Como a sua memória funciona: codificação, armazenamento e recuperação | Aprender Arata 19
Aprender Arata!
Ter uma boa memória é uma vantagem competitiva que todo mundo quer ter.
Ser capaz de lembrar as respostas certas para uma prova.
Conseguir responder qualquer pergunta do seu chefe sem precisar consultar nada.
Lembrar os nomes das pessoas, as senhas dos aplicativos, os grandes momentos da sua vida.
Para conseguir fazer tudo isso, é essencial você entender como a sua memória funciona.
Primeiro, você deve compreender como o seu cérebro registra, armazena e depois recupera informações.
Com isso, você consegue usar técnicas para fazer todos esses processos de um modo mais eficiente.
Esses processos são relativamente complexos.
Por isso, eu preparei quatro episódios especiais da série Aprender Arata para você entender em detalhes como a sua memória funciona.
Nessa conversa de hoje, vamos ter uma visão geral sobre o funcionamento da memória.
Nos próximos três episódios, vamos ver em detalhes cada um dos três processos específicos de formação de memórias.
Tudo certo para começar?
Então vamos começar relembrando.
Sua memória funciona como um funil que só guarda aquilo que é mais importante.
Vamos começar relembrando aquilo que aprendemos no episódio anterior da série Aprender Arata
[fonte: https://arata.se/aprender18] sobre os tipos de memória: a memória sensorial, a memória de curto prazo e a memória de longo prazo.
A memória sensorial está ligada aos seus cinco sentidos.
Tudo aquilo que você vê, ouve, cheira, tateia ou sente o gosto fica por um período bem curto de tempo na sua memória.
Esse tempo é curto mesmo, durando no máximo alguns segundos.
A cada segundo, o nosso cérebro está captando milhares de estímulos por meio dos cinco sentidos.
Seria inviável memorizar tudo o que acontece ao nosso redor a todo momento.
Quando o cérebro detecta alguma informação que parece mais relevante, entra em ação a memória de curto prazo ou memória de trabalho.
Enquanto a memória sensorial é definida pelo tempo em que a informação fica na nossa mente, a memória de curto prazo está mais ligada à quantidade de informação que você consegue guardar.
Em geral, a memória de curto prazo é capaz de guardar sete unidades de informação.
Por exemplo, digamos que alguém diga a você um número de telefone e você não tem como anotar.
Você pode ficar repetindo aquele número para não esquecer, até conseguir anotar.
Quando você fica repetindo esse número na cabeça, você está tentando passar aquela informação da sua memória de curto prazo para a sua memória de longo prazo.
A memória de longo prazo é aquela que guarda informações por um período de tempo maior. É importante esclarecer que quando falamos longo prazo estamos fazendo uma comparação com a memória sensorial que dura poucos segundos.
Por isso mesmo alguns poucos dias pode ser considerado longo prazo para a memorização.
Mas, dependendo da relevância da informação, a memória pode ficar guardada por anos na sua mente.
Então você pode pensar nos três tipos de memória como se fosse um funil com um filtro.
No topo do funil, entra tudo o que os seus cinco sentidos conseguem captar.
No meio do funil, fica apenas uma quantidade bem limitada de informações guardadas pela sua memória de curto prazo.
E só aquilo que é mais relevante chega ao final do funil para ser registrado na memória de longo prazo.
Essa passagem de uma informação da memória de curto prazo para a memória de longo prazo é chamada de codificação.
Codificação é o ato de passar uma informação da sua memória de curto prazo para a sua memória de longo prazo.
Vamos voltar ao exemplo do número de telefone.
Alguém falou para você um número e você não tinha como anotar.
Você ficou repetindo aquele número para não esquecer, até que pudesse anotar a informação.
Quando você fica repetindo mecanicamente uma informação para não esquecer, você está tentando forçar o envio aquela informação da sua memória de curto prazo para a sua memória de longo prazo.
Esse processo é chamado de codificação.
Sempre que você estuda algo ou aprende alguma coisa nova, o que está fazendo é codificando aquelas novas informações na sua memória de longo prazo.
Ficar repetindo mecanicamente uma informação para guardar essa informação na memória é uma forma bem intuitiva de codificação.
Mas também é uma forma pouco eficiente, já que exige pouco envolvimento ativo do seu cérebro.
Para codificar uma informação de forma a se lembrar dela no futuro, você precisa usar técnicas que envolvam mais ativamente o seu cérebro.
Uma dessas técnicas é o agrupamento.
Quando você juntar informações parecidas em uma mesma categoria, você está usando a técnica do agrupamento para codificar aquelas informações.
Outra técnica é a dos mnemônicos.
Sempre que você usa um artifício para lembrar aquilo que está aprendendo, você está usando um mnemônico.
Existem muitos tipos de mnemônicos.
Você pode formar frases, siglas, músicas, imagens mentais… tudo o que puder ajudar você a se lembrar daquela informação no futuro.
A autorreferência também é uma boa técnica de codificação.
Com ela, você procura usar elementos pessoais seus para associar ao que está aprendendo.
Com esse envolvimento pessoal, fica mais fácil você se lembrar das informações depois.
Por último, também existe a técnica da repetição espaçada.
Essa é uma forma de estruturar o seu estudo, espaçando as sessões de aprendizado ao longo do tempo para codificar melhor.
No próximo episódio da série Aprender Arata, eu vou falar em detalhes sobre cada uma dessas técnicas de codificação.
Por enquanto, você precisa apenas entender que a codificação é o ato de passar uma informação da sua memória de curto prazo para a sua memória de longo prazo.
