Segundo reinado Liberais Conservadores Escravidão, Industrialização e Parlamentarismo as Avessas
Olá, meus amigos, como vocês estão? Animados para a aula de hoje? Na aula de hoje, iniciamos o estudo do Segundo reinado, período que duraria quarenta e nove anos. Ou seja, é muita História. Então, vamos à aula de hoje?
Com o golpe da maioridade, D, Pedro, com apenas 14 anos, chegava ao poder.
Eu sei que podemos pensar que ele era apenas uma criança, e realmente era, mas temos que entender que não se tratava de uma criança qualquer.
Desde que nascera, era preparado para isso, era educado para isso, estudava para isso, mas, mesmo assim, tinha apenas 14 anos. O grupo que participara de sua formação, acho que também via o imperador como uma criança. Esse grupo, conhecido como facção áulica, acreditava que seria capaz de dirigir D. Pedro. Mas o monarca se desligaria o mais rápido possível desse grupo. Os liberais, que haviam lançado a ideia de antecipação da maior idade, foram agraciados com a chegada ao poder, formando o primeiro gabinete do segundo reinado, Mas como veremos já já, esse gabinete não duraria muito tempo.
Por falar em gabinete, deixa eu te explicar uma coisa. O sistema de governo adotado pelo império foi o parlamentarismo, o daqui do Brasil, tem algo especial, por isso é chamado de parlamentarismo às avessas. Era chamado assim, devido as características de seu funcionamento, pois na nossa monarquia parlamentarista, podemos dizer que o Rei reinava e governava. A própria formação do gabinete era anterior a formação do parlamento, o oposto do que ocorria no modelo britânico. Pense comigo. O parlamento representa o povo, e ao ser eleito demonstra, de alguma forma, o que o povo quer. É lógico então, que, formado o parlamento, a escolha do gabinete seja, mesmo que indiretamente, influenciada pela formação do parlamento.
Nessa lógica podemos dizer que, de alguma forma, o gabinete resulta dos ventos da vontade popular. Entendeu a ordem das coisas. O povo vota e forma o parlamento, depois esse parlamento, escolhido pelo povo tem influência na formação do gabinete. Mas no Brasil a ordem era oposta.
Primeiro escolhia-se o gabinete e esse gabinete organizava as eleições parlamentares, o que resultava, sem exceções, na vitória do partido do gabinete. Em outras palavras, se o gabinete era liberal, as eleições, que se seguiam a escolha desse gabinete, eram vencidas, pelos liberais, se o gabinete fosse conservador, as eleições, que se seguiam, eram vencidas pelos conservadores.
Ao longo do segundo reinado, uma série de medidas deram continuidade a concentração de poder nas mãos da monarquia. Inaugurada com o golpe da maior idade, um consenso pela centralização, que, por incrível que pareça, foi idealizado pelos liberais que, até 1837, vejam só,defendiam um projeto descentralizador. A essa medida centralizadora podemos somar o fim do habeas corpus, a lei interpretativa do ato adicional, a criação da figura do delegado de polícia, entre outros. Dois anos após a coroação de D. Pedro II, o gabinete liberal organizou eleições parlamentares. As eleições transcorreram de forma tensa, e a violência acabou sendo usada para convencer eleitores a votarem no partido liberal. Partindo do princípio de que o voto era aberto, ou seja, você declarava seu voto em alto e bom som, a violência é sempre eficiente em demover qualquer um de suas convicções ideológicas.
Ainda mais em um momento em que as ideologias já não eram tão distintas assim. Em outras palavras, a partir desse momento, podemos dizer que havia mais interesse pelo poder do que divergência de projetos. Ficava cada vez mais claro que que os liberais eram tão conservadores quanto os conservadores. Isso me faz lembrar de uma famosa frase de Holanda
Cavalcanti que afirmou certa vez: Nada se assemelha mais a um Saquarema do que um Luzia no Poder. Saquaremas era o apelido dado aos conservadores, enquanto os liberais eram chamados de Luzias. Traduzindo a frase ele quer dizer que tanto liberais quanto conservadores no poder, colocarão em prática uma agenda conservadora. Mas voltando às violentas eleições, você sabe como essas eleições passaram a ser denominadas?
