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AUTOESTIMA: O QUE É? ONDE VIVE? COMO TER? QUANTO CUSTA? • Karol Pinheiro

[vinheta]

[juntas] YAAAY! [Karol] Uhul! Vídeo novo no ar.

Estamos aqui, cada uma em seu fundo cinza de sua casa.

[Maqui] Nossa, a gente é muito PB, né? [Karol] A gente é muito!

[Karol] A gente é muito não cores. Só que não, né?

[Karol] Olha essa maquiagem. [Maqui] E a sua?

[Maqui] Super não cores! [Karol rindo] Também.

[Karol] Esse aqui vai ser um primeiro Vamos Falar Sobre em dupla.

E eu acho que o assunto merecia que Maqui estivesse aqui.

Pra gente poder conversar, de fato, eu e ela.

Sei lá, vocês aí ouvirem e depois a gente conversa pelos comentários, enfim.

A gente já queria fazer algo sobre esse tema.

Mas esse vídeo foi desencadeado por uma mensagem que a Maqui recebeu de uma leitora chamada Giovana. Muito obrigada, Giovana!

[Karol] Quer agradecer, Maqui, a Giovana? [Maqui] Obrigada, Giovana.

[Maqui] O seu agradecimento é o meu agradecimento.

[Karol ri]

[Karol] E a Giovana mandou uma mensagem pra Maqui pedindo um vídeo sobre autoestima.

Eu acho que esse é um assunto que permeia nossa vida sempre.

E que provavelmente vai permear pra sempre.

Porque... puts, tem muito a ver com o nosso dia a dia mesmo. É muito louco, mas quando a gente se veste, quando a gente come, quando a gente se maquia.

Quando a gente entra nas redes sociais, quando a gente fala com uma amiga.

Quando a gente tá com o namorado, quando a gente tá com a namorada, enfim.

Tudo isso vem junto com a autoestima.

E até quando a gente se olha no espelho, quando a gente tá sozinha com a gente mesma.

Né? Enfim. Quando a gente teve a ideia de fazer o vídeo...

Quer dizer, Giovana teve a ideia, Maqui mandou mensagem, eu falei: "Vamos gravar".

Eu pedi pra Maqui vir, porque tem uma coisa que a Maqui falou...

Eu já contei isso pra ela, inclusive. Né, Maqui?

Uma vez, em algum conteúdo que a Maqui fez, que eu não sei se foi aqui pro canal ou se foi pros stories dela, não sei.

Ela disse... dentre outras coisas que ela tava dizendo.

[Maqui] Dentre outras pérolas, né? Dentre outras pérolas.

[Karol] É, de outros ensinamentos. Ela disse que a nossa autoestima tá aqui.

E aquilo é muito louco, porque cara, eu converso com a Maqui todo dia, o tempo inteiro.

Mas é muito louco como algumas frases, algumas coisas que as pessoas...

Mesmo as pessoas que a gente fala sempre, nos dizem, mudam nossas chaves, assim.

E essa frase da Maqui mudou uma chave minha.

A nossa autoestima tá aqui!

[Maqui] O nome já diz, né? Autoestima. É a estima que você tem por você mesmo, né? É o que você pensa sobre você.

[Karol] E assim, eu acho que é muito óbvio pensar que a Maqui tá aqui porque ela é gorda.

Né, Maqui? Você não acha que claramente isso vem na mente? Assim, ai...

[Maqui] É porque você espera que uma pessoa gorda não tenha autoestima, né?

[Karol] Não tenha. Mas não é real!

De verdade...

Claro que você tá aqui porque esse aqui é seu canal também.

Mas mesmo se não fosse, eu não acho que...

O porquê é esse, sabe?

Eu acho que de um jeito muito sublime, essa mulher aqui me ensina muito sobre autoestima.

[Maqui] Também tem um lance que é: a gente associa, de primeira, a autoestima com o corpo só, com o físico. Mas não é!

Meu, autoestima emocional, autoestima da sua inteligência... É isso, autoestima é um conjunto de coisas que você pensa sobre você mesma.

E não tem só a ver com o corpo.

Então não tem a ver só com gordo, magro, alto, baixo, padrão, não padrão...

Não tem nada a ver com isso, assim. É uma coisa que é além disso, né?

[Karol] E por que você acha que a gente associa, automaticamente, com o corpo?

Eu associo automaticamente com o corpo.

[Maqui] Porque eu acho que o corpo é a casca, né?

Então é a coisa que você vê primeiro, é a coisa que as pessoas veem primeiro de você, né? É a sua imagem. A sua imagem transmite coisas, né?

[Karol] Eu tô lembrando de um acontecimento na minha vida em que isso ficou muito, muito...

Essa coisa que a gente tá falando sobre a casca, muito evidente pra mim.

Eu fiz, uma vez, há muitos anos... Esse canal não existia.

Mas eu fiz um "job". Eu já era... Eu já trabalhava na Capricho.

Então eu já era jornalista.

A minha autoestima tá muito ligada ao meu poder de me comunicar.

[Karol] Que pra mim é um poder. [Maqui] Sim.

[Karol] Então, eu acho... eu me coloco muito bem nesse lugar, né?

Eu me sin... eu tenho uma autoestima sobre isso.

E uma vez, eu fiz um trabalho, que na verdade foi um quebra-galho pra uma amiga.

[Karol] Eu participei de um desfile, Maqui. [Maqui] Eu sei, eu lembro.

[Karol] E foi a primeira vez que eu fiz alguma coisa em que eu não falasse.

Tipo assim, eu não podia me expressar através da fala.

Apenas através da minha casca.

E assim, cara, até que eu tenho uma autoestima boa.

Eu me acho gata, juro!

Mas naquele momento, as pessoas que estavam lá não me conheciam.

Elas só estavam vendo a minha casca.

Eu nunca odiei tanto fazer uma coisa em toda a minha vida.

Tanto que não importa o que aconteça, vocês nunca vão me ver desfilar de novo.

[Maqui] Mas você acha que nem agora que as pessoas já conhecem você?

Você já comunicou o que você tinha que comunicar.

[Karol] Não, porque eu fiquei traumatizada, não.

Eu odiei!

[Maqui] Não, a gente vai ter que arranjar isso aí então. São Paulo Fashion Week...

[Karol] Ah, eu desfilei aqui em casa, né? Pra aquele vídeo. Mas eu falava.

[Maqui] Sim. [Karol] Eu falava!

[Maqui] Eu acho que nesse seu desfile, que você traumatizou...

Você não tinha uma voz para o público, né?

[Karol] Não, eu era uma pessoa X, é. [Maqui] É, você era uma modelo, né?

[Karol] Pode ser. Mas é que aí, Maqui, se eu puder imprimir a minha personalidade eu fazer uma graça, eu vou fazer uma piada.

