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Semana da Alimentação Extraordinária • Desconstruindo Mitos (aula 02)

Olá! Eu sou o Flávio Passos, comunicador e pesquisador de saúde, nutrição e gastronomia.

Eu estou compartilhando através dessa série de vídeos o conhecimento essencial para que você saiba como fazer do alimento um aliado da sua qualidade de vida, do seu desempenho físico e do seu desempenho mental.

Desde que eu iniciei meus estudos sobre saúde e nutrição em 1999, tive a oportunidade de estudar com grandes nomes da ciência nutricional e da medicina preventiva.

Com eles eu tive acesso às bases de um conhecimento simples e importante que eu acredito que deveria ser ensinado em todas as escolas.

De lá para cá, a ciência já avançou muito no entendimento de como funciona e quais são as necessidades da saúde humana.

Muito de como era tido como certeza pelas grandes instituições de conhecimento, já foi desconstruído e desmistificado.

Hoje já temos disponível um universo de evidências científicas que ressignifica quais são as melhores formas de se alimentar para nutrir todos os aspectos da saúde.

Mas esse conhecimento ainda é pouco acessível para a maioria e precisa ser divulgado de forma coesa, estruturada e objetiva, de uma forma que inspire a sua prática.

Quando você aprende as causas e efeitos das suas escolhas, você entende como cuidar melhor de si mesmo e de quem você ama.

Quanto mais você investe na sua saúde, mais benefícios você colhe: imunidade, beleza, conforto, disposição, produtividade e felicidade.

Sim, quanto mais saudável, mais feliz você fica.

Quanto melhor a sua alimentação, melhor a saúde dos seus intestinos; quanto melhor a saúde dos seus intestinos, mais serotonina eles produzem.

Serotonina é o hormônio do bem-estar, quanto mais serotonina, mais você sorri.

Saúde é felicidade e é importante que você entenda isso.

Infelizmente, ainda não é o comum em nossa sociedade a prática de uma alimentação pura, livre de elementos que poluem a natureza do corpo e que impedem seu funcionamento pleno.

E nem é comum ter consciência de todas as necessidades, dos diferentes elementos nutritivos que o corpo precisa para manifestar a sua excelência.

Infelizmente, para a grande maioria das pessoas, o comum é passar a vida lidando com as consequências de deficiências nutricionais e da intoxicação crônica com substâncias artificiais.

Infelizmente é comum sofrer com inúmeros sintomas de doenças evitáveis, que estão diretamente relacionadas às escolhas inadequadas. É terrivelmente comum envelhecer dependendo não só de vários medicamentos, mas também dos cuidados de filhos e de outros familiares e é muito comum que as pessoas gastem o seu tempo e a sua força de vontade com estratégias erradas para perder peso e ganhar saúde.

Sempre desistindo por falta de bons resultados.

Eu acredito que algo precisa mudar em um mundo onde a escolha de cuidar bem de si e de desfrutar de uma existência plena e saudável, ainda é algo fora do comum.

Com a ajuda de excelentes profissionais, eu tive a boa oportunidade de viver essa mudança, de me transformar, por isso, hoje eu posso te ajudar a viver o mesmo.

Antes de continuar, eu quero deixar aqui o meu agradecimento pelo o seu tempo e pelo interesse em estudar esse conteúdo.

A chuva de comentários amistosos que nós recebemos no primeiro vídeo, nos mostra que mais e mais pessoas estão realmente interessadas em viver fora da caixa e em fazer da sua existência alguma coisa extraordinária.

Isso me deixa realmente feliz.

Caso você não tenha visto o primeiro vídeo dessa série, eu recomendo que você pause esse aqui e volte mais tarde após assistir ao 1º vídeo.

Assistindo na ordem, você aproveita melhor todo o conteúdo.

No 1º vídeo, eu falei sobre quais são os 7 fundamentos da saúde e como aplicá-los no seu dia a dia. É básico, mas é muito importante e é sempre bom se lembrar do que é essencial.

Se você ainda não viu, recomendo que assista. É bom lembrar que estudar sobre saúde sem testar o conhecimento é como ir a um restaurante e tentar saciar a fome apenas lendo o cardápio, não é suficiente ficar só na teoria.

Para colher todos os valiosos benefícios, você precisa colocar em prática, experimentar e reprogramar os seus hábitos.

Um sábio disse certa vez, uma frase muito profunda e verdadeira:

"É mais difícil para um homem transformar a sua alimentação do que a sua religião."