As eleições do cacete. Imagina o escândalo quando as acusações de fraude e violência liberal chegam à imprensa e a D. Pedro. O menino, que agora tinha dezesseis anos, tem que tomar uma atitude. Confirma ou não a eleição liberal? O menino D. Pedro confirma, mas a lambança liberal não ficaria imune. D. Pedro dissolve o gabinete liberal e forma um gabinete conservador. Como vocês acham que os liberais reagiram? Se conformaram?
Não. Eles pegam em armas e fazem uma revolta. Essa revolta acaba sendo sufocada e os liberais envolvidos perdem, ao menos de imediato, seus direitos políticos. Os debates em torno de uma anistia, se estende, ao menos, nos dois anos seguintes. D. Pedro aproveita para se fortalecer e, em 1844, traz os liberais novamente ao poder, claro não os liberais que haviam se rebelado, pois esses haviam perdido seus direitos políticos, mas liberais dispostos a aceitar as decisões do imperador. O gabinete liberal formado vai, aos poucos, concedendo anistia aos liberais rebeldes de 1842, ou seja, as coisas vão lentamente se normatizando.
Você está achando estranho essa atitude de D. Pedro? Com isso ele está tentando criar um equilíbrio de poder naquele sistema bipartidário. Já que o projeto dos dois é conservador, vamos conciliar com os dois e se aproveitar desse balanço de poder. D. Pedro passa a fazer, de forma tácita, um revezamento no poder. Ou seja, quem está fora do poder sabe que daqui a pouco vai chegar a sua vez. Esse modelo seria facilitado, a partir de
1847, quando é criado o cargo de presidente do conselho de ministros, que ficaria mais conhecido como chefe do gabinete. Nesse modelo, o imperador escolhe um chefe do gabinete que fica responsável por formar o gabinete. Quando esse chefe de gabinete cai, todo o gabinete cai. Qual a importância dessa figura em relação ao imperador?
Pensa comigo, se D. Pedro escolhe os ministros e um deles faz besteira, quem “se queima”?
O imperador certo? Foi ele quem escolheu mal, mas com o chefe de gabinete, se um ministro erra, ou faz besteira, a culpa é do chefe de gabinete que, caso o problema seja grave ou “adequadamente” grave, é substituído. Só por curiosidade, o primeiro chefe de gabinete do império foi Pedro de Araujo Lima, o Marquês de Olinda.
Eu sei que já falamos de 1847, quando citei a criação da figura do chefe de gabinete, mas, até por que não é importante ficar gravando datas, vamos voltar um pouquinho para falar de algumas coisas importantes que acontecem entre 1844 e 1845 e que, além de caírem bastante em provas, são importantes para a compreensão da História do 2º reinado.
Em 1844, eu destacaria duas coisas, todas as duas, de alguma forma, estão relacionadas a nossa política externa. A primeira foi o fato de o Brasil reconhecer o estado Paraguaio.
O Paraguai, até então, desde a independência, optou pelo isolamento em relação aos vizinhos.
Isso, durante todo o governo de Francia. Com a chegada ao poder, no Paraguai, de Antônio
Lopes, O Brasil se aproxima de seu vizinho, passando a manter relações políticas e comerciais com o país vizinho. O outro fato marcante de 1844 é aquilo que chamamos de Tarifa Alves Branco. Qual seria a sua importância?
Pra falar disso, temos que lembrar de nossos tratados de comércio com os ingleses desde o período colonial. Vocês vão lembrar que, em 1810, Portugal assinou um tratado concedendo vantagens comerciais aos ingleses. Sei que vocês se recordam de que, entre as vantagens, os ingleses pagavam apenas 15% de taxas alfandegárias, o que desestimulava qualquer iniciativa interna de industrialização.