Eu vou, tipo, fazer um... entendeu? E naquele desfile, eu era só uma casca!

[Maqui] Um cabide. [Karol] Nossa, foi muito ruim pra mim.

[Maqui] Deve ser difícil ser modelo, pensando nessa perspectiva, né? É porque, na verdade...

[Karol] Ninguém sabe nada sobre você, só tá te avaliando pelo...

[Maqui] Mas pode ser a graça também, deve ter gente que gosta disso. É que eu acho que é isso, a autoestima é um conjunto de coisas.

Então pra você, ela tá muito focada na comunicação nas palavras, na inteligência, né?

Pra outras pessoas, ela pode estar totalmente focada no corpo.

E aí, se a pessoa tá lá com um corpo que ela julga maravilhoso, pra ela tá de boa.

Então...

[Karol] Como tá a sua autoestima hoje, Maqui?

[Maqui] Cara, a minha autoestima... eu acho que eu sou insuportável, assim.

[Karol ri]

[Karol] Porque ela tá sempre bombando. [Maqui] Ela tá sempre, ó...

[Maqui] Energia lá no alto. [Karol] Mas, Maqui, me conta uma coisa.

[Karol] Falando de todo esse conjunto, imagem, inteligência, comunicação, tudo?

[Maqui] Eu acho que sim. Porque é justamente isso.

Ela não... a minha autoestima não depende de uma coisa só, entendeu?

Então tipo, ah, pode ser um dia que eu vou acordar e vou olhar no espelho e falar: "Caralho, hoje eu tô feia. Puta merda!"

Mas dane-se! Porque o resto tá de boa.

Ou um dia que eu vou acordar e, sei lá. "Puts, hoje eu tô meio triste" ou sei lá.

Não consegui fazer um bagulho que eu queria fazer direito.

Não fui capaz de fazer um negócio direito.

Mas aí você olha no espelho e fala: "Pô, mas eu tô gata".

Tipo, é um equilíbrio, eu acho, sabe?

[Karol] Entendi! Tem alguma coisa que abala a sua autoestima?

Não é possível, Maqui. Que isso? Você é a mulher de ferro?

Que isso? Não! Não tem nada que abale a sua autoestima?

Se você fala alguma coisa errada em público, se aparece uma espinha.

Se uma roupa não fica boa. Sei lá, qualquer coisa!

[Maqui] Não, a espinha, definitivamente não. A roupa, definitivamente não.

Eu acho que se... ó, eu vou falar.

Eu vou fazer um trabalho, você sabe qual é, pela primeira vez num estúdio em que eu vou ter que falar com roteiro e tudo mais. É uma coisa que eu nunca fiz. Eu não tenho medo!

Eu não tenho medo, mas se eu mandar mal, vai ser uma coisa que eu vou...

[Karol] Sua autoestima vai ficar abalada. [Maqui] É, vai ficar um pouco abalada.

[Maqui] Porque eu vou falar: "Puts, eu achei que eu sabia fazer isso".

E às vezes... tipo, e tudo bem, né? Você não saber.

[Karol] Claro, óbvio! [Maqui] Tem isso também.

[Karol] Você não tem que saber tudo, né?

[Maqui] É, eu acho que autoestima tá muito ligada com a auto cobrança, né?

[Karol] Claro, óbvio. [Maqui] Com você não se perdoar.

[Karol] Exatamente. Eu preciso me colocar aqui nessa questão.

E falar um pouco sobre o meu momento, né?

Porque eu tô vivendo um momento relativamente delicado de autoestima.

Eu tô puerpério, eu tive um bebê faz um mês.

As minhas mudanças, tanto físicas quanto emocionais, são maiores do que nunca antes.

Nunca! Eu nunca mudei tanto fisicamente e emocionalmente em toda a minha vida.

E a minha vida também nunca mudou tanto!

Mesmo quando eu saí da casa dos meus pais, quando eu comecei a trabalhar.

Quando eu virei adolescente. Juro, nada se compara a virar mãe.

Nada! Pelo menos pra mim, né? Óbvio.

Você sabe, Maqui, que eu tô com a autoestima muito boa?

O que é muito louco, porque o puerpério geralmente é um...

Um momento delicado nesse sentido, né?

Seu corpo virou outro. Enfim, tem várias mudanças.

Eu não sei, Maqui. Eu acho que...

[Maqui] Mas não vem de você sentir o poder, assim?

[Maqui] De tipo: "Eu gerei essa vida e..." [Karol] Eu ia dizer isso!

[Karol] Acho que vem um pouco... do poder.

Mas eu acho que vem de uma coisa muito grandiosa.

Que é perceber... e eu tô falando agora da casca, um pouco.

Mas perceber do que meu corpo é capaz.

[Maqui] Ah, sim. Definitivamente. [Karol] Porque assim, até então...

[Karol] Meu corpo era capaz do quê? Andar, se mover, pegar coisas.

Tipo, tá. Coisas muito fodas.

Mas que... eu sei que tem gente que tem limitações dessas coisas que são básicas, né?

Mas que são básicas!

Eu nunca tinha feito algo que não era o básico do meu corpo.

Tipo, eu não sou fisiculturista. Tá ligado?

Eu nunca tinha feito algo que extrapolasse o básico.

Tipo, carregar um peso... Sei lá eu, qualquer coisa.

E agora eu fiz, cara.

E perceber do que meu corpo é capaz é muito grandioso.

Tipo, mano, meu corpo é incrível, sabe?

[Karol] É a Rihanna? [Maqui] É claro, né?

[Maqui] Sim, total. É, eu vi você falando nos stories.

E é muito louco, né? Porque quanto mais a gente percebe que ao mesmo tempo que o corpo é incrível, mas ele é só um corpo, né?

Que, tipo, ele não...

Ele tá aí, ele te sustenta, ele te trouxe até aqui, né?

Ele é o que faz, o que torna possível a gente viver, né?

Mas...

[Karol] A gente mora dentro dele, na real. [Maqui] A gente mora dentro dele.

[Maqui] O funcionamento dele é muito incrível.

Sei lá, se você pensar no cérebro... É um bagulho louco, né?

Aquelas coisas que a gente fala. E é louco. Agora, o corpo...

A pele, o... é só o...

[Karol] Eu não consigo descrever... [Maqui] É só uma casca, entendeu?

[Karol] Mas hoje em dia, eu não consigo descrever mais o corpo "é só..."

[Maqui] Não, mas... [Karol] Pra mim, é tudo!

[Maqui] Não, mas eu tô falando da estética dele, entendeu?

[Karol] Aaah! A estética dele... Maqui, então, Maqui.

O que a gente tá falando aqui é muito louco.

