Pare de fiscalizar o prato alheio - Me deixe comer em paz!
(Música de suspense)
Ué, o que você está fazendo aí?
Você não acabou de jantar?
(Música)
Você já reparou que hoje em dia a maioria das pessoas se sente no direito de dar pitaco no prato alheio?
"Nossa, você toma refrigerante?"
"Vai pedir batata frita?"
"Nossa, só de pensar em sobremesa eu já engordo dois quilos!"
"Desse jeito você vai acabar engordando, hein?"
Antigamente, este tipo de comportamento era visto como uma falta de educação, mas hoje se tornou normal.
Gente, vamos parar, né?
(Música)
Hoje estou aqui para propor um tratado de paz à mesa!
Pelo bem-estar de todos os que prezam pelo direito de comer o que têm vontade, com tranquilidade, com prazer e sem culpa!
O que quero dizer com isso é que é muito chato esse hábito de ficar fiscalizando o prato das outras pessoas.
Eu fico contente em saber que o tema "alimentação", hoje em dia, faz parte das rodas de conversa e muita gente está cada vez mais interessada em saber sobre a qualidade das coisas, o valor nutricional e a procedência dos alimentos.
Mas em alguns casos, isso vira uma obsessão e comer vira uma coisa automática e chata.
Vira um "isso pode", isso não pode".
"Isso engorda", "isso emagrece".
E cada vez que você fala isso para você mesmo ou na mesa junto de outras pessoas, reforça esse pensamento equivocado sobre a nossa alimentação.
Já falei isso pelo menos mil vezes, mas vou continuar falando até que chegue para mais pessoas.
As pessoas perderam a noção do que é comer bem, e o que é "comer normal".
Eu até já falei sobre isso aqui, clica aqui no card para ver.
O fato é que, hoje em dia, parece que comer virou um prazer proibido.
E assim, as pessoas tendem a se vigiar demais e também vigiar os outros.
Parece que virou um pecado querer comer uma sobremesa eventualmente, ou repetir o prato quando a comida está muito gostosa.
Mas gente, tudo isso é normal! É claro que temos que ter bom senso e sempre pensar em como anda nossa alimentação como um todo, porque é isso que vai fazer diferença para nossa saúde e para o nosso peso.
Uma alimentação de qualidade deve priorizar os alimentos in natura e ter menos presença de produtos ultraprocessados, como refrigerantes, sucos adoçados, bolacha recheada, chips, nuggets, macarrão instantâneo, molhos prontos pra salada, iogurtes aromatizados, etc.
Mas na vida real não dá para levar tudo tão ao pé da letra.
Se você consegue ter uma alimentação regular, de qualidade, comendo comida caseira e fresca nas refeições principais, não é porque de vez em quando você vai comer um pouco a mais do que o normal que, de repente, vai engordar de vez ou ter uma doença crônica.
Eu estudo Nutrição há anos e eu tenho certeza de que, no final das contas, não adianta focar somente nos nutrientes.
O seu comportamento diante da comida também é tão importante quanto o nutrientes.
Vamos supor: você está na casa dos seus avós, dos seus pais, ou de amigos queridos.
Está em um momento super agradável, se deliciando com um jantar super gostoso preparado por eles.
Você de repente sente vontade de comer mais um pouquinho, e fazer um segundo prato.
Aí já vem aquele chato:
"Opa, vai comer de novo? Mas você não estava de dieta?"
Eu deixo aqui um convite para tentar evitar esse tipo de atitude.
Dessa forma, você também acaba impondo respeito para que não façam o mesmo com você.
E assim o clima em torno da mesa pode ficar bem mais agradável, sem cobrança e sem pitaco no prato alheio!
(Música)
O respeito às escolhas dos outros é algo super importante.
Se o seu amigo resolveu virar vegetariano e está super feliz e saudável com isso, beleza!
Se a sua vizinha gosta de comer arroz branco, enquanto você só come integral, tudo bem também!
E se você está fazendo uma dieta super radical...
Coisa que eu não recomendo...
