vezes me pergunto se o Miguel será o homem indicado para estar à frente do banco.
Não sabia que o mundo da Finança lhe causava, assim tantas inquietações, Padre Sebastião!
Bom, o Antônio é o mais inteligente dos meus filhos, mas isso não chega para dirigir um banco.
Apesar de tudo o Miguel é uma pessoa mais equilibrada.
Aquele passado de dependências do Antônio.
Eu sei! Eu sei!
Mas o Antônio é uma pessoa reabilitada, os problemas com o álcool e a droga parece-me que ficaram definitivamente para trás.
O Miguel não será igualmente vulnerável?
Embora a outro nível?
Vulnerável, o Miguel?
O que quer dizer com isso?
Ele não estará demasiado seduzido pelo poder e pelo dinheiro.
Mais isso parece-me ser uma coisa essencial num banqueiro!
Desde que os limites sejam claros, não?
Mas nós estamos falando deste assunto por quê, Padre?
Onde está querendo chegar?
Entra filho, entra!
Seja bem-vindo, é incrível, quer dizer que você teve que fingir a tua própria morte?
Olha parece uma história saída de um romance policial!
E como ficou milionário?
Foi uma sucessão de acontecimentos.
Pouco tempo depois de eu chegar ao Rio de Janeiro houve um homem que eu conheci, o nome dele é... era Januário Cavalcantti. Já não está entre nós!
A verdade é que foi ele que mudou a minha vida completamente!
Me perdoa, eu estou falando sério, eu não deveria ter reagido daquele jeito.
Mas você tem que entender que isso é tudo muito estranho!
O que é estranho?
O que é estranho? Bia você com o Monforte, não é estranho?
O cara destrói o planeta pra ganhar dinheiro!
Espera lá, você veio aqui para me pedir desculpas ou para me chatear a cabeça?
A última coisa que eu quero é chatear a sua cabeça Bia, mas eu gosto muito de você pra ficar calado!
Você está se metendo numa enrascada!
Mas qual enrascada? Para com isso, por favor!
Qual enrascada? Bia... olha eu entendo que você esteja apaixonada.
Quer dizer entender, eu não entendo, mas eu aceito!
Mas o cara é perigoso!
Edu chega, para, é sério, não é o momento para ciúmes, eu não consigo, é sério!
Bia, Bia isso não tem nada a ver com ciúmes!
Ai não?
Antes fosse ciúmes!
Você acha que você conhece o cara bem, mas tem gente que o conhece muito melhor que você, na Amazônia.
Como assim, o que você quer dizer com isso?
Eu preciso te mostrar uma coisa, por favor.
Então. Novidades?
Nada feito Lemos.
Eu falei com o meu cliente e pelo menos para já, não há a menor hipótese dele revelar a sua identidade.
Não esqueço este filme.
Aquilo que eu posso fazer é reforçar a provisão financeira.
O meu cliente paga todos os custos da investigação. Ó Lemos, eu espero sinceramente que esta história da identidade não seja uma barreira definitiva!
Não te preocupe dá-se um jeito. É, mas você já falou com o garoto? Ele estava tão determinado.
Não!
O garoto é novo, está aqui ainda aprendendo, vamos com calma.
Nós aqui precisamos é de notícias frescas, boas histórias, vender jornais.
-O resto é conversa! -Mas isso é ótimo!
Isso quer dizer que temos negócio?
Se me permite um conselho, fale com a Amanda.
Ela trabalha no banco há muitos anos, é uma pessoa inteligente e discreta e muita informação passou-lhe pelas mãos.
Mas ela falou contigo padre?
Ela disse-lhe alguma coisa que eu deva saber?
Pense no que lhe disse.
Bom agora tenho de ir, vou celebrar uma missa.
Pode ficar, pode ficar, não se levante.
Foi bom revê-lo doutor. É uma pena que não venha aqui mais vezes.
Percebe-se bem porquê, não é?
Ainda assim, o Banco estava melhor nas suas mãos.
-Por que diz isso? -Por nada! É uma maneira de falar.
Não, onde é que, onde é que conseguiu esta informação? É só você ver o remetente do e-mail. É um jornalista de Manaus que está querendo denunciar o Monforte.
Isto é um absurdo.
Bia, você tem que confiar em mim.
A gente se conhece há quanto tempo?
Você sabe que eu não falo coisa à toa!
Não, mas isto é grave demais, isto é impossível!
Eu tenho certeza que o Jorge não seria capaz de fazer uma coisa dessas, isto não faz sentido!
Certeza?
Como você tem certeza? Você conhece o cara tão bem assim?
Logo no dia daquela tragédia você tem o celular desligado.
Não estava desligado. Foi roubado!
