How wine keeps you slim ,healthy and humble | Jeannie Cho Lee | TEDxHKUST
Tradutor: Fernanda Alves Revisor: Rafael Portezan
Boa tarde a todos.
A primeira vez que eu bebi um bom vinho foi na Universidade de Oxford.
Eu fui convidada para um jantar formal na Faculdade Christ Church.
E eu ouvia várias conversas sobre vinhos ao meu redor.
E algumas delas eram assim...
(Gravação) Esse "Talbot" tem esqueleto sólido, com notas de amoras silvestres e de fileiras de cerca-viva, não concorda?
Acho o 1981 é ligeiramente vegetal, corpo delgado, sem nenhuma mineralidade ou espinha dorsal.
Não foi um ano muito bom pra os tintos de Saint-Julien.
Eu prefiro o Margaux.
Os vinhos da margem direita tem sabor mofado e verde sem pernas ou camadas.
Jeannie Cho: Quantos de vocês entenderam o que eles disseram?
(Risos)
Naquele dia, me senti como se tivesse 7 anos de idade, apesar de ter 19.
Porque quando eu tinha sete, cheguei nos Estados Unidos,
Sem saber falar nada de Inglês.
E ao escutar essas conversas sobre vinhos foi exatamente como escutar uma língua estrangeira.
Eu fiquei pensando nas palavras "Amoras Selvagens"
Eu tive até que procurar essa no dicionário.
"Cerca-viva"
E o que "esqueletos" ,"corpos" e "pernas" tinham a ver com vinho.
Fiquei intrigada e fascinada.
E não somente isso, mas, era a incrível diversidade de sabores que eu encontrei nos vinhos.
Então, eu fiquei viciada.
E quando comecei a minha jornada, decidi que o melhor era encarar isso, exatamente como eu fiz com o inglês.
Encarar como uma língua estrangeira.
Então, a primeira coisa que eu fiz foi ler muito, Hugh Johnson, Jancis Robinson, escritores muito bons que nos deram a base sobre vinhos.
E eu percebi que havia um tema subjacente: que o mundo dos vinhos tinha uma linguagem com um alfabeto.
O alfabeto no mundo dos vinhos, o abecedário, era os tipos de uvas.
Então, eu vou falar sobre oito tipos de uvas.
E se vocês as conhecem, poderão entender, aproximadamente 80% do que encontramos numa lista de vinhos normal.
Vinhos brancos, por exemplo Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc e Pinot Gris.
Vinhos tintos, Cabernet Sauvignon, Syrah, Pinot Noir e Merlot.
Se vocês sabem as características dessas oito variedades de uvas, então esse é o seu alfabeto básico para entender vinhos.
O próximo passo, claro, é desenvolver o seu vocabulário
Como você pode usá-lo?
Você não pode começar a usar esse alfabeto até você entender como essas uvas se expressam, e isso nós chamamos de elementos básicos e como aumentar o seu vocabulário, e isso é a geografia do vinho.
Então, se você pegar o Chardonnay, por exemplo, se você planta a uva em Chablis, que é uma região mais fria, ela vai se expressar de uma maneira muito diferente, menos álcool e mais leve.
A gama de sabores tende a ser mais cítrica, limão-siciliano ou taiti e ai você a coloca em algum lugar mais quente e aquela mesma variedade de uva começa a se expressar de uma forma muito diferente.
Não somente isso, mas se você olhar os vinhos europeus, você vai ficar pasmo. porque eles não te dizem: "Eu sou um Chardonnay, sou um Cabernet Sauvignon".
A geografia dos vinhos te dá o vocabulário para decifrar aquela língua estrangeira que ouvimos anteriormente, quando as pessoas falavam sobre Margaux ou Saint-Julien ou Gevrey-Chambertin, e Burgundy, e todos esses lugares.
Isso é a geografia do vinho.
Quando começa a estudar isto, você adquire o vocabulário.
O passo final é o mais divertido. É quando você vai degustar, bebendo e saboreando vinhos o tanto quanto você puder e nesta fase os vinhos vão te mostrar o que Kenneth So mencionou antes sobre a diferença sobre habilidade e o conhecimento: conhecimento é o que você adquire quando aprende a geografia dos vinhos.
Você aprende as variedades das uvas, mas, na verdade, está construindo uma memória de paladares.
Como aplico as informações que eu agora posso entender, e ser capaz de reconhecer qualidade, ser capaz de reconhecer um Chardonnay da Austrália que pode ser diferente da Nova Zelândia?
E é essa habilidade que você adquire quando começa a dominar, a compreender o mundo e a linguagem dos vinhos.
O que eu percebi ao aprender mais, ao levar meus estudos muito a sério, lia muito, fiz vários cursos, me matriculei em um curso de vinhos e destilados, e passei por todo o caminho acadêmico.
