• slidebg1

Semana 10A: Hormonas do eixo hipotálamo-hipófise (I)

Existem várias formas de regular a harmonia dos diversos órgãos uns com os outros.

Existem as moléculas sinalizadoras que cada célula pode mandar para células vizinhas ou para a corrente sanguínea, e existem tecidos que tem uma função muito importante na regulação total porque vão lançar várias hormonas para a corrente sanguínea em resposta a estímulos, que são estímulos diversos que podem estar relacionados com a temperatura, com a quantidade de determinadas substâncias que estão na corrente sanguínea (por exemplo, a glucose, ou iões). Existem também muitas maneiras de regular a atividade destes mensageiros. Assim, por exemplo, como a resposta a um mensageiro depende, não do mensageiro em si, mas da ligação do mensageiro a um recetor.

Verifica-se que se o número de recetores para um mensageiro numa célula aumentar estamos a aumentar também a resposta deste tecido a este mensageiro, e de forma contrária podemos diminuir o número de receptores fazendo com que o tecido fique menos sensível a este mensageiro. Estes efeitos subtis de sobre expressão dos recetores ou de sub-expressão dos mesmos permitem que uma mesma quantidade de mensageiros em circunstâncias diferentes tenha efeitos diferentes. Tal como (por hipótese) a mesma intensidade de som de um carro e estamos a atravessar a rua, numa pessoa que tenha a audição normal funciona como um aviso sabemos “Ah! vem aí um carro! Tenho que me despachar..”, e num caso de uma pessoa que seja completamente surda a mesma intensidade de som não vai ter efeito nenhum. O efeito do som no comportamento depende não só da intensidade do som, mas da sensibilidade da pessoa ao estímulo sonoro. Por analogia, o mesmo se passa nas nossas células. Células que tenham muitos recetores são mais sensíveis a esse sinal do que as células que têm poucos recetores.

O mesmo mensageiro pode ter efeitos diferentes em células diferentes, se cada uma delas tiver recetores específicos. Eu disse- vos que cada recetor se liga a um mensageiro e tem determinados efeitos, mas os efeitos dependem de muitas coisas. Por exemplo imaginem os mensageiros lipossolúveis, cujos receptores são fatores de transcrição. Quando eles se ligam ao recetor ficam ativos e podem unir- se a determinadas zonas do DNA fazendo com que essas zonas dêem origem a RNA mensageiro.

Eu posso facilmente ter efeitos diferentes do mesmo mensageiro, em células diferentes se os os recetores forem diferentes. Imaginem, por hipótese que o recetor de uma hormona tem uma estrutura específica que lhe permite ligar-se a uma zona de um cromossoma 4 e que numa outra célula o recetor em vez de ter a capacidade de se ligar a essa zona zona desse cromossoma 4, tem é a capacidade de se ligar a uma zona do cromossoma 17.

Então o mesmo ligando, a mesma hormona lipossolúvel, ao unir-se ao recetor em células diferentes vai num caso estimular a produção de RNA mensageiros e proteínas codificadas por cromossoma 4 e noutro

RNA mensageiros e proteínas codificados pelo cromossoma 17. O mensageiro é o mesmo mas o efeito é diferente porque o recetor tem um papel diferente . Também no caso dos mensageiros hidrossolúveis isso acontece e é até algo muito frequente. Eu disse-vos que há uma enorme variedade de recetores de mensageiros hidrossolúveis: há recetores que são GPCRs, há recetores que estão ligados a canais iónicos, recetores que são cinases, recetores que estão em cinases que dão cascatas de cinases, e por aí adiante... e posso ter recetores para a mesma hormona (por exemplo, com a adrenalina. ter receptores para a mesmo hormônio

A adrenalina tem uma multidão de recetores: há recetores que tem efeitos por exemplo de fosforilação de algumas enzimas que ativam alguns processos e outro recetor da mesma adrenalina tem a capacidade de fosforilar os efeitos contrário, e assim consoante um tecido tem mais recetores de um tipo ou mais recetores do outro a mesma adrenalina pode ter um efeito “assim” ou efeito “assado” e por acaso na adrenalina é uma daquelas coisas muito comuns:

