Epilepsia | Drauzio Comenta #61
Olá, amigos do Youtube.
Hoje vamos responder à pergunta feita pela Karina Cartas.
Aliás, não é uma pergunta, a Karina diz: "Drauzio, fala um pouco sobre epilepsia, por favor, com muitos "o"s, por favorzinho."
Karina, a epilepsia se caracteriza, basicamente, por manifestações neurológicas que vão desde crises de ausência - é a pessoa que tá aí parada e, de repente, tem uma ausência, parece que desapareceu do ambiente, e que, depois, volta ao normal - até crises convulsivas clássicas, aquelas que a pessoa se debate, que cerra os dentes e tem aquele quadro que assusta todo mundo que está perto.
Há outros casos mais confusos: gente tem uma sensação estranha, visceral, que parece que pega o estômago e é seguido de uma uma confusão mental e uma ausência.
Por que? Porque a epilepsia é causada por um foco que desorganiza as ondas cerebrais, e, dependendo do lugar do cérebro em que esse foco é desorganizado, nós vamos ter determinados sintomas.
Se pega uma área motora, nós temos a epilepsia que vai atingir os músculos.
Então... contrações musculares repetidas, que podem se espalhar pelo corpo todo ou podem pegar só uma determinada área do corpo, por exemplo: ter contração só no braço direito, por exemplo, e o resto do corpo é mantido. Ou ter contração no corpo inteiro.
Se pega uma área dessas que atingem a vigília, pode dar essas crises de ausência.
A pessoa está normal e, de repente, ela some do ambiente e, quando alguém a chacoalha, fala "o que aconteceu?", quando ela volta, ela não tem a menor noção do que ocorreu.
A epilepsia é uma conhecida há séculos na medicina, né?
E ela sempre teve uma característica de assustar os outros que estão perto e criou vários mitos, várias lendas.
No passado, se atribuía a razões religiosas: era um demônio que tomava conta daquela pessoa, e se criou um estigma sobre epilepsia, que persiste até hoje, infelizmente.
A epilepsia não é doença contagiosa, ela não tem qualquer risco de transmissão, o único problema é uma desarticulação, uma desorganização dessas ondas cerebrais.
Quando você estiver junto com alguém que sofre de um ataque epilético naquele momento, há coisas que não podem ser feitas de jeito nenhum!
Tem gente que diz: "Ah! Não pode deixar, porque vai morder a língua, vai sangrar, então tem que colocar alguma coisa na boca".
Então tome os seguintes cuidados: primeiro, quando tem alguém em um ataque epilético, você tira de perto as coisas em que ele pode se machucar, pode bater em lugares que acabem ferindo o corpo. Não coloque nada na boca (dela)!
Não coloque colher, muito menos o seu dedo na boca porque você vai tomar uma mordida difícil de soltar depois.
Não coloque nenhum objeto para impedir que a pessoa morda a língua
"Ah, mas ela vai morder!", é melhor que ela morda a língua, sangre um pouco e depois a língua se cura, do que você colocar um objeto que pode arrebentar os dentes, por exemplo, pode machucar e fazer a gengiva sangrar com cortes muito profundos.
A única coisa que tem que fazer é deixar a pessoa deitada, quietinha, o mais protegida possível dos objetos, que nada caia em cima dela, e esperá-la se debater... é um pouco aflitivo você ver a pessoa se debatendo naquele momento, mas não há nada a fazer, não vai acontecer nada, porque esses ataques epiléticos têm uma duração de segundos, no máximo alguns minutos, e para.
Depois que acabou o ataque, que aconteceu, leva a pessoa pra um pronto-socorro, porque ela precisa ser medicada, precisa tomar medicamentos, que a protejam, que a gente chama de anticonvulsivantes. Às vezes já vinha tomando esses remédios, esqueceu de tomar, e aí o que tem que fazer é dar essa orientação.
Mais nada.
Não coloque nada na boca (dela)!
Se morder a língua, paciência; vai parar de sangrar depois.