Então, não sabia arranjar outro?
Não pensou que eu ia te ligar?
Tem razão, tem razão, mas eu vinha para cá, portanto decidi comprar um aqui. É mais barato.
Ai filho, você nunca mais me faça uma coisa dessas, que me dá uma coisa ruim.
E a nós.
Desculpa.
Olha, como foi a viagem?
Correu bem.
Olha, ia agora pôr as minhas coisas na casa, mas você me disse ao telefone que já não mora lá, mas não me chegou a explicar!
Onde você e o pai estão morando agora?
Espera, espera.
Outra vez, vá vamos lá, vai um dois, vai.
Porra!
Tem calma, Hadja, então.
Vá lá outra vez. Outra vez!
Vai, um, dois.
Safado!
Não fale assim do teu pai!
Está brincando?
Um homem que te engana, que te deixa cheia de dívidas para pagar.
Mãe ele te deixou sem casa para morar, não é um safado? É o quê, hã? É, mas é um grande filho da... É o teu pai, Sérgio.
Não, não é.
Não é.
Um pai é um homem que cuida da família, não é um idiota como esse.
Eu tenho vergonha de ter um pai assim!
Mas isso quer dizer o quê?
Que agora estamos sem casa para morar é isso?
Tenha calma filho.
Foi para casa do tio, certo?
Foi mais ou menos.
Não, o tio ajudou-me no que pode!
Eu estive lá uns dias, mas as coisas correram mal.
Peguei-me com a tia Paula.
Ah claro.
Já nem me lembrava do feitio amoroso dessa senhora.
Olha, respeito.
Então agora somos sem-teto, é isso?
Não necessariamente.
-Darling. -Prima, então?
Como está?
-Veio almoçar? -Sim, com o Hadja.
Com o Hadja?
Eu não o vi aqui hoje ainda.
Mas espera ele pode ter marcado mesa e eu não percebi.
Deixa eu ver, acho que não.
-Não marcou! -Não?
Como não? Ele disse que vinha aqui almoçar.
Pois é, não sei. Mas não marcou mesa, e também não o vi.
Eu vou ligar-lhe.
Olá boa tarde, como estão?
-Tudo bem. -Tudo bem.
Marisa.
Não atende.
Prima tenha calma, provavelmente está a caminho.
Não quer ir pedindo alguma coisa?
Hoje fiz aquele risoto que você gosta e tudo, vá lá. Ó darling, você acha que eu consigo comer algum risoto?
Não, o que eu quero é saber o que o meu marido anda comendo.
Isso sim, mas espera só!
O que está acontecendo?
Me queimei chefe!
Chama o 112! Chama o 112!
Ai...
Calma. Calma deixa-me ver.
Não consigo dormir, brother eu...
Eu me deito e passo a noite às voltas sem conseguir pregar olho.
Você acha que tem a ver com o... enfim, com o problema que eu tenho?
Não diretamente, Hadja. É natural que o fato de estar doente tenha te deixado um pouco nervoso! É um diagnóstico difícil de aceitar, ainda mais no teu caso, que pode interferir na tua profissão e não quer partilhar com a família, amigos.
Para com essa conversa Tiago!
Já não basta a Cláudia ter percebido o que está acontecendo, meu.
Mas eu não sei o que fazer, eu tenho que trabalhar e não consigo me concentrar.
Olha eu vou fazer o seguinte, vou te receitar um ansiolítico leve, e isso vai te ajudar, você vai ver.
Espera aí, está falando sério, você acha que eu vou tomar essas merdas que as velhas tomam, Tiago?
Está maluco!
Senta, homem! Deixa disso, então?
Desde quando é que ansiolíticos são medicamentos para velhas?
Isto é uma coisa temporária, você vai tomar isso durante algumas semanas, até se sentir melhor, até recuperar o sono de forma natural.
E depois deixa.
Alguma novidade do Salvador?
Ah sim, mas não muito boas!
A mãe e a Bia estiveram lá com ele.
Ele começou hoje a fazer fisioterapia, as coisas até estavam correndo bem.
Mas o pai apareceu e conversou com ele
-e enfim. -Conversou com ele, e?
Conversou com ele e não correu muito bem!
O Salvador ficou muito perturbado!
Mas por quê?
Ninguém sabe, ninguém sabe, eles estiveram a conversa em privado e ninguém sabe o que conversaram!
Você é muito novinho, não percebe estas coisas.
A cama, estão fazendo a minha cama.
Por causa do fracassado do meu marido, estou te dizendo, é sério.
Mas também, já o coloquei de castigo. Greve de sexo!
Ai é sério, menos Paula.
Eu não quero saber nada sobre a tua vida sexual.
