"LAXANTE DA NATUREZA" para prevenir doenças e ter um intestino saudável! #InstanteBiotec 79
Por volta dos anos 60, Denis Burkitt, que era um cirurgião irlandês, estava trabalhando na Uganda e ficou intrigado com as diferenças no padrão de doenças que ele via ali em comparação com as comunidades ocidentais.
Ele observou que os africanos rurais tinham muito menos doenças, como o câncer de cólon, além de produzirem várias vezes mais fezes do que os ocidentais e que elas eram mais facilmente produzidas com o mínimo de desconforto.
Ele sabia que, na África rural, a comida era ingerida em forma não processada ou levemente moída e imaginou que o maior teor de fibra desses alimentos poderia explicar por que raramente via essas doenças por lá.
Então, Burkitt, que não se considerava cientista, pesquisou os movimentos intestinais, o tamanho das fezes e as dietas de vários grupos em vários países africanos e na Grã-Bretanha.
A partir de seus estudos, ele afirmou: “Na África, quase nunca vi casos de muitas das doenças mais comuns nos Estados Unidos e na Inglaterra - incluindo doença cardíaca coronária, diabetes, varizes, obesidade, diverticulite, apendicite, cálculos biliares, cáries dentárias, hemorróidas, hérnias de hiato e constipação.
As dietas ocidentais são tão baixas em massa e tão densas em calorias que nos nossos intestinos simplesmente não passam um volume suficiente para eles permanecerem saudáveis”.
Ele acreditava que esses distúrbios ocidentais tinham um único fator causal: a deficiência de fibra alimentar.
Mas ele não foi o único a observar esse padrão.
Em 1966, Thomas Cleave, que também era médico, publicou um trabalho apontando que muitas doenças da civilização moderna se deviam ao hábito de ingerir carboidratos em forma refinada, desprovidos de suas coberturas volumosas, que seriam as fibras.
Ele enfatizava os perigos dos produtos refinados, principalmente do açúcar e da farinha branca.
Burkitt ficou sabendo desse trabalho de Cleave e viu a lógica da hipótese dele, mas a modificou.
Ele acabou olhando para as virtudes da matéria removida na produção de alimentos refinados, as fibras.
Burkitt enfatizava o valor protetor da fibra como “laxante da natureza”, em vez dos perigos dos alimentos refinados, como fazia Cleave, e essa abordagem positiva teve um grande apelo.
Esses benefícios da fibra alimentar, que eram uma abordagem simplista para uma ampla variedade de doenças, foram prontamente aceitos pela comunidade médica na época.
E com o livro “The Fibre Man” de 1985 ele ficou conhecido como o homem que forçou o mundo a levar a fibra alimentar a sério.
Mas, quão válidas são essas observações e crenças deste médico hoje?
Afinal, para que precisamos comer fibras?
Fibras se referem a um grupo de substâncias presentes nas plantas que os humanos não conseguem digerir completamente.
Hoje sabemos que algumas fibras podem ser fermentadas no intestino grosso por bactérias e produzir, além de gases, moléculas bioativas como ácidos graxos de cadeia curta.
As fibras alimentares são derivadas das paredes celulares das plantas e podem ser divididas em solúveis e insolúveis: As fibras solúveis, como as pectinas e algumas hemiceluloses, pode ser dissolvidas em água e não são digeridas no intestino delgado, elas vão ser fermentadas pela microbiota presente no intestino grosso.
As fibras insolúveis, como a lignina, a celulose e algumas hemiceluloses, tem uma fermentação bem limitada pela microbiota bem limitada e elas vão ajudar na formação do bolo fecal.
Mas e daí, o que elas fazem no nosso corpo?
Será que Burkitt estava certo e a deficiência de fibra alimentar é a causa de tantas doenças?
O FDA afirma que, juntamente com a redução no consumo de gorduras, uma dieta com rica em fibras de frutas, vegetais e grãos pode reduzir o risco do desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
Mas o mecanismo de como isso acontece ainda não é muito claro.
Pode ser que os ácidos graxos produzidos no intestino tenham alguma propriedade anticancerígenas.
Outra possibilidade é que, como as fibras aumentam o volume fecal existirá um menor contato entre as substâncias cancerígenas e as células do nosso intestino.
Além disso, quando consumimos alimentos ricos em fibras também consumimos muitos nutrientes e antioxidantes presentes nesses alimentos e que podem ter um papel na prevenção do câncer.
Já em relação ao risco de doenças cardíacas, foi verificado que para cada 10 g de fibras na dieta têm-se uma diminuição no risco de mortalidade por essas doenças em 17 a 35%.
Entre esses riscos estão a hipercolesterolemia, a hipertensão, a obesidade e o diabetes tipo 2.
Isso significa que as fibras atuam no controle desses riscos resultando na prevenção de doenças cardíacas.
Por exemplo, a produção lá dos ácidos graxos de cadeia curta também inibe a síntese de colesterol, e as fibras já demostraram ser capazes de reduzir o risco de diabetes tipo 2 por meio do controle glicêmico, além de auxiliar na redução e manutenção do peso corporal.
Mas, voltando à história do Burkitt.
Grande parte da pesquisa depois dele mostrou que os mecanismos de ação originalmente propostos eram ingênuos.
Como vimos, os elos são muito mais complexos do que a hipótese simplista dele.
As fibras não são uma panacéia para todos os males, mas a forte defesa da hipótese da fibra e o seu grande prestígio, levaram os cientistas e nutricionistas a pensarem de uma nova maneira.
Então, como é que você pode mudar os seus hábitos alimentares?
As fibras, juntamente com o consumo de água, ajudam no bom funcionamento do trato digestivo, a indicação para as mulheres é de um consumo de 21 a 25 g de fibras por dia, e para os homens, entre 30 e 38 g.
Muitos alimentos ricos em fibras já estão presentes na nossa dieta, entre eles: pêras e maçãs com casca, abacate, banana, brócolis, milho, aveia, lentilha, feijão entre outros.
Mas, principalmente para as frutas, dê preferência para cansumir a fruta inteira ao invés do suco da fruta.
Quando fazemos um suco, nós passamos a fruta pelo processador e coamos, e nisso temos uma grande perda das fibras.
E como o suco tem menos fibras, a absorção desse açúcar natural da fruta será muito mais rápida do que se estivéssemos comendo a fruta inteira.
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Até a próxima!
