Madrona Talks e Mario Mello: Participação política e instituições financeiras no meio digital
Oi, eu sou a Luciana Renouard, e esse é o Madrona Talks.
Hoje a gente vai falar sobre a participação política do povo na vida política de Brasília.
E para isso, a gente trouxe o Mario Mello, que já foi empresário do setor financeiro, foi sócio da PayPal.
E depois de muito sucesso nos seus empreendimentos pessoais, ele resolveu contribuir um pouco com algo cívico para ajudar as instituições do país.
Ele criou um app que acompanha a criação de leis no Congresso e o posicionamento dos políticos com relação a todas essas leis, “O poder do Voto”.
Mario, obrigada por aceitar nosso convite.
Eu que agradeço, obrigado.
Mario, conta para a gente.
Essa foi uma ótima ideia, e você colocou um pouco o eleitor dentro do Congresso, que está tão longe do calor do povo.
Como é que funciona isso, esse poder de acompanhar os parlamentares, em que eles votaram, como é que está funcionando?
Conta um pouco do app.
Então, um pouco contando assim, vendo um momento um pouco de, foi setembro de 2017, o Congresso estava discutindo uma reforma para ampliar a participação política, e o próprio Congresso chama de reforminha.
Eu fiquei um pouco angustiado e nesse processo de angústia, e já um desejo de retornar um pouco à sociedade - eu sou engenheiro da Poli, quem pagou meus estudos foram os cidadãos, os impostos que nós pagamos - então como é que eu podia ter uma jornada de contribuição.
Mas eu lembro bem desse dia, e falei, “como é que a gente pode participar mais, como a gente pode trazer Brasília?”
E foi vendo um TedTalk, que eu sou meio viciado em TedTalks, que falava
"Não tem problema que a tecnologia não possa resolver uma parte". Fiquei com isso na cabeça e lembrei da Lei da Transparência.
Os servidores do Congresso têm as informações das leis.
Hoje, tem 27 mil leis lá registradas, todos os dados de deputados e senadores, e nós eleitores, cidadãos, temos celular.
Como criar um ambiente onde possa construir uma participação política e responder à pergunta, pra mim era: “O meu deputado ou a minha deputada federal me representa?”
Então, veio a ideia, até olhando para trás eu vejo a luzinha na minha cabeça em uma imagem do passado, e o processo de construção foi para tentar resolver 4 problemas.
O primeiro é acompanhar alguém no Congresso, receber o alerta da lei, que vai impactar você, o país, a família, antes de o deputado votar e tirar você da bolha.
Porque eu falo que o Facebook não foi criado para discutir política.
Então, por que não criar uma tecnologia para discutir política?
Tem um ambiente seguro com opiniões de esquerda e de direita, da União Geral dos Trabalhadores ao Instituto Millenium, dos sindicalistas a grupo dos empresariados, até 13 empresas.
Você cria opinião e cria pontos. Acho que o Brasil e as pessoas precisam criar pontos.
Você lá dentro consegue ter acesso às opiniões de todas essas instituições sobre um determinado tema?
Exatamente.
Você vota, e cria um instrumento de participação e cobrança construtiva ao seu deputado.
A somatória dos votos sobre aquela lei, por exemplo, a PEC da Previdência que foi super, como é que você gostaria que votasse. Mas o mais legal é que por causa da tecnologia e porque está tudo capturado, a gente captura o voto do deputado ou da deputada e começa a fazer o match do seu perfil com seu perfil de voto.
Eu ia perguntar isso, se o deputado em que eu votei, no final, não segue o que eu imaginava que ele seguiria, quais alternativas o aplicativo me dá, o que que é aquele botão "Me representa"?
O ‘Me representa’ é a possibilidade de empoderar a nós cidadãos.
