• slidebg1

A dieta do Éden | Eduardo Corassa | TEDxPassoFundo

Tradutor: Claudia Sander Revisor: Leonardo Silva

E se eu te dissesse que eu tenho apenas 18 minutos pra sugerir uma teoria que poderia solucionar a maioria dos nossos problemas?

Cresci, infelizmente, como uma criança bem doente, com inúmeros problemas de saúde, o que me levou a ser obeso... eu também era bem sedentário, vivia com uma dieta bem industrializada, muito "junk food" e produtos de origem animal... me levando a ter uma baixa performance física e mental ao longo da vida, estar sempre... conturbado por causa de espirros, alergias e problemas gastrointestinais.

Isso me fez, aos 22 anos, estar diabético, fazer duas cirurgias, e, cansado de tentar o modelo usual, em voga, acabei buscando soluções para os meus problemas.

E, felizmente, esbarrei com o que era chamado de...

Depois de tentar todo tipo de tratamento usual, esbarrei com o que era chamado de "a ciência da saúde e o crudivorismo vegano".

Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Eu não consigo ter palavras pra descrever o bem-estar, os benefícios físicos e mentais que eu vivenciei ao longo destes últimos 11 anos de caminhada, já que há 11 anos que eu vivo primariamente de frutas e vegetais e uma pequena quantidade de oleaginosas cruas.

Já pratiquei jejuns de até mais de 24 dias só de água.

Pra falar a verdade, acabei de quebrar um jejum de três dias pra um melhor funcionamento neurológico pra essa palestra.

Então... me deu o melhor desempenho físico que eu podia imaginar, o melhor desempenho mental que eu podia imaginar, e eu não sou uma pessoa espiritualista, mas uma conexão com o todo, com o mundo, uma empatia que é incapaz de ser descrita. É indescritível, é como acordar todo dia como uma criança, feliz, alegre, estar sempre disposto, sentir seu corpo mais rejuvenescido, comer quilos de comida e se manter magro.

E se manter sempre saudável, já que há 11 anos, eu não só não queimo minha comida, e não tenho panelas e não tenho fogões, mas eu não tenho nenhum espirro, uma dor de garganta.

Bom, toda teoria nova é geralmente ostracizada.

Nós temos inúmeras grandes teorias que foram, na verdade, vistas como um absurdo.

Darwin, Galileu, Copérnico, entre outros.

Levou 50, 100 anos pra comunidade científica ver que era algo correto, plausível.

Aí eu te pergunto: você quer esperar 50 a 100 anos, pra simplesmente perceber que comer comida da horta, comida da árvore, como ela aparece na natureza é muito melhor do que comida industrializada, processada ou queimada?

Então, tudo começa com o mito da era dourada, que nossa civilização cristã sugere como o paraíso, o Jardim do Éden.

Já para os gregos, era uma época perfeita, onde seres humanos viviam de frutas e vegetais e nenhum homem manchava a boca com o sangue dos animais e morriam no sono aos 120 anos sem doenças.

E então, ventos gélidos tiraram os seres humanos do paraíso, de acordo com esse mito.

E assim veio o titã do fogo, Prometeus, e deu o fogo e a carne aos seres humanos e com isso ocorreu a queda do homem.

Nós facilmente conseguimos correlacionar com os dados da geologia, que mostra que ocorreu uma era glacial em torno de 100 mil anos atrás e essa era glacial acabou há 13 mil anos, começando o que nós chamamos de período Neolítico.

Foi a introdução da agricultura de grãos e a domesticação de animais.

Ou seja, mudamos de uma natureza nômade, arbórea, frugal, pra uma natureza estacionária, baseada em grãos e pedaços de animais mortos e suas secreções mamárias.

Então, tudo indica, temos dados antropológicos pra provar que seres humanos habitam a Terra há em torno de 8 milhões de anos.

O cozimento é algo extremamente recente na nossa dieta.

A introdução de grãos e pedaços de animais mortos, cada vez mais frequente, é muito mais recente.

Nós sabemos que existem em torno de 700 mil espécies no planeta e nenhuma delas cozinha.

Apenas o ser humano, e é o único que sofre de doenças crônico-degenerativas.

Então, nós vamos pra antropologia.

O doutor Alan Walker, ao estudar parâmetros dentários de fósseis de seres humanos até o período dos hominídeos, até um período muito recente, mostra marcas de animais comedores de frutos.

Nós temos o doutor Francis M. Pottenger, publicando uma pesquisa depois de dez anos a estudar gatos e mostrar que, quanto mais ele cozinhava suas comidas e mais ele introduzia alimentos refinados, mais eles degeneravam, apresentando todo tipo de problema, crônico ou agudo, que os seres humanos vivenciam.

Ele foi o pai da epigenética, mostrando que o que a gente faz hoje tem efeitos transgeracionais pras próximas gerações.