Toda a gente deve ter ouvido falar em alguma altura da sua vida que a adrenalina é uma hormona que é secretada quando estamos numa situação de emoções fortes ou em situações de exercício físico e que pessoas diferentes (ou às vezes até a mesma pessoa mas em circunstâncias diferentes) com o mesmo tipo de estímulo que faz a adrenalina tem circunstancias fisiológicas contrarias. Por exemplo um dos efeitos da adrenalina quando ela se liga a um determinado recetor que está presente nas células de revestimento dos vasos sanguíneos é favorecer a sua contração.

Quando a adrenalina atua sobre esses recetores temos então contração dos vasos sanguíneos e o fluxo sanguíneo diminui e isto é particularmente comum no fluxo sanguíneo periférico, e então a pessoa fica pálida mas existe também um outro recetor da mesma adrenalina que pelo contrário estimula a vasoconstrição e quando esse efeito ocorre então essa pessoa fica com mais fluxo sanguíneo e então por isso fica ruborizada. Quando a pessoa está assustada ou zangada é sempre a adrenalina que está a atuar, mas num caso a pessoa pode ficar vermelha de raiva ou outra pode ficar branca “como a cal da parede”, mas é tudo efeito da mesma adrenalina porque se ligou a recetores diferentes. E é claro agora que vocês perguntam

Como é que que a mesma adrenalina num caso se liga a um recetor e noutro caso se liga a um recetor diferente?”

Bem, porque cada recetor tem capacidades diferentes de se ligar a adrenalina. Imagine que eu tenho um recetor que se liga à adrenalina quando ela está com a concentração X e que este recetor faz com que os vasos sanguíneos fiquem contraídos e as pessoas fiquem pálidas.

Imaginem que eu tenho outro recetor que em vez de se ligar a adrenalina quando a adrenalina está com a concentração X só se liga quando está com a concentração 10 vezes superior.

Então eu se tiver uma concentração X de adrenalina só os recetores que ativam a vasoconstrição estão ativos, então a pessoa fica branca como a “cal da parede”. Quando temos mais adrenalina, imaginemos 10 vezes mais adrenalina eu tenho ao mesmo tempo a atuação dos que nos estão a pôr “brancos como a cal da parede” e agora já tenho a atuação dos recetores que fazem com que a pessoa fique ruborizada e então uma pessoa não fica tão pálida, já tende a ficar ruborizada. Quanto mais adrenalina tem, maior se torna um número de recetores que fazem uma pessoa ficar ruborizada ativos, então esse efeito sobrepõe-se ao outro, e por tanto consoante a concentração de adrenalina que tenho eu posso ter uma situação em que está o efeito da palidez ou o efeito da ruborização. Também existem os sistemas que acontecem por exemplo quando uma pessoa está muito tempo a receber a mesma hormona.

Isto pode provocar uma situação em que as células que estão a ser permanentemente estimuladas por esta hormona começam então a produzir menos recetores e por tanto à medida que o tempo passa a resposta celular a esta hormona vai diminuir

Isto é particularmente comum quando uma pessoa está numa situação de obesidade crónica em que as células deixam de estar estar tão sensíveis à insulina. O que acontece às vezes é que para estar em obesidade é porque está sempre muito bem alimentada e nós sabemos (ou vamos saber mais pormenor daqui a uns tempos) que quando temos um nível elevado de glucose na corrente sanguínea (estamos bem alimentados portanto), nós secretamos insulina

Se o nível de glucose sanguínea estiver sempre muito elevado,

( porque a pessoa está sempre a comer ou come muito doces ou com muita frequência) então temos insulina (porque temos glucose elevada) durante muito tempo e estamos a lançar insulina para a corrente sanguínea com mais frequência.

Esta insulina, sempre em actuação, ao fim de meses, anos, décadas, as células comecem a produzir menos recetores de insulina e haver uma situação em que as células já têm tão poucos recetores de insulina que já praticamente se tornam “surdas” à insulina nesse caso deixam de poder fazer aquilo que fariam quando respondem à insulina.