Com isso, ele reconheceu que os desafios para alguém reprogramar os hábitos alimentares são muitos.

No começo dessa jornada, nós sofremos com falta de conhecimento, não sabemos o que fazer, o quando fazer e o por que fazer.

Não sabemos quais são as melhores opções nem onde encontrá-las e muito menos sabemos diferenciar o que é ciência pura e o que é interpretação equivocada ou informação manipulada.

Esse é um obstáculo: o saber.

Outro grande obstáculo é o condicionamento emocional, o apego aos hábitos que trouxeram tanto conforto ao longo da vida.

Os prazeres alimentares sociais, as recompensas açucaradas depois de momentos difíceis ou mesmo os hábitos nocivos que se criam com determinadas substâncias que provocam a compulsão, como o açúcar, por exemplo.

Este é outro grande obstáculo: os vícios e condicionamentos.

Para conquistar esses desafios, você precisa estar motivado, você precisa tomar uma decisão verdadeira dentro de si e saber que está disposto a investir o seu tempo e a sua atenção nessa transformação que tem o valioso potencial de melhorar a sua vida em todos os aspectos e de forma dramática.

Mesmo assim, você precisa entender que essa não é uma jornada de curto prazo, uma dieta milagrosa, algo que vai transformar, em poucos dias, uma condição que se construiu ao longo de muitos anos.

Nutrição de verdade não faz milagres, ela é como cuidar de um jardim: as escolhas de hoje vão te afetar hoje, amanhã e nos próximos anos.

Então, tenha calma e nenhum medo de errar, é errando que se aprende, é testando que você verifica o que te faz bem e, aos poucos, as melhores escolhas, se tornam algo natural para você.

Aos poucos, você vai aprendendo a criar pequenos rituais ao longo do dia, curtos momentos em que você adota uma série de pequenos cuidados fundamentais que fazem toda diferença e te mantém no rumo.

Tem muita coisa legal que pode ser feita para facilitar essa jornada.

Você também precisa estar bem orientado porque do que adianta você estar motivado, mas não saber a direção?

A direção é mais importante do que a velocidade.

Como eu disse no primeiro vídeo, é importante ter um bom médico e um bom nutricionista, mas é fundamental que você compreenda o quê e porquê está fazendo cada escolha, qual a razão de um suplemento ou de um complemento, quais os efeitos de cada coisa e também é importante você saber discernir o que fazer quando você não se sente bem, como ajustar suas escolhas, enfim, conhecimento não é luxo, é artigo de sobrevivência.

O mais legal é que conhecimento é algo fascinante, conhecimento é luz, quando você entende os efeitos, as consequências e os benefícios, fica muito mais fácil fazer as melhores escolhas.

Fica mais fácil evitar o açúcar quando você aprende a detectar em você o que ele te causa; fica mais fácil quando você entende o preço que você está pagando para comer um determinado alimento que não te faz bem.

Falta de conhecimento, falta de tempo para se organizar, comprar ou preparar, convivência com pessoas que não se preocupam em comer bem, apego emocional, vício em determinados alimentos, não posso dizer que esses não são grandes desafios, mas como alguém que conseguiu vencer cada um desses desafios, eu estou aqui para te dizer que isso é possível e que é bem mais fácil quando tem alguém te ajudando.

E eu estou aqui para te ajudar.

No momento certo, vamos lidar com cada uma dessas dificuldades.

Com conhecimento e as estratégias certas, é perfeitamente possível reeducar o seu metabolismo, seu paladar e o seu emocional de uma forma que te permite vencer as dependências e compulsões alimentares e aprender a gostar daquilo que te faz bem.

Isso é importante e eu vou dizer de novo, com outras palavras: com o conhecimento e as estratégias certas, você aos poucos, transforma seu paladar e até as suas preferências pessoais.

De uma forma natural, você aprende encontrar prazer no alimento puro, naquilo que te faz bem.

Acredite: isso existe e acontece naturalmente, conforme a prática se desenvolve.

Eu passei anos completamente dependente doces, pães, bolos, refrigerantes, frituras e alimentos industrializados.

Hoje o meu corpo só me pede aquilo que faz bem para ele, eu não faço nenhum esforço para me alimentar bem.

Entenda, não é que eu não faça algumas exceções de vez em quando, em certas ocasiões sociais eu me abro para comer coisas que eu sei que não são as melhores opções porque ser flexível é importante.