E se esse estilo de vida te deixa realmente feliz e não está comprometendo a sua saúde, ok.
Mas é muito desagradável ficar enchendo o saco de todo mundo falando coisas como: "nossa, que gordice",
"açúcar branco é veneno"; "glúten engorda" e outras bobagens difundidas pela cultura das dietas.
Eu sou nutricionista e, teoricamente, teria o "direito" de falar todas essas coisas, certo?
Só que eu sou completamente contra o terrorismo nutricional!
E respeito todos os estilos de alimentação.
Vegetariano, vegano, flexitariano, pescetariano, quem come pouco carboidrato, quem evita gordura, quem consome açúcar, quem prefere adoçante, quem segue recomendações religiosas, etc...
Quando meus pacientes dividem comigo suas decisões, eu procuro respeitar e orientar da maneira mais adequada às suas escolhas.
Porque, da mesma maneira, não gosto que julguem o que eu coloco no meu prato!
O que estou querendo dizer é:
Você é o único responsável pela sua fome e satisfação!
Ninguém deveria ter vergonha de comer um pouco a mais quando sente vontade, de exagerar um pouco no fim de semana ou de tomar um sorvete no meio da tarde.
Ninguém deveria se sentir oprimido por esse terrorismo nutricional.
E muito menos se deixar levar pelos modismos propagados pelas revistas e influenciadores.
O certo é tentar ouvir apenas a você mesmo e aos seus sinais internos.
Recuperar seus sinais de fome e saciedade e também entender melhor o que o seu corpo está pedindo.
Até porque, nem mesmo o nutricionista conhece tão bem sua fome e suas necessidades como você mesmo.
E provavelmente ele vai te orientar de maneira muito mais eficaz se você já vier com uma consciência maior sobre seu corpo.
Então respire, deixe a fiscalização alheia de lado e se volte para você mesmo. Às vezes, você precisa se questionar sobre as coisas mais básicas.
O que você realmente gosta de comer no café da manhã?
Qual é a quantidade de comida que seu corpo precisa na hora do almoço?
Será que está comendo na quantidade necessária ou repete porque já está no "modo automático"?
Na hora do jantar, você come "uma saladinha" porque ouviu que carboidrato à noite engorda, ou porque realmente se sente bem com isso?
A partir do momento que se ouvir mais, e dar menos importância ao que os outros falam sobre sua alimentação, talvez você se surpreenda. É bem provável que diminua sua ansiedade com relação a comida e passe até a comer menos.
Aquela vontade exagerada de doce, por exemplo, pode ser fruto de uma privação, medo de ser censurado por alguém ou culpa.
Se você estiver em paz com a comida, esses sentimentos tendem a diminuir.
(Música)
As emoções que sentimos enquanto comemos interferem na nossa digestão e no nosso metabolismo.
Por isso é tão importante recuperar essa consciência, essa paz, porque esse estresse em torno da comida gera um comer transtornado, muita culpa e ansiedade.
E já está comprovado pela ciência que comer com culpa nos faz comer mais, sabia?
Então minha dica é: pare de fiscalizar o prato dos outros, e também não dê ouvidos quando fiscalizam o seu.
Aproveite o momento em que está comendo junto com outras pessoas para conversar e se divertir, sem ficar falando de calorias.
Foque no sabor e na qualidade das suas escolhas, procure fazer as refeições principais com comida fresca e caseira, e permita-se pequenos exageros de vez em quando.
Você tem o direito de se deliciar com coisas que te fazem feliz, ou trazem alguma lembrança boa.
Isso é sauável e normal.
Além disso, fazer as pazes com a comida é um dos melhores caminhos para se prevenir a obesidade, doenças crônicas ligadas a ela e os transtornos alimentares.
Lembrando também que comer é sinônimo de prazer, não um motivo para sentir vergonha ou para julgar as pessoas que te cercam.
Faça essa experiência e tenha mais felicidade à mesa, comendo feliz junto das pessoas queridas!
Bon appétit!
(Música)