Então verifica-se aí uma situação de diabetes “mellitus” que não é dependente da insulina.

Diabetes “mellitus” (também falaremos disto com um bocadinho mais de pormenor) é aquela situação em que as células atuam como se não houvesse insulina, ou porque não há insulina mesmo ou porque deixaram de ouvir o sinal da insulina. Nesta circunstância existe uma serie de consequências fisiológicas, de que falarei quando fôr altura.

Existem também mecanismos de controlo hormonal em que uma glândula secreta uma hormona e depois, à medida que concentração dessa hormona aumenta, desencadeia-se um sinal que faz com que (por exemplo) a secreção desta hormona diminua. É aquilo a que chamamos um processo de “feedback” (mecanismos de retroação ou retroinibição).

Existem processos em que existem uma série de glândulas que atuam umas a seguir às outras: a glândula A secreta uma hormona que atua sobre a glândula B, que em resposta secreta uma hormona que atua sobre uma glândula C … e portanto neste caso o nosso objetivo é obtermos a hormona final, mas que ele é desencadeado por uma hormona anterior. Isto é muito comum e as glândulas que estão mais frequentemente envolvidas nesta sequência de ativação são glândulas que se encontram na nossa cabecinha que se chamam de Hipotálamo e Hipófise que estão aqui na base do cérebro. O Hipotálamo aqui representado neste tom azul- esverdeado é uma zona de tecido nervoso que recebe informação sensorial do corpo todo. Quando digo sensorial não me refiro àqueles cinco sentidos exteriores de que as pessoas vêm falar mas a informação relativa à temperatura a quantidade de sais que estão na corrente sanguínea, equilíbrio, e por aí adiante.

Abaixo do Hipotálamo existem duas glândulas que originalmente (por estarem muito unidas) há muitos, muitos anos os anatomistas julgaram que era só uma glândula e que chamaram de Hipófise ou de Pituitária.

Os livros de inglês chamam- lhe Pituitária, mas em português chama se Hipófise.

A hipófise na realidade tem duas regiões, que são duas glândulas diferentes, só que por acaso estão no mesmo sítio.

A parte da frente (a que chamamos hipófise anterior) também é chamada de adenohipófise.

A parte de trás que também é chamada de hipófise posterior é na verdade um prolongamento do hipotálamo, é constituída pelo fim, pela extremidade de neurónios cujo corpo celular está no hipotálamo. A Neurohipófise também é chamada de hipófise posterior.

O hipotálamo controla estas duas glândulas de maneiras diferentes: o controlo da neurohipófise é um controlo imediato, porque a neurohipófise é um prolongamento do próprio hipotálamo, são células que começam aqui e terminam aqui, portanto é um controlo nervoso. . O controlo da adenohipófise, pelo contrário, é um controlo que exige moléculas sinalizadoras que saem do hipotálamo e vão para a corrente sanguínea. Ora a corrente sanguínea, como vocês sabem, no nosso corpo são entre quatro a cinco litros de sangue. Ora as hormonas que estão no hipotálamo que são lançadas pelo hipotálamo são secretadas em muita pequenina quantidade. Se elas fossem diluídas nos quatro litros e meio ou nos cinco litros de sangue de sangue que o ser humano tem, antes de chegar adenohipófise elas ficavam muitíssimo diluídas.

Portanto o que acontece é que entre o hipotálamo e a adenohipófise existe uma rede de capilares especiais, essas hormonas controladoras lançadas pelo hipotálamo, em vez de irem para os cinco litros de sangue que estão no nosso corpo , vão para os poucos microlitros de sangue que existem nestes canais, nestes capilares, e portanto atingem a adenohipófise em considerações bastante mais elevadas do que seria obter de outra maneira. Este conjunto de capilares chama-se “sistema portal hipotálamo-hipofisário”.

Se fizerem uma experiência em animais, de cortar estes capilares, de fato a adenohipófise deixa de ser controlada pelo hipotálamo porque as tais hormonas ficam demasiado diluídas.