Alimentação não é um conjunto de dogmas religiosos, se eu como bem a maior parte do tempo, eventuais exceções não podem me causar nada significativo, o importante é que eu acordo a cada dia com vontade de me tratar bem e os desejos do meu corpo são por aquilo que faz bem para ele.

Essa reprogramação interna é uma grande conquista e depois que você consegue realizar isso, tudo fica fácil e sem esforço.

Mas isso não aconteceu da noite para o dia, demandou muito estudo, experimentação e compreensão.

E essa é a minha proposta para você: a conquista da liberdade através do trabalho necessário.

Hoje eu gostaria de contribuir com o seu entendimento sobre nutrição, desconstruindo alguns mitos que embora já tenham sido revistos pela ciência, ainda confundem muita gente.

Mitos são danosos porque eles te induzem ao erro.

Desconstruir mitos te ajuda a não desperdiçar o seu tempo, a sua energia e o seu esforço.

Nesse vídeo eu vou abordar alguns dos principais mitos da alimentação.

Primeiro mito: comer gordura engorda, entope o coração ou maltrata o fígado?

Esse é um dos mitos mais disseminados ao longo das últimas décadas.

Ele criou aquilo que chamamos de gordurofobia: a crença de que nós devemos evitar as gorduras naturais dos alimentos.

Essa crença deu origem à indústria dos alimentos light, da margarina, do leite desnatado e de outras aberrações nutricionais.

Dentro dessa filosofia, nós aprendemos que devemos evitar qualquer alimento gorduroso, incluindo o coco, o abacate, a manteiga, a gordura do peixe, a gordura das castanhas e preferir sempre a versão light dos alimentos, além de ingerir somente os óleos poliinsaturados que a indústria produz como óleo de soja, óleo de milho, de canola, de girassol.

Porém, quando estudamos as estatísticas, nós podemos compreender que muito embora a nossa civilização ocidental tenha seguido essas instruções à risca e evitado em grande parte a gordura natural dos alimentos nas últimas décadas, a obesidade, mesmo assim, aumentou e muito, e junto com ela, o índice de doenças relacionadas à obesidade também aumentou.

Só para citar alguns exemplos de doenças que são favorecidas pela obesidade: diabetes, doenças cardíacas, alguns tipos de câncer, pressão sanguínea elevada, derrames e gordura no fígado.

A incidência de cada uma dessas mencionadas, também só fez aumentar ao longo das últimas décadas.

Então podemos dizer que com certeza, a estratégia de reduzir as gorduras nutricionais não está funcionando.

Alguns pesquisadores, porém, decidiram se aprofundar no estudo da dieta de populações que mantiveram seus hábitos originais, de alta ingestão de gorduras naturais, como por exemplo: os habitantes da Indonésia, que em alguns casos chegam a ingerir cerca de 75% das calorias diárias a partir do coco e do seu óleo, que é tão benéfico.

Ou ainda, tribo dos aborígenes, dos esquimós e dos nativos de diversas partes do planeta que não foram atingidos pela propaganda que demoniza a gordura natural dos alimentos.

Os resultados dessa busca foram tão contundentes que deram origem a essa capa da revista Time, no ano de 2014: coma gordura.

Por muitos anos, os cientistas culparam a gordura, aqui explicamos porque eles estavam errados.

Mais recentemente, foi publicado em um prestigiado periódico científico, o The Lancet, um estudo muito sólido: o Peer.

Ele demonstrou com alto grau de evidências que o consumo de um maior percentual de gordura, equivalente a pelo menos 35% das suas calorias diárias, incluindo a tão temida gordura saturada, está, na verdade, associado a uma maior longevidade.

Esse estudo comprovou que ingerir mais gorduras pode reduzir, repito, reduzir o risco de doenças cardíacas em até 23%.

E por outro lado, um consumo maior de carboidratos pode elevar em mais de 60% esse risco.

Gordura natural é saudável e necessária.

A recomendação de evitar manteiga e preferir a margarina, assim como o mito de gordura saturada é responsável por doenças de qualquer tipo, são exemplos de mitos que já foram, detalhadamente, descontruídos nos últimos anos por estudos e meta-análises conclusivas.

Alguns dos estudos mais importantes eu deixei disponíveis aqui nessa página para você se aprofundar, se você quiser.

