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A FEIRA DO BAIRRO | RE CONHE-SER

A nossa aventura pela amazônia e sua cultura está cada vez mais fascinante entre rios e florestas, estradas e ramais; Entre os estados de Roraima, Pará e Amazonas, voltamos a Metrópole.

Estamos em Manaus nosso ponto de partida, para mostrar pra vocês uma cultura milenar, que aqui em nossa cidade possui seu diferencial.

Comidas, bebidas, frutas, legumes e verduras;

Peixe, carne bovina, carne suína, pastel quentinho. -Você sabe do que estou falando?

E é isso mesmo que você pensou. Estamos numa feira, e numa das mais tradicionais de Manaus, a feira da Aparecida.

Vamos recapitular um pouco: não há consenso sobre o surgimento das feiras, mas estima se que elas existem desde 500 anos antes de Cristo.

Os escritos históricos de forma mais parecida como é hoje, surgiu na Idade Média.

Pois bem, parecido como é hoje, as feiras de antigamente tomaram o lugar dos antigos Burgos, que eram os locais para venda e troca de produtos.

- E porque a gente veio numa feira hoje?

Bem, segundo o IPEA, com o surgimento dos shoppings e supermercados, as tradicionais feiras das cidades foram perdendo espaço. Daí a nossa ideia de vim RE CONHE-SER essa morada tão importante para a difusão cultural dos povos.

Dona Lazinha, quanto tempo faz que a senhora trabalha aqui na feira da Aparecida?

- Olha, faz uns 40 anos.

E a senhora imagina, a senhora trabalhando em outra coisa que não fosse aqui?

Como seria sua vida se a senhora não trabalhasse aqui na feira?

Era muito ruim se não tivesse essa feira, mas eu agradeço a Deus que nos deu essa oportunidade pra nós. Eu só tenho a agradecer.

Todos os meus fregueses que vem aqui me adoram, as minhas amigas, meus amigos,

Que vem aqui comigo, sirvo muito bem, sou conhecida parece bolacha.

Toda terça eu venho pra igreja, e eu gosto de comprar o peixe daqui eles limpam direitinho, tiram as espinhas pra mim e o peixe é saudável.

Aí eu compro umas verdurinhas, umas frutinhas né, pra levar pra casa, aí as outras coisas eu compro no supermercado, o arroz, o feijão, o açucar né.

Mas eu gosto muito daqui, sempre gostei daqui. E eu vejo muita gente aqui toda terça feira.

Eu procuro levar verduras, tem verduras, tem frutas, tem a farinha, a farinha é de boa qualidade, a goma é de boa qualidade, tô vendo a manga alí, o abacate, eu acho as coisas aqui de boa qualidade da feira da Aparecida.

Nesse mundo agora de de feira com supermercado, nesta competição o senhor acha que as feiras estão perdendo um pouco do espaço para os supermercados?

O que o senhor avalia do movimento, na venda de peixe aqui na feira da Aparecida?

- Caiu muito, nós estamos perdendo espaço para o supermercado sim, porque lá eles dão prazo dão prazo, mas a qualidade do nosso peixe é superior a do supermercado.

O peixe do supermercado é mais peixe congelado, o nosso peixe aqui todo dia a gente compra, e todo dia nós vendemos. É peixe fresquinho, do supermercado é peixe que passa por três, quatro dias congelado aí volta na exposição. Nosso peixe tem mais qualidade que o do supermercado, é mais diferente, mas nós estamos perdendo espaço. Porque antigamente supermercado não vendia peixe, só vendia carne, agora tá vendendo tudo né?! Aí está acabando com a classe trabalhadora né, porque estão destampando uma peneira e estão tampando outra, que é o nosso né?!

E com essas planta aqui vive uma família, a gente não tem outro trabalho, nosso trabalho é esse aqui. E nós ganha disso daqui.

Tem dias que nós vende mais, tem dias que nós vende menos. Hoje é um dia que a gente tá vendendo menos né, mas é daqui que a gente vive. É daqui que a gente tira o nosso sustento.

A gasolina para trazer as plantas, né.

E comprar as coisas que preciso pra dar manutenção nas plantas e pra nós mesmos né? É assim né.

E nós plantamos em casa né, plantamos no sítio né, lá nós tem um canto aonde nós plantamos.

Em RE CONHE-SER a nossa morada, a vida em nossa volta, a história por trás dos costumes, aprendemos mais sobre nós, gostamos mais de nós mesmos. E a vida é assim, como uma feira, cheia de curvas, cores e histórias pra contar. Até a próxima!