Porque vai contra absolutamente tudo que eu ouvi a vida inteira.

[Maqui] Vai contra tudo que a gente ouviu a vida inteira.

O que todo mundo ouviu a vida inteira.

[Karol] É, que eu... exatamente! [Maqui] Principalmente as mulheres.

[Karol] Tipo assim, Maqui, juro pra você.

Eu não tenho estria de grávida na barriga, mas eu tenho um pouco na perna.

E eu olho e penso: "Caramba, eu sou muito foda".

Juro!

[Maqui] Eu tenho estria em todo lugar, mano.

[Karol] Não, eu também, mas tô falando da gravidez, entendeu?

[Maqui] Bom, a estria, mano... a sua pele é capaz de esticar e depois... né, tipo, voltar. É um bagulho muito louco!

Outro dia, uma menina me escreveu perguntando: "Ai, como é que faz pra comprar autoestima?"

"Onde que compra autoestima? Que eu preciso comprar".

E eu respondi que se vendesse, né?

Se fosse possível vender autoestima, já teria alguém milionário vendendo.

Ao mesmo tempo, que teria um lobby muito foda contra a autoestima.

Porque é muito interessante que a gente não tenha autoestima pra várias indústrias...

[Karol] Óbvio!

[Maqui] Pro patriarcado em geral, é interessante que a mulher não tenha autoestima.

[Maqui] Porque aí ela vai... [Karol] Se a gente começar...

[Karol] Se a gente começar a falar sobre isso, a gente vai entrar num outro tema que é...

Assim... gigantesco!

Que é o quanto, pra indústria, é importante que a gente seja insegura.

[Maqui] Exatamente.

[Karol] Pra pagar plástica, pra pagar um monte de coisa no rosto.

Dieta e mil coisas, e remédios... hã?

[Maqui] Coach. [Karol] Puta merda!

[Maqui] É, é isso.

[Karol] E aí, tem um lance também, agora falando sobre corpo um pouco.

Que é o quanto as pessoas justificam o gordo não poder ter autoestima com "é falta de saúde", né?

[Maqui] É papo!

[Maqui] O gordo não pode ter autoestima... [Karol] Eu sei!

[Maqui] Não, mas foda-se. Quando se fala do gordo e saúde...

Ninguém nem menciona autoestima, ninguém nem menciona.

A preocupação das pessoas não é com a sua autoestima.

[Maqui] Por isso que... eu! [Karol] Óbvio.

[Maqui] É claro que você se rodear de pessoas que te botam pra cima, né?

Não te botam pra baixo. E aí, puts, a gente poderia falar sobre criação. É óbvio que uma pessoa que foi criada sendo encorajada, né?

E estimulada à autoestima, é muito mais fácil que ela desenvolva isso depois de adulta.

Não quer dizer que se você não foi criada dessa forma, você não possa desenvolver, mas enfim...

Mas ninguém tá no mundo pra melhorar a sua autoestima.

[Maqui] Só você, né? [Karol] É...

[Karol] Você pode cruzar, no caminho, com pessoas que vão fazer isso.

[Karol] Porque elas são incríveis, mas de fato. [Maqui] Exatamente, mas não é o trabalho delas.

[Maqui] Então quando falam: "Ah, o gordo e a saúde"...

Ninguém tá preocupado nem com a saúde do gordo, isso é óbvio.

Nem com a autoestima. Essa palavra nem é usada. É só um lance assim: "Eu olho pra você, e você é...

De acordo com os padrões que eu conheço, você é nojento.

Você não deveria se achar bonito, porque você não é bonito!"

[Karol] E se a gente começa a falar de uma pessoa que não necessariamente entra no padrão gordo, mas que é fora do padrão, entendeu?

[Maqui] O que é que tem? [Karol] Acontece a mesma coisa.

[Maqui] Sim, acontece com todo mundo que não está dentro do padrão.

Mas acontece com quem está dentro do padrão também.

[Karol] Puta merda.

[Maqui] Se a mulher é magra demais... né? Que é o padrão, meu Deus. Aí ela é magra demais.

[Karol] E ela também tá doente, sem saúde. [Maqui] Também tá doente, sem saúde.

[Maqui] Se ela engorda, ela engordou. Então assim, foda-se!

A grande questão é: fodam-se os padrões.

Se a gente viver almejando se encaixar em algum deles...

Físico, emocional, enfim. Todos os padrões, assim.

O padrão não existe, porque cada pessoa é única, sabe?

Mas principalmente nesse caso físico, estético, né?

Essa pressão que a gente sofre. Meu, é um jogo perdido. É um jogo perdido, você vai sair pra jogar e você já perdeu.

[Karol] E o quanto a gente acaba sendo cruel, né?

Eu falei isso nos stories outro dia. A gente é muito cruel com a gente mesma!

Meu Deus. E com a gente mesmo, porque homens também.

A gente é muito cruel com uma coisa que, mano, é incrível!

Que é nosso corpo, né? Tipo, é isso.

A minha pele esticou até aqui, e aí agora ela tá voltando.

E de repente, meu peito tá fazendo leite e alimentando um ser humano.

Tipo, a gente é muito cruel fazer dietas e... malucas!

Que não tem nada a ver com ser saudável, tô falando com coisas absurdas, sabe?

A gente é muito...

Mano, eu fico pensando na galera que, meu, faz várias, várias transformações no rosto, sabe?

[Maqui] Mas eu acho que... [Karol] É a maior crueldade!

[Karol] Porque isso dói. Isso machuca, né?

[Maqui] Sim, mas eu espero assim, né? Muita mulher que tá assistindo que talvez não tenha filho, não vai ter, que você perceba isso...

Não precisa ter o filho pra perceber isso, entendeu?

[Karol] Sim!

[Maqui] Porque é isso, é óbvio. Nosso corpo é capaz de muita coisa.

O programa lá que eu tô assistindo... você não começou a assistir ainda, né?

[Karol] Não, ainda não.

[Maqui] A Corrida Mais Difícil do Mundo, na Amazon.

Mano, as pessoas botam o corpo ali num limite que você pensa:

"Meu, não tem como!" Seu corpo... sabe?

Então é isso, o corpo, meu, ele pode ser levado pra mil coisas.

Mas o corpo que não faz nada também é legal, entendeu?

Tipo, o corpo que...

[Karol] Não, é que não fazer nada já é fazer muito, né?

[Maqui] Sim, exatamente. Mas tanto o corpo que faz leite, o corpo que escala montanha, o corpo que tá sentado no sofá.

Todos merecem ser amados, tá ligada?

[Karol] Sim, óbvio. Pra mim...

Eu nunca tive muuuuitas questões com o meu corpo.

Mas pra mim, a maternidade e viver essa fase pós gravidez, virou uma chave, entendeu?

