Win-Win Dietary Solutions to the Climate Crisis
"Soluções Dietéticas para a Crise Climática em que Todos Ganham" Traduzido por João Madureira
Os cientistas têm a clara obrigação moral de avisar claramente a humanidade de qualquer ameaça catastrófica e de dizer as coisas como elas são.
Em novembro de 2019, mais de 11.000 cientistas de 150 países claramente e inequivocamente declararam que o planeta Terra está a enfrentar uma emergência climática.
Os níveis de CO2 estão a aumentar, os glaciares e a Antártida estão derretendo.
Os oceanos estão a ficar mais quentes e mais ácidos.
O nível do mar está a aumentar, assim como eventos meteorológicos extremos.
E sim, o uso de combustíveis fósseis está a aumentar, assim como viagens aéreas, mas também o consumo per capita de carne. De facto, uma das soluções que ofereceram para aliviar a crise climática é de comer principalmente alimentos de origem vegetal, reduzindo globalmente o consumo de produtos animais.
E o que torna desenhar uma dieta sustentável tão fácil é que o mesmo conselho - como comer menos carne - é bom para a saúde pessoal, como reduzir o risco da nossa causa de morte nº1, assim como para a saúde do planeta.
As comidas menos saudáveis também causam o máximo de impacto ambiental.
Os alimentos com mais nutrição são, por acaso, os alimentos que causam menos emissões de gases de efeito de estufa, portanto todos ganham.
Então vamos juntar tudo.
Se desenhássemos um sistema alimentar global para a saúde humana e planetária - ou seja, para a saúde dos humanos e dos futuros humanos - como seria ele?
Entra em cena: a Comissão EAT-Lancet, o resultado de mais de 2 anos de colaboração entre 37 peritos de 16 países, sugerindo um corte no consumo total de carne para apenas 30 g por dia - isso é o peso de um único nugget de galinha - e ao mesmo tempo aumentar drasticamente a nossa ingestão de leguminosas - feijões, ervilhas, grão-de-bico, lentilhas - oleaginosas, frutos, e vegetais, porque não estamos só numa crise climática mas também de saúde.
As dietas pouco saudáveis causam mais mortes e doenças que fumar, mais que sexo desprotegido, o uso conjunto de álcool, drogas, e tabaco.
Mas podemos abordar ambas as crises ao mesmo tempo aumentando o nosso consumo de alimentos vegetais inteiros e substancialmente reduzindo o nosso consumo de alimentos animais.
Uma tal dieta poderia poupar as vidas de mais de 10 milhões de pessoas por ano e também salvar o mundo.
O Acordo de Paris colocou como condição um limite, um objectivo desejável para o balanço de carbono para ajudar a prevenir impactos catastróficos, e a permanência dentro desse limite climático pode ser conseguida consumindo dietas de base vegetal.
E os benefícios pessoais podem ser comparáveis ou até exceder o valor dos benefícios ambientais.
Apenas os benefícios para o sistema de saúde de uma dieta global saudável - predominantemente vegetal, vegetariana, ou vegana - pode exceder o preço do carbono poupado.
Estamos a falar de 30 triliões de dólares por ano poupados através apenas dos benefícios de saúde.
Se a sua saúde, do planeta, e das suas crianças não o motiva, considere que também poderá haver ameaças ao fornecimento global de cerveja.
E as dietas mais saudáveis não reduzem só os gases de efeito de estufa.
Como a produção de gado é o principal estimulador da perda de habitats, reduzir o consumo de carne é também central para a conservação da biodiversidade, idealmente, talvez, reduzindo a demanda de alimentos animais ao aumentar a proporção de alimentos vegetais na dieta até 90%.
A produção de gado também é uma causa central de perda de solo, e poluição de águas e nutrientes. No entanto parece invisível na política da água.
Apesar do facto que os produtos animais são o factor mais importante na pegada hídrica da humanidade, os gestores hídricos nunca parecem falar de carne ou lacticínios.
Mas não são apenas produtos animais.
Quero dizer, sim, pelo menos 80% da desflorestação da Amazônia é para criar gado e cultivar culturas como soja para exportar para fazendas de animais, mas também para fazer óleo vegetal, que provém principalmente de palma e soja.
Ambas as culturas têm-se expandido, resultando em desflorestação massiva.
Parece particularmente horrível que a desflorestação ocorra para fazer junk food.
No entanto, nem todos concordam que devemos mudar para dietas mais saudáveis.
A Organização Mundial de Saúde saiu da Comissão EAT-Lancet devido à sua promoção da adopção global de dietas mais vegetais.
Se nos focarmos em promover alimentos principalmente vegetais e excluir alimentos considerados pouco saudáveis, incluindo carne e outros alimentos animais, tal dieta poderia, sim, poupar 10 milhões de vidas por ano,
30 triliões de dólares, e ajudar a salvar o planeta inteiro, mas poderia levar à perda de empregos relacionados com a produção animal e a produção de junk.