E os gatos, após a terceira geração, se tornavam tão doentes, tão fracos, que não conseguiam mais procriar e morriam.

Nós temos então Louis-Camille Maillard, um médico que provou há mais de 100 anos que, simplesmente por cozinhar uma batata,

420 substâncias tóxicas se formavam nela.

Nós, hoje em dia, falamos tanto nos produtos da reação de Maillard na faculdade de nutrição, mas todo mundo esquece e queima seu alimento, formando essas substâncias, correlacionadas a todo tipo de doença crônico-degenerativa, além de serem cancerígenas, mutagênicas, genotóxicas, citotóxicas, teratogênicas e pró-inflamatórias.

Nós temos o que é chamado de leucocitose digestiva.

Paul Kouchacoff, em 1930, um médico, ao ganhar um Prêmio Nobel por mostrar que o aumento nos leucócitos, as células de defesa do organismo, que ocorre quando se digere, não era algo fisiológico, mas patológico, que ocorria simplesmente com comida cozida.

Comida crua não causava esse efeito, o que levou ele a concluir que comida cozida, pro organismo, era algo patológico.

Temos o doutor Weston Price, que mostrou ao mundo, ao comparar seus pacientes do mundo ocidental com seus pacientes do mundo primitivo, já que ele viajou pra civilizações primitivas durante dez anos, e mostrou que essas pessoas, aos 80 anos, sem nunca nem ter visto a ciência médica atual ou nada da tecnologia moderna, não tinham cáries, tinham corpo perfeito, dentição perfeita e eram muito mais produtivas.

Nós temos Sir Robert McGarrison, outro médico, pago pela corte britânica para passar dez anos com os "hunza", uma civilização do norte do Paquistão que vivia primariamente de comida crua, de frutos e vegetais, e alegou ser extremamente impressionante a saúde dessa [civilização] que foi chamada até mesmo de Shangri-La por parar o envelhecimento, onde sugere-se que homens fazem filhos aos 100 anos de idade.

Nós temos o que é chamado no higienismo de lei das similaridades, ou seja, usamos anatomia comparada e taxonomia, pra mostrar que animais similares comem de forma similar, ou seja, é como se a natureza tivesse feito cada espécie embutida com ferramentas pra se alimentar: anatomia, fisiologia, bioquímica são ferramentas que cada animal tem para [comer].

Animais carnívoros, os reais carnívoros, comem o animal cru, fresco, abatendo ele na hora, secretando grandes quantidades de ácidos pra digerir proteínas, não secretando amilases e enzimas pra digerir carboidratos, conseguindo alcançar 120 km/h, impondo até duas toneladas na mandíbula.

E, se você realmente acha que foi feito para o consumo de carne, abata um animal cru com as suas mãos, coma-o sem sal, sem cozinhar, e depois você me conta.

Então, nós temos animais herbívoros, que literalmente secretam enzimas pra digerir a grama, a celulase, pra digerir a celulose.

Possuem até mesmo quatro estômagos, porque são ruminantes.

Nós temos os granívoros, a definição da biologia dos animais que vivem primariamente do consumo de grãos, que possuem bicos pontiagudos que lhes permitem coletar aqueles minúsculos grãos.

Eles possuem papos, onde germinam os grãos.

Ou seja, o pássaro come o grão cru, não precisa cozinhar.

Nós temos porcos, javalis e outros animais com focinhos que têm a capacidade de células etimoidais cem vezes mais fortes que o ser humano, o que lhes permite saber que tem batatas embaixo do solo.

Eles possuem patas pra escavar, secretam grandes quantidades de amilases, já que eles comem a batata crua.

E, provavelmente, como eles comem sem sal e sem tempero e sem cozimento, eles sentem o gosto do amido, coisa que animais frugívoros, ou seja, a definição da biologia para os animais que vivem primariamente de frutas e vegetais; a definição dos animais que conseguem enxergar cores porque eles precisam diferenciar frutas verdes de uma madura; a definição dos animais que conseguem sentir gosto doce, quase que exclusiva da espécie dos primatas.

Por isso, se você joga uma manga pra um gato, ele não pira.

Você joga um pedaço de salmão pro seu gatinho, ele fica apaixonado.

Então, nós temos visão no espectro de todas as cores, capacidade de sentir o gosto doce, polegares opostos, o que permite uma vida arbórea e a colheita das frutas, elas cabem ergonomicamente na nossa mão.

Nós não biossintetizamos vitamina C como animais carnívoros fazem.

Morremos de escorbuto sem ela.

Então temos o criacionismo ou o evolucionismo.

A maior parte das pessoas sugere que não gostam de ser chamadas de primata, obviamente.

Então, ou nós concordamos com Darwin ou saímos da costela de Adão e Eva.

A genética mostra que compartilhamos 99,3% do nosso material genético com os primatas antropoides, mais especificamente bonobos.

A anatomia, fisiologia e bioquímica é praticamente idêntica.