Se você nvestiu e colocou, ele diz que deputado, porque tudo é digital e tudo está disponível, os robôs votam mais parecido com o meu perfil, então a forma de você não basear em promessas políticas, eu brinco que é um produto de pós-venda: a gente está monitorando o nosso desejo sobre o impacto das leis, e ele mostra que deputado, quais são os 3 deputados ou deputadas, que votam mais parecidos com você. Então, em vez de xingar, criticar, siga outro.
E você encontra o seu perfil, como votar melhor.
Eu digo, nem o nosso voto terminou dia 7 de outubro e nem... a gente tem que construir uma ferramenta de acompanhamento para poder votar melhor nas próximas eleições.
Você falou um pouco sobre não adiantar xingar na rede social, mas a verdade é que hoje em dia essas discussões nas redes sociais com amigos, familiares, parece que a gente tem políticos de estimação.
Você não acha que político ao invés de ser defendido ele não deveria ser cobrado?
Isso para mim é perfeito. Uma das minhas intenções como empreendedor é retornar a palavra "servir".
O deputado está a serviço de uma promessa, de uma plataforma política que prometeu aos eleitores.
Como é que a gente usa a tecnologia para fortalecer a cidadania e poder realmente cobrar?
Eu concordo plenamente.
Eu fico angustiado, eu conheço amigos que não se falam mais, irmão que não conversam.
O palco de discussão das leis do país, da política é o Congresso Nacional.
Não é o grupo de WhatsApp da família ou dos amigos da escola, nem o Facebook.
Como é que a gente pega essa energia e concentra no nosso representante, e usa a tecnologia para dizer "se ele não me representa, quem me representa?"
Lógico.
Falando de polarização, hoje temos totais extremos, a pessoa é totalmente a favor de uma coisa ou da outra que é oposta, e muito pouca gente é, e parece que quem é neutra é a pessoa que não está envolvida, que não se interessa por política.
Como é que a gente faz para reconectar o brasileiro com a política de uma forma saudável?
Olha, eu acho que eu não tenho a resposta, mas eu acho que as pessoas que são neutras, acho que elas precisam participar mais. Acho que talvez a polarização tenha tirado pessoas que queriam construir pontes, até por que elas sentem, são pessoas que não querem agredir, e eu acho que a gente precisa fortalecer esse movimento de construção, eu acho que o país tem temas graves, educação, infraestrutura, saneamento, e se a gente não criar diálogos, e também a gente entender que não tem alguém que faz 100% certo ou
100% errado, eu acho que essa é a menor preocupação hoje. É tudo certo ou tudo errado.
Acho que tem uma construção, e que o meu papel é, como é que eu consigo disponibilizar para a sociedade, nós - o poder do voto, o instrumento para poder criar isso.
Entendi.
Porque o Facebook não foi feito para discutir política, é uma excelente ferramenta, mas ela foi feita para te vender, para encontrar amigos, e para você dar like.
No aplicativo, o eleitor também pode dar o seu voto?
Mostrar para o deputado o que ele acha de cada coisa? É importante ele mostrar o voto, porque só votando ele cria o perfil dele.
Então, por exemplo, eu vou colocar leis polêmicas para votar, o abuso de autoridade.
Qual foi a sua opinião?
Lei da Previdência, qual foi sua opinião?
Armamento...
Quando você coloca o seu voto, os robôs capturam e vêm o match com seu deputado.
E o deputado consegue enxergar isso?
Ele recebe uma somatória dos votos dos seus eleitores.
Também é um instrumento de participação e cobrança política.
E tem duas formas de votar, isso é importante, votar anonimamente, ele sabe que você é uma pessoa que existe, ou mandando um recado, e aí abre seu e-mail e manda uma mensagem.
Entendi.
No final das contas, você sente os deputados aderindo a isso, ou não?
A gente tem o sonho de ter mais deputados aderindo, a gente ainda acha pouco, talvez a gente tenha uns 40 ou 50 deputados realmente envolvidos no aplicativo.
A beleza é que eles não precisam se envolver, porque eles recebem informação automaticamente, porque com a Lei da Transparência, captura-se o dado, e ele está recebendo informação.
