Não tem poder sem impotência.
O clínico é um político de uma natureza tal que é a própria política do desejo e que também o analisando chega na clínica com um desejo que perdeu a condição política.
Mas quem de nós ainda tem a condição política?
A política só existe com o pensamento onde há imaginação existe o poder, não a política ou a impotência.
A impotência anda junto com poder, não tem poder sem impotência.
Por isso que não adianta empoderar, porque você empodera sempre reproduzindo a impotência. É como na ecologia: reciclar os materiais...
Do que adianta uma indústria seguir produzindo materiais que por outro lado serão reciclados como compensação? É a mesma questão o empoderamento, o empoderamento é uma espécie de reciclagem da impotência.
Estamos cansados, eu estou cansado do empoderamento, não tem nada a ver, empoderar nada.
Nós temos é que potencializar, temos que fazer a distinção entre empoderamento e potencialização.
Um devir forte para a vida forte, que não tem nada a ver com força opressora, porque força opressora é a do fraco sempre.
Não há forte opressor, não há forte que capture, o forte é generoso, o forte dadivoso.
Esse tipo de força que a gente tem que aprender a criar, e o clínico deve ser um aliado para produzir esse tipo de força.