Quando nos tornamos independente, em nossa busca pelo reconhecimento, assinamos com os ingleses uma espécie de renovação daquele tratado desigual, tratado que teria duração de 15 anos. Em 1842, o tratado caducou, e os britânicos passaram a pressionar o Brasil para que renovasse esses tratados. Dois anos depois, em 1844, era publicada a tarifa Alves
Branco, que onerava as taxas alfandegárias para todos os países, incluindo para os ingleses.
Podemos dizer que essa medida abria caminho para um incipiente processo de industrialização.
Professor, mas por que foi um processo incipiente? Incipiente pelo fato de que foi uma espécie de voo de galinha. Um ano depois da implantação das novas taxas, além de provocar um aumento das importações alfandegárias, também encareceu o produto importado, o que estimulava a implantação de indústrias. Mas repito, foi apenas um voo de galinha, a despeito dos acontecimentos que teriam favorecido uma decolagem.
E pra que isso fique mais claro para você, eu emendo dizendo para você que seis anos depois, outro acontecimento também pode ser apontado como um potencial indutor de nossa industrialização. Que fato foi esse? A lei Euzébio de Queirós. Você pode estar pensando aí: Eu conheço essa lei, foi a lei que acabou com o tráfico, mas em que essa lei poderia contribuir para um processo de industrialização? Elementar, meu caro Watson, o tráfico era um dos mais lucrativos negócios do planeta, os traficantes possuíam um grande volume de capital empregado nessa atividade. Com o fim do tráfico, esse capital precisava de um destino, pois como você já sabe, a diferença entre dinheiro e capital, é que capital se reproduz. Se o tráfico já não existe, devo procurar uma nova atividade pra reproduzir meu capital. Está aí, porque, assim como a tarifa Alves branco, a lei Euzébio de Queirós também pode ser entendida como um potencial indutor de nossa indústria.
A primeira metade da década de 1860, também apresentou uma conjuntura favorável a industrialização brasileira, sabe qual foi? Vai uma dica: foi um elemento exógeno, externo. Ainda não sabe? Então eu te digo, a guerra de secessão nos Estados que, ao direcionar a indústria americana para a produção bélica, favorecia a nascente indústria brasileira. Ou seja, destaquei três fatos que teriam contribuído para a aceleração da industrialização brasileira. Mas você já deve ter percebido que eu estou relativizando, não estou afirmando que foi, estou dizendo que poderia. Então por que não foi? Vou te explicar.
Embora tenha ocorrido realmente um pequeno momento de industrialização, o fato é que havia um certo arcaísmo em nossa elite. Há um livro dos historiadores João Fragoso e
Manolo Florentino que tem como título exatamente isso. Arcaísmo como projeto.
Havia uma crença em nossas elites de que o Brasil tinha uma espécie de destino manifesto, só que, diferente do destino manifesto dos Estados Unidos, que estaria fadado a dirigir os destinos da América, o nosso era o de ser o celeiro do mundo. Essa visão ficou conhecida como vocação agrária. Mesmo antes da lei Euzébio de Queirós, alguns traficantes já começavam a migrar os seus investimentos, no entanto, a maior parte desse capital era destinado a atividade agrária. Entre as inciativas contrárias a esse fluxo de investimentos ligados à vocação agrária, podemos destacar, como exemplo, os empreendimentos de Irineu Evangelista de Souza, mais conhecido como Barão de Mauá. Não contando com apoio do Estado, ele conseguiu construir um império com empreendimentos variados como Ferrovias, iluminação pública, comunicação, estaleiros, bancos, entre outros. Na década de 1860, a pressão dos cafeicultores , acaba levando a uma relativa redução das taxas alfandegárias sobre os produtos importados. Ou seja, internamente havia os do contra, uma espécie de peso no pé. Até mesmo o nosso barão de Mauá não resistiu a essa força anti-industrialista.
