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DIFERENÇA ENTRE CETOSE E CETOACIDOSE | Senhor Tanquinho Responde!

Olá, Tanquinho!

Olá, Tanquinha!

Responda rápido: você sabe a diferença de cetose e cetoacidose?

Os corpos cetônicos podem ser perigosos?

Você está certo disso?

“Não”.

Aqui é o Guilherme, do Senhor Tanquinho, e você pode ficar tranquilo porque vendo o vídeo até o final você nunca mais vai ter dúvida sobre esses assuntos.

Antes disso, um aviso rapidinho: eu queria agradecer a todo mundo que segue aqui o canal, nós batemos recentemente 100.000 inscritos, é uma marca muito importante para a gente!

E queria agradecer a quem segue a gente, seja desde o comecinho, seja há pouco tempo, o importante é que nós estamos juntos aqui!

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Então tudo começa com você se inscrevendo e apertando o sininho.

Beleza?

Aviso feito, vamos para o nosso conteúdo.

De maneira resumida, a diferença principal entre cetose e cetoacidose é que a cetose é um estado metabólico natural do corpo, que pode ser atingido por pessoas saudáveis.

E a cetoacidose é um estado de emergência do corpo, muito perigoso, que é atingido, basicamente, por pessoas em más condições – doentes, digamos assim – e nós já vamos ver quais são.

A cetose pode ser atingida quando você está numa restrição de glicose no seu corpo.

Como isso pode acontecer?

De algumas maneiras.

Por exemplo, se você está há muito tempo sem comer nada, tipo um jejum de algumas dezenas de horas – talvez alguns dias; se você está sem reservas de glicogênio no seu corpo

– glicogênio é a forma como o corpo humano guarda carboidratos em si – e geralmente fica armazenada a maior parte no fígado e também entre as células musculares, e também se você está em uma restrição de carboidratos.

Você está comendo proteínas e gorduras, mas não está comendo carboidratos por alguns dias em sequência e, isso também junto, pode levar à cetose nutricional.

Isso quer dizer que a cetose é uma coisa saudável e a cetoacidose é uma coisa perigosa.

Mas então por que as pessoas confundem?

Para explicar isso, eu queria te contar uma historinha de um outro erro muito comum que aconteceu na medicina e que você vai ficar horrorizado ao saber os detalhes dela.

“Senta que lá vem a história” Essa história que eu vou te contar agora eu aprendi lendo um livro chamado “Por que as zebras não têm úlceras?”.

O nome é engraçado, mas o livro é muito bom e ele fala sobre estresse, fisiologia, mecanismos e evolução.

A história é mais ou menos a seguinte: no século XIX cientistas e médicos se depararam com um problema de difícil solução.

As criancinhas simplesmente morriam.

Na verdade, o que acontecia é que as crianças iam deitar, bonitinhas, à noite, e no dia seguinte elas acordavam mortas.

No caso, não acordavam.

Primeiro acharam que era algum tipo de maus tratos por parte dos pais, foram investigar e não era nada disso.

Então ninguém entendia o que causava essa Síndrome da Morte Súbita Infantil.

Essa Morte Súbita Infantil acontece até hoje e hoje em dia nós ainda não temos 100% esclarecido o porquê isso acontece ou como isso acontece, então, se hoje em dia nós não sabemos, imagina no século XIX.

Então o que eles poderiam fazer para tentar descobrir?

O que eles tentaram fazer foi simplesmente o seguinte: eles faziam necropsia nas criancinhas mortas e, com essas necropsias, comparar com necropsias de crianças que morreram de outras causas – que não foram essas – para tentar descobrir quais eram as diferenças e tentar criar hipóteses e descobrir o que estava acontecendo com a Morte Súbita Infantil.

Aí é que está o pulo do gato: as criancinhas que não morreram de Morte Súbita Infantil, morreram de outras causas.

E olha só que loucura que era na época: tinha um tipo de ladrão, que basicamente invadia as covas das pessoas, cemitérios e hospitais, velórios, enfim, para roubar os cadáveres e vender para os estudantes de Medicina, médicos e cientistas em geral poderem explorar isso.

Inclusive, as pessoas ricas da época compravam caixões blindados, digamos assim, para que os seus familiares não fossem violados por esses ladrões.