Como os vinhos estavam começando a fazer parte da minha vida, percebi que eles estavam mudando a minha vida, e havia dois modos em que eles impactaram a minha vida: primeiro foi o relacionamento com comida e refeições; foi também o modo como eu vi a gastronomia e toda a interação social,
Então, a primeira coisa que eu acabei professando, foi que eu me tornaria uma hedonista.
Esse é o melhor jeito de descrever.
Porque não havia nada me impedindo na verdade de falar:
"Tudo bem. Eu vou buscar o prazer como o maior e mais válido objetivo de vida".
A propósito, esse é o conceito de hedonismo na definição de Oxford.
Quando começa a fazer isso, você passa a discriminar mais.
Você fica muito exigente e seletivo, porque no final das contas, o que você realmente está buscando é o que chamo de "orgasmos do paladar".
Se você não acredita que eles existem, sugiro que vocês assistam a uma palestra TED muito popular da Mary Roach.
Ela tem mais ou menos 16 milhões visualizações e ela estuda orgasmos.
Tem pessoas por ai que podem massagear seus joelhos, ou massagear suas sobrancelhas, e atingir o orgasmo.
Então por que não com o paladar, através da estimulação?
Quando você faz isso, percebe que está sendo criterioso, está sendo muito seletivo sobre como atingir aquele orgasmo palatal.
Neste contexto, o vinho tem seu próprio conjunto de incríveis sabores, e você tem sabores trabalhando uns com os outros.
Existem camadas, existem interações, esses sabores ficam entrelaçados.
E como se diz, quando a combinação de comida e vinho alcança um nível novo é que você realmente atinge o nível de orgasmos múltiplos do paladar.
E você aprende a ir devagar, como eu aprendi, porque como uma profissional do vinho, sempre sou convidada para maravilhosos jantares gourmet com vinhos nos quais são servidos normalmente de oito a dez incríveis vinhos e a comida também é refinada e deliciosa.
Então, você aprende a ser criterioso e cauteloso.
E eu aprendi que depois de anos tentando atingir orgasmos palatais múltiplos, eu me tornei alguém que conquistou um novo relacionamento com a comida. É muito diferente das dietas e dos modismos que você ve por ai nas quais dizem que a comida é as calorias são suas inimigas.
Não, elas são suas amigas, pois elas são a fonte do seu prazer.
Então, isso mudou completamente a minha perspectiva.
Em 2009, eu fui a uma excursão por 12 cidades asiáticas.
Naquele tempo, eu estava divulgando o meu primeiro livro, chamado Paladar Asiático.
Essa excursão envolvia combinar a cozinha local, com mais ou menos de seis a dez vinhos diferentes, e ao final de um daqueles jantares, no Park Hyatt em Seoul, um dos convidados da noite veio a mim e disse:
"Jeannie, foi maravilhoso. Eu me diverti muito.
Esse foi um dos jantares mais memoráveis que eu já fui".
Eu disse: "Fantástico. O que mais gostou sobre o jantar?
Nós falamos sobre a pimenta, e como ela interage com o tanino. e você percebeu como o sabor fermentado interage com a acidez...
Qual foi a parte mais interessante?"
Ele disse: "Isso foi interessante mas não, o que eu achei incrível que é possível ter uma refeição coreana por quatro horas.
Todas a nossa refeições, cantonesa, tailandesa, singapurense e coreana.
Nós terminamos normalmente, em menos de 60 minutos.
Se você sai para almoçar, 30 minutos é a regra.
Eu mesma sou culpada.
Eu como uma tigela de macarrão em apenas 10 minutos, ou menos.
Então, nós temos o hábito de comer muito, muito rápido.
E se você observarem os europeus, por três anos eu fui consultora na Galaxy Macao, você vai ver que os hábitos alimentícios das pessoas eram muito diferentes.
Então tínhamos três tipos diferentes de jantares.
Para europeus ou pessoas instruídas no ocidente, nossos jantares com vinhos, nos quais servimos entre 6 e 8 vinhos, duravam entre 2 ou 3 horas.
E eles estavam felizes com isso; esse era o passo correto.
Nós tínhamos jantares para chineses instrídos no exterior, ou asiáticos, que tinham um pouco de experiência no ocidente.
As refeições duravam uma hora e meia, mas definitivamente não mais do que duas.
Para todos os chineses VIPs do continente, a quem nós oferecemos esses jantares, eles tinham que entrar e sair em uma hora.
E você pode notar que a cultura de jantares já é muito diferente.
Quando você olha como isto afeta a saúde, e como o vinho tem um papel importante...
Quando você olha para trás 20 anos, você percebe que havia vários estudos saíram sobre vinho e saúde.