Tendo que bancar até mesmo a política externa do Império, como na politica dos patacões,
Mauá não resistiu, indo à falência no final da década de 1870.
Esse voo de galinha de nossa indústria, como vimos, em parte pode ser creditado a essa elite agrária, que ainda se fundamentava no modelo das plantations herdada do período colonial. Essa atividade, de bases coloniais era uma atividade ainda marcada pelo trabalho escravista, Eu disse, ainda, pois como veremos, mais tarde, essa mão de obra viveria um crescente declínio com lenta e progressiva substituição pelo trabalho livre, incluindo a crescente entrada de imigrantes europeus, principalmente a partir da década de 1830. Não é por acaso que eu diria para vocês que uma das principais marcas do segundo reinado foi a questão da escravidão. Não estou exagerando, tanto debates internos quanto questões de política externa, incluindo aí tensões internacionais, tiveram como pano de fundo a escravidão e o chamado tráfico de carne humana. Não é novidade para ninguém, mas é sempre bom enfatizar que a escravidão deixou profundas marcas na sociedade brasileira. Marcas tão profundas que afetam, até hoje, a forma como o inconsciente coletivo enxerga o negro, o trabalho braçal, como as relações pessoais e sociais ainda imaginam o embranquecimento como positivo, como as desigualdades sociais prevalecem, na ausência do negro nos altos cargos das empresas, etc, em suma, essas marcas não se manifestam apenas no racismo explícito e doentio, mas também no perverso e dissimulado racismo estrutural. Considerando o aspecto demográfico, a curva de crescimento do número de escravos entrou em declínio a partir da segunda metade do século XIX, decaindo de forma mais vigorosa até a década de 1880, década final da escravidão no país Essa diminuição era resultado de um conjunto de fatores que não podemos, de forma injusta, creditar apenas a uma pessoa ou a um ato.
A sociedade estava em transformação, a opinião pública também, os negros e os movimentos anti escravistas, se organizavam para interromper essa prática considerada, já, naquele momento, como um símbolo do arcaísmo e do atraso brasileiro. Aos quilombos, soma-se também a gradativa entrada de europeus que iriam ser utilizados na economia cafeicultora, especificamente na do oeste paulista, região em que a produção do café era feita bem mais próximo de centros urbanos, principalmente a partir do advento das estradas de ferro. O pecúlio, a alforria, o escravo de ganho, o escravo da nação, são inovações que se apresentavam como tentativas sociais de manter algo que já não cabia no mundo da segunda revolução industrial. O debate no parlamento, resultou na aprovação progressiva de leis anti escravistas. O fim do tráfico, em 1850, apenas inaugurava a atuação legislativa nessa direção. Em 1871, foi a vez da lei do ventre livre, que considerava livre, a partir de então, todos os negros nascidos no Brasil. Era limitada, essa lei? Sim, mas não podemos deixar de considera-la como um avanço. Os debates eram intensos.
Para vocês perceberem com o tema ganhava importância, sua aprovação acontece durante a gestão de um conservador na chefia do gabinete, o visconde do Rio Branco, Pai do Barão do
Rio Branco. As limitações da lei estão no fato de que, embora livres, essas crianças
, que eram denominadas de ingênuos, permaneciam junto a escravaria. O proprietário da mãe poderia escolher entre usar os serviços dessas crianças, a partir dos 8 anos de idade, ou uma indenização pela criação desse ingênuo. Vocês acham que acontecia o quê? O Estado indenizava o proprietário pela criação do ingênuo?