Diversos países como a Dinamarca, a Suécia e até os Estados Unidos, recentemente chegaram a mudar as suas diretrizes nutricionais e não mais condenam a gordura alimentar natural e nem mesmo os alimentos ricos em colesterol como também pode ser observado através dos estudos.

Na verdade, também através da análise da ciência mais recente, podemos compreender que aumentar a ingestão das gorduras naturais como as do abacate, do coco e da manteiga, por exemplo, podem, na verdade, ajudar o indivíduo a perder peso.

Um dos mecanismos que torna isso possível é a saciedade aumentada que as gorduras proporcionam.

Dentro de um contexto equilibrado de alimentação, comer mais gorduras naturais ajuda a saciar o apetite de uma forma mais duradoura e completa do que uma refeição com baixa gordura.

Além disso, a presença de gorduras naturais nas refeições, ajuda na absorção de vários minerais e vitaminas lipossolúveis, ou seja, que precisam de gordura para serem aproveitados pelo corpo. É isso mesmo, boas gorduras aumentam a saciedade, deixam o alimento mais nutritivo e mais saboroso também.

As boas gorduras, embrulham os temperos e aromas, entregando para os receptores do paladar de uma forma mais intensa, os resultados são pratos mais saborosos. É claro que aqui eu estou me referindo às gorduras naturais saudáveis, as gorduras sintéticas como as hidrogenadas, tão comum nos alimentos industrializados, estão longe de serem adequadas para o consumo humano.

A minha sugestão é: conheça as gorduras mais saudáveis, ajuste a sua alimentação para que essas substituam as gorduras artificiais e perca o medo das gorduras naturais.

Essa é uma mudança simples e poderosa, que você pode colocar em prática aos poucos, gradualmente, diminua a quantidade de amido e açúcares na sua dieta como os pães, bolacha, macarrão, batatas e outros e aumente, proporcionalmente, a quantidade das boas gorduras.

Não precisa ter medo dos carboidratos.

Também não é necessário desenvolver "carbofobia".

Não é preciso seguir extremos para colher bons resultados, ao mesmo tempo, quase todas as pessoas exageram muito no consumo de açúcares e amidos refinados, farinhas e outros, portanto, o equilíbrio é fundamental e faz muita diferença, especialmente para quem quer emagrecer.

Comer mais gorduras naturais traz muito mais benefícios do que simplesmente ter um emagrecimento facilitado, uma dieta rica em boas gorduras pode ajudar muito no funcionamento do cérebro que é principalmente feito de água e de óleos, por isso, a qualidade das suas gorduras alimentares determina muito a qualidade de como a sua memória, seu foco, irão funcionar hoje, amanhã e dentro de alguns anos.

Assim como o sistema nervoso precisa de boas gorduras, o fígado, os olhos e a pele também necessitam dos bons óleos.

As pessoas que sofrem com acne, obtém grande melhora ao ajustar a qualidade das suas gorduras nutricionais, desinflamando a sua derme. Pessoas com gordura no fígado, podem obter bons resultados ao reduzir os açúcares na dieta e aumentar o consumo das boas gorduras regenerativas.

E até mesmo a visão pode evoluir com o consumo de óleos ricos em ômega 3 e DHA.

A córnea é, essencialmente, composta desse tipo de gordura que nós encontramos com abundância nos peixes e em algumas microalgas.

E se você sente que os seus hormônios estão em baixa, que a sua libido está em baixa, que a sua testosterona está em baixa, com certeza as boas gorduras podem ajudar.

Talvez para a sua surpresa, até mesmo a tão temida gordura saturada pode ser uma das opções mais saudáveis de óleos comestíveis.

Mas esse é um assunto para um outro momento.

Tem muita informação interessante sobre o tema das gorduras: quais são as melhores para cada ocasião e uso, quais as quantidades adequadas para diferentes contextos, quais podem ser aquecidas, eu trato de tudo isso com detalhes no curso "Coma Fora da Caixa", vamos seguir com o próximo mito.

Segundo mito: o colesterol é um dos maiores vilões da saúde?

Nada poderia estar mais fora de contexto do que essa afirmação.

Vale a pena entender que o metabolismo digestivo transforma tudo aquilo que a gente come, ele quebra e desmembra os alimentos em moléculas menores, em matéria prima para que depois o corpo reconstrua esses elementos da forma que ele precisa, por exemplo: quando você come feijão, a proteína dele é decomposta em aminoácidos e esses aminoácidos são absorvidos e direcionados para que o corpo construa tecidos, membranas, músculos, mas comer feijão, não te deixa com aspecto de feijão, assim como comer alface ou rúcula não te deixa verde.

