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Proteína faz mal para os rins?

Proteína faz mal pros rins?

Como vai!

Sou Antonio Laender médico clinico geral e nefrologista

Sebastião tem doença renal e descobriu por meio de exames que seus rins estão funcionando por volta de 25% mas ele não sente absolutamente nada!

Os seus amigos disseram que ele tem de cortar as proteínas da alimentação

E proteínas não são só carnes são também ovos, leguminosas, leite e derivados

Lascou!

O que vou comer agora?

Ele então resolveu procurar um profissional de saúde!

Afinal, achar todo mundo acha e crenças populares existem aos montes É mito ou verdade que proteína faz mal pros rins?

Sebastião quer saber o que a ciência diz a respeito

A palavra proteína deriva do grego protos que significa primeiro

E isso reflete o status de primeira classe da  proteína na nutrição humana

As proteínas têm função estrutural, ou seja, são como tijolos que vão reparar nossos buracos e construir nossas enzimas, anticorpos, nossa pele e cabelo, nossos ossos e músculos

Como acontece com a maioria das coisas  na vida, equilíbrio é tudo!

Pode haver um preço a se pagar com exageros ou restrições

As organizações de saúde por aí afora estabelecem que a quantidade mínima  de proteínas que você precisa para atender as suas necessidades básicas nutricionais é de 0,8 g de proteína/Kg/dia

Ou seja, é a quantidade mínima que você precisa para evitar de ficar doente e não a quantidade específica que você deve comer todos os dias, ok?

Já a quantidade máxima ainda é controversa e vai depender se você é sedentário ou ativo

Mas para uma pessoa média, consumo máximo de 2,0 g de proteína/Kg/dia parece ser razoável

E consumir além disso não é provável de te ajudar a construir mais músculos

Além de ser muito difícil para qualquer ser humano exagerar nas proteínas pois elas saciam a nossa fome e naturalmente paramos de comer quando alcançamos nosso alvo protéico

Eu desafio você a fazer um diário alimentar, isto é, um registro do que você habitualmente come durante um dia e a levar tal diário ao profissional de saúde

Ao invés de ele te prescrever uma dieta que tal perguntar a ele quanto de proteína você está habitualmente ingerindo por dia?

Eu me arrisco a dizer que a sua ingesta diária de proteínas não ultrapassa 1,5 g/Kg/dia o que está totalmente dentro da faixa segura

Quando ingerimos proteínas elas são metabolizadas pelo nosso corpo e, após a devida nutrição, geram resíduos sendo os mais conhecidos a uréia e a creatinina que são filtrados pelos rins e eliminados na urina

Então muito se discute sobre o estresse que as proteínas poderiam causar aos rins

Afinal, você poderia raciocinar que quanto menor a quantidade de proteínas ingeridas, menor a quantidade de resíduos gerados e menor o trabalho dos rins para eliminá-los

Ou seria isso uma falácia lógica? É preciso reconhecer que, ao reduzir as proteínas, a aritmética dietética exige que você coma mais dos outros macronutrientes, como os carboidratos e gorduras, para manter a sua meta diária de calorias estável

E consumir mais carboidratos e gorduras vão te engordar e te trazer os malefícios da obesidade

Sebastião, existem estudos randomizados com pessoas, iguais a você, com doença renal nas quais foram testadas a restrição protéica, isto é, consumo de proteína <0,8 g/Kg/dia mas acima de 0,6

O balanço das evidências sugere sim um  benefício

Mas um benefício comprovado pode variar em relevância pois seria simplório afirmar que a restrição protéica é comprovadamente benéfica e que devemos implementá-la É preciso saber o grau de relevância do benefício para tomar a decisão acertada ponderando os riscos da restrição protéica

Sendo assim, vamos analisar o NNT desses estudos

NNT?

NNT significa número de pacientes necessário para tratar a fim de salvar 01 paciente de um determinado desfecho por um determinado tempo

Por ex: tratamento é a restrição protéica e o desfecho é morte renal que pode ser a necessidade de diálise ou a morte propriamente dita

O ideal é um NNT de 1, que significa que todo paciente tratado com  restrição protéica é salvo da morte renal

Mas o balanço das evidências aponta para um NNT por volta de 25

Ou seja, é necessário tratar 25 pacientes com restrição protéica para salvar 01 paciente da morte renal em 01 ano

Já os outros 24 pacientes terão os seguintes destinos:

Não serão salvos da morte renal apesar de ter restringido proteína;

Não serão salvos da morte renal porque não iriam mesmo;

Ou então serão salvos da morte renal por outros motivos

Portanto, Sebastião, o NNT nos fornece a noção de que um tratamento implementado não te garante salvação É impossível prever quem vai se beneficiar

O que fazemos é tratar um grande número de pacientes, na esperança de que alguns se beneficiem

Como você percebe a relevância do benefício, Sebastião?

Dra, retardar o início da diálise em pelo menos 01 mês que seja é importante para mim!

Eu quero experimentar a restrição protéica!

Ok!

Mas você terá de fazer acompanhamentos periódicos de modo que você seja cuidadosamente monitorado e não seja uma vítima da desnutrição, ok?

Voltando à pergunta do início do vídeo: proteína não faz mal pros rins e não causa doença renal

Mas restringir proteínas em quem já  tem doença renal tem benefício

Mas não significa que restringir proteínas vai prevenir morte renal em todos os pacientes e nem que não restringir proteínas vai provocar morte em todos, ok?

O NNT não é igual a 1!

Condutas em saúde não fazem milagres e os profissionais devem tomar decisões baseadas em probabilidades

Radicalizar diz mais sobre a nossa impotência ou frustração e necessidade de impor sobre as outras pessoas para nos sentir poderosos

Sejamos facilitadores para tornar a vida humana melhor

Tamanho único não serve para todos! É preciso individualizar e considerar os valores e preferências do paciente

Agora que você desmistificou a relação  negativa entre proteína e rins, curta o vídeo!

E faça com que a informação em saúde alcance mais pessoas e compartilhe o vídeo!

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Tenha uma boa semana!