Segundo dados do ministério da agricultura, em 1885, havia no país, 16 anos após a lei do ventre livre, quatrocentos mil ingênuos, desses, apenas cento e dezoito haviam sido entregues ao Estado Imperial em troca de indenização. Beleza, mostrei as fragilidades dessa lei, mas reafirmo que não podemos desconsiderar a importância de sua aprovação para o processo que levaria a abolição da escravatura, assunto que retomaremos em nossa aula sobre a crise do segundo reinado. Em 1845, finalmente, depois de dez anos, o império conseguia derrotar a revolta no sul, a revolução farroupilha. Considerando aquele
Brasil das regências, caótico, com perda de território, parece que D. Pedro conseguia restaurar a paz interna novamente, as repúblicas de Piratini e Riograndense se reintegravam ao território brasileiro. No entanto, ainda teríamos que enfrentar uma revolta de cunho liberal, seria a Revolução praieira de 1848. É comum se afirmar que a praieira encerrou o ciclo de instabilidade que tivera início no período regencial.
Como foi a última e costuma cair em provas, não podemos deixar de falar sobre ela.
O nome de praieira para a revolta é devido ao fato de a sede onde se organizavam os rebeldes era um jornal que se localizava em uma rua chamada “rua da praia”, simples assim.
Inclusive, foi por intermédio desse jornal que eles publicaram o ”manifesto ao mundo”.
O texto, que havia sido produzido por Borges da Fonseca, era uma espécie de lista de reivindicações entre as quais: o voto livre e universal, garantia de trabalho, fim do monopólio português no comércio, liberdade de imprensa, independência dos poderes e, consequentemente, extinção do poder Moderador. É muito comum em provas, associar essa revolta ao contexto das revoluções liberais que varriam a Europa naquele momento. Claro que vocês lembram que em 1848 a Europa era varrida pela chamada primavera dos povos, e essa ideias liberais não estavam restritas ao velho continente, como as propostas demonstram, haviam chegado ao Brasil. A rebelião , que aconteceu em Pernambuco, foi derrotada definitivamente em 1850. Saindo do Norte, vamos descer até o sul.
A região sul do império era extremamente sensível. Desde o período colonial, havia uma grande importância estratégica na região. A independência das colônias espanholas e fragmentação do antigo vice reino do Prata, o surgimento de novos Estados, alguns ainda não consolidados, outros divididos entre partidos polarizados, ou seja, a instabilidade reinava e isso não era bom para o Brasil. A dificuldade que o Brasil tinha em acessar territórios como o Mato Grosso, por terra, nos levava a ter interesses na livre navegação de rios platinos. Então, como seria nossa política externa em relação a essa região? Como já disse anteriormente, até 1844, o
Brasil não reconhecia o Paraguai, e só fez isso a pós a chegada de Antônio Lopes ao poder. Além do `Paraguai, temos o Uruguai, antiga província brasileira que havia conseguido sua independência em 1828. A Instabilidade do país era representado pela disputa entre dois partidos: Os partidos Blanco e Pleto?, ... não, Branco e colorado.
O último dos Estados platinos era a república Argentina, que era conhecida como Províncias
Unidas do Rio da Prata até 1826. Na Argentina também havia disputas internas entre dois projetos de Estado, os unitaristas, fortes em Buenos Aires, e os federalistas ligados as províncias do interior. De forma didática, podemos dizer que havia dois polos de poder no Prata, um era a Argentina e o outro o Brasil. Como exemplo, podemos usar o bipartidarismo Uruguai. Quando o Partido Blanco estava no poder, os uruguaios se aproximavam da Argentina, quando o partido Colorado , o Uruguai se aproximava do Brasil.
Até o início da década de 1850, havia uma certa hegemonia argentina no Prata, isso em grande parte pela administração de Juan Manoel Rosas que, que governou o país até
1852. A dinâmica política da região do Prata nos ajuda a entender o processo que levaria o Brasil a participar da maior guerra de sua história, mas isso fica para a nossa próxima aula. Antes de irmos, no entanto, vamos fazer o que já é nosso costume. Umas questões para revisar a aula e testarmos nosso aprendizado. Vamos lá?