Da mesma forma, comer alimentos com colesterol, não aumenta de forma significativa o colesterol sanguíneo.

A grande maioria das pessoas não compreende muito bem isso, mas o colesterol é fundamental para a saúde.

Tão fundamental que 90% da sua totalidade é produzida dentro do organismo. É a própria sabedoria do corpo que determina o quanto de colesterol ele está precisando em um determinado momento, e por isso, ele produz esse lípide.

Um colesterol elevado, pode não apenas não significar risco de doenças, mas indicar uma saúde hormonal e cognitiva mais equilibrada.

Isso mesmo, existe um grande corpo de evidências que demonstram que em muitos casos, quanto mais alto o colesterol, melhores as condições de saúde do indivíduo.

Eu não estou inventando isso, existem vários estudos conduzidos de forma sistematicamente que comprovam uma relação inversamente proporcional entre índices de colesterol e incidência de doenças.

Claro, excetuando condições específicas como hipercolesterolemia, um quadro que afeta menos de 1% da população.

Vale citar um estudo de 2012, conduzido na Noruega com mais de 50 mil mulheres que apontava justamente isso: mulheres com colesterol elevado, envelhecem melhor e com menor risco de doenças.

Não é difícil entender isso quando você tem conhecimento de como as coisas funcionam, afinal, o colesterol é matéria-prima para vários hormônios e um colesterol baixo, geralmente causa perda de libido.

Níveis mais elevados de colesterol também ajudam no desenvolvimento de massa muscular porque favorecem a síntese dos hormônios de esterogênese, diretamente responsáveis por isso.

O colesterol também é essencial para diversas funções cerebrais como a memória, a capacidade de manter o foco e a alta produtividade mental, por isso, se precipitar em usar remédios que reduzem artificialmente o seu colesterol, pode não ser uma boa ideia.

Esse conhecimento já foi revisto, e hoje compreendemos que os valores saudáveis para o colesterol podem ser bem diferentes daqueles do passado.

Os pesquisadores que acompanham, são categóricos ao afirmar isso: mais de 70% das pessoas que usam estatinas, podem estar se prejudicando com seus efeitos colaterais e desnecessariamente porque os seus níveis de colesterol possivelmente são saudáveis para as características de sua individualidade.

Na verdade, bem mais importante do que a quantidade do seu colesterol, é uma equação de relação entre os números que te permitem compreender a qualidade do seu colesterol, quais são os subtipos de LDL predominantes, porque mesmo o LDL é importante para a saúde.

Esse é um assunto um pouco mais amplo, um mergulho na desmistificação do colesterol e no entendimento correto sobre como interpretar seus próprios exames no curso Coma Fora da Caixa.

Mas uma coisa você já pode levar hoje com você: comer colesterol não aumenta, significativamente, seus níveis de colesterol e vale a pena fazer uma pesquisa mais profunda junto com o seu médico para saber se você está tomando remédios desnecessariamente, até porque as consequências não são boas.

Terceiro mito: é preciso comer de 3 em 3 horas para ativar o metabolismo e emagrecer?

Pode ser que você já tenha ouvido falar que comer mais refeições ao longo do dia, elevaria a eficiência do metabolismo e levaria o seu corpo a queimar mais calorias. É verdade que o corpo gasta uma certa quantidade de energia, digerindo e assimilando os nutrientes de uma refeição, isso é chamado de efeito térmico do alimento, mas na prática, vários estudos, que eu também relaciono nessa página, expressam que não há um efeito real na queima de calorias, aumentando ou diminuindo a frequência das refeições.

Comer 6 refeições de 500 calorias, tem o mesmo efeito de comer 3 refeições de 1000 calorias, ou seja, dá na mesma. Poderia ser argumentado que comer pequenas refeições a cada 3 horas, se traduza em menos apetite, o que também não é o caso de acordo com os estudos que eu aponto, que na verdade demonstram que comer com frequência, pode aumentar o apetite.

Temos ainda a ideia de que se você ficar sem comida durante algumas horas, seu cérebro vai parando de funcionar por falta de glicose.

Conforme alguém que experimenta com jejuns curtos ou intermitentes pode comprovar na prática, isso simplesmente não é verdade.