Ora convém nós conhecermos como funciona a adenohipófise e a neurohipófise. A neurohipófise, como é um prolongamento do hipotálamo, é constituída por neurónios.

Os neurónios costumam comunicar uns com os outros através de moléculas sinalizadoras específicas chamadas neurotransmissores.

No caso da neurohipofise, os seus axónios secretam substâncias, não para sinapses (ou seja espaços entre dois neurónios), mas secretam diretamente para a corrente sanguínea. Existe um vaso sanguíneo que passa aqui pela neurohipofise e a neurohipofise lança para aqui as moléculas sinalizadoras, que portanto se chamam de hormonas

(ou também neurohormonas porque são lançadas pelos neurónios) É importante conhecermos as duas neuro-hormonas lançadas pela neuro-hipofise, que são a oxitocina e a vasopressina.

Elas são hormonas hidrossolúveis que são pequenos péptidos muito semelhantes entre si e que atuam em recetores diferentes. A oxitocina é bastante importante para a reprodução dos mamíferos.

Ela é secretada fundamentalmente em duas circunstâncias: uma dessas circunstâncias que faz com que a oxitocina seja secretada em maior quantidade é a distensão uterina.

Ora o útero só se distende quando tem uma pessoa pequenina a crescer lá dentro e essa pessoa pequenina se torna um pouco maior..

A oxitocina é secretada fundamentalmente mesmo no fim da gravidez, quando o útero já está tão grande, tão distendido, que é altura do bebé nascer.

A oxitocina, quando é secretada, um dos seus efeitos é estimular as contrações uterinas, que como toda a gente sabe são importantes para o parto.

Por exemplo quando uma parturiente está muito tempo á espera, já o líquido amniótico saiu por rutura do âmnio e se o bebé nunca mais sai então tem que se induzir o parto e esse é feito com oxitocina.

Outra coisa que faz com que a oxitocina seja secretada é a estimulação do mamilo por sucção porque um dos outros efeitos da oxitocina é induzir a lactação, a libertação do leite das glândulas mamárias

Quando o peito já tem leite suficiente (geralmente dois ou três dias depois do parto) a maior parte das vezes coloca-se a criança no peito, a criança começa a mamar e o leite sai mas às vezes (isto é um pouquinho mais frequente quando é a primeira criança a nascer, o primeiro parto da pessoa,) às vezes isso não é suficiente para que se secrete oxitocina e portanto o bebé faz a sucção e o leite nunca mais sai.

Isto é, claro, muito mau: para a criança porque não se está a alimentar, é mau para a mãe que tem o peito cheio de leite e não sai

(e depois a deixa preocupada, obviamente), mas hoje em dia, felizmente, é muito fácil resolver esse problema: quando o leite não está a sair é possível dar oxitocina à pessoa. A oxitocina é um pequeníssimo péptido que pode ser inalado, e existem inaladores de oxitocina que são semelhantes aos inaladores que se usam para salbutamol ou para outros fármacos que se usam contra a asma, e depois de duas ou três vaporizações de oxitocina, em meio minuto o leite começa a sair, é como se fosse “uma torneira a sair leite” e fica toda a gente contente: é claro, o bebé. porque se está a alimentar, a mãe , porque se liberta, as pessoas que ficam á volta da mãe também porque se não estavam todos a colocar as mãos à cabeça a ficar em pânico.

Não se nota que estou a falar por experiência pessoal, pois não? Pois.

A oxitocina, fora destas duas atuações, tem uma outra atuação que é psicologicamente importante para os seres humanos: sabe-se que a oxitocina está também envolvida na criação de laços emocionais entre as pessoas, por exemplo, a oxitocina que se liberta quando o bebé está a mamar é responsável por favorecer a criação do vínculo entre a mãe e o bebé e por isso essa é uma das razões pelas quais se estimula as mães recentes a ter o bebé ao peito porque isso ajuda a criar toda a ligação e portanto para uma boa saúde mental e psicológica num processo pós-parto.

