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Por que EMAGRECER é tão DIFÍCIL? | Ciência do Corpo S01E02

Você provavelmente já tentou emagrecer e viu que essa é uma tarefa extremamente difícil! Se esse não é o seu caso você com certeza conhece alguém que já fez de tudo: desde dietas da moda, até exercícios malucos para perder gordura.

Afinal, por que é tão difícil emagrecer? No vídeo de hoje eu vou explicar porque nós engordamos e porque nós temos dificuldade em queimar gordura!

E aí, curtiu? Então roda a vinheta!

Seja bem vindo ao segundo Ciência do Corpo!

O meu nome é Guilherme Lui, eu sou estudante de educação física e o objetivo desse programa é divulgar informação sobre a ciência do movimento humano!

Na abertura do vídeo eu comentei que emagrecer é uma tarefa extremamente difícil, e você provavelmente concorda com isso! Óbvio, com certeza você conhece pessoas que sofrem justamente o contrário: tem muita dificuldade em engordar e emagrecem muito fácil! Porém, isso é minoria e os números provam isso! Hoje, no brasil, mais de 50% da população têm sobrepeso e quase 20% tem obesidade. A obesidade cresceu 60% nos últimos dez anos! E esses números são muito preocupantes porque hoje todo mundo sabe o quanto a obesidade faz mal. A obesidade aumenta a chance de você ter diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, diversos problemas articulares, além de estar normalmente associada ao sedentarismo, que também traz muitos outros problemas, mas fica esperto que isso é assunto para o próximo vídeo! Além disso, a obesidade não afeta só o indivíduo. Além de afetar toda a sua família, afeta muito a economia. Para você ter uma noção, o nosso governo gastou aproximadamente 500 milhões de reais em 2011 por problemas associados à obesidade. Se a pessoa é obesa, e por isso tem um problema de saúde e usa o sistema público, quem paga essa conta é o governo. Então hoje a obesidade é um problema de saúde pública: um país menos obeso é um país mais saudável que gasta menos.

Por isso, diversos movimentos e campanhas para diminuir a taxa de obesidade acontecem. Mas se você já tentou emagrecer você já deve ter percebido que é um processo extremamente complicado. Por que será que isso acontece? Por que será que é tão difícil emagrecer? Bom eu já quero esclarecer aqui que emagrecimento é um assunto muito complexo e depende de muitos fatores, podendo eles serem genéticos ou ambientais. Como não dá para abordar tudo em um vídeo, eu vou abordar um pouco dos dois, começando pelos fatores genéticos, pela teoria do gene poupador. E o que é a teoria do gene poupador? Para entender essa teoria a gente tem que lembrar do conceito de seleção natural, aquela teoria postulada por Darwin que diz que o indivíduo mais adaptado ao seu meio, têm mais chances de sobreviver e com isso, maiores chances de se reproduzir, garantindo assim a perpetuação da espécie. E o que a teoria do gene pupador tem a ver com isso? Tudo! Pensa só como era o dia a dia dos nossos antepassados, há centenas de milhares de anos atrás: naquela época não tinha fast food e supermercados a cada esquina como nós temos hoje. O alimento tinha que ser caçado ou coletado. Ou seja, se você não caçava bem, você não comia. Se você não encontrava frutas e outros alimentos, você também não comia. E a gente nem precisa ir tão longe:

Há dez mil anos atrás a nossa espécie começou a prática da agricultura, ou seja, a gente plantava o que comia, o que facilitou bastante coisa. Mas mesmo com isso em diversos momentos ocorreram períodos de estiagem, que acabavam com as plantações e deixavam as famílias sem comida.

Lembrando lá da teoria da seleção natural, nesse momento em que a comida estava escassa, quem você acha que é o indivíduo mais adaptado para sobreviver e se reproduzir? Com certeza o indivíduo que tinha mais energia guardada, ou seja, o cara que acumulava mais gordura e justamente por essa reserva, conseguia sobreviver em períodos com pouco alimento. Sendo assim literalmente esse gene poupador foi passando de geração em geração até chegar na gente. E ele funciona assim até hoje: tem energia? Estoca, guarda, reserva.

E olha só, além de nos termos esse gene poupador, que guarda energia quando pode, a seleção natural também se encarregou de nos tornar extremamente econômicos.