Em primeiro lugar, o fígado guarda dentro de si uma quantidade substancial de glicogênio para alimentar o cérebro quando ele precisa e segundo, graças ao processo de gluconeogênese, o corpo pode fabricar qualquer glicose que ele necessita a partir de qualquer tipo de alimento.

Ainda, se necessário, o corpo pode gerar energia para o cérebro a partir de gordura adiposa estocada no corpo, através de um processo chamado cetogênese.

Ou seja, a possibilidade do seu cérebro não está funcionando bem porque você não come bolachinhas a cada duas horas, é muito remota.

Conforme explicado, o corpo pode criar glicose facilmente e é por isso que os pesquisadores apontam que a necessidade diária de carboidratos é zero.

Na verdade, o nosso corpo não evoluiu para estar comendo o tempo todo, é uma coisa não natural para o corpo estar em constante estado de alimentação, ingerindo alimentos mesmo antes da digestão se completar.

Nosso corpo tem um ritmo digestivo, o ideal é você esperar terminar uma digestão, antes de comer outro alimento.

E de acordo com alguns estudos que eu também disponibilizei, comer o tempo todo pode estar até criando algum efeito negativo para a sua saúde como o aumento da gordura no fígado e até mesmo o aumento do risco de alguns tipos de câncer, de acordo com outros estudos.

Assim, o importante é preencher as necessidades do corpo, se você se sente bem fazendo isso em duas ou três refeições diárias bem estruturadas, não há nada de errado com você.

Se você prefere comer mais vezes e se sente melhor assim porque a sua individualidade biológica pede, está tudo certo também.

O que não está certo é querer universalizar um hábito e transformar isso em uma regra a ser seguida por todos. É preciso compreender que não existem regras que são mais importantes do que a sua sensibilidade.

Se o seu corpo precisa de comida, você fica com fome e você come quando você tem fome e só quando tem fome, simples assim.

O quarto mito: o arroz integral é mesmo melhor do que o arroz branco?

O arroz é uma tradição milenar, faz parte da base da cultura nutricional de diversos povos e também do povo brasileiro.

Com certeza você já ouviu falar da macrobiótica, há algumas décadas, alguns imigrantes trouxeram ao Brasil um conceito de alimentação, tido na época, como saudável, na qual apresentavam que o arroz não polido ou arroz integral era o alimento perfeito e que o arroz branco seria um alimento pobre e prejudicial.

A sugestão enfática era substituir o arroz branco pelo o integral, com promessas milagrosas.

O arroz integral, além de gastar mais energia para cozinhar e para ser digerido, está cheio de fitatos e lectinas, antinutrientes naturais que se ligam à vitaminas e minerais impedindo que sejam absorvidos.

Esses antinutrientes são encontrados, principalmente, na membrana exterior do arroz integral, justamente aquela parte que é removida através do método mecânico de polimento.

Fitatos ou ácidos fíticos ligam-se a minerais como zinco, cobre, ferro, magnésio e cálcio impedindo-os de serem absorvidos.

O ácido fítico também inibe a pepsina, uma enzima natural do seu corpo que é necessária para quebrar corretamente a proteína, bem como também a amilase a enzima necessária para quebrar o açúcar.

Portanto, o ácido fítico não só impede a absorção de nutrientes como interfere na digestão adequada, deixando ela mais pesada e causando sonolência para muitas pessoas.

Mesmo que o arroz integral seja um pouquinho superior ao branco no quesito vitaminas e minerais, você tem que considerar que ele é carregado de antinutrientes, o que significa que essas vitaminas minerais não estão sendo absorvidas adequadamente.

Já o arroz branco, é um amido mais neutro, de digestão mais suave e carga glicêmica semelhante, que em moderação e usado após a atividade física, pode ser considerado um bom alimento.

O arroz assim como o milho, o trigo e outros cereais amiláceos, não é uma fonte tão concentrada de vitaminas ou minerais.

Se você busca esses nutrientes, e você deveria buscar, o lugar certo são os legumes e as verduras, esses sim, devem compor a maior parte do seu prato.

Para finalizar esse tema, um alerta: a poluição global nos trouxe um problema, a maior parte do arroz produzido mundialmente está contaminado por arsênico, um metal pesado danoso que pode aumentar o risco de doenças graves quando ele se acumula no corpo ao longo do tempo.

Infelizmente, o arroz integral acumula mais arsênico e esse é mais um motivo para preferir o arroz branco.

Para minimizar o arsênico no seu arroz, deixe-o de molho por 24 horas, em água pura e enxague bem antes de cozinhar.

