Por que as pessoas se importam com a opinião dos outros?
Por que a opinião dos outros pode influenciar tanto os sentimentos de alguém?
Eu sou o André, doutor em psicologia e é difícil ignorar a opinião dos outros quando se passa por uma história evolutiva como a nossa.
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A reputação funciona como um sinal que informa as outras pessoas sobre a propensão de alguém agir de uma certa forma.
Hoje vamos falar especificamente da reputação enquanto um sinal de que uma pesssoa é cooperativa e tende a retribuir as ajudas que recebe.
Nesse sentido, a reputação costuma ser fundamental para a harmonia e a estabilidade de um grupo, já que tende a incentivar a cooperação entre os membros e a reduzir comportamentos egoístas de aproveitadores ou trapaceiros.
Ao que tudo indica, essa preocupação com a própria reputação e a dos outros é uma herança que herdamos da vida em grupo que os primeiros humanos caçadores-coletores levavam.
Durante cerca de 95% da existência da nossa espécie, nós vivemos como grupos de caçadores-coletores.
As pessoas que vivem em grupos assim são altamente dependentes da cooperação entre os membros para conseguir sobreviver e se reproduzir.
Se você ficar doente, outra pessoa pode arranjar algo para você comer e te proteger de ameaças.
Se você voltou de mãos vazias da caça, outra pessoa poderá dividir com você as frutas que coletou.
Se um grupo rival atacar, o seu grupo pode vencer se for mais numeroso ou habilidoso.
Pessoas com boa reputação tendiam a ser escolhidas com mais frequência como parceiras pelos outros membro do grupo e recebiam mais recompensas, enquanto pessoas com má reputação tendiam a ser excluídas e punidas.
Ter uma boa reputação ou a fama de ser um aproveitador sem vergonha podia determinar se você ia ter o que comer, ia ter amigos para caçar ou se defender de ameaças e ia ter um parceiro ou parceira romântica para se reproduzir.
Por influenciar o acesso a recursos vitais para sobreviver e se reproduzir, a preocupação com a reputação parece ter tido uma grande influência nos rumos da nossa espécie, nos tornando bem sensíveis à informações sobre a nossa própria reputação e a dos outros.
Lembra quando a gente falou da teoria do sociometro no vídeo sobre os likes no Instagram?
A ideia dessa teoria é de que a autoestima serve como um termômetro que nos diz o quão bem estamos indo nos nossos relacionamentos.
Mas o que será que motivou o desenvolvimento desse termômetro?
Ao longo da nossa história evolutiva, ter um termômetro que te indicasse como anda a sua reputação e que te fizesse se sentir mal caso as coisas não andassem bem pode ter sido bem vantajoso.
Pessoas com essa preocupação teriam maiores chances de perceber que havia algo de errado com suas ações e tentar se redimir com os outros antes de sofrerem punições ou serem expulsos do grupo.
Já aqueles mais joselitos e sem noção que tentassem explorar os outros não perceberiam tão facilmente que a sua reputação é ruim ou não se sentiriam tão mal de receber um feedback negativo dos outros, o que aumentaria as suas chances de acabarem se dando mal depois.
Ouvir uma opinião negativa sobre você ou se sentir ignorado pode ser visto pelo cérebro como um sinal de que a sua reputação não anda tão boa.
A tendência é que a sua autoestima reflita isso e que você sinta algum desconforto.
Então quando você se sentir mal de novo por alguma dessas coisas, lembre-se que isso faz todo sentido psicológico e que não é nenhum sinal de fraqueza. É o seu cérebro te avisando que pode haver algo de ruim nas suas interações passadas.
Como se já não fosse desagradável o suficiente lidar com o feedback dos membros de um pequeno grupo de caçadores-coletores que você ainda conhecia bem, os seres humanos resolveram se organizar em grupos cada vez maiores com o passar do tempo.
Conviver com mais pessoas significa que o coitadinho do seu cérebro, meio obssessivo com a própria reputação, agora pode ser alvo de feedbacks negativos de um número muito maior de pessoas e que você pode acabar desagradando muito mais pessoas com suas ações.
O surgimento da internet e das redes sociais levou toda essa situação para um nível mais complicado ainda, já que agora podemos interagir e nos desentender com uma quantidade muito maior de pessoas por segundo do que qualquer caçador-coletor antigo poderia.
Grupos populosos e a internet aumentam o nível de anonimato e isso cria condições favoráveis para que aproveitadores explorem mais pessoas sem serem pegos ou sem sofrer tantos prejuízos como sofreriam em grupos pequenos.
Então apesar das pessoas geralmente terem uma propensão a cooperar e buscar uma boa reputação como resultado da evolução da nossa espécie, fatores como sociedades populosas podem motivar alguns a agirem de forma egoísta e não darem muita bola para a reputação.
Ser sensível à sua reputação é útil hoje assim como foi útil entre os primeiros caçadores-coletores.
Levar em conta o feedback dos outros sobre você pode ser desconfortável, mas também pode te ajudar a perceber coisas que são difíceis de perceber sozinho e a ser uma pessoa mais legal também.
Assista o nosso vídeo sobre como os likes no Instagram afetam a sua mente e o nosso último vídeo.
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