Lembra quando eu disse que antigamente o alimento era caçado? Num ambiente com pouca comida, quem você acha que tinha mais sucesso na hora da caça: o indivíduo que gastava muita energia ou o que conseguia economizar o pouco que tinha e utilizar da forma certa. Com certeza o cara econômico! E até hoje nós somos muito econômicos. Pra você ter uma ideia, os nossos músculos são compostos por duas estruturas: o componente contrátil e o componente elástico. O componente contrátil são os famosos sarcômeros: aquelas estruturas de proteínas que deslizam entre si, gastando ATP, ou seja, gastando energia, para produzir tensão e gerar movimento!

Já o componente elástico são os nossos tendões e as fáscias musculares, que são estruturas de colágeno que envolvem nossos músculos. O que é mais interessante nisso é que esse componente elástico quando esticado, tem a capacidade de acumular energia. E quando a gente solta ele, ele pode liberar essa energia e também gerar movimento. Um movimento passivo, que não teve gasto direto de energia! Então toda vez que a gente alonga o nosso músculo, nós estamos acumulando energia elástica que pode ser liberada para gerar movimento. Nós fazemos andando, correndo e saltando. Essa economia está presente em grande parte dos nosso movimentos. Quer um exemplo disso? Você sabe quanto em média e hipoteticamente um indivíduo consegue caminhar, comendo apenas um Big Mac? Responde aí pra mim, Vegeta!

[Vegeta: Mais de 8 mil!]

[Nappa: Mais de 8 mil? Isso deve ser um engano!]

Exatamente! Oito quilômetros! 8000 metros comendo apenas um Big Mac!

Nós somos muito econômicos!

Então até agora nós já vimos duas características genéticas importantes: nós temos uma tendência a acumular energia e também uma tendência economizar essa energia, e só de analisar isso já dá pra entender o porque os índices de obesidade vem aumentando.

Em tempos atrás, essas características de acumular e economizar foram vitais para a sobrevivência da nossa espécie, justamente porque a comida escassa. Mas qual o grande problema disso? Hoje, nós temos muita oferta de comida e na maioria das vezes são comidas hipercalóricas.

Além disso, nós estamos cada vez mais sedentários.

Se a gente for comparar a nossa realidade com a realidade de nossos antepassados, essa mudança fica bastante evidente. Antigamente o alimento era mais natural, pouco processado. Hoje, grande parte das comidas são ultraprocessadas, com altos índices de gorduras e açúcares. Antigamente, a comida era a caçada coletada ou plantada. Ou seja, era necessário gastar muita energia para poder comer.

Hoje nós temos acesso as nossas refeições com apenas alguns cliques.

Antigamente não tinha carro, videogames, celulares. As pessoas eram mais ativas.

Hoje nós estamos cada vez mais dependentes da tecnologia e cada vez mais sedentários. Então quando a gente pega esses dois fatores genéticos de acumular e economizar energia e soma com esses dois fatores ambientais de alta oferta de alimento e altos níveis de sedentarismo, isso só pode dar invariavelmente em obesidade. Uma obesidade que deve ser combatida, e de forma alguma por algum fator estético, porque isso é irrelevante.

A obesidade é um problema sério que traz junto com ela muitos outros problemas sérios que eu já citei no início do episódio.

Então agora você provavelmente já consegue responder à pergunta do título neste vídeo. Você já entende por que é tão difícil emagrecer. A pergunta válida pra fazer agora é como é possível diminuir esses índices de obesidade.

Bom, eu citei dois grandes fatores para ela acontecer. Qual você acha que é mais fácil mudar? Você acha que é mais fácil alterar o nosso código genético para que a gente deixa de acumular e economizar energia ou alterar os nossos comportamentos para que a gente deixe de consumir tanta caloria e de ser tão sedentários? Com certeza é mais fácil alterar o nosso comportamento. Os fatores ambientais mas eu pergunto isso porque você com certeza conhece uma pessoa que culpa a genética por tudo. Que fala que não emagrece porque a genética é ruim, fala que tal pessoa é magra porque tem uma genética boa, e realmente: a genética influencia sim e tem pessoas que têm mais dificuldade em emagrecer. Mas os fatores ambientais também influenciam muito, e pra mostrar isso pra vocês eu trouxe aqui dois estudos muito interessantes feitos com gêmeos.

O primeiro estudo analisou 23 pares de gêmeos monozigóticos, ou seja, gêmeos que nasceram do mesmo zigoto e por isso possuem o mesmo código genético. Dessa forma a gente exclui o fator genético e foca só no ambiental.