Olha lá, ao menos eu ainda tenho uma vida sexual.
-Já alguns. -Isso era para mim?
Eu só não digo que enfiou o capuz, porque é exatamente isso que você não faz, enfiar o capuz.
E como você sabe disso? Ó filho, são muitos anos nisto!
Muitos anos de experiência. Basta olhar para você.
Ah, mas a vida sexual de uma pessoa agora está escrita na testa, é?
Está. Mas nem todos conseguem ler.
Só alguns como eu que ando há muitos anos nisto.
Mas olha descansa que não é só você.
Olha ali o doutor Antônio.
Esse é outro que anda a pão e água.
Põe a mulher em segundo plano, é o que dá! É só trabalho, só trabalho, só trabalho e depois nada. É sério Paula, você não está nada bem.
Nem podia estar, como eu podia estar bem, diga lá, com esta gente toda querendo me prejudicar, como é que você queria que eu estivesse bem?
Mas olha, eu vou te dizer, eu não sou mulher de me incomodar!
Não sou mulher de me incomodar David.
Eu sou uma mulher que agarro o boi pelos cornos.
Percebe?
Não.
Mas também não é para perceber, não tem nada a ver com isso.
Quimioterapia?
Que horror! Mas ela é tão pequenina, Gonçalo. Ó Inês... Inês o médico já explicou eles têm que fazer quimioterapia para reduzir o tamanho do tumor.
Só depois é que podem operá-la.
Mas é isso que eu não entendo, não entendo isso, quer dizer se vão operar, tanto faz que o tumor tenha um tamanho como tenha outro, não é?
Ao menos tiravam-lhe já aquilo de dentro do corpo.
Inês, Inês tenha calma.
O médico está com grandes expectativas.
-Por isso. -Por isso, o quê?
Por isso vão lhe encher o corpo cheio de veneno é isso.
Está bem a quimioterapia reduz o tamanho do tumor, mas e os estragos que causa, já pensou nisso?
E a qualidade de vida da Sol no futuro!
Está bem, está bem, então vamos falar com o Tiago e ouvir outra opinião, está bem?
Vamos, e vamos falar com a Mônica!
Eu também quero ouvir a opinião dela sobre isto!
Entrem, entrem.
Desculpem a bagunça!
Tem aqui um belo apartamento, sim senhor.
Era da minha velhota. Recebi de herança.
Para ser franca, eu acho que nunca conheci ninguém tão bondoso como o senhor.
Oh, deixe lá isso.
Anda Sérgio, eu mostro o teu quarto, é por aqui.
Está vendo mana, tudo começou se ajeitar!
Este teu colega é um anjo que nos apareceu na vida! É.
Parece que sim.
Pronto, o Sérgio já está instalado.
Falta a Judite.
Ouça, Joaquim, eu vou querer retribuir toda a sua generosidade, eu arrumo a casa, eu cozinho, eu faço o que for necessário!
-Sim, não se preocupe com isso. -Não, não, eu faço questão!
Mãe, vem só aqui.
Com licença.
Ouve Joaquim, eu nem sei como te agradecer.
Deixa disso.
Não, estou falando sério, a maior parte das pessoas não faria o que você está fazendo.
Você nem sequer os conhecia.
Os amigos se conhecem nestas horas.
Dá aqui um abraço.
E olha.
Desculpa eu ter duvidado de você.
Esquece isso. Já passou.
Estou falando sério, desculpa.
Mas por que você não me atende?
Filha, então correu tudo bem?
-Mais ou menos. -O que foi? É uma situação um pouco complicada, é chata.
A mãe sabe, eu e o Edu tivemos uma história há uns anos, história essa que terminou, e ele nunca encaixou isso muito bem, e pronto agora é uma situação um pouco chata de gerir, só isso!
Faço ideia.
Enfim e o Salvador, contou-lhe o que o pai disse?
Não, não quis falar.
Mas não disse nada, mesmo?
Nada.
Eu não sei o que o teu pai disse, mas ninguém me tira da cabeça que ele está tramando alguma coisa para o Salvador ficar calado daquela maneira.
-A mãe acha? -Acho!
Está bem, eu vou tentar falar com ele, vou tentar perceber o que está acontecendo.
Mas eu antes preciso mesmo fazer uma ligação!
-Força. -Até já.
Olha Zé Maria apesar de tudo acabou tendo muita sorte!
Os teus pais ficariam muito orgulhosos de ti, se soubessem. Ó filho não quer atender, já tocou tantas vezes?
Não, não, eu depois devolvo a chamada.
Agora o mais importante é eu saber o que aconteceu com a Amanda este tempo todo, porque eu já lhe contei a minha vida, agora eu quero saber o que aconteceu nestes últimos quinze anos!