Isso, obviamente, causou o maior furor – a população estava bastante revoltada – e levou o governo de alguns países da Europa a definirem algumas leis que falavam que quem morresse em um asilo de pobres ou em um hospital de gente pobre e os familiares não fossem lá, por exemplo, reclamar o corpo da pessoa ou não pudessem pagar o velório, ia ter esse cadáver doado para a ciência.

Então, o que aconteceu?

Aconteceu que a maioria dos cadáveres investigados e dissecados pelos estudantes, médicos e cientistas eram de pessoas pobres, inclusive das criancinhas.

Então, elas eram criancinhas pobres que morreram com, tipo, seis meses de idade.

Elas basicamente tinham morrido de desnutrição, ou de diarreia, ou de tuberculose.

Basicamente condições bem desfavoráveis de estresse prolongado e esse estresse prolongado causa um encolhimento de uma glândula chamada timo, que fica aqui, mais ou menos na garganta.

Isso é uma resposta aos glicocorticoides e tudo mais que o livro entra em detalhes e que nós não vamos entrar aqui.

Basicamente o que você precisa saber é que quando rolava esse estresse, essa condição adversa, por um tempo prolongado, essa glândula diminui o tamanho.

E aí, o que acontecia?

Eles dissecavam a criancinha que morria de Morte Súbita, que tinha glândula normal, porque ela não passou por um estresse prolongado.

Ela simplesmente morreu subitamente: morte súbita.

E a criancinha pobrezinha que morreu depois desse estresse tinha a glândula menor, então, o que eles achavam que era uma glândula timo “normal”, o tamanho “normal”, era, na verdade, a glândula encolhida.

E olhavam para a criança de morte súbita, viam que ela tinha glândula grande e falavam:

“Hum, ela tem a glândula muito grande, maior do que o normal.

Deve ser isso que está matando-a, até porque isso aí deve ficar na garganta e sufocá-la”.

Essa foi a hipótese que eles tentaram imaginar na época.

Então o que eles pensaram: “Precisamos diminuir o tamanho da glândula timo das crianças.

E qual é uma maneira segura e absolutamente desprovida de risco de salvar nossas crianças?

Vamos jogar radiação nelas”! É verdade isso!

E até o começo do século XX – até os anos 40, por aí – ainda tinha um monte de gente, um monte de criancinhas levando radiação na garganta, o que levou a milhares e milhares de casos de câncer na tireoide nos anos e décadas futuras, porque a tireoide é uma glândula importante, que fica ali do lado do timo.

Fascinante essa história, né?

Incrível pensar que isso aconteceu de verdade e agora você talvez esteja se perguntando:

“Mas Senhor Tanquinho, o que isso tem a ver com a cetose?

”. Tem tudo a ver.

Especialmente com os corpos cetônicos.

Isso porque os corpos cetônicos eram verificados no contexto clínico, especialmente em pessoas com diabetes que estavam em cetoacidose, então, o raciocínio que foi mais ou menos natural para muita gente foi: “Essas pessoas estão muito mal, estão aqui, praticamente morrendo na nossa frente, e tem um monte de corpos cetônicos.

Isso deve ser ruim”.

“O que causam os corpos cetônicos?

A pessoa fica muito tempo sem carboidrato ou em jejum, então vamos falar contra essas coisas!

Vamos recomendar, no mínimo, 130 gramas de carboidrato por dia, por exemplo, para que essa pessoa não tenha a menor chance de produzir corpos cetônicos de jeito nenhum”!

Foi mais ou menos isso.

Mas na verdade, os corpos cetônicos, em concentrações normais, que são atingidas pela cetose nutricional, em pessoas saudáveis, não são perigosos.

E tem, inclusive, alguns pesquisadores que dizem que são uma forma de combustível até preferida por alguns tecidos do nosso corpo.

Então, onde nós caímos nisso é que os corpos cetônicos podem, sim, ser perigosos; mas só em um contexto muito específico porque, assim como tudo na natureza, a diferença entre o veneno e o remédio está na dose.

Mesmo o açúcar no seu sangue: você já deve saber que é importante ter um nível de açúcar mais ou menos estável no seu sangue, que se você tiver muito pouco açúcar você pode passar mal e morrer; e se você tiver muito açúcar no sangue você pode passar mal e morrer também.

Com os corpos cetônicos, se você tiver muito, muito, muito no seu sangue, pode fazer mal, sim.