O mais famoso que foi ao ar na network CBS nos Estados Unidos, em um programa chamado "60 minutes", e eles falaram sobre o paradoxo francês.
Por que os franceses, que tinham uma dieta de gorduras altamente saturadas, não morriam de doenças cardíacas tanto quanto os americanos?
A Organização Mundial de Saúde diz que as duas maiores causas de mortes no mundo são doenças cardíacas e derrame.
Os americanos estão morrendo por isso num índice muito alto.
E observaram os europeus, tenho certeza que já leram sobre a dieta mediterrânea, e a conclusão sobre o paradoxo francês foi que o vinho tinto contribuiu para a saúde e longevidade deles e diminuiu o risco de doença cardíaca.
Com isso, nos últimos 20 anos mais ou menos houve vários estudos que respaldam essa ideia.
Outros estudos qualificaram não apenas o vinho tinto, mas o estilo de vida ativo deles e as porções menores.
E quando observamos o tipo de gordura, ela é saturada, mas não é gordura trans. É a gordura que na verdade é melhor para você.
Então, olhando para tudo isso, nós podemos resumir o que a maioria dos profissionais de medicina e saúde chama de "Curva J".
E a Curva J é essencialmente muito simples:
Se você se abstém e não bebe vinho ou álcool você pode ter o risco de morrer de várias doenças cardíacas.
Mas quando você bebe de forma moderada, ou seja, uma ou duas taças para mulheres, e de duas a três para homens, o seu risco de morrer de todas essas doenças cardíacas diminui.
Claro que quando você, ocasionalmente aumenta o quanto bebe, então faz sentido que o seu risco de morrer aumenta.
Então, eu gostaria de deixar de lado toda essa pesquisa de saúde e científica, e adotar uma visão mais prática do que realmente o vinho traz em termos de benefícios a saúde.
E eu acho que é muito simples.
O vinho faz com que o tempo desacelere.
Você pode realmente aproveitar uma garrafa ou taça de vinho sem pressa.
Existe toda uma variedade.
Existe a compra, a escolha, o debate sobre qual vinho devemos beber.
Mas depois, vem a cerimônia do vinho, de abrir a rolha, admirar o rótulo, ter certeza de que o vinho está na temperatura certa, ter as taças corretas.
E claro, na mesa tem a ver com servi-lo, e esse processo todo permite que você desacelere e ganhe tempo e isso é no relacionamento com a sua família, com seus amigos e colegas de trabalho também.
E se você adicionar uma garrafa de vinho à mesa, você provavelmente prolongará a sua refeição em ao menos 50%
Então, o vinho tem tanto o benefício social quanto o da saúde.
Depois de mais de 20 anos como uma profissional do vinho, com esse título, MV, Mestre de vinhos depois do meu nome, eu senti que não deveria ser mestra de vinhos, mas sim uma mestra em processo, pois o mundo dos vinhos é tão vasto, tão complexo, e tão rico, que mesmo se eu passasse o resto da minha vida estudando vinhos, eu teria sequer arranhado a superfície.
E tenho que me lembrar que sou de fora.
Eu não faço parte, não cresci em uma região de vinhos; não tenho a produção de vinhos correndo nas minhas veias.
E o vinho foi um objeto que eu acabei estudando mais quando adulta.
Quando saio para visitar as maiores regiões de vinhos no mundo, ao longo do ano, tenho que ser respeitosa, porque eu sou de fora.
Eu tenho que abrir a minha mente, ser curiosa, trabalhar duro, mas além de tudo ser humilde.
E esse é uma assunto que vai te fazer humilde.
Mas através do vinho, eu aprendi que há beleza no dia-a-dia da vida, que o vinho é na verdade uma fonte de mistério. que um bom vinho precisa de várias coisas, mas a principal é o coração do produtor.
Alguém que se preocupa, e realmente ama a terra, e se preocupa com as videiras, e está integrado com a natureza.
Essas são as pessoas que fazem ótimos vinhos.
Além disso, você tem que ter a mente de um cientista.
Você tem que saber química, como transformar o suco da uva nesta bebida incrível.
Mas mais que tudo, o mais importante, é preciso a alma de um artista.
Artista do vinho? É preciso uma sensibilidade de artista para receber o que a natureza lhe dá, que muda de safra a safra. É preciso fazer umas 100 decisões enquanto se está cultivando o produto até o resultado final.
Todas essas pequenas decisões foram levadas em consideração a obra de arte final que você tem em mente.
O vinho se tornou uma parte importante da minha vida.
Ele me mudou.
Ele me ensinou que todo dia você pode encontrar beleza e mistério.
E eu espero para todos vocês, que o vinho os toquem da mesma forma.
Obrigada.