Os dados da epidemiologia mostram que a principal causa de morte do mundo é o consumo insuficiente de frutas.

Temos a primatologia, mostrando que a alta ingestão de micronutrientes desses primatas, que vivem primariamente de frutas e vegetais crus, é imensuravelmente maior do que as nossas recomendações dietéticas diárias e, por isso, eles são extremamente mais saudáveis.

Nós temos a microbiota, comparações dos micro-organismos que vivem dentro do intestino dos nossos parentes mais próximos, que é o chimpanzé-pigmeu, o bonobo, e ele é o que mais inclui fruta em sua dieta e o que mais se agrupa próximo aos seres humanos, de todos hominídeos.

Nós temos as doenças cardiovasculares que matam 38% da população mundial e nós sabemos que fazem pesquisas comparando pessoas em dietas frugívoras, em dietas veganas saudáveis e em dietas onívoras saudáveis, se é que tem como ter uma dieta onívora saudável.

E dietas frugívoras são as mais eficazes em melhorar níveis de biomarcadores.

Tudo que você consegue mensurar no seu sangue começa a se tornar cada vez mais rápido e saudável com dieta de frutos e vegetais.

Nós temos análise do intestino de primatas com humanos que mostra que a raça humana, assim como os primatas antropoides, é uma raça frugívora não especializada.

Primatas que, às vezes, algumas pessoas chamam de onívoros, na verdade menos de 3% da sua dieta vem de carne.

Exames bioquímicos e vários outros tipos de exame mostrando que pessoas vivendo de frutas e vegetais há mais de dez anos têm exames, até mesmo de glicemia, perfeitos, o açúcar no sangue, tem exame de proteinemia, ou seja, a proteína no sangue estando perfeita e praticando exercícios físicos perfeitamente.

Temos crudívoros veganos comparados a onívoros, que têm menor IMC, peso, percentual de gordura, menores níveis de proteína C reativa, um marcador inflamatório, menores níveis de IGF-1, hormônio relacionado ao câncer, melhores níveis de vitamina D.

Aí temos ainda as doenças neurocognitivas correlacionadas às toxinas do cozimento, os subprodutos da glicação avançada e consumo de produtos de origem animal.

Nós temos ainda que os animais mais inteligentes da natureza são os que mais consomem frutas.

E frutas e vegetais são neuroprotetores.

Nós ainda temos os alimentos que influenciam no comportamento.

Nós sabemos que primatas, ao comer plantas mais similares à soja, ficam mais agressivos, enquanto, quando eles comem frutas, ficam menos agressivos.

E nós sabemos que os bonobos, de onde nós saímos há milhões de anos, a raça de que nós divergimos, vivem primariamente de frutas.

Então a solução que eu sugiro é fruticultura e educação nutricional.

Ou seja, nós facilmente conseguimos acabar com a fome, já que árvores frutíferas produzem muito mais que as próprias plantações de grãos, que é a mais eficiente da agropecuária, porque árvores crescem em 3D, em vez de 2D como os campos de grãos.

Uma jaqueira está dando jaca a dez metros de altura.

Nós temos saúde, que nós sabemos que esses compostos bioativos dentro desses alimentos protegem contra câncer, doenças cardiovasculares, diabetes.

Temos as questões do meio ambiente que, literalmente, a árvore é o pulmão do planeta.

Ela protege de inúmeras formas o meio ambiente.

Nós ainda temos a ética animal, que nós sabemos que não precisamos matar animais pra simplesmente sermos saudáveis; escravizá-los, torturá-los.

E ainda temos a redução da produção de lixos e toxinas ambientais, já que a fruta vem bioembalada, ela já tem o plástico dela.

Então, falando nas palavras de Hipócrates, que a comida seja seu medicamento, literalmente, já que a comida contém fitonutrientes que funcionam como medicamentos.

Finalizando, quase, todos sofremos juntos ao não sermos responsáveis, como o Jorge falou.

Nós acabamos danificando o planeta como um todo.

Os animais, os seres humanos, a natureza.

Todos eles sofrem e choram.

E se eu posso terminar a palestra: "Abstenham-se, mortais, de poluírem seus corpos com a carne dos animais.

Existe o milho, há maçãs, que forçam os galhos para baixo com seu peso, existem uvas, nozes e vegetais.

Esta deve ser nossa alimentação"; citando Pitágoras.

Então, a paz é bioquímica.

Não queime seu alimento!

Ao ser saudável, sua bioquímica muda e interfere no seu comportamento e isso vai interferir no todo, como você se relaciona com você mesmo, com seus entes queridos, o planeta e os animais, literalmente voltando ao paraíso.

Ao voltarmos a consumir frutas e vegetais, os alimentos da raça humana, nós voltamos ao paraíso interno, externamos esse paraíso e voltamos à era dourada.

Finalizando, libertação animal!

Muito obrigado.

(Aplausos)