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Dia mundial da alimentação - Entrevista com Carlos Augusto Monteiro

Bem, nós sabemos que a alimentação é hoje no Brasil e no mundo é um dos fatores que mais influenciam nossa saúde. Várias doenças estão relacionados à alimentação: doenças crônicas, obesidade, diabetes, câncer, doenças do coração...

Então a alimentação pode nos proteger dessas doenças. A questão é como fazer essa mensagem chegar às pessoas. E uma das formas de fazer essa mensagem chegar às pessoas é através da atenção básica de saúde é nós temos no Brasil um sistema de atenção básica à saúde invejável

Nós temos equipes de saúde da família, nós temos muitos contatos entre a população e o sistemas de saúde. O guia alimentar para a população brasileira, ele foi produzido exatamente para fornecer um material, um conteúdo para essas equipes de saúde da família e profissionais de saúde em geral para conversar e dialogar com a população diferentemente de outros guias ele é escrito em uma linguagem extremamente acessível. Uma das premissas do guia é que para a pessoa se alimentar bem ela não precisa ser um nutricionista, portanto ela não tem que ter conhecimentos técnicos específicos, mas naturalmente para vencer os obstáculos (e são muitos os obstáculos para uma alimentação saudável) é muito importante a ajuda, a participação, enfim, dos profissionais de saúde, da equipe de saúde da atenção básica. Transferir esse conteúdo do guia para chegar a essa população isso requer algum tipo de esforço e há vários grupos no Brasil inclusive na faculdade de saúde pública, a professora Patrícia Jaime ela está desenvolvendo materiais desse tipo, que são filmes, são cartilhas, enfim são roteiros, que vão facilitar esse processo de comunicação

Não há solução mágica, na realidade, não há uma ou duas orientações que você pode dar à população mas a ideia é fazer com que as pessoas pensem mais na alimentação. Dediquem mais tempo à alimentação, valorizem mais a alimentação

E procurem saber mais sobre a alimentação. Então isso é um processo que deve ser usado e a gente deve usar todos os espaços para isso. As escolas são um outro espaço muito interessante em relação às crianças e adolescentes e os serviços de saúde são um outro espaço. Os meios de comunicação que a gente puder utilizar. De qualquer maneira o que nós estamos propondo no guia alimentar é alguma coisa que vai contra a corrente. Porque qual que é a corrente, qual é a tendência que a gente tem toda no mundo? É as pessoas cada vez mais abandonarem os padrões tradicionais de alimentação, os alimentos de verdade, o cozinhar, o comer companhia e substituir isso por alimentos ultraprocessados, por modos de comer absolutamente não saudáveis. Então, hoje, o que a gente está propondo na verdade é uma reversão desse processo. E o guia alimentar é um instrumento adequado para isso, a meu ver, mas ele vai precisar muito de muito esforço dessas equipes de saúde da família, dos professores nas escolas, enfim, das várias pessoas estão envolvidas em serviços, em políticas públicas, que vão finalmente fazer esse conteúdo e essas informações chegarem à população. E aí você tem dois desafios, que eu acho, um é que há obstáculos para uma alimentação saudável e o guia discute isso, que a questão do tempo, é a questão de se entender a cozinha com uma coisa específica da mulher, quando não deveria ser assim, da publicidade de alimentos que ensina exatamente o contrário daquilo que deveria ser praticado pelas pessoas. Então é importante, não só a pessoa entender esses obstáculos para ela poder praticar essa alimentação saudável, mas também é muito importante que as pessoas como cidadãos se engajem em lutas políticas para fazer com que esse ambiente alimentar seja mais favorável à alimentação saudável para que a gente não tenha propaganda na televisão sobre alimentos ultraprocessados, para que a gente não tenha alimentos ultraprocessados sendo vendidos a preço muito baixo em função de que eles não pagam nenhum tipo de imposto. Essas ações políticas de regulação elas são complexas porque a indústria de alimentos pressiona os governos para não aprovar nenhum tipo de regulação. Sem o apoio da sociedade civil a gente não vai conseguir avanços nessa área né a rotulagem nutricional por exemplo que está agora para ser resolvida no Brasil, ela é extremamente importante e nós só vamos conseguir aprovar essa nova legislação de rotulagem nutricional dos alimentos, se a gente tiver engajamento da sociedade civil. Então quando você faz educação alimentar mesmo em um serviço de saúde, tem que pensar nessas duas coisas: a pessoa se capacitar para ela poder ter uma alimentação mais saudável e ela exercer o seu papel de cidadão para fazer com que o ambiente em que ela vive seja um ambiente promotor, realmente, da alimentação saudável