1. (Unicamp 2020) Os números indicam que antes da abolição de 1888 restavam pouco mais de setecentos mil escravos no Brasil. Conforme estimativa do censo de 1872, elaborada pelo IBGE, a população total do país era de 9.930.478 habitantes. Isso indica que grande parte da população de cor (pretos e pardos) já havia adquirido a liberdade por seus próprios meios antes da Lei Áurea. (Adaptado de Wlamyra Albuquerque, A vala comum da ‘raça emancipada’: abolição e racialização no Brasil, breve comentário. História Social,
Campinas, n. 19, p. 99, 2010.)
Com base no excerto e nos conhecimentos sobre a história da liberdade no Brasil, assinale a alternativa correta. a) A maioria da população negra já era liberta antes de 1888, porque as províncias escravistas do Sudeste, almejando abrirem-se para a imigração italiana, vinham adotando medidas abolicionistas desde o fim do tráfico, em 1850. b) Em termos globais, o grande percentual da população livre de cor reflete o peso demográfico da população liberta concentrada nas províncias pouco dependentes da escravidão, como Santa Catarina e Paraná. c) A maioria da população africana e seus descendentes já era livre quando a Lei Áurea foi aprovada, porque vinha obtendo alforrias através de uma multiplicidade de estratégias, desde o período colonial. d) O alto número de libertos antes de 1888 reflete o impacto da abolição dos escravos por parte do Imperador D. Pedro II, pois a família real era a maior proprietária de cativos durante o século XIX, na região do Vale do Paraíba.
Dê uma pausa leia com calma, que eu vou passer para o gabarito em 1,2,3,4,5
Resposta:
[C]
Desde os tempos coloniais, a concessão espontânea de alforrias por parte dos senhores e a compra de alforrias através de acumulação de recursos próprios pelos escravos de ganho já constituíam possibilidades de liberdade aos cativos. Durante o Segundo Reinado, leis como a Eusébio de
Queiroz, a do Ventre Livre e a dos Sexagenários ajudaram a aumentar o número de libertos.
2. (Ufrgs 2019) A Revolução Praieira foi um movimento que arregimentou oligarcas e setores empobrecidos da população pernambucana contra o Império do Brasil. Ao divulgarem o “Manifesto ao Mundo”, os rebeldes exigiam, entre outras demandas, o voto livre e universal, a independência dos poderes constituídos, o fim do Poder Moderador e o monopólio de brasileiros no comércio varejista.
Em relação aos seus ideais, é correto afirmar que os rebeldes a) foram inspirados pela Revolução Francesa, eram favoráveis à centralização política no poder executivo e partidários da presença portuguesa na economia. b) foram influenciados pela “Primavera dos Povos” de 1848, eram liberais e possuíam um componente antilusitano. c) eram adeptos das teorias socialistas, incentivando a luta de classes e a administração centrada no poder do imperador. d) lutavam contra o predomínio das oligarquias regionais, preconizavam a “revolução dos pobres” e a independência da região Nordeste. e) defendiam o fim do Império, o retorno à condição colonial e o incentivo ao comércio interno.
Dê uma pausa leia com calma, que eu vou passer para o gabarito em 1,2,3,4,5
Resposta:
[B]
Sofrendo influência da chamada Primavera dos Povos (que levou, dentre outras coisas, ao fim do Absolutismo na França, em 1848), a Revolução Praieira foi marcadamente liberal, federalista e contrária a permanência de elementos portugueses na política brasileira.
