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O Impacto Ambiental da Agricultura Animal (Mini-Documentário)

Tenho três perguntas para vocês...

A primeira: preocupam-se com as alterações climáticas?

Segunda: querem parar as alterações climáticas?

Terceira: e se eu dissesse que para pararmos as alterações climáticas temos que deixar de comer carne... seriam capazes? É isso que vamos ver no vídeo de hoje

Em 2006 a FAO ou organização da agricultura e alimentação das nações unidas, lançou um relatório que confrontou o mundo com uma realidade adormecida... o impacto ambiental dos produtos de origem animal. Há décadas que o consumo desses produtos aumentava sem nunca ninguém ter avaliado o impacto ambiental da indústria! neste relatório a FAO afirma que a indústria agropecuária é responsável por 18% das emissões de gases com efeito estufa a nível mundial mais do que o setor dos transportes combinado que é responsável por 13%... para além disto os gases emitidos por essa indústria são especialmente danosos para o ambiente sendo responsável por 37% das emissões de metano que tem um potencial de aquecimento global 23 vezes superior ao co2 em cem anos ou 65% das emissões de óxido nitroso com um potencial de aquecimento global

296x superior ao co2. A agropecuária ocupa ainda 70% da terra dedicada à agricultura e 30% da terra total livre de gelo no planeta! A agropecuária é responsável por quase toda desflorestação amazônica e por grande parte da perda de biodiversidade

Para além disto, o setor da agropecuária é o principal responsável pela poluição da água... esta poluição fica a dever-se aos resíduos dos animais, antibióticos hormonas, fertilizantes e pesticidas. Como se a poluição não bastasse o setor usa grande parte da água doce no mundo gastando cerca de

15 mil litros de água para produzir um quilo de bife! Em 2013 a FAO lançou novo relatório semelhante desta vez focado apenas nas emissões e já reduziram o valor de 18% para 14,5%, mas há estudos com valores diferentes.

Por exemplo o estudo 2009 da World Watch afirma que os cálculos da FAO não incluem todos os impactos e que na realidade a agropecuária é responsável por 51% de todas as emissões nível mundial, entre outros, a World Watch incluiu nos cálculos a quantidade de co2 que poderia ser sequestrada pela floresta caso não tivessem deitada abaixo para produzir para indústria agropecuária. Inclui ainda a refrigeração necessária para os produtos de origem animal e até produção dos medicamentos usados nessa indústria o que quando pensamos bem até faz algum sentido incluir todas as coisas que não existiriam se não fosse o setor e todas as coisas que existiriam se não fosse o setor. Claro que aqui entramos um pouco no campo dos hipotéticos do como seria o mundo se não fosse essa indústria mas é interessante! Esse relatório afirmou ainda que já em 2009 a indústria agropecuária teinha crescido 12% desde os dados utilizados pela FAO, o que também é um ponto interessante porque a nível mundial e apesar de nos países mais moderno não parecer, o consumo de produtos de origem animal continua a crescer a indústria nunca foi tão grande por isso seria interessante avaliar os impactos da indústria com os valores atuais. De acordo com outro relatório de 2008 para produzir uma caloria de energia de proteína animal são necessárias 25 calorias de combustíveis fósseis e outro estudo 2011 afirma que apenas 10-30% das calorias consumidas pelos animais são convertidas em calorias para humanos.

Tudo isto demonstra a ineficiência inerente a este sistema de produção de alimentos estamos literalmente desperdiçar recursos!

Como podem ver estes são valores chocantes. Quer sejam os valores mais baixos ou os mais altos, todos eles são ridiculos e desde que o primeiro relatório da FAO saiu, a política ambiental internacional deveria ter sofrido uma revolução absoluta e isso não aconteceu até hoje continuam a ignorar os impactos da agropecuária no ambiente. Nos acordos internacionais nas acções de sensibilização a agropecuária é sempre um setor ignorado, quando na verdade é um dos setores mais poluentes que necessita de mais recursos e que tem o maior impacto ambiental e ao mesmo tempo é um onde nós podemos fazer uma mudança enorme de forma fácil e a baixo custo!

Porque quando falamos de transição energética, transportes, tudo isso, é preciso medidas estruturais por parte dos estados é preciso um investimento enorme quando falamos do setor da agropecuária não! É simplesmente a alimentação...coisas que todos nós podemos fazer nosso dia a dia e por isso é que os acordos internacionais e as políticas ambientais do estado da união européia se deveriam focar muito nesta questão

Poderíamos fazer aqui uma diferença enorme no ambiente

Isto continua a ignorar-se de tal modo que de acordo com um relatório 2018, até

2050 se todos os setores seguirem um caminho verde incluindo as energias renováveis, se agropecuária continuar na trajetória atual poderá representar 80% das emissões a nível mundial e ser responsável pelo não cumprimento dos objetivos de temperatura estabelecidos no acordo de paris! O impacto de uma pequena redução no consumo produtos de origem animal seria muito significativo!

Segundo o estudo 2014 se a UE reduzisse o consumo de produtos de origem animal para metade, as emissões do setor agrícola baixariam até 40%. Outro estudo de 2013 afirma que se apenas seguíssemos as atuais recomendações nutricionais ao invés de consumirmos quantidades acima do recomendado, reduziríamos o gasto de água em 41% no sul da europa! Assim, é imperativo substituir o consumo de proteína animal por proteína vegetal, que pode ter uma pegada de carbono até 150 vezes inferior!

Um estudo de 2018 da comissão EAT- Lancet que pretende avaliar como alimentar uma população de 10 mil milhões de pessoas de forma saudável e sustentável em 2050 é pragmático e afirma que é obrigatório reduzir o consumo de produtos de origem animal e apoiar a transição para o consumo de proteína de origem vegetal!

Este estudo afirma ainda que é mesmo necessário reduzir as quantidades consumidas de todos os produtos de origem animal e não apenas melhorar os processos produtivos uma vez que tornar a produção mais eficiente apenas representará uma redução de 10% das emissões em 2050, enquanto que a redução do consumo pode representar um corte de 80% com 5% extras poder ser atingidos através da redução do desperdício alimentar.

E é precisamente por isto que nenhum partido que se diga AMBIENTALISTA...

Serve carne nos seus almoços!