Mas isso não vai acontecer se você é um adulto saudável.

Por quê?

Porque as concentrações de corpos cetônicos que acontecem quando você é um adulto saudável são da ordem de 0,5 mmol/L até 1,5; 2; talvez 3, se você estiver fazendo uma dieta cetogênica muito certinha.

Talvez até uns 4, no máximo, estourando 5, se você estiver fazendo uma cetogênica terapêutica, em que basicamente você está queimando só gordura porque é uma dieta feita para pessoas que têm uma necessidade de comer só gordura do tipo... pessoas que tratam algumas condições de saúde, como epilepsia ou outras condições neurológicas, ou outras condições mesmo em que a pessoa precisa comer basicamente essa dieta bem regrada, bem certinha.

Agora, se você só quer emagrecer e não tem porquê comer 90% das suas calorias de gordura, você vai fazer uma dieta com talvez um pouco mais de carboidratos bons, vai fazer uma dieta com um pouco mais de proteína para preservar massa muscular e tudo mais; isso não vai acontecer.

Não vai nem chegar nesses níveis.

Porém, quando uma pessoa que não consegue produzir insulina como, por exemplo, um diabético do tipo ou diabético do tipo 2 que está com o pâncreas muito estragado; ele tem muitos corpos cetônicos e uma glicose alta ao mesmo tempo no sangue e isso sim é perigoso.

Isso sim pode ser cetoacidose.

Isso não acontece porque o diabético em questão está seguindo uma dieta cetogênica.

Isso acontece porque ele não consegue produzir insulina, a dosagem está inadequada.

Essa pessoa deveria estar tomando medicações, sob supervisão médica, em qualquer dieta que ela estivesse fazendo – cetogênica ou não, low-carb ou não – ela deveria estar sendo acompanhada por um médico.

E isso não é uma coisa que vai acontecer se você é uma pessoa que segue uma dieta cetogênica porque você se sente bem com ela ou quer emagrecer.

Então isso aí está longe de ser a sua preocupação.

Você não vai ter cetoacidose se você consegue produzir insulina no seu corpo.

E note que a cetoacidose pode ser fatal e se você estiver com isso, no caso, sendo diabético do tipo 1, você precisa receber tratamento médico imediatamente porque é uma condição muito perigosa.

Você precisa, provavelmente, receber uma injeção de insulina ou outros cuidados que o seu médico, o seu centro de emergência mais próximo da sua residência vão te prover.

Só para pontuar: nós mencionamos os níveis de concentração de 0,5 até 2,5; 3,0 para a cetose nutricional, com o açúcar no sangue normal.

Em uma cetoacidose você vai ter níveis de 15 até 25 com o açúcar no sangue elevado.

Ou seja, as concentrações são da ordem de 50 vezes mais para a pessoa estar realmente muito, muito mal comparado com uma pessoa estar em cetose nutricional.

Então, como diz o médico canadense Jason Fung em uma frase que eu acho brilhante, “a cetose está para a cetoacidose assim como uma lareira na sua casa está para um incêndio no seu bairro”.

Um é uma coisa útil e totalmente controlada, e o outro é o caos generalizado que não deve acontecer, normalmente, na casa das pessoas, nem no seu corpo.

Resumindo então: você entendeu que cetose e cetoacidose são coisas muito diferentes; que uma é segura e você pode querer que aconteça – não tem perigo se acontecer

– e a outra não vai acontecer se você não é um diabético do tipo 1, ou tipo 2 com o pâncreas muito estragado e você não quer que aconteça.

Se acontecer você tem que receber cuidados médicos imediatos.

E essa era a lição do vídeo de hoje.

Comenta aqui embaixo se você gostou de saber essa historinha do timo, da radiação e tudo isso que aconteceu, história real, até das pessoas que roubavam as covas... se você gosta de historinhas, de fatos reais, comenta aqui.

Se você não gosta e prefere só o conteúdo comenta também, deixa a sua opinião para nós podermos saber para os próximos vídeos.

Independentemente de qual for a sua opinião, se você gostou do vídeo e se não gostou, comenta, nós estamos respondendo todos os comentários, nós ficamos muito felizes de ter você aqui, assistindo até o final.

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Se não tiver, tudo bem.

Nós nos vemos semana que vem!

Um forte abraço, do Senhor Tanquinho!