A oxitocina também é secretada durante o orgasmo e está relacionada com a criação de vínculos emocionais entre os parceiros.

A vasopressina, que também é secretada pela neuro-hipófise, é uma hormona importante para a regulação do volume sanguíneo

Ela é secretada quando existe necessidade de diluir o plasma.

O plasma contém células (obviamente) e contém proteínas, nutrientes e sais minerais.

O hipotálamo deteta a concentração total de solutos no sangue

(que é fundamentalmente afetada pelos sais minerais que estão presentes).

A osmolaridade elevada, que geralmente é um sinal de que o volume sanguíneo está um bocadinho abaixo do que devia é um dos principais estímulos para a secreção desta hormona.

Nós poderíamos pensar que, se temos uma alta concentração de solutos no sangue, então o que dá jeito é retirar os solutos, ou seja, excretá-los.

Só que na prática não funciona bem assim porque muitos solutos que temos no sangue são valiosos: deram trabalho ao corpo para obter através da alimentação e portanto convém (quando estão em grande concentração) não nos livrarmos deles deles mas simplesmente dilui-los para não desperdiçar o trabalho que tivemos para os obter.

(Chamamos osmolaridade à quantidade total de solutos baseado no sangue)

A vasopressina vai portanto fazer com que se dilua estes solutos: a diluição dos solutos implica aumentar o volume do sangue, e isto pode ser feito de uma forma relativamente fácil se regularmos a excreção de urina.

Nós permanentemente estamos a filtrar o sangue nos nossos rins e os conteúdos solúveis (água e alguns solutos) passam para os túbulos renais. sto é uma representação esquemática do que temos nos nossos rins.

Nós temos no rim uma multidão de túbulos, de tubinhos a que chamamos de túbulos renais.

No início temos a Cápsula de Bowman e o Glomérulo de Malpighi: aqui entram os capilares, e os capilares trazem sangue, os conteúdos líquidos e substancias de baixo peso molecular passam para este tubo e circulam por este tubo até saírem para os ureteres onde já está a urina feita. A quantidade de filtração aqui é muito elevada: são dezenas e dezenas de litros de plasma por dia, mas nós sabemos que só temos 5 litros de sangue.

Como é que nós aqui podemos filtrar dezenas e dezenas de litros? nós não urinamos dezenas de litros de água, o que é que acontece? À medida que o líquido avança por aqui, quando ele chega a esta zona da ansa de Henle (que é esta curva) nós vamos retirar sódio. Quando retirarmos sódio significa que a concentração de sódio aqui fica uma concentração muito pequenininha.

A concentração de sódio deste lado fica muito maior, porque estivemos a retirar o sódio: o Na+ quee estava aqui passou para aqui.

Se aqui a concentração de sódio se tornou muito pequenininha o que é que isto nos diz quanto á percentagem de moléculas que aqui estão dentro que são sódio? É uma percentagem muito pequenininha. E a concentração de percentagem de moléculas que não são sódio?

Fica uma percentagem maior. Quando retiro daqui sódio, significa que a concentração de água aqui dentro está a tornar-se uma concentração maior, ao passo que aqui à medida que vou colocando mais sódio aqui a concentração de água vai se tornando progressivamente, mais pequenina.

(Coloquei o tamanho das moléculas para dar a ideia se a concentração é alta ou baixa)

O que é que acontece? nós sabemos que as substâncias tem tendência a avançar do sítio em que estão em grande concentração para o sítio em que tem que estão em baixa concentração e portanto o que é que acontece quando a água está a circular aqui ? Isto é urina se está a formar. É uma urina que tem uma grande concentração de água: está muito diluída. Se esta membrana que aqui está for permeável a agua, o que é que acontece? A água foge para aqui, porque deste lado a água está em baixa concentração.

Ora o que acontece é que a parede deste tubo não tem sempre a mesma permeabilidade à água: para que isto seja permeável á água é necessário que nestas paredes, se houver canais que deixam passar a água,

, quando a agua chega a este lado, passa por estes canais e escapa para aqui.