3. (Espm 2019) Somente a partir de 1850 vai se obser¬var um maior dinamismo no desenvolvimen¬to econômico do país em geral e de suas manufaturas em particular. O crescimento do número de empresas industriais se faria com relativa rapidez. (Sonia Mendonça. A Industrialização
Brasileira)
O assunto tratado no texto guarda relação com: a) a eficácia duradoura da tarifa Alves Bran¬co que protegeu a produção brasileira da concorrência dos produtos estrangeiros, sobretudo ingleses; b) o fim do tráfico de africanos para o Bra¬sil, estipulado pela Lei Eusébio de Quei¬rós, medida que liberou capitais, até então empatados na compra de escravos, para outras atividades, como indústria, servi¬ços urbanos e bancos; c) a opção firme do governo imperial por apoiar a indústria em detrimento da agri¬cultura, o que é comprovado pelo auxílio ir¬restrito às atividades do Visconde de Mauá; d) a expansão da indústria, a partir de me¬ados do século XIX, que ocorreu em to¬dos os grandes centros do país, conforme comprovam o elevado número de empre¬sas com mais de cem trabalhadores em regiões como o Norte e o Nordeste; e) a formação de um consistente mercado interno decorrente da mineração, que im¬pulsionou uma robusta urbanização capaz de oferecer escoamento da produção no âmbito local.
Dê uma pausa leia com calma, que eu vou passer para o gabarito em 1,2,3,4,5
Resposta:
[B]
A partir da segunda metade do século XIX ocorreram transformações econômicas no
Brasil associadas ao café (internamente) e a Revolução Industrial (plano externo).
Em 1850 foi aprovada no Brasil a Lei Eusébio de Queirós que proibiu o tráfico de escravos possibilitando a elite nacional investirem em outras atividades econômicas tais como: indústrias, transportes, bancos, etc. Gabarito [B].
4. (Unesp 2019) É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de
1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar. A silhueta antiga do senhor de engenho perde aqui alguns dos seus traços característicos, desprendendo-se mais da terra e da tradição
– da rotina rural. A terra de lavoura deixa então de ser o seu pequeno mundo para se tornar unicamente seu meio de vida, sua fonte de renda […]. (Sérgio Buarque de Holanda.
Raízes do Brasil, 1987.)
O “caráter próprio” das fazendas de café do Oeste paulista de 1840 pode ser explicado, em parte, pelo a) menor isolamento dessas fazendas em relação aos meios urbanos. b) emprego exclusivo de mão de obra imigrante e assalariada. c) desaparecimento das práticas de mandonismo local. d) maior volume de produção de mantimentos nessas fazendas. e) esforço de produzir prioritariamente para o mercado interno.
Dê uma pausa leia com calma, que eu vou passer para o gabarito em 1,2,3,4,5
Resposta:
[A]
Somente a alternativa [A] está correta. O excerto do pensador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda aponta para a especificidade da cafeicultura no denominado “Oeste Paulista”.
O café começou a ser produzido em larga escala no Vale da Paraíba na primeira metade do século XIX em estilo tradicional semelhante à economia açucareira do período colonial, isto é, utilizando o latifúndio, escravidão, monocultura e a economia visava o mercado externo (Plantation). No “Oeste Paulista”, a economia cafeeira teve caráter próprio com a utilização de imigrantes, o investimento em outras atividades econômicas ligadas ao universo urbano, surgimento de muitas ferrovias para escoar a safra da fazendo até o Porto de Santos, entre outras.
5. (Mackenzie 1997) O Golpe da Maioridade que colocou Pedro II no trono em 1840 representou: a) a vitória dos liberais que retornaram ao governo, convidados para formar o primeiro ministério do Segundo Reinado. b) a ascensão dos conservadores afastados do poder desde o Avanço Liberal. c) o enfraquecimento do regime monárquico e o crescimento do republicanismo. d) o declínio da aristocracia rural já que o novo governo não apoiava a manutenção de seus privilégios. e) o fortalecimento da democracia, fato comprovado na primeira eleição do Segundo Reinado, a "eleição do cacete".
Dê uma pausa leia com calma, que eu vou passer para o gabarito em 1,2,3,4,5
Resposta:
[A]
E ai, o que vocês acharam? Fácil? Acertaram todas? Espero que sim, mas se não acertaram, o importante é que tenham aprendido com os erros. Ok, gente, nos vemos em nossa aula na plataforma. Um grande abraço.
