O que é a esquizofrenia e quais os sintomas?
A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica crónica que tem uma prevalência de 1% na população e que se caracteriza, podemos dizer de uma forma mais generalista, de uma quebra do contacto com a realidade, e que se traduz por determinados sintomas, sendo que os mais determinantes são as alucinações auditivo-verbais, ou seja, a pessoa ouve vozes dentro da sua cabeça que não existem e que lhe dão ordens muitas vezes ou que comentam a sua vida.
Surge também ideias delirantes, habitualmente persecutórias, ou seja, a pessoa acredita
- e não há forma de convencer a pessoa do contrário - de que existe alguém a persegui-la.
Existem outros sintomas, mas estes são, assim, os mais habituais. É uma doença estigmatizante, antes de mais porque surge numa idade precoce da vida da pessoa. No final da adolescência e no início da idade adulta, em que todas as esperanças estão depositadas naquela pessoa.
E que há um corte nessa altura: uma pessoa que teve uma evolução perfeitamente normal, com as expectativas que se criaram para ela.
Nessas alturas, a própria pessoa que sofre da doença fica assustada com aquilo que lhe acontece e pode ter algumas atitudes, umas alterações do comportamento e, por vezes, até atitudes um pouco agressivas.
O facto de essas atitudes serem agressivas acaba por afastar ainda mais as pessoas e provavelmente - e obviamente - por estigmatizar mais a doença e a própria pessoa.
A esquizofrenia tem uma etiologia multifatorial, ou seja, o conjunto de várias causas é que pode vir a desenvolver a doença.
Essas causas são genéticas, sociais e psicológicas.
Sabe-se atualmente que 80% do risco de desenvolver esquizofrenia é herdado, sendo que os genes são fatores de risco e não determinantes da doença.
Ou seja, a conjugação com outros fatores de risco pode vir a desenvolver a doença.
Outros fatores que podemos falar são os próprios stressores da vida, exteriores, e a forma de a pessoa lidar com eles, bem como a personalidade da própria pessoa. É fundamental focar que o consumo de canábis, sabe-se atualmente que aumenta até seis vezes o risco de vir a desenvolver um episódio psicótico que pode desencadear a doença esquizofrenia.
O diagnóstico é exclusivamente clínico.
Não temos nenhum exame de imagem, nem temos nenhumas análises laboratoriais correntes na nossa prática clínica que nos permita chegar a um diagnóstico.
Assenta nos sintomas que eu falei anteriormente, nomeadamente as tais ideias delirantes, crenças que a pessoa acredita e não cedem à argumentação lógica e também às alucinações auditivo-verbais.
Paralelamente surgem também outro tipo de sintomas nomeadamente aquilo que nós chamamos de sintomas negativos: uma falta de vontade de fazer determinadas coisas; uma incapacidade de expressar emoções; e uma apatia e a falta de vontade de fazer as coisas que, juntamente com os outros dois sintomas, ajudam a consubstanciar este diagnóstico. É importante que estes sintomas se mantenham concomitantes - ou seja, em simultâneo - e que tenham uma duração de um mês de evolução.
A esquizofrenia é uma doença crónica com remissões e recaídas. É fundamental manter um acompanhamento psiquiátrico, manter a adesão terapêutica e evitar os fatores de risco possíveis de evitar, nomeadamente o consumo de canábis.
A família acaba por ser no meio desta doença apanhada de surpresa perante esta situação.
Portanto não sabe muitas vezes como lidar com isto.
São comportamentos bizarros, a que não estavam habituadas numa pessoa que até à data teve um percurso normal.
São situações muito complexas e que alteram muito a dinâmica familiar e que é preciso um... um renascimento de toda aquela dinâmica familiar e das expectativas que se depositavam numa pessoa.