[Maqui] Sim, é. Porque você percebeu o seu corpo diferente.

[Karol] Exatamente, por isso que eu tô usando como exemplo.

Mas eu acho que ninguém tem que passar por isso pra essa chave ser virada, sabe?

[Maqui] Sim, total.

Tudo que a gente faz, como a gente se comporta... É o que você tava falando antes, né, no começo.

Como a gente conversa, como a gente escreve.

Como a gente vai numa entrevista de emprego.

Como a gente... né? Tudo tem a ver com a autoestima.

[Maqui] Tudo tem a ver com a autoestima. [Karol] Como a gente é engraçado.

[Maqui] Como a gente é engraçado, exatamente.

Eu acho que uma coisa que abalaria minha autoestima é alguém falar que eu não sou engraçada, por exemplo.

[Karol ri]

[Maqui] Não sei se abalaria, mas tipo... [Karol] Nossa, Maqui!

[Maqui] Tem algumas coisas. Tipo, que eu dirijo mal.

Que eu não sou engraçada. Eu ia ficar mal, sabe?

Eu acho que autoestima tem muito a ver com desenvolvimento do ego também, né?

Enfim, e também tem um medo de a gente falar que se gosta, e se curte.

Né, que a gente ouvia muito na escola, por exemplo, lembra?

Quando você "se achava"... Você se achava.

Era uma coisa ruim, lembra? Isso também mina a autoestima das pessoas.

[Karol] "Tá se achando". Sim, tô! [Maqui] "Tá se achando", na verdade...

[Maqui] Exatamente. Sim, tô.

[Karol] Uma coisa que abala a minha autoestima, muito, muito muito!

Quando eu tô num ambiente em que tem mais pessoas.

[Maqui] Tá.

[Karol] Eu percebo que as pessoas estão falando de mim, sem ser pra mim.

Puts, isso daí me deixa, assim, na merda.

[Maqui] Mas por quê? [Karol] Na merda, na merda!

[Karol] Porque eu começo a imaginar o que essas pessoas estão falando.

[Maqui] O ruim, que elas estão falando mal. [Karol] Claro, elas sempre estão falando mal.

[Karol] Não, elas sempre estão falando mal. Tipo assim, e é muito louco.

Porque antigamente, eu lidava com isso de uma forma.

Que era ficar muito triste e guardar pra mim e tal.

E hoje em dia, isso me gera uma raiva tão grande que eu...

[Karol ri] [Maqui] O quê?

[Karol] Que eu coloco as pessoas numa situação tão merda quanto a que elas estão fazendo eu me sentir.

Tipo, uma vez eu tava num job que você não tava, Maqui.

Isso daí aconteceu.

E eu acho que principalmente em trabalho, é quando eu fico mais vulnerável, assim.

Porque eu sempre acho que as pessoas estão falando: "Ai, mas..." É porque talvez eu já tenha visto isso acontecer.

Não comigo, mas com outras pessoas. Tipo: "Ai, mas claro, né?"

"O figurino não vai caber nela, essa gorda, não sei o quê, nossa..."

Sabe assim? "Nossa, comeu muito no almoço, né, agora quer caber no figurino".

[Karol] Sabe umas coisas assim? [Maqui] Sim.

[Karol] E aí, agora... Eu tava num job.

E agora se eu sinto isso, eu falo: "Você tá falando de mim?"

"Vem aqui, fala pra mim que eu quero ouvir também".

[Maqui] Com esse tom? [Karol] Exatamente assim.

[risos]

[Karol] E aí, o ambiente de trabalho fica ótimo.

[Maqui] É uma mistura de invasão de privacidade com "chamou pra treta".

[Karol] Pior, pior! Eu já fiz assim, ó, num trabalho: "Vem cá, ela tá falando de mim?"

"Pede pra ela vir aqui falar pra mim que eu quero saber o que ela tá falando".

[Maqui] Mas as pessoas podem falar de você sem falar pra você.

Ninguém tem a obrigação de falar nada pra você.

[Karol] Mas você acha que elas podem... comigo presente, na minha cara?

[Maqui] Ué, e se ela estiver falando qualquer coisa?

[Karol] Pra mim, isso é falta de respeito. Pra mim, isso é falta de respeito!

[Karol] Não acho que elas podem. [Maqui] Não, pode ser um pouco de...

[Maqui] É que depende do que ela tá falando, pode ser um pouco de falta de educação.

[Maqui] Mas de respeito, eu não acho que é. [Karol] Ai, eu acho.

[Karol] Eu acho que é desrespeitar a pessoa que tá ali na sua frente.

[Maqui] Mas e se ela estiver falando alguma coisa... "a Karol tem que comer", sei lá.

"A Karol precisa almoçar tal hora". E se ela estiver falando uma coisa nada a ver?

[Karol] Mas aí, você não precisa chamar a sua amiga e fazer... entendeu?

A outra pessoa nunca vai se sentir bem com essa situação.

Enfim, Maqui, isso é uma coisa que abala a minha autoestima.

E eu tenho o direito de que isso abale a minha autoestima, entendeu?

[Maqui] Não, tem todo direito. É só, tipo, que tem uma coisa de abalar autoestima que você ver todas as situações como uma só, tipo, generalizar. É isso, porque você já viu isso acontecer com outra pessoa.

Você acha que é o que tá acontecendo com você também.

Ou porque você já errou uma vez, você acha que você sempre vai errar.

Pô, se a gente fosse pegar tudo que a gente já ouviu trabalhando em revista...

[Karol] Então, eu acho que vem daí, um pouco. [Maqui] Então, mas... foda-se, entendeu?

[Maqui] É isso. Tipo, nem toda situação vai ser igual àquela... que a gente viveu.

[Karol] Espera! Contextualiza, contextualiza.

[Maqui] Ué, a gente já trabalhou em revista feminina.

Que era uma revista muito legal? Muito legal, mas assim, gente...

Qualquer revista... espero que hoje em dia não seja assim.

As pessoas são cruéis, assim.

[Karol] Com o quê? [Maqui ri]

[Maqui] Com o visual das outras pessoas. Do tipo... ah! Uma coisa, vai.

[Karol] Mas a gente não tá generalizando? A gente não tá generalizando falando isso?

[Maqui] Não, então tá, então nas revistas onde eu já trabalhei.

Onde eu já ouvi. Que foram algumas, enfim.

Por isso que eu falei, eu espero que hoje em dia não seja assim, né?

Eu espero que hoje em dia tenha uma iluminação do pensamento das pessoas.

Que elas não falem mais esse tipo de coisa.

Mas, puts, existe demais, assim. Você não lembra aquela vez...

A gente nem tava... Eu vou falar, na Capricho.