Oh filho, depois de ouvir a tua história, acho que não aconteceu nada na minha vida, ela está exatamente no ponto em que estava quando... você sabe.
-Então, tudo bem? -Sim.
Eu vou então tentar falar com o mano e perceber, tá?
Até já.
Como está o meu irmão?
Salvador, o que está acontecendo?
O que o pai te disse para ficar assim?
Mano pode me dizer, você sabe que pode confiar em mim.
Eu não vou contar à mãe!
O que o pai te disse?
Tenho estado tão cansado, Bia.
Isto é tudo tão confuso.
O que é confuso?
Eu acho que o pai não fez por mal.
Como não?
O pai já conseguiu te enrolar, é isso?
Não, não Bia, eu acho mesmo que o pai estava falando sério.
Com licença, senhor doutor. Precisa de alguma coisa?
Preciso.
Que me deixem em paz! Estou com uma enxaqueca violentíssima.
Com certeza.
-E então? -Não, não quis me contar nada.
Olha a Inês.
O que está acontecendo? É... é a Sol, Bia.
O que ela tem?
A Sol tem... tem um tumor de Wilms em um rim.
Mas esse tumor costuma aparecer em crianças mais novas.
Eu sei, mas ela... ela também o tem!
Tenham calma, é sério vai correr tudo bem!
Nós estamos aqui para ajudar, vai correr mesmo tudo bem, vamos ter força!
-Doutor, doutor. -Diga.
Isto não pode ser!
Porque o meu marido foi incompetente, eu não posso estar sendo hostilizada desta maneira no meu posto de trabalho!
Que besteira é essa?
O que uma coisa tem a ver com a outra?
Exatamente. Por não ter é que eu acho ruim, doutor.
Acha ruim, o quê Paula?
Esta perseguição da qual eu estou sendo vítima. É de uma violência atroz!
Paula, ouça uma coisa, eu não tenho tempo, nem paciência para conversas surreais.
Se eu não lhe pedi para me ajudar com o assunto do doutor Lima Costa.
-Pois é, não pediu! -Pois é, não pedi! É porque achei que fazia mais sentido ser o seu colega Nuno a tratar do assunto, visto que tem sido ele a acompanhar o cliente.
Não tem nada a ver contigo e muito menos com o seu marido.
Estamos entendidos? Agora, se me dá licença.
Doutor, doutor.
Existem terapias para tratar a mania de perseguição, Paula.
E terapias para as pessoas que se metem na vida dos outros!
Não me fazem de idiota.
Isto é bullying. Bullying puro!
Estou sendo posta na prateleira.
No meio disso tudo há só uma coisa que eu não estou entendendo.
O quê?
O teu namoro com a Bia. É o quê, faz parte do teu plano de vingança contra o Doutor Miguel?
A Bia, a Bia... a Bia... foi um imprevisto.
Um imprevisto?
Isso quer dizer o quê, que você gosta mesmo dela?
Ela é a mulher da minha vida.
A mulher da tua vida!
Ai Zé Maria, a filha do teu maior inimigo?
Eu sei.
Mas como isso aconteceu? É uma longa história.
Pronto ok, mas partindo do princípio de que ela é a mulher da tua vida, e você vai mesmo ficar com ela, como você acha que ela vai reagir quando souber quem você é!
Ela vai achar que você está só a usando!
Ela já sabe quem eu sou, Amanda.
Então e o que ela acha, o que ela diz?
Zé Maria, tenha cuidado, ela é muito apegada ao pai!
Você tem certeza que ela não vai te denunciar?
Certeza, certeza, não, não posso ter.
Mas o que eu sei é que a nossa história, a nossa história não começou agora.
Começou há quinze anos atrás.
Há quinze anos, ó meu Deus isto, é o que digo, isto parece uma novela!
Então, que caras são essas?
A Sol, ela tem um tumor num dos rins.
Não, não pode ser! É verdade Tiago.
A minha sobrinha!
Agora é o doutor que tem que ter força!
O que essa mocréia, lambisgoia, assanhada está querendo aí com você?
Bem que me disseram que já tinha chegado!
Nós precisamos conversar.
Agora não pai, eu estou com uma enxaqueca horrível.
Isso não é desculpa.
Há bastante tempo que ando com este trambolho atrás e não é por isso que eu deixo de fazer aquilo que tenho de fazer.
Vamos ter uma conversa séria, rapaz!
Têm-me chegado aos ouvidos uns zunzuns a teu respeito e eu não estou gostando nada disto.
E como normalmente, onde há fumaça há fogo, eu preciso entender se o meu banco já está ardendo.