Nós visitamos todos os gabinetes, mostramos relatórios, mas a gente também acredita que isso virá com o crescimento da base, o dia que a gente tiver 2 milhões de usuários, não tem jeito, ele vai precisar ir lá responder e dar uma satisfação.
Nosso objetivo é fortalecer a cidadania primeiro porque agente criou um instrumento de valor.
Vários deputados falam para mim "Poxa, Mario, custa dinheiro fazer essa informação que você está capturando, isso para mim também gera valor, eu estou perdido na minha página que eu não sei se é hater, se é eleitor, se é robô, então, isso me dá um instrumento realmente de participação, e um dado confiável de informação do meu eleitor".
Mas precisa aumentar essa base.
Então, olha gente, baixe o aplicativo “O poder do Voto”, é de graça.
E mostra o seu ativismo no lugar certo, para colaborar um pouco com a política do país de forma saudável.
Mario, só para encerrar.
Você continua atuando no mercado de venture capital, fazendo investimentos em todas essas empresas de tecnologia, tem algum aplicativo novo por aí, alguma ideia que você possa dar um furo para gente, não?
Hoje eu não tenho, não posso dar furo, por que até hoje eu trabalho no venture capital, que é a Valor Capital Group.
Eu lidero o print de fintech e a gente faz os investimentos, mas o que eu diria é que é um movimento muito positivo, tem várias, a dinâmica desse mercado é muito poderosa,
Acho que tem 3 vetores, um é o cloud, que permite você realmente criar uma startup com baixo custo de infraestrutura, terceiro é a regulamentação do Banco Central, que realmente tem sido acho que pioneiro.
Tem que parabenizar o Banco Central por essa criação, desses novos instrumentos legais,
SCD, IP que aumentam a concorrência.
Tem essas coisas de sandbox adotadas pelo Banco Central, não?
De que sandbox?
De criar ambientes em que se pode testar coisas novas sem ter um poder ali de repressão tão importante.
Tem, a instituição de pagamento, que permite você trabalhar em uma instituição de pagamento em um waiver por um período, se não me engano até 2 milhões faturamento, e isso permite uma concorrência enorme.
Você vai, trabalha, cria e depois você só pede autorização regulatória depois que você atingir o gatilho.
Então, o Banco Central tem sido realmente pioneiro em criar instrumentos para poder aumentar a concorrência e viabilizar soluções para os consumidores. É isso que tem feito as fintechs trazerem tantas soluções desruptivas, e que melhoram a vida.
Eu acho que a solução, por exemplo... a gente fala que o Brasil tem poucos bancos, poucas ofertas, mas se a gente olhar nos últimos dois anos o que tem de entrante, e pensa
"Ah, não, só tem gente com muito capital que nem o Banco Inter ou C6 ou BTG."
Mas tem, para você ter uma ideia, bancos que trabalham com MEI, e passaram pela nossa análise mais de sete nos últimos dois meses.
Então, realmente eu acredito que vai ter mil a dois mil bancos digitais nos próximos dois anos.
Você acha que é o fim do monopólio dos nossos 5 maiores bancos?
Eu acho que aumenta a concorrência, é bom.
Me lembra um pouco, um comparativo parece, o mercado de cerveja, o que aconteceu com as cervejas artesanais. É concorrência, é oferta, é segmentação, é melhor produto, é preço, então é vantagem para o consumidor poder escolher, então quanto mais ofertas tiverem melhor para o consumidor.
Maravilha.
Mario, parabéns pela iniciativa, é bom ver alguém fazendo algo construtivo pela política.
Eu que agradeço pela oportunidade.
Obrigado, prazer.
Na semana que vem a gente volta com mais um Madrona Talks.
Toda segunda-feira a gente tem uma entrevista nova para você.
Se você quiser assistir todas as nossas entrevistas é só acessar o nosso canal no YouTube.