Depois que a codificação é feita, o seu cérebro começa o processo de armazenamento.
Armazenamento é a capacidade do cérebro de guardar uma informação entre a codificação e a recuperação.
Depois que uma informação é codificada na sua memória de longo prazo, ela precisa ficar armazenada até que você queira usar aquela informação.
Quando você codifica uma informação, um traço de memória é fisicamente gravado no seu sistema nervoso.
Um traço de memória é uma mudança física no seu sistema nervoso que representa alguma experiência que você teve.
Esse traço de memória fica armazenado no seu cérebro até que você tente se lembrar daquela informação.
Quanto mais saudável for o seu cérebro, mais fácil será armazenar aquela informação.
Por isso, ter uma vida saudável vai influenciar positivamente a sua capacidade de se lembrar das coisas.
Ter uma alimentação balanceada, fazer exercícios físicos, desafiar o seu cérebro aprendendo coisas novas e ter boas noites de sono são as práticas mais recomendadas para uma boa memória.
Com um cérebro mais saudável, você pode aumentar o seu período de retenção.
O período de retenção é o tempo entre o momento em que você codifica uma informação e a hora em que você tenta usar aquela informação.
Quando dizemos que queremos ter uma boa memória, o que todos nós queremos é ter a capacidade de acessar esses traços de memória no momento exato em que precisamos.
Esse último processo é chamado de recuperação.
Recuperação é a capacidade de acessar memórias na hora em que precisamos.
Quando você está fazendo uma prova e tem que saber a resposta correta, você usa o processo de recuperação para lembrar uma informação que foi codificada na sua memória de longo prazo.
Existem três formas de recuperar informações da sua memória: a recuperação livre, a recuperação com pistas e o reconhecimento.
Essas três formas estão em ordem de dificuldade. É mais difícil recuperar uma informação livremente, um pouco mais fácil se você tiver algumas pistas e ainda mais fácil se o seu trabalho for apenas reconhecer a informação.
A forma mais difícil é a recuperação livre.
A recuperação livre é quando você tenta se lembrar de alguma coisa sem ajuda de nada.
Muitas vezes quando tentamos fazer isso, aparece o famoso branco.
Nós esquecemos o que queríamos lembrar.
Para evitar isso, muitas vezes o seu cérebro usa alguns pistas deixadas durante o processo de codificação.
Por exemplo, digamos que você usou um mnemônico para codificar informações na sua memória de longo prazo.
Na hora da recuperação, você usa o mnemônico como pista para relembrar as informações codificadas.
Essa é a recuperação com pistas.
A terceira e última forma de recuperação é o reconhecimento.
No reconhecimento, você lembra de alguma informação quando vê aquela informação entre outras.
Esse é um processo de comparação.
Você compara o que tem na sua mente com aquilo que está vendo.
O melhor exemplo para o reconhecimento são as provas de múltipla escolha.
Por exemplo, digamos que você vai fazer uma prova de múltipla escolha sobre o Império
Romano.
Você se depara com uma pergunta como "Quem foi o primeiro imperador de Roma?".
Nas alternativas, aparecem respostas como Júlio César, Augusto, Tibério e Calígula.
O trabalho do seu cérebro é apenas comparar o que você estudou com as respostas apresentadas e RECONHECER a resposta correta.
Aliás, você sabe qual a resposta correta?
Se você respondeu Júlio César, você errou.
O seu cérebro te pregou uma peça.
Júlio César teve um papel importante na transformação da República Romana para o Império Romano, mas o primeiro imperador foi Augusto.
Você provavelmente estudou isso na escola.
Então por que talvez você não conseguiu se lembrar e reconhecer a resposta correta agora?
Isso acontece porque o nosso cérebro não funciona como um computador que grava uma informação e depois resgata essa informação exatamente como ela foi registrada.
Tudo o que acontece entre o período em que codificamos a informação e tentamos recuperar essa informação afeta nossas lembranças.
Por isso muitos especialistas dizem que as memórias não são exatamente recuperadas e sim reconstruídas.
Quando você se lembra de algo, essa memória vem sempre reconstruída com algumas modificações.
Essas pequenas mudanças dependem do seu estado emocional, do seu humor, das referências que você adquiriu ao longo do tempo.
Entender como a memória funciona é essencial para aumentar a sua capacidade de aprendizado.
A capacidade de aprender coisas novas é a mais importante habilidade que você pode ter para o seu crescimento pessoal e profissional.
E quando falamos em aprender coisas novas, basicamente estamos falando em ter a capacidade de lembrar de informações adquiridas no momento em que precisamos.
Um aluno que lembra na hora da prova de tudo o que estudou.
Um profissional que lembra de todos os procedimentos na hora em que o chefe faz uma pergunta.
Um artista que lembra de suas referências na hora de criar sua arte.
Um atleta que lembra de todo o treinamento na hora do jogo. É por isso que a memorização tem um espaço importante no aprendizado.
E também é por isso que entender em detalhes como a sua memória funciona é importante para você aprender mais e melhor.
Nos próximos três episódios da série Aprender Arata, vamos ver em detalhes como funciona cada um dos processos de formação de memória: codificação, armazenamento e recuperação.
Hoje você já teve uma boa visão geral de como tudo isso funciona, mas ainda existem muitos detalhes que você precisa descobrir…
Você é capaz de melhorar a sua memória, aumentar a sua inteligência e aprender tudo o que quiser.
Para isso, você precisa entender como o seu cérebro funciona e aplicar as técnicas certas para aumentar as suas capacidades cognitivas.
A Arata Academy está lançando um novo treinamento para te ensinar tudo isso.
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