A gente nem tava mais lá. E aí, a Karol foi...

Estrela de uma matéria, sei lá. Lembra? Estavam vendo suas fotos.

E aí, falaram que você tinha engordado: "Ah, ela tá andando muito com a Maqui".

Lembra disso? Então assim, todos os lugares podem ser cruéis.

Todos os lugares podem ser cruéis. Dos mais desconstruidões, dos mais legais.

Podem ser cruéis!

E também porque a gente tá pensando mais nessas questões de uns anos pra cá, né?

Tipo, sei lá. Na nossa época de adolescente, tudo bem, a gente sentia...

Ai, na escola a gente era zoada. Mas não tinha a palavra bullying.

Não tinha nada disso, então... Meu, autoestima!

Você sabia o que era autoestima quando você era adolescente?

[Maqui] Essa palavra. [Karol] Não.

[Karol] Você acha que a autoestima tem a ver... Nossa autoestima tem a ver...

Nossa, Maqui. Agora calma. Porque olha só...

Eu acabei de falar coisas que poderiam abalar a minha autoestima.

Que é um desfile e as pessoas que não me conhecem só vendo a casca.

Depois eu falei sobre elas falando de mim, sem ser pra mim.

Você falou: "Se alguém me dissesse que eu dirijo mal, ou dissesse que eu sou sem graça".

[Maqui] Aham. [Karol] Tá.

[Karol] Então, sempre, autoestima tem a ver com o que o outro vai falar da gente.

[Maqui] É que abala a certeza que você tem de você.

[Karol] É, mas o que te faz sentir mal é sempre o outro!

[Maqui] Não é sempre, não é sempre.

Não é sempre! Você pode acordar, olhar no espelho, ninguém falar nada e você se sentir uma merda.

Ou você... tipo, não tem tanta gente que fala: "Meu, eu sou muito burra!"

"Ai, eu sou burra. Porque eu fui fazer..."

Sabe? Que tipo, fica nesse diálogo com você mesma, que não se acha capaz.

Nem sempre tem a ver com que o outro fala, não.

[Karol] Mas você não acha que isso é minado, sempre minado pelo externo?

[Maqui] Ah, na vida, óbvio, claro. [Karol] Tá.

[Maqui] Pô, a autoestima é...

Uma das coisas que faz parte dela é como você se relaciona no seu meio, né?

Os valores que você foi ensinada, como você foi educada.

[Maqui] Que referências você teve. [Karol] Quem são seus amigos.

[Karol] Exatamente. [Maqui] Seus amigos, exatamente.

[Maqui] Então óbvio, sempre tá ali, sendo influenciada pelo fora.

[Maqui] Agora, quando alguma pessoa fala alguma coisa pra você abala a sua certeza que você tem de você, nem que seja por um segundo.

[Karol] Sim, claro. [Maqui] Ou pra sempre.

[Karol] E aí, depois isso... esse um segundo pode reverberar no futuro de um jeito que você nem imaginava, né?

[Maqui] Pode, é. [Karol] E o que mais tem...

[Karol] O que mais tem, não. Mas o que tem de amizade que faz mal nesse sentido é surreal!

[Maqui] Muito! Amizadess tóxicas.

[Karol] É... virou um meme, mas é verdade.

[Maqui] Meu, amizade que tem muita competição.

E não é só amizade, né? Amizade, relação familiar que tem muita competição, tem muita comparação.

Acho que a comparação também é um... grande, né, elemento da autoestima.

Se comparar a outras pessoas. Tipo, ela está naquele lugar...

Sei lá, você pode pegar o irmão, sei lá.

[Karol] Sim, claro! [Maqui] Né, que se comparam.

[Maqui] Que tiveram a mesma criação, as mesmas oportunidades.

E aí se comparam: "Puts, o meu irmão é um pouco mais inteligente em matemática.

E eu sou menos". E aí, você não vê o...

[Karol] É, ou ele é mais bonito que eu, sei lá. [Maqui] É, mas aí você não vê as outras coisas.

[Maqui] É só isso! É uma comparação incompleta que a gente faz também, parece, né?

Você se compara em uma coisa só. Mas você é um ser inteiro, né?

[Karol] Tá, dito isso, vamos tentar dar 10 dicas pra melhorar autoestima de quem tá assistindo?

[Maqui] Vamos. [Karol] Quer começar?

[Maqui] Primeira dica é uma dica que eu já falei, inclusive aqui no canal.

Que é: olhe pra você com o mesmo carinho que você olha pras outras pessoas.

Se você admira as outras pessoas, se você olha e consegue... né?

Ver coisas boas nas outras pessoas e em você não, para e pensa no porquê isso acontece.

E aí, se olha com essa mesma generosidade.

Porque a gente também tende a olhar o outro com muito mais... né?

[Karol] Carinho.

[Maqui] Carinho, amor. Exatamente! Do que olha pra gente mesmo.

[Karol] Segunda dica é a seguinte. Às vezes é muito difícil pra gente visualizar os nossos pontos fortes.

Que são os grandes responsáveis pela nossa autoestima, né? É o que a gente tava falando, é aquilo que a gente faz bem.

Que a gente gosta, enfim. Então, visualize!

Pega o papel e escreve os seus pontos fortes, sejam eles quais forem.

"Minha unha é linda". Qualquer coisa que você quiser!

Ou "sou boa em fazer olho neon". Né, Maqui?

[Maqui] Obrigada.

[Karol] Qualquer coisa que você quiser, mas visualiza isso.

Vai ser bem mais fácil, num momento de fragilidade, de autoestima frágil, assim, que você estiver abalada, você se lembrar dessas coisas boas quando você já visualizou, na sua frente, elas escritas.

Então não me venha com: "Ah, mas eu não consigo escrever nada, porque não tem nada bom".

Tem sim, faz esse cérebro funcionar.

Faz essa cabeça funcionar e ache as coisas boas em você.

Se mesmo assim você não conseguir, tenta fazer isso na parceria com alguém que seja muito legal com você, e não que seja uma amizade tóxica.

E troquem, entendeu? Tipo, você fala...

[Maqui] Fala: "O que você acha legal em mim?", né? [Karol] Exatamente, exatamente.

[Maqui] Terceira dica é: quando você se ver nesse diálogo merda do tipo, "ai, eu não posso, eu não sou capaz, eu sou burra..."

Fala em voz alta ao invés de só pensar.

Fala em voz alta vê como é agressivo e como você não falaria assim com mais ninguém.

[Karol] Com mais ninguém, é, total. [Maqui] Com mais ninguém.

[Maqui] Tipo, então ao invés de você ficar: "Sou burra, sou burra..."

Vai no espelho e fala: "Nossa, você é muito burra".

[Karol] É horrível. [Maqui] É horrível, é horrível!