Estes canais que deixam passar a água não estão sempre nestas paredes: estas paredes geralmente não tem muitos canais disponíveis, e portanto nós podemos não estar a recuperar muita água, mas quando as células desta paredes são estimuladas pela vasopressina, então os canais de água que geralmente estavam guardados dentro das células, vêm para aqui e água passa a ser recuperada.

A solução da vasopressina portanto permite recuperar água e diminuir a produção de urina.

Se não houvesse vasopressina, nós eliminaríamos uma quantidade absurda de urina: quinze a vinte litros de urina e entraríamos rapidamente em desidratação.

A vasopressina, por fazer na recuperação da agua, e permitir portanto que se dilua o sangue

(pois esta agua vai para o sangue), vai também diminuir a quantidade de urina.

Por diminuir a quantidade de urina chama- se também à vasopressina "hormona antidiurética" (ADH).

Existe uma doença em que a vasopressina não está a atuar e em que por causa disso nós ficamos com o volume de urina demasiado elevado

Essa doença chama-se "diabetes insípida".

Quando as pessoas pensam na palavra "diabetes" pensam geralmente na "diabetes mellitus" que é uma situação em que a pessoa tem muita glucose na corrente sanguínea.

Esta diabetes (insípida) não tem nada a ver com a glucose. Convém nós sabermos que a palavra "diabetes" na realidade significa uma situação em que nós temos uma produção muito abundante de urina.

Não significa (ao contrário daquilo que muito de vocês poderão pensar ) que é uma situação em que existe muita glucose no sangue

Diabetes significa que temos urina abundante, por exemplo porque não recuperamos a água ou podemos ter urina abundante porque temos tantos solutos aqui que a concentração da água não fica muito elevada e portanto não temos uma diferença de concentrações de água e por isso não a recuperamos mesmo que haja estes canais de água nas paredes dos túbulos renais.

Estas duas situações são diferentes: quando o problema é não haver canais suficientes que permitam a recuperação de água na superfície dos túbulos renais isso chama-se "diabetes insipida" porque a urina que se forma é uma urina muito diluída que não tem sabor.

(Há algumas décadas antes de haver métodos analíticos, uma das formas de análise era olhar para a urina

, ver se era transparente ou não, se tinha muito ou pouco cheiro e também se sabia a isto ou àquilo) felizmente com o avanço das ciências analíticas deixou de ser necessário provar a urina para avaliar o estado metabólico dos pacientes

A diabetes insipida pode ser de dois tipos: “central”, em que existe a falta de secreção de vasopressina. Isto acontece por exemplo porque existe um problema na neurohipofise.

Neste caso, como não há vasopressina, os trasnportadores de agua não são colocados na superfície das células do túbulos renais e portanto não recuperamos a agua. Existe uma outra diabetes insipida que se chama "nefrogénica"

Nesta diabetes insipida a quantidade de vasopressina em circulação é uma quantidade saudável. O problema é que os recetores que estão nas células dos túbulos renais, não respondem à vasopressina, que é o equivalente, por exemplo, eu gritar a avisar para uma pessoa e essa pessoa ser surda. Por muito que eu grite ela não vai responder, porque não recebeu a mensagem.

Na diabetes insipida nefrogénica existe falta de recetores ou resposta insuficiente dos recetores da vasopressina.

O efeito final é o mesmo, mas o tratamento é diferente: se o problema é ser um diabetes insipida central, se o problema é a pessoa não ter vasopressina, nós produzimos vasopressina em laboratório, injetamos a vasopressina e o individuo deixa de urinar quantidades obscenas de água, mas se o problema for uma diabetes insipida nefrogénica o problema é a falta de resposta à vasopressina.

A pessoa já tem vasopressina mesmo que injetemos doses enormes de vasopressina, a pessoa continua a desfazer-se em urina porque os recetores não ligam à vasopressina.

Uma vez que já terminamos as duas hormonas da neurohipofise, chegou a altura de falar das hormonas que são secretadas pela adenohipófise. A secreção destas hormonas é controlada diretamente pelo hipotálamo através de hormonas que o hipotálamo secreta para o sistema portal hipotálamo-hipófise.

