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CRÔNICAS DA VIDA | QUEM NUNCA ERROU O TROCO?

Nota de Dois Reais.

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Não vou dizer pra vocês jóinha... mas eu gosto de vocês.

E não esquece,

Não.

Não.

Nunca.

De comentar,

Eu fui estacionar o carro perto do restaurante do ano em BH.

Onde costumo comer praticamente todo o dia.

E chegou o flanelinha com aquele estilo faceiro.

Alegre.

Contagiante.

"Deixa comigo patrão."

"Deixa comigo patrão."

Nunca entendo nada do que eles falam.

"deixa comigo patrão." É rápido. É muito rápido.

Eu falei:

Sim.

"ô patrão paga adiantado, tô precisando."

Ok, naquele dia era um dia bom pra mim, tirei uma nota de dois reais da carteira e entreguei pra ele.

Ele ia ficar lá no final, sempre encontro ele pela mesma rua.

Já é conhecido.

Só que ele ficou muito exultante com aquela nota de dois reais.

Não parava de me agradecer.

"Ahhhhh, muito obrigado doutor."

De patrão eu virei doutor.

"Muito obrigado, doutor.

A minha família agradece

Eu vou rezar, eu vou pensar no senhor."

Não calava a boca.

Eu pensei, meu deus do céu, só dei uma nota de dois reais e descarrilhei essa incontinência.

Ele não conseguia calar a boca.

Só faltava me abraçar, me beijar e eu tentando ir para o restaurante.

Pois é.

De noite, eu fui para uma festa e quando fui pagar a entrada, cadê a nota de cem reais?

Sumiu.

Só tinha uma de dois.

Me deu uma raiva, eu tinha me confundido e entregue ao flanelinha minha nota de cem reais.

No dia seguinte, na hora que eu fui estacionar no restaurante ele apareceu.

Ele estava rindo exultante ainda.

E eu olhei pra ele mas muito furioso.

Eu encarei, eu fulminei e disse para ele:

Essa rua é minha até 2025.