[Maqui] Isso não quer dizer que você não é autocrítica. [Karol] E você não maltrataria ninguém assim, né?

[Karol] Exatamente.

[Maqui] Não quer dizer que você não tem crítica, que você não vai ver seus defeitos.

Todo mundo tem defeito, todo mundo erra. Não é isso.

Agora, se isso for constante, fala em voz alta. Você vai ver como vai mudar.

[Karol] Quarta dica.

Essa aqui, eu acho que... talvez eu tivesse que dar essa dica mais pra frente, dos números.

Porque eu acho que você tem que chegar num lugar em que você consiga fazer isso.

Mas é o seguinte.

Quando você expõe pro mundo o que te deixa fragilizado aquilo se torna menor.

Eu vou dar um exemplo aqui real que eu vi recentemente.

E eu achei muito grandioso!

Luisa Sonza, cantora, que assim, é vista como perfeita por muitas pessoas.

Que tem um corpo perfeito, tudo perfeito.

[Karol] Ela é extremamente... [Maqui] Mas também é super criticada, né?

[Karol] Mas também é super criticada, exatamente, porque todas mulheres são.

E ela fala muito sobre isso, né?

Sobre ser mulher e ser criticada por ser mulher, enfim.

Luisa postou no Instagram esses dias uma foto dela sem mega hair.

[Karol] Você viu isso, Maqui? [Maqui] Não vi.

[Karol] Ela postou dela sem mega hair. O cabelo dela é... acho que do tamanho do meu.

Tá do tamanho do meu. E ela escreveu assim:

"Estou postando essa foto sem mega hair, porque eu me sinto muito mal e com a minha autoestima muito abalada sem o mega hair, então eu decidi postar".

E eu achei isso tão poderoso, tão poderoso!

E acho que é isso, assim. Quando você se liberta disso...

Tipo assim, vai, você fica retocando...

Sei lá, a sua barriga em toda foto, antes de postar.

Aquilo vai criando um monstro na sua mente, na sua vida.

Quando você se liberta disso e posta como é de verdade, a coisa diminui.

Então assim, pense muito antes de fazer isso.

Porque não é fácil, é um processo.

Mas eu acho que quando você consegue se libertar...

E não necessariamente postar, mas contar pra alguém.

Compartilhar esse sentimento que você tem com alguém, de alguma forma, torna aquilo menor.

[Maqui] É a terapia de encarar seus medos, né?

Você tem medo de aranha? Pega uma aranha na mão.

E aí, você vai ver que nada vai acontecer e vai passar.

E aí, você continuou viva, né?

Quinta dica: autoconhecimento. Então a minha quinta dica é: terapia.

[risos]

[Karol] Deveria ter sido a primeira. [Maqui] Deveria ter sido a primeira.

[Maqui] Eu sei que, também, a terapia nem é magia.

Não é que você vai entrar na terapia e: "Meu Deus, agora eu me entendo!"

"E pronto, resolvi em uma sessão". Não é assim.

[Karol] A gente sabe que pode ser caro, se você não achar no lugar que você mora.

[Maqui] Mas tem muitos lugares também que, pô, é de graça. Enfim.

[Maqui] Busque... [Karol] Conhecimento! Tô zoando.

[Maqui] Busque conhecimento. Busque conversar.

Porque pra você fazer a sua lista de pontos fortes e pontos fracos, você precisa de autoconhecimento.

Pra você entender o que você gosta e o que você não gosta.

O que você vai deixar uma outra pessoa fazer com você.

O que você vai deixar você fazer com você mesmo... autoconhecimento!

Pra você conseguir controlar o mínimo as suas emoções, autoconhecimento.

Então assim, não precisa ser só na terapia.

[Karol] Eu ia falar isso. [Maqui] Mas a terapia é um grande... né?

[Maqui] A gente sabe os benefícios da terapia.

Pra mim fez diferença e pra você também, eu acho, né?

[Karol] Sim. Eu acho que se olhar no espelho é uma forma de buscar autoconhecimento.

Ler é uma forma de buscar autoconhecimento.

[Maqui] Tem milhares, é. [Karol] Enfim, tem vários jeitos.

[Karol] Se gravar e se assistir, enfim... [Maqui] Sim, total.

[Karol] Vários jeitos, né?

[Maqui] Busque autoconhecimento. Então é isso.

[Karol] Sexta dica é óbvia, mas eu tenho que pontuar aqui.

Fique ao lado de quem te faz bem nesse sentido.

Pelo amor de Deus, gente. Namorado, namorada, marido, esposa...

[Karol] Principalmente falando... [Maqui] Mãe, pai.

[Karol] É, não. Eu tô, principalmente, falando dessas pessoas.

[Karol] Que a gente escolhe... [Maqui] Sim, sim.

[Karol] Tipo assim, tudo bem. O pai, a mãe, a família...

Você pode escolher ou não estar ao lado, né?

Mas namorado, namorada, marido, enfim... Você escolhe a pessoa, né?

Então assim, gente, o que eu recebo de mensagem de...

Puts, eu mesma já estive em relacionamentos em que...

O relacionamento me deixava bem mais insegura.

Porque a gente começa... uma hora a gente ouve tanto o que a pessoa fala da gente, que a gente começa a acreditar no que a pessoa tá falando.

E a gente... mesmo que você tenha uma autoestima incrível.

Então cerque-se de pessoas que são legais nesse sentido, sabe?

Não tenha amigas, amigos e namorados, enfim, que te fazem mal nesse sentido.

Acho muito importante perceber isso, e sacar quando tá passando dos limites.

E sobre família, que é um pouco mais delicado, né?

Porque enfim, é isso, não são pessoas que você escolhe quem são.

Você escolhe estar lá ou não. Muito importante você...

[Maqui] Nem sempre, né? Nem sempre você escolhe estar lá ou não. Isso que é o pior, né?

[Karol] Também! Às vezes você simplesmente tem que estar lá, né?

Então, acho que quando a gente percebe, também é mais fácil de não deixar se abalar tanto, sabe assim?

[Maqui] Sétima dica é uma continuação dessa sua.

Que é: siga pessoas que não fazem você se sentir mal.

Que é um "cerque-se de pessoas", é a mesma coisa, né?

Só que não pessoalmente.

Mas mano, a gente tá na internet o tempo todo, tá nas redes sociais. Não tem jeito.

Então, se você ficar seguindo aquela pessoa...

Que não é que a pessoa ativamente tá fazendo uma coisa pra te fazer mal.

Mas você olha ela e fala: "Puts, eu nunca vou ser ela".

"Eu queria tanto!" E assim...

[Karol] Maqui, e isso desmistifica tanto o: "as redes sociais são tóxicas, são horríveis".

Elas não são! O jeito que a gente usa elas que é o problema, né?

[Maqui] Tem todo tipo de gente pra você seguir.

Todo tipo, literalmente!

Então tudo que você é, tem alguém na internet que há também.

E que você pode seguir, e se identificar, e ver que você não tá sozinha.

E ver que dá pra ser legal, e que dá pra ser gata.

E que dá pra ser... enfim, dá pra ser mil coisas.

Inteligente, engraçada, dirigir bem... né?

[Karol] Sabe uma coisa que... sabe uma coisa que eu percebo?

Tem muita gente que vai criando ódio no coração, no seu coraçãozinho, seguindo as pessoas erradas.

[Maqui] Sim, sem motivo, né? [Karol] É.

[Karol] Nem precisa dar unfollow, muta. [Maqui] Quer dizer, o motivo é seu!

[Karol] É, exatamente. Aí, tipo assim.

"Ah, mas eu tenho que seguir, porque sei lá o que do trabalho..." sei lá.

Muta, ninguém vai saber se você mutou ou não.

[Maqui] É.

[Karol] Muta, você nunca mais vai ver aquela pessoa, acabou!

[Maqui] Não, ainda mais agora que a gente tá, né, aí.

Quem sobrou aí na quarentena, tá em quarentena.

Que a gente não tá encontrando as pessoas, né, pessoalmente.

[Maqui] Então tipo... [Karol] Nossa, melhor ainda.

[Maqui] Esse contato, né, com os amigos diminuiu, fisicamente.

Meu, e a gente tá muito no celular e tal. Meu, isso é muito importante, sério.

Quando eu comecei a seguir minas gordas...

Tipo, não que eu seguia... também não sou, eu não seguia a mina padrãozinha.

Eu não seguia, a não ser que ela seja muito legal e eu tenha alguma identificação com ela, além disso, né?

Além da estética, sei lá.

Mas quando eu comecei a seguir outras minhas que pareciam comigo...

Parece que a minha autoestima tá formada desde sempre.

Mas sei lá, até outro dia, eu não usava blusa regata, tá ligado?

[Karol] Jura, Maqui? [Maqui] Juro, juro.

[Maqui] Eu me lembro a primeira vez que eu sai com uma blusa regata.

Tipo, num ano novo. Aí eu falei: "Nossa, caramba. Nada aconteceu!"

[Karol ri]

[Maqui] Posso usar blusa regata, sabe? [Karol] Aconteceu, você passou menos calor, né?

[Maqui] Exatamente! Eu tava fresca, sem calor.

[Karol] Vai, uma mina gorda e uma mina magra legais pra seguir.

[Maqui] Cara, uma mina gorda legal pra seguir que tem um estilo legal, que fala sobre as fraquezas dela, fala sobre ser gorda, é a @rayneon.

[Karol] Tá. [Maqui] Gosto da Ray Neon.

[Karol] Uma magra. Porque você falou que não segue muita mina padrãozinha...

[Maqui] Uma mina magra? Laura Vicente.

[Karol] Eu ia falar a Laura também. [Maqui] Amo, amo seguir a Laura.

[Maqui] Ah, tem lá, tem várias minas que eu amo seguir.

Mas amo seguir a Laura, acho ela engraçada, acho ela divertida, enfim.

[Maqui] Além de ser muito gata. [Karol] E parecer com quem?

[Maqui] E parecer com a Villanelle. Eu falei pra ela, sabia?

[Karol] Você falou? O que você falou?

[Maqui] Eu falei: "Você sabe que você tem uma gêmea em Killing Eve?"

Ela falou: "Eu sei, já me falaram". Todo mundo deve falar isso pra ela.

[Karol] Gente, é muito difícil assistir e não pensar na Laura. Enfim...

Oitava dica. Eu acho essa aqui um pouco polêmica.

Eu não sei direito nem como expressar o que eu tô pensando.

[Karol] Então me ajuda, Maqui. [Maqui] Tá.

[Karol] Se você chegar à conclusão, depois de muito autoconhecimento.

Depois de listar, depois de se cercar de pessoas maravilhosas.

[Maqui] Depois das oito dicas.

[Karol] Que aquilo realmente te faz mal, buscar melhorar, transformar, modificar isso.

Pra que você fique bem. Aí a gente contradiz um pouco o que a gente tava falando.

Sobre as plásticas, e as mudanças, e a indústria e blá-blá-blá.

Mas eu acho que não dá pra gente ignorar isso.

Porque eu acho que a maquiagem é isso.

Ir ao cabeleireiro, mudar o corte, mudar a cor, também pode ser isso.

Pintar a unha é isso, escolher uma roupa tem a ver com isso.

E acho até que as plásticas, e as mudanças faciais e enfim, também são válidas.

Qual é a linha que separa uma coisa da outra, você acha?

[Maqui] Eu acho que é você ter informação e ter certeza do porquê você tá fazendo aquilo.

[Maqui] E não ser refém daquilo. [Karol] É isso.

[Maqui] Eu acho que ser refém de maquiagem, ser refém de filtro, ser refém de plástica...

Tipo, "eu não sou feliz, a não ser que eu faça a plástica".

Isso, eu acho que é um pouco a linha. Mas também... É que a plástica é um bagulho muito radical, né?

[Maqui] Uma cirurgia, a gente tá falando. [Karol] É... é, é.

[Maqui] Você fez a terapia, você se olhou no espelho, você se conhece.

Você tem certeza de que você não tá fazendo isso pra agradar ninguém que não seja você mesma.

Mas eu acho que é difícil ter essa certeza também.

[Karol] É muito difícil. [Maqui] Eu acho que com a construção...

[Maqui] Com a nossa construção, e a construção de como a gente pensa. É difícil você entrar e fazer uma plástica só por sua causa, eu acho mesmo!

[Karol] Uhum, uhum.

[Maqui] Eu diria que é impossível. A não ser que seja uma...

Uma cirurgia que não é estética, né? Como que fala?

Uma cirurgia plástica que é necessária...

[Karol] Reparadora. [Maqui] É, reparadora.

[Maqui] Tô falando da estética mesmo. [Karol] Eu acho que é impossível.

[Karol] Eu acho que é impossível. [Maqui] Eu acho que é impossível.

[Maqui] Tipo, sei lá, você botar o peito pra cima, qualquer coisa.

Ou fazer uma lipo.

Mesmo que você pense que você tá fazendo aquilo porque você quer, é uma construção de como a gente aprendeu a pensar.

Que a gente aprendeu que o peito é pra cima.

Sendo que o peito não é pra cima! Porque se ele cai, o natural é que ele caia.

Se você... tipo, o natural do seu corpo... Tudo bem, não tô falando de doença, tá, gente?