Quer mais uma dica super legal?

Cozinhe o seu arroz branco normalmente em água, mas adicione uma colher de sobremesa de óleo de coco ou azeite de oliva, deixe o arroz esfriar e coloque na geladeira por 24 horas.

Nesse período, uma boa parte do amido do arroz se transforma em amido resistente, um tipo de nutriente muito benéfico para a flora intestinal e que não é usado pelo corpo como glicose.

Ou seja, arroz resfriado, mesmo que reaquecido, tem até 50% de suas calorias reduzidas, além de menor carga glicêmica.

A função do óleo adicionado nessa receita é manter essa transformação, mesmo quando o arroz é reaquecido.

Essa técnica é comprovada por um estudo científico realizado por pesquisadores indianos e também está na seção de links e referências.

Quem diria que o arroz de véspera é melhor para a saúde do que o arroz feito na hora?

Pois é! Vivendo e aprendendo.

Eu quero dizer que eu não estou condenando o arroz integral e nem dizendo que ele é um alimento ruim, longe disso, mas é importante entender que ele não traz nenhuma vantagem substancial ao arroz branco, especialmente em um contexto de uma alimentação realmente saudável e equilibrada, rica em verduras e legumes de alta densidade nutritiva e com teor moderado ou reduzido de fontes concentradas de amido.

Lembre-se que temos um reservatório limitado de força de vontade e que é muito bom saber onde empregá-la adequadamente.

Então, se você quer usar a sua força de vontade para alguma mudança alimentar realmente significativa, não se concentre na qualidade do arroz.

A minha sugestão é comer menos arroz e mais couve-flor, brócolis, abobrinha, quiabo, aspargo, de preferência na manteiga, no óleo de coco ou no azeite, com os temperos certos para transformar esses ingredientes saudáveis em comida deliciosa. É isso querido(a) amigo(a), o conhecimento liberta e torna a vida mais simples.

Assim como esses, existem vários outros mitos no universo da nutrição e da saúde que precisam ser desconstruídos.

Esse é um dos motivos pelo qual eu e minha equipe criamos um curso mais avançado e mais profundo para quem quer realmente aprender sobre saúde e nutrição.

Nesse curso, nós esclarecemos diversos mitos que podem prejudicar os seus cuidados com a sua saúde e fazer com que você desperdice tempo e energia. É um curso criado para te imunizar contra mitos, polêmicas e manchetes sensacionalistas.

Eu dei o nome ao curso de "Coma Fora da Caixa", primeiro porque ele te ensina a criar uma forma de se alimentar com menos empacotados artificiais, desembrulhando menos e descascando mais.

Segundo porque ele traz uma forma rica e inovadora de entender os cuidados que você deve ter com a sua saúde e com a sua alimentação. É um curso que te ajuda a pensar, viver e comer fora da caixa.

Se é do seu interesse aprender os detalhes de como implementar ou aperfeiçoar um estilo de vida saudável de verdade, eu acredito que esse curso pode te deixar bem feliz.

Por fim, eu gostaria de agradecer mais uma vez por seu interesse e por sua atenção nesses estudos.

Juntos somos milhares de pessoas aprendendo e compartilhando informações sobre esse importante tópico, que quando bem compreendido, pode contribuir para a evolução da qualidade de vida de muita gente.

Aproveitando, se você não iniciou os experimentos com o seu ritual matinal, esse ainda é um bom momento.

Caso você já tenha experimentado, por favor me conte como você se sentiu, nos comentários abaixo, o seu relato pode ajudar a incentivar outras pessoas.

O material que elaboramos foi muito elogiado, ele está realmente especial.

No próximo vídeo, eu vou responder as perguntas mais frequentes dos comentários da semana da alimentação extraordinária. olha só algumas das perguntas interessantes que eu já recebi e que pretendo responder no próximo vídeo:

Meu corpo responde de forma diferente a certos alimentos, como entender o que é bom para mim?

Ouço muitas opiniões controversas na área da alimentação, a quem eu devo ouvir?

Me alimentar bem é muito caro, acho que isso não é para mim. É possível comer bem gastando pouco?

Compro algo que acho saudável, vai alguém e me fala que aquilo é uma porcaria.

Como eu faço para entender de verdade se um produto é bom ou ruim?

Nós vamos te enviar um e-mail quando esse vídeo for ao ar, então, fique atento!

Um grande abraço e até breve!