O hipotálamo secreta um conjunto de hormonas que são geralmente hormonas estimuladoras.

Algumas são inibidoras. As hormonas estimuladoras, vou escrevê-las a verde.

São a TRH, GHRH, GnRH e CRH (já vamos ver o que significa cada uma destas).

Nestes nomes, "RH" significa "hormona libertadora" (do inglês “releasing hormone”)

Existe uma hormona inibitória lançada pelo hipotálamo que se chama PIF

(fator inibitório da prolactina).

TRH significa "hormona libertadora da tirotropina ". Quando a TRH atua sobre a adenohipófise, esta vai libertar uma hormona chamada "tirotropina" ou TSH.

TSH significa "hormona estimuladora da tiroide" (thyroid stimulating hormone). "Tropina" significa que é uma hormona que atua numa outra glândula, "tiro" significa "tiroide", que é o alvo.

A GHRH atua na secreção de uma hormona chamada GH (que vem do inglês "growth hormone") que é "hormona do crescimento".

Também se chama "somatrotopina".

Existe uma outra hormona que atua sobre a secreção da somatrotopina: é uma hormona inibitória chamada somatostatina. Portanto a GHRH estimula a secreção da hormona do crescimento

, a somatostatina (está escrito a vermelho), inibe a secreção da hormona do crescimento

GnRH significa "hormona libertadora das gonadotropinas", duas hormonas que atuam (como o próprio nome) indica sobre as nossas gónadas.

Estas gonadotropinas são duas, são a hormona luteinizante (LH) e a hormona estimuladora dos folículos (FSH)

A CRH é a "hormona libertadora da corticotropina", que é a hormona estimuladora do córtex supra-renal (ACTH, "adrenocorticotropic hormone).

Finalmente, o fator inibitório da prolactina inibe a secreção de prolactina.

Nós temos que saber os efeitos de cada uma destas hormonas e temos de saber também quais são alguns dos fatores que estimula a regulação da sua secreção.

Por exemplo, a TRH é uma hormona cuja secreção pelo hipotálamo aumenta bastante quando estamos em situações de baixa temperatura.

A GHRH é uma hormona que é secretada em três situações diferentes: a hipoglicemia, o sono profundo, e o exercício físico intenso. A somatostopina é secretada quando existe excesso de somatotropina.

Neste processo o que acontece é que, por exemplo, ao estarmos em hipoglicemia, ou em sono profundo o hipotálamo lança uma hormona secretora da hormona do crescimento, a adenohipófise em resposta secreta a hormona do crescimento e à medida em que esta hormona do crescimento se torna muito abundante, ela por sua vez vem atuar por retro inibição fazendo com que se secreta a somatostatina.

A secreção de GnRH ) hormona libertadora das gonadotropinas) é regulada por hormonas que são produzidas em resposta à LH e FSH.

Isto dá origem à possibilidade de modificação cíclica das suas concentrações.

A secerção de CRH (e consequentemente de corticotropina) ,por sua vez ,é diminuída por uma hormona que se chama cortisol. Os traumas físicos e stress estimulam a secreção de CRH.

A mais fácil de compreender destas todas é a prolactina.

A prolactina tem um efeito particularmente importante nas senhoras. A prolactina é responsável por estimular as glândulas mamárias para a produção de leite. Recordem-se que a oxitocina faz com que ele seja libertado.

São duas coisas diferentes: posso ter muita produção de leite e não ter libertação e neste caso o problema é haver falta de oxitocina, o peito fica cheio mas o leite não flui; isto é doloroso, e pode criar inflamação. Prolactina e oxitocina atuam para o mesmo fim, que é a alimentação do bebé, mas atuam des maneira diferentes: a prolactina é para a produção de leite. Existe um outro efeito importante da prolactina: vai atuar de maneira a aumentar a probabilidade do bebé ter muito leite só para si.

Diminui bastante a libido, aumenta a probabilidade de não ser necessário partilhar o leite com um irmão mais novo.