Não tô falando: "Ah, eu tenho manchas no corpo porque eu tenho uma doença", não é isso.

Mas se você tem o peito caído, se a sua barriga é de um jeito tal.

O natural do seu corpo é aquele.

Mas a gente aprendeu que a barriga é assim, a cintura é assado.

E o quadril tem que ser um pouquinho maior, mas não muito maior, e a bunda redondinha...

[Karol] É, mas é o que a gente tava falando hoje mais cedo, do peito, por exemplo.

Eu acho que tem muita gente que vai lá e faz, por causa de dor nas costas.

[Maqui] Mas eu não tô falando disso. Isso se encaixa na doença, entendeu?

[Karol] Eu fico pensando...

Tem muito a ver com o discurso que a gente ouve mesmo, sobre o que é bonito, né?

[Maqui] É, é isso. Ainda tem isso. É isso, o peito pra cima, redondinho, é bonito. É o que é considerado bonito, é o objetivo, né?

[Karol] Qual é a linha que separa...

Ir lá e fazer isso porque você pesquisou, e você tá segura, e você quer.

Do... você está fazendo isso sem ter certeza, sabe?

[Maqui] Eu acho que...

Eu acho que se você não tem certeza, você não pode fazer. Pra mim, essa é a linha.

[Maqui] Essa era uma dica? Qual era a dica? [Karol] Que dica que a gente parou? Nem sei.

[Maqui] Nona dica: não minta pra você mesmo.

Tão ruim quanto mentir pros outros é mentir pra gente mesmo.

Então, é a mesma coisa do autoconhecimento.

Tudo vem... tudo caminha junto, pra vocês verem.

Eu acho que a gente não pode mentir pra gente mesmo sobre como a gente se sente.

Então sei lá, você vai num rolê com os seus amigos.

E aí, você se incomoda com o comentário da sua amiga.

[Karol] Ah, isso faz muito sentido! [Maqui] Sabe?

[Maqui] Aí você fala: "Não, nem me incomodou nada".

E na verdade, te incomodou. Você tá pensando sobre aquilo.

E aí, você arrasta pra debaixo do tapete, não pensa mais nisso.

[Maqui] Mas isso tá ali, isso tá ali, né? [Karol] Sim, sim.

[Maqui] Então é, tipo, ser sincera do que te incomoda, do que não te incomoda.

Do que você gosta e não gosta, e ser sincera com você mesma.

Mesmo que você não seja com o outro... Você não precisa chegar pra sua amiga e falar:

"Pô, tu é maior otária com aquele comentário, né?"

Mas se você souber, pra você, que aquilo te incomodou pelo menos você já sabe se proteger disso. Sei lá, ou trabalhar nisso.

[Karol] É, mas eu acho válido falar: "Ow, não fala assim de mim, não. Não gosto".

[Maqui] Claro, não. Se for uma coisa muito absurda, sim.

Mas às vezes a pessoa tá fazendo um comentário aleatório que aquilo pegou numa ferida sua, porque é sua, entendeu?

Não mentir pra você mesmo, não falar: "Não, isso aqui não me incomoda, não".

"Imagina, tô de boa". E na verdade, te incomoda.

[Karol] Pode me chamar de baixinha, né?

[Maqui] É, exatamente. Então acho que isso é importante.

[Karol] Décima dica, ela é um pouco maternal demais.

Mas ela faz muito sentido, mesmo se você não tem filhos, enfim.

Pense muito antes de falar qualquer coisa pra uma criança.

[Maqui] Nossa...

[Karol] Eu acho que a gente tá nessa merda aqui, vários sentidos dessa merda aqui que a gente tá.

Porque... criação, educação e questões do passado, sabe?

Eu acho que quem vai fazer o futuro são as crianças mesmo.

Então, se a gente pensar nisso antes, a gente tem uma chance muito grande de ter um futuro mais legal.

Então pense antes de tudo, de tudo que você vai falar pra uma criança, sabe?

Tipo: "Ai, como você tá gordinho. Vem aqui, gordinho!"

Eu até fico em dúvida, assim, até que ponto é saudável até que ponto não é, elogiar e falar: "Você tá linda, que linda".

[Karol] Por que "lindo" é tão importante, sabe? [Maqui] É, você pode elogiar: "Você tá linda".

[Maqui] E você pode, no mesmo volume... [Karol] "Como você é inteligente!"

[Maqui] Exatamente. [Karol] Exato.

[Maqui] "Nossa, você é muito engraçada", né? [Karol] "Nossa, como você faz isso bem, que demais".

[Karol] Né? Pense antes de falar qualquer coisa pra uma criança.

Encerramos o vídeo por aqui, Maqui? Quer falar mais alguma coisa?

[Maqui] Não, eu espero que a gente tenha conseguido ajudar aí.

Que tenha sido um vídeo bom de autoestima pra mandar pras pessoas que você acha que precisa, né?

[Maqui] Que foi como tudo começou. [Karol] É, eu também, Maqui.

[Karol] Eu também espero muito.

Se não ajudar, pelo menos que proponha reflexão, sabe? É muito isso que eu acho que... a minha proposta, assim, sabe?

Não é nem mudar, porque eu acho que é um processo mesmo, né?

Mas que proponha reflexão.

Quando a gente reflete, a gente faz o quê? A gente se conhece melhor.

[Maqui] E também, a autoestima não é uma... o pico da montanha, que você tem que chegar nela.

E aí, quando você chegou nela, pronto! "Tô segura, nunca mais nada vai me abalar".

Não é isso, não é um objetivo. É uma constante, né?

[Karol] Então tá. [Maqui] Cadê o dentinho.

[Karol] Lully, vem aqui mostrar toda sua autoestima.

[Maqui] Essa aqui tem autoestima. [Karol ri]

[Karol] Se você gostou do vídeo, você já sabe o que fazer.

Se você não gostou, você também já sabe: nada.

[Maqui] Se você gostou, você assina.

[Karol] Comenta aqui embaixo, gente. Sei lá, vamos falar aí.

Vamos discutir, vamos conversar sobre isso.

Vocês nem imaginam quantos prints de comentários deste YouTube eu e Maqui nos mandamos por WhatsApp todos os dias.

Vocês nem imaginam! A gente não consegue responder todo mundo, óbvio, né? Mas...

[Maqui] Mas ler, a gente lê. [Karol] Eu leio todos.

[Karol] Você lê todos também. [Maqui] Eu também leio.

[Maqui] Comenta aí como foi o seu processo, ou como está sendo.

[Karol] Como é, como está sendo. [Maqui] Pra chegar na tão desejada autoestima.

[Maqui] Alta, né?

[Karol] Um beijo. Beijo, Maqui! [Maqui] Até o próximo vídeo.

[música]