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The Immune System and COVID-19 Treatment

"O Sistema Imunitário e o Tratamento do COVID-19" Traduzido por João Madureira

Apesar de haver mais de 400 ensaios clínicos de tratamento em curso, neste momento, não há nenhuma terapia comprovada específica para o COVID-19.

E não devemos esperar que uma vacina ou um fármaco antiviral eficaz esteja disponível em breve.

No entanto, estamos a desenvolver vacinas para o COVID-19 a velocidade "pandémica".

Apenas para referência, a vacina típica leva mais de uma década a se desenvolver, com uma taxa de falhanço média de 94%.

Muitos pediram o meu conselho sobre o que podem comer para ajudar a melhorar o seu sistema imunitário.

"Como Não Morrer de Infeções" é, afinal, o título do capítulo 5 do meu livro "Comer Para Não Morrer", e eu tenho mais de uma centena de vídeos gratuitos no NutritionFacts.org sobre a função imunitária.

E há estudos espantosos, como ensaios randomizados "duplo-cegos", que mostram, por exemplo, que comer brotos de brócolos pode reduzir a carga viral de influenza, diminuir a inflamação induzida pelo vírus, e optimizar a atividade antiviral das células "exterminadoras naturais" (NK).

Apenas por comer alguns rebentos de brócolos!

Mas isto não é a gripe.

Eu certamente apoio conselhos gerais, de senso comum, para sermos saudáveis durante a crise, emitidos por autoridades confiáveis como o Colégio Americano de Medicina de Estilo de Vida.

Isto inclui dormir o suficiente - 7 a 9 horas -, manter a actividade, reduzir o stress, manter a ligação - embora remota - com amigos e família, e comer de forma saudável, com uma alimentação baseada em vegetais pouco processados.

A Organização Mundial de Saúde concorda: fruta; vegetais; leguminosas como feijões, ervilhas, grão-de-bico, e lentilhas; oleaginosas, cereais integrais, diminuir o consumo de açúcares, carne, lácteos, e lixo, e diminuir o sal.

"Um Estado Nutricional Óptimo para um Sistema Imune a Funcionar Bem É Um Importante Factor para Proteger Contra Infecções Virais."

No entanto, devemos resistir ao impulso de nos juntarmos à carroça da banha de cobra de supostos alimentos que melhoram o sistema imunitário, dada a nossa quase total ignorância dos aspectos imunológicos desta nova doença, porque melhorar partes específicas do sistema imunitário poderia hipoteticamente ainda tornar as coisas piores.

Deixem-me explicar.

Considere o exemplo deste casal, ambos com a mesma idade, admitidos ao hospital no mesmo dia pela mesma infeção COVID-19, febre, falta de ar.

Tragicamente a mulher era imunocomprometida, porque estava em quimioterapia devido a câncer da mama, nessa altura.

Ui!

Por outro lado, o marido tinha um sistema imunitário intacto.

No entanto, a mulher reagiu bem, saindo do hospital em menos de uma semana, enquanto o marido acabou nos cuidados intensivos.

Espere, a paciente imunocomprometida reagiu melhor?

Como é isso possível?

Porque, ao contrário de outros vírus comuns, não foi demonstrado que os coronavírus causem doença mais severa em pacientes imunocomprometidos.

Porquê?

Porque a nossa própria resposta imune parece ser a responsável principal dos danos ao tecido pulmonar durante a infecção.

A partir da segunda semana dos sintomas, o vírus pode desencadear o que se chama uma tempestade de citocinas. É uma reação autoimune em que o corpo exagera e ao atacar o coronavírus destrói os pulmões.

Na primeira semana da doença é o próprio vírus que desencadeia a maior parte dos sintomas, mas nos casos mais severos, é a nossa própria resposta inflamatória que passa a dominar e causa a maior parte dos danos. É notável que muitas das nossas vias de sinalização da imunidade inata, essas citocinas, mensageiros químicos libertados pelas nossas células imunitárias, têm como objectivo matar as nossas próprias células.

Mas isso faz todo o sentido.

O vírus transforma as nossas células em pequenas fábricas de vírus, portanto uma parte do nosso sistema de defesa antiviral é matar as nossas próprias células para cortar o caminho à replicação viral.

Os vírus não se replicam em células mortas, por isso o suícidio de células é o mesmo que criar zonas sem vegetação na floresta, mas ao queimar a aldeia para a salvar, poderemos não sobreviver a esse processo.

Isto levou alguns a considerar a imuno-supressão como tratamento para COVID-19 grave, mas claro a imuno-supressão para tratar a hiper-inflamação no COVID-19 pode ser uma lâmina de dois gumes.

Portanto quando lemos que os brotos de brócolos ativam as células imunes NK, isso é uma coisa boa ou má para algo como COVID-19?

Era bom para a gripe sazonal, mas para este coronavírus ninguém sabe.

As crianças pequenas têm sistemas imunes relativamente imaturos e normalmente sofrem muito de infecções virais como a gripe, mas não, aparentemente, de COVID-19, ou SARS, ou MERS - os outros dois coronavírus mortais. É interessante, que uma teoria sobre a razão de as crianças parecerem protegidas sugere que uma maior exposição pré-existente a coronavírus do resfriado comum oferece aos miúdos alguma proteção cruzada contra o novo vírus.

Mas ironicamente, uma outra teoria sugere que é a falta de exposição a vírus semelhantes que os está a proteger.

Há um fenómeno conhecido como ADE, infeção facilitada por anticorpos, um fenómeno descrito primeiro há mais de 50 anos.

Na maior parte dos casos, os anticorpos que produzimos para atingir patógenos neutralizam-nos, ou, no mínimo, marcam os invasores para serem removidos.

No entanto, às vezes, os anticorpos podem na realidade facilitar a infeção viral a exacerbar a doença.

Isso poderá ser o caso da SARS, em que os anticorpos gerados contra as proteínas dos espinhos virais foram por vezes observados a promover a infeção.

Nos macacos, uma vacina experimental para SARS resultou em danos agravados aos pulmões.

Os criadores de novas vacinas estão bem cientes deste fenómeno e trabalham para garantir que qualquer vacina comercial esteja livre deste problema, mas tem sido usado para propor uma explicação para a incomum distribuição de idades nos casos severos de COVID-19.

Talvez coronavírus semelhantes tenham circulado sem serem notados há décadas atrás, e as pessoas velhas o suficiente para terem estado expostas a eles estão agora a experimentar respostas exageradas ao COVID-19.

Os mais novos nunca os sentiram e não têm a mesma reação exacerbada.

Não estou a sugerir que esta especulação seja verdadeira.

Apenas a uso para ilustrar a complexidade das nossas interações imunitárias.

Os vírus atacam, nós contra-atacamos, e depois os vírus por vezes evoluem para usar o nosso próprio contra-ataque - em seu favor. É apenas uma palavra de prudência antes de tentar aumentar especifícamente algum elemento do nosso sistema imunitário antes de compreender o alcance da nova ameaça.

Dadas as incertezas, a melhor estratégias é... não ficar infectado em primeiro lugar, especialmente não antes de tratamentos eficazes e um sistema de saúde a funcionar estarem disponíveis.