Uma obrigação para participar desse estudo era que os gêmeos deveriam ter uma diferença de IMC. Basicamente um gêmeo era mais magrinho e um gêmeo era mais gordinho! Sabe quais foram os resultados desse estudo?

Eles encontraram uma diferença bastante interessante: o gêmeo mais gordinho tinha mais preferência por comidas gordurosas e comia mais compulsivamente. Por isso ele tinha o maior IMC e maior percentual de gordura!

A segunda pesquisa analisou por 30 anos: gêmeos monozigóticos, que tem o mesmo código genético, e gêmeos dizigóticos, que têm em média 50% dos seus genes segregantes idênticos, o que também já diminui um pouco a interferência do fator genético e nos permite focar no ambiental. Os gêmeos deveriam discordar nos níveis de atividade física durante o lazer, ou seja: em momentos de lazer um gêmeo era mais ativo e outro era sedentário.

Sabe qual foi o resultado depois da pesquisa? Os gêmeos mais inativos tinham ganhado mais peso e tinham uma maior circunferência da cintura, ou seja, eles tinham mais gordura abdominal.

E diversos outros estudos relatam coisas semelhantes: pessoas que ingerem mais calorias, como no estudo 1, e pessoas que são mais sedentárias como no estudo 2, tendem a ter um maior índice de gordura.

A questão nesses estudos que deixou eles mais interessantes é que eles amenizaram o fator genético. Eles focaram no ambiental. Com isso a gente consegue entender que o fator ambiental, o nosso comportamento, importa sim! Comer bem importa!

Fazer exercício e praticar atividade física também importa, e eu quero finalizar o vídeo aqui com duas dicas práticas para você!

Você com certeza já ouviu ou até falou a frase: "ah, fui na academia hoje... vou fazer um brigadeiro. Eu mereço!" E realmente, isso de vez em quando é bom! O problema é quando isso acontece sempre. Quando sempre depois do exercício tem esse sistema de recompensa! Um estudo muito interessante analisou esses efeitos de recompensa e eles viram que quando o exercício e a atividade física eram vistos como divertidos, a pessoa se recompensava menos com comida! No caso, neste estudo as pessoas comeram menos pudim, menos chocolate e tiveram a tendência de escolher alimentos mais saudáveis!

Então a primeira dica é essa: não faça o exercício obrigado, como se fosse um castigo, uma tortura. Encontre algo que você goste de fazer.

Enquanto você treina você pode interagir com seus amigos, ouvir música, escutar um podcast e aproveitar a paisagem. Não coloque o foco em quantos quilos você quer perder ou quantas calorias você quer queimar. Foque em coisas agradáveis.

Com certeza isso vai melhorar sua experiência e vai fazer você manter o exercício por mais tempo.

E a segunda dica é sobre alimentação: eu disse que comer bem importa, mas é muito difícil saber o que comer e eu sei que tem muita gente que não tem condição para pagar uma nutricionista.

Então eu tô deixando aqui na descrição e eu recomendo muito que vocês leiam o Guia

Alimentar para a População Brasileira. Esse guia é um documento oficial do

Ministério da Saúde, que foi atualizado em 2014, que tem muita informação prática baseada em evidência científica. É claro que isso de forma alguma vai substituir você passar num bom nutricionista, e se você tiver condições eu com certeza recomendo que você faça isso. Mas só de ler o guia você já vai conseguir adaptar bastante coisa para sua alimentação.

Muito obrigado por ter assistido esse vídeo até o final. Como eu disse no início, o emagrecimento é um assunto muito complexo e depende de muitos fatores.

Esse vídeo que foi apenas uma contextualização.

Eu estou deixando aqui na descrição todos os artigos que usei de referência para construir o roteiro, então se você quiser alguma informação mais detalhada dá uma conferida aqui embaixo porque vale muito a leitura!

Se você curte esse tipo de conteúdo me acompanhe também lá no Instagram.

Lá eu posso bastante coisa interessante e mais dinâmicas do que aqui no Youtube. Ah! E também se inscreve no canal! Dia 15 de abril eu vou falar sobre o sedentarismo! Se você curtiu o vídeo, não esquece do jóinha e até lá!

O que é mais interessante disso é que esse componente elástico quando esticado tem a capacidade de acumular energia. E quando a gente solta ele, ele pode liberar energia (travada) e também gerar movimento

Eu não soltei né? [Thaina